“Descriminações”

Todos cometemos erros e eu sou daqueles que escreve muito depressa, publica e só depois vai rever (ou alguém me avisa que a dislexia digital atacou em força). Mas quando se trata de documentos oficiais (mesmo que não assinados), com origem no Ministério da Educação, a coisa fica um bocadinho mais feia, até por causa da responsabilidade acrescida da coisa. Neste caso, seria bom que a pessoa responsável da DSTSI, até porque apresenta um mestrado em Ciências da Educação, com especialização em Informática Educacional e se diz que “exerceu diversos cargos em escolas básicas e secundárias, a par da atividade letiva: diretor de turma, diretor de curso, orientador de estágios curriculares, coordenador TIC, coordenador de diversos projetos curriculares e de complemento curricular” (a impressão digital ficou no documento), soubesse usar pelo menos um corrector ortográfico.

Eu não uso, porque escrevo com AO para a escola, sem AO para o resto e com outras grafias quando transcrevo documentos coevos. Mas ficaria bem que não enviassem coisas neste estado para todas as escolas do país. Não se trata de nenhum policiamento ou fundamentalismo da ortografia. É apenas porque quem em poucos anos subiu tantos degraus na hierarquia TIC do ME, deixando para trás pouco mais de meia dúzia de anos de docência, poderia mostrar-nos como se faz mais do que explicar logins.

Acontece? Claro que acontece, mas… fica mal.

O Peso Das Palavras

Quando me lembro de ler algo como “falhanço nacional” acerca do encerramento das escolas e depois vejo dezenas de ambulâncias paradas, horas a fio, a fazer de quartos de enfermaria, no acesso aos vários hospitais do país, penso que só podem estar a brincar comigo.

Quando a propósito de duas semanas sem aulas há quem fale em “geração perdida” ou “destruição de uma geração” e todos os dias morrem, de uma doença que alguns iluminados negam existir ou ser digna de especial atenção, o equivalente a um avião de passageiros, daqueles já bem grandes, quase tudo gente idosa, só posso pensar que estou perante gente que gosta de piadas de mau gosto.

Dois Mundos

Leio no Público o presidente da ANDE a afirmar que “a situação está muito melhor do que em Março” referindo-se aos meios ao dispor de escolas e alunos para o ensino à distância. Diz que na escola dele já só há 15% (contra 30% em Março) de alunos sem equipamentos. Ainda bem que ele acha que Sanfins chegou ao 1º mundo. Azar meu, andar pela cauda da coisa, o que me provoca a “prevalência” de uma “percepção” claramente errada da situação.novil

Quando Não Há Nada De Concreto Para Apresentar, Anuncia-se O Já Anunciado (Com Muitos Pilares E Coisas Assim Como Catalisadores)

São 3 pilares, 6 catalisadores, 57 iniciativas, 12 medidas emblemáticas. André de Aragão Azevedo detalhou em entrevista ao SAPO TEK as principais áreas de investimento e fez o ponto de situação do que já está a avançar.

Os últimos dias têm sido muito férteis em (re)anúncios:

As 12 medidas prioritárias do Plano de Ação para a Transição Digital

E depois o “discurso” é sempre tão entusiasmado, tão techno on steroids, que até impressiona. E nem poderia faltar a “abordagem holística” no universo digital.

Formar mais de 3 mil profissionais em TIC, garantir literacia digital a mais de 1 milhão de infoexcluídos e promover uma Escola digital são algumas das iniciativas do Plano que estão viradas para as pessoas. André de Aragão Azevedo explica o que está a ser feito e diz que não tem receio do “efeito” do programa Magalhães, que elogia.

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“Na capacitação e digitalização das pessoas fizemos uma abordagem por ciclo de vida. Temos a Escola Digital e a população ativa, onde o que estamos a fazer é verdadeiramente disruptivo, e a infoinclusão dos séniores”, afirmou numa entrevista à margem do Portugal Digital Summit.

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1.200 mil alunos e professores abrangidos pelo programa Escola digital

Na Escola Digital, André de Aragão Azevedo salienta que o programa foi desenhado para ter de abordagem holística na transformação do posto de trabalho, para alunos e professores. “Não queremos a visão tradicional das aulas TIC, queríamos democratizar o acesso à digitalização em contexto escolar e isso implica tirar partido de um conjunto de ferramentas que tinham de estar, na prática, disponibilizadas para o conjunto da comunidade, até porque um dos desafios que a pandemia pôs a nu foi o tema da vulnerabilidade económica e social de algumas franjas da população que quando se viram confrontadas com a necessidade de terem aulas à distância não tinham os meios para isso acontecer de forma natural e eficaz”, afirma.

Pequeno Contributo Para Um Dicionário Terminológico Da Educação, Numa Perspectiva Histórico-Comparativa

  • Anos 60-90 do século XX: “Revisões”.
  • Anos 00 e 10 do século XXI: “Consolidação dos conteúdos/da matéria (do ano anterior)”.
  • 2020-21: Recuperação das aprendizagens não realizadas.

(a parte que ainda está por definir com clareza semântica acima de suspeita é como se “recupera” o que não foi realizado)