Juntaram-se Os Dois Na Esquina, A Tocar A Concertina, A Dançar O Solidó

O Partido Comunista Português (PCP) não concorda com o encerramento das escolas, a partir desta sexta-feira, e pede ao que Governo recue “o mais rapidamente possível”. Os comunistas entendem que a interrupção das atividades letivas tem consequências nefastas no processo de aprendizagem dos alunos e dizem que os apoios anunciados para as famílias são “insuficientes”.

“O PCP tem defendido que as escolas não deviam encerrar tendo em conta os prejuízos que serão causados aos alunos, nomeadamente nas suas aprendizagens. Para o PCP, não há alternativa ao ensino presencial, único que garante a necessária interação entre o aluno e o professor na sala de aula, elemento decisivo para garantir a qualidade do ensino”, lê-se num comunicado do partido enviado às redações.

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“É pena que tenha sido feito desta forma abrupta, quando seria ideal que tivesse tido a programação possível. Mesmo agora, seria desejável que houvesse um mínimo de previsão sobre o que se passará de seguida. Ninguém acredita que se esteja a falar de uma suspensão por duas semanas apenas”, disse à agência Lusa o matemático que assumiu a pasta da Educação e da Ciência, como independente, no Governo liderado por Pedro Passos Coelho.

Às questões da Lusa sobre as medidas anunciadas pelo Governo e possíveis consequências, Nuno Crato respondeu com outra pergunta: “Vamos prolongar estas férias forçadas de todos os nossos jovens, com as consequências graves para a sua educação e com os prejuízos brutais que isto tem para as vidas familiares e para a economia, tanto familiar como nacional?”.

O Horror! O Horror!! É O Apocalipse!!! AiJazuze!!!

Bastam duas semanas em aulas e o homem entra em colapso mental.

E este novo #ficaremcasa não representa só a destruição do futuro de uma geração de alunos pobres; também representa a destruição dos sonhos profissionais de muitas mulheres de todas as classes, porque são elas (e não eles) que se sacrificam em casa pelos filhos.

Este texto é escrito a sério, mas parece arrancado à melhor (?) comédia de costumes, em tons de dramatismo milenarista. Quinze dias em casa e a uma geração de alunos pobres (para dar um toque “social” ao delírio) é destruída, assim como os “sonhos profissionais de muitas mulheres” (a demagogia a galope) “porque são elas (e não eles) que se sacrificam em casa pelos filhos” (acho que ele não percebe bem quantos disparates concentra nesta frase, embora eu destaque o do “sacrifício”).

O Henrique Raposo já pareceu novo, mas agora parece daqueles velhos sempre a anunciar o fim do mundo. E isto digo eu, que em regra sou considerado assim para o velho do restelo, sempre a apontar “problemas”.

Mas o que me custa mais – e nesse caso, não sei se consigo sequer achar graça – é o escriba achar que é por causa de dois anos lectivos interrompidos que “nunca mais o sistema conseguirá agarrar e salvar milhares de jovens da pobreza material e cultural em que vivem”. E eu que pensa – mas sou um inconsciente – que essa pobreza material e cultural é o resultado de muitas décadas de governança em interesse próprio. Que tanto que agora sofrem pelos “pobrezinhos”. Que enorme falta de decoro. Embora há uns anos o mesmo autor tenha ganho muito saber nestas matérias, pois até terminou prosa (não muito diferente do discurso actual do Ventura sobre as “pessoas de bem”) dando a entender que se aprende muita coisa, fazendo “antropologia suburbana durante quinze dias”.

O que direi eu que lá dou aulas há décadas. Tenho muito a aprender com o Raposo, que não gosta que lhe chamem betinho.