Dia 46 – Os Paradoxos do “Reskilling”

Ligo a televisão e vejo uma jovem especialista em recursos humanos de nacionalidade indefinida a falar em inglês “técnico” acerca da aceleração do reskilling nestes últimos meses. E não consegue esconder o entusiasmo perante o que ela diz ter sido uma transformação rápida no mundo do trabalho que antes se dizia ser matéria para anos.

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O Que É Um Canal “Estilo Youtube”?

É como os estudos “tipo OCDE”? É como se fosse, mas não é?

É um canal próprio do ME com conteúdos dos programas das várias disciplinas para os vários anos? Em directo ou gravados?

Ou são conteúdos colocados em canais no Youtube, como muitos que já existem e alguns com boa qualidade?

Amanhã volto ao assunto com um pouco mais de tempo e boa disposição com estas patacoadas que agora parece sair a 300 à hora de qualquer patusco /(mesmo que ministro) que acha que percebe de Educação. Até porque o assunto merece um pouco mais do que umas coisas “estilo soundbite”.

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Coadjuvar?

“Vamos avançar com uma iniciativa nacional para a melhoria da internet nas escolas, dando ainda prioridade absoluta ao apetrechamento tecnológico e ao aumento e à melhoria dos equipamentos de computação”, anunciou.

Tiago Brandão Rodrigues disse ainda que será desenvolvido um novo programa de formação específica destinado aos professores para que possam coadjuvar os alunos.

Pode parecer que não, que é um detalhe, uma forma de falar, mas é todo um “pensamento” algo patarata que está por trás deste tipo de terminologia.

E o que dizer das declarações acerca da “Educação a tempo inteiro” resultar de “recomendações internacionais”?

Trapos

6ª Feira

Ando a embirrar solenemente com o termo “sustentabilidade”. Não é estado d’alma novo, mas agravou-se desde que os spin doctors do actual PM decidiram que era muito “esperto” associar “sustentabilidade orçamental” e “sustentabilidade ambiental” para justificar a não redução da carga fiscal sobre os combustíveis a água e o gás, como se o pessoal passasse a fazer menor refeições a tomar menos banhos e a ir para a cama com as galinhas (salvo seja) por causa disso e assim salvássemos o planeta, quando os grandes consumidores têm os benefícios negados aos pequenos. Pior… se é verdade que cada vez mais electricidade é produzida por meios “sustentáveis” (energia solar ou eólica, por exemplo), o argumento ainda se torna mais hipócrita.

Parole

Os “Rótulos”

Há pessoas com tão firmes convicções que as mudam a cada “formação” a que assistem, para ver se camaleonam melhor a pele aos tempos. Nada como ouvir quem há um ano dizia cobras, lagartos e osgas de alguns alunos, com adjectivações coloridas e muito inclusivas na perspectiva vocabular, a jurar a pés juntos que a pior coisas que se pode fazer a um aluno é “rotulá-lo”. Não é que discorde da ideia na origem e formulação ideal, mas arrepia-me o seu uso de forma acrítica para justificar preguiças diversas e tudo menos inclusão. Porque o pior que pode acontecer a um aluno é ele ter um problema e, para não o “rotular”, ficarmos sem saber características suas importantes e, como consequência directa, como lidar com essa situação.

No império do politicamente correcto, o Camões podia ser “poeta”, mas nuca “zarolho”. Aceita-se Beethoven como “músico”, mas não como “surdo””. Mozart como “génio” mas ai-jesus se levantarmos suspeitas sobre um possível distúrbio como o síndrome de Asperger. Por exemplo, a recentemente famosa Greta Thunberg poderá ser “ecologista” mas que se livrem aqueles que refiram o seu diagnóstico de TDAH ou de Asperger sobre a qual a própria falou sem complexos (coloquem legendas), em mais de uma ocasião.

Os “rótulos” são maus, diz-se que “reduzem” as pessoas e as estigmatizam, que são factores de “exclusão”. Mas só são “rótulos”, de um ponto de vista negativo, de acordo com a forma como agimos em relação ao que são características das pessoas. Continuo sem perceber como se pode ter “o direito à diferença” se ocultarmos essa diferença. Não entendo que as mesmas pessoas – algumas nem isso, porque lhe falta a elasticidade mental – que se dizem defensoras dos direitos das pessoas lbgtq+ assumirem a sua identidade específica, se depois querem ocultar outras situações, que podem ser tão ou mais complicadas no quotidiano, com base no argumento da “rotulagem”.

Acho que quem fala em “rótulos” é que, em muitos casos, tem a cabeça cheia de preconceitos. Eu sou míope, ponto final e esse é um facto que não adianta ocultar, em especial se, quando aluno, tivesse partido os óculos a jogar à bola e insistissem em deixar-me na última fila da sala. Sim, também sou “gordo” e isso não me incomoda como “rótulo”, a menos que quem assim me trate acrescente observações abusivas do ponto de vista “moral” ou “ético” quanto a este ou aquele estilo de vida.

Porque caracterizar de forma adequada e rigorosa um@ alun@, com base num diagnóstico competente, não é apoucá-l@. É permitir que @ conheçamos e estejamos melhor equipados para lidar com a sua circunstância particular e com a sua individualidade.

É pena que exista quem da “inclusão” só recolha os tiques de linguagem.

bacalhau-narcisa

(por exemplo, o bacalhau tem 1001 rótulos e vive bem com isso… e até ajuda quando estamos a consultar a ementa…)