O Horror! O Horror!! É O Apocalipse!!! AiJazuze!!!

Bastam duas semanas em aulas e o homem entra em colapso mental.

E este novo #ficaremcasa não representa só a destruição do futuro de uma geração de alunos pobres; também representa a destruição dos sonhos profissionais de muitas mulheres de todas as classes, porque são elas (e não eles) que se sacrificam em casa pelos filhos.

Este texto é escrito a sério, mas parece arrancado à melhor (?) comédia de costumes, em tons de dramatismo milenarista. Quinze dias em casa e a uma geração de alunos pobres (para dar um toque “social” ao delírio) é destruída, assim como os “sonhos profissionais de muitas mulheres” (a demagogia a galope) “porque são elas (e não eles) que se sacrificam em casa pelos filhos” (acho que ele não percebe bem quantos disparates concentra nesta frase, embora eu destaque o do “sacrifício”).

O Henrique Raposo já pareceu novo, mas agora parece daqueles velhos sempre a anunciar o fim do mundo. E isto digo eu, que em regra sou considerado assim para o velho do restelo, sempre a apontar “problemas”.

Mas o que me custa mais – e nesse caso, não sei se consigo sequer achar graça – é o escriba achar que é por causa de dois anos lectivos interrompidos que “nunca mais o sistema conseguirá agarrar e salvar milhares de jovens da pobreza material e cultural em que vivem”. E eu que pensa – mas sou um inconsciente – que essa pobreza material e cultural é o resultado de muitas décadas de governança em interesse próprio. Que tanto que agora sofrem pelos “pobrezinhos”. Que enorme falta de decoro. Embora há uns anos o mesmo autor tenha ganho muito saber nestas matérias, pois até terminou prosa (não muito diferente do discurso actual do Ventura sobre as “pessoas de bem”) dando a entender que se aprende muita coisa, fazendo “antropologia suburbana durante quinze dias”.

O que direi eu que lá dou aulas há décadas. Tenho muito a aprender com o Raposo, que não gosta que lhe chamem betinho.