Isto É Muito À Frente

Para que não digam que eu não me actualizo em leituras inovadoras. è verdade que quase me saltam as lágrimas, mas não sei se é pela mesma razão exposta no artigo.

When the Tears Just Pop Out of Your Eyes: Reconfiguring Social-Classed Literacies Through a Posthuman Teacher Education Pedagogy

This chapter draws on theories of new materialisms that assume the discursive (language, ideology, emotions) and the material (physical space, material objects, bodies) are always entangled and act together to produce phenomena. We use these theoretical concepts to persuade readers that the ways we perceive, judge, and discriminate based on social-class difference are literacies that we acquire and produce across time and space. The authors argue that these literacies are acquired by the body through our material-discursive intra-actions and are often felt viscerally, even when we don’t have access to language appropriate for articulating what we know. We use vignettes from teacher education courses to support a call for tending to the body, space, social-classed texts, and emotions in the design of curriculum and pedagogy aimed at approaches to teaching and learning that are sensitive to social class.

(…)

It makes it possible to know in your body the classed realities of the world we live in and even perform them with precision, yet to be unable to speak them with words (like our student who stopped everything when she said “this is hard”), for your voice to shake with the acknowledgment of the violence and the desire to make something different, and for tears to pop out of Randall’s eyes with the same acknowledgement and desire.

ÓMaiGóde!

The pop star’s decision to replace two words in her song “Heated” follows Lizzo’s removal of the same term, which has been used as a slur against disabled people, from her track “Grrrls.”

O raio da palavra, mesmo no chamado calão urbano, pode ter múltiplos sentidos e usos.

Parecendo que não, para mim isto entra na mesma categoria do episódio do manual de Filosofia, que a Porto Editora que retocar numa passagem.

Quando Se Especifica Uma Dezena de Medidas “Urgentes”, Já Sabemos Que Vai Ser Coisa Para Durar Um Mandato, Até Nos Perdermos No Caminho

O discurso a armar-se em sofisticado e biocoiso é capaz de cair muito bem em certos directores teip que se deslumbram com as próprias “inquietações” e dificilmente se sentem mal longe das salas, mas não passa de uma enorme verborreia armada ao pingarelho que não se traduzirá em nada com efeitos sensíveis ou “urgentes”.

O estudo todo fica por aqui:

“E Depois Os Nazistas Mataram Muitos Poloneses”

Só estou a dar 6º ano, pelo que não foi comigo, mas é sempre um must, em especial porque nem se trata de alun@s de origem brasileira, mas apenas de tugas dominados pelo algoritmo googlento.

Ou então é o AO22, o mesmo do “Concelho Europeu” de que, afinal, a culpa nem é do tradutor.

Inovação Linguística!

Não chega o AO90! Há que ir mais longe. Na newsletter de uma Faculdade em que passei uns bons anos (licenciatura+mestrado+núcleo de investigação) e que agora parece querer ser muito modernaça, temos na mesma edição a insistência numa mesma grafia, quiçá resultado da ida do estagiário ao google tradutor e não se perde mais tempo com isso. Se assim não foi, ainda pior, que se isto é ensino “superior” eu mando-os já de volta para o 5º ano estudar as homófonas, que tenho quase a certeza terem sobrevivido às “essenciais”.

Isto são pormenores? Talvez.

Sábado

Lamento repetir-me, mas cansa-me muito ver e ler as “lideranças” a falar muito em “trabalho colaborativo” quando do que se trata é dos outros fazerem o que el@s querem que se faça. Vem isto a propósito, mais uma vez, de “líderes” que se mostram muito nas redes sociais a apelar ou a pugnar pelo “espírito de equipa”, com apresentações modernaças e coisas assim, tipo slogans de gente conhecida, mas que têm da sua prática uma perspectiva muito peculiar e diferente da que aprendi quando as palavras tinham alguma substância e não eram apenas floreios.

Lá está, prefiro muitas vezes certas solidões do que determinadas companhias. Ao menos, quando falha alguma coisa, não vou logo culpar o seferovic.

Sábado

Uma das palavras agora em voga é “transição”. Transição digital, transição energética, transição seja o que for. O que significa que estamos em trânsito de um ponto para outro. Mas isso estamos sempre, queiramos ou não, porque faz parte da ordem natural das coisas. De forma mais rápida ou mais lenta. O problema é que ouvimos e lemos muito sobre transição, mas raramente a que sentimos é a anunciada. Eu senti, por exemplo, uma transição fiscal bem forte e nem por isso gostei. Muito menos que sinto que essa transição é regressiva, no sentido da perda de direitos ou capacidades. “Transição digital” é um dos chavões que agora se aplica a tudo e nada. Nas escolas até se fazem planos, mesmo que não existam meios para a assegurar. Fora delas, não se explica que muitos dos avanços na circulação da informação se baseiam em tecnologias pouco amigáveis com a Natureza. Já no caso da energética, receio muito que a deriva para a “descarbonização”, se for feita na base da destruição da cobertura vegetal para colocar painéis solares em todo o lado e mais algum, não acabe muito bem. Como aconteceu a desflorestação no Brasil para produzir etanol. Usa-se o termo como se significasse progresso, para cativar apoios e adesões. Mas em alguns casos, talvez fosse bom esclarecer que talvez signifique um regresso. Ou as suas verdadeiras implicações a médio e longo prazo, para além da propaganda e de novas áreas de negócio.