“E Depois Os Nazistas Mataram Muitos Poloneses”

Só estou a dar 6º ano, pelo que não foi comigo, mas é sempre um must, em especial porque nem se trata de alun@s de origem brasileira, mas apenas de tugas dominados pelo algoritmo googlento.

Ou então é o AO22, o mesmo do “Concelho Europeu” de que, afinal, a culpa nem é do tradutor.

Inovação Linguística!

Não chega o AO90! Há que ir mais longe. Na newsletter de uma Faculdade em que passei uns bons anos (licenciatura+mestrado+núcleo de investigação) e que agora parece querer ser muito modernaça, temos na mesma edição a insistência numa mesma grafia, quiçá resultado da ida do estagiário ao google tradutor e não se perde mais tempo com isso. Se assim não foi, ainda pior, que se isto é ensino “superior” eu mando-os já de volta para o 5º ano estudar as homófonas, que tenho quase a certeza terem sobrevivido às “essenciais”.

Isto são pormenores? Talvez.

Sábado

Lamento repetir-me, mas cansa-me muito ver e ler as “lideranças” a falar muito em “trabalho colaborativo” quando do que se trata é dos outros fazerem o que el@s querem que se faça. Vem isto a propósito, mais uma vez, de “líderes” que se mostram muito nas redes sociais a apelar ou a pugnar pelo “espírito de equipa”, com apresentações modernaças e coisas assim, tipo slogans de gente conhecida, mas que têm da sua prática uma perspectiva muito peculiar e diferente da que aprendi quando as palavras tinham alguma substância e não eram apenas floreios.

Lá está, prefiro muitas vezes certas solidões do que determinadas companhias. Ao menos, quando falha alguma coisa, não vou logo culpar o seferovic.

Sábado

Uma das palavras agora em voga é “transição”. Transição digital, transição energética, transição seja o que for. O que significa que estamos em trânsito de um ponto para outro. Mas isso estamos sempre, queiramos ou não, porque faz parte da ordem natural das coisas. De forma mais rápida ou mais lenta. O problema é que ouvimos e lemos muito sobre transição, mas raramente a que sentimos é a anunciada. Eu senti, por exemplo, uma transição fiscal bem forte e nem por isso gostei. Muito menos que sinto que essa transição é regressiva, no sentido da perda de direitos ou capacidades. “Transição digital” é um dos chavões que agora se aplica a tudo e nada. Nas escolas até se fazem planos, mesmo que não existam meios para a assegurar. Fora delas, não se explica que muitos dos avanços na circulação da informação se baseiam em tecnologias pouco amigáveis com a Natureza. Já no caso da energética, receio muito que a deriva para a “descarbonização”, se for feita na base da destruição da cobertura vegetal para colocar painéis solares em todo o lado e mais algum, não acabe muito bem. Como aconteceu a desflorestação no Brasil para produzir etanol. Usa-se o termo como se significasse progresso, para cativar apoios e adesões. Mas em alguns casos, talvez fosse bom esclarecer que talvez signifique um regresso. Ou as suas verdadeiras implicações a médio e longo prazo, para além da propaganda e de novas áreas de negócio.

Linguagem As(s)inina

Novo manual de linguagem inclusiva. “Em 95%, os documentos são iguais”, refere Francisco Assis

Este argumento de serem só 5% as alterações não é paradoxal em si mesmo em que pretende defender as minorias? Alguém terá coragem de lhe perguntar se defende que 5% sejam o limite para praticar outras tropelias como de pouca coisa se tratasse?

Este homem é um homem para todos os poleiros.