Acabem-se Os Exames Do Secundário…

… e as Universidade contratarão empresas de recursos humanos para recrutarem o “capital humano” certo para as suas instituições, com testes de tipo ratinhos no laboratório social. Ou então farão umas entrevistas para confirmar que os apelidos e escolas de origem batem certo. Sim, haverá excepções. E até haverá aquelas instituições que aceitarão tudo, porque é o que sobrará no “mercado”. Acham que esse será um sistema de ingresso mais “inclusivo”? A sério que sois assim tão ingénuos ou apenas não conhecem, o país, a sociedade, a academia?

Nem sequer falo na bela rebaldaria em que muitos tornarão os três anos de pós-básico…

Mad doctor

Revolução Digital Na Educação?

Quando se começa (Prós e Contras) por apresentar uma (uma) sala digital do futuro que foi criada há 4 anos, penso que entramos logo por um paradoxo. Mas o problema não é esse, embora muita gente confunda o “futuro” com uma crença sua particular numa dada forma de usar a tecnologia. Não tenho muita paciência para ouvir um director a falar na “escola do século XIX”, e nos males da “aula expositiva”, muito preocupado em mostrar-se modernaço, como se em alguma escola do país existissem condições para a maior parte das salas terem um equipamento capaz de uma aula de finais do século XX. Há gente que vive realmente no mundo da Lua e considera que 2 ou 3 salas “tecnológicas” são o “futuro”, quando há 20 com cadeiras e janelas todas rebentadas e sem quaisquer condições de luminosidade para usar quadros interactivos colocados num canto da sala. E isto é mais de espantar em quem, apesar de tudo, está nas escolas e não num gabinete bem climatizado da Católica ou da Nova Business e tal.

E mesmo agora ouvi falar em dar “liberdade” aos professores já que não se lhe pode dar dinheiro e a sorte foi eu não ter nada medianamente sólido para atirar à televisão. A “liberdade” nas escolas é uma quase miragem para os professores nas escolas de hoje, entregues a gente que desenvolveu em poucos anos um incrível complexo de Napoleão.

Valha-nos o António Carlos Cortêz.

tv_burro

O Futuro É Ali

It’s 2059, and the Rich Kids Are Still Winning

Editors’ note: This is the first installment in a new series, “Op-Eds From the Future,” in which science fiction authors, futurists, philosophers and scientists write op-eds that they imagine we might read 10, 20 or even 100 years in the future. The challenges they predict are imaginary — for now — but their arguments illuminate the urgent questions of today and prepare us for tomorrow. The opinion piece below is a work of fiction.

Future

Num Concelho Cor-de-Rosa Perto de Si/Mim…

… o autarca presidente garante que em novo mandato do seu governo, qualquer escolha de director@ terá de passar por ele, pois não quer ver um@ desconhecida a gerir-lhe os milhões. E depois será o pessoal docente. Tudo garantido informalmente por quem já decidiu o futuro, muito em especial em caso de maioria sem muletas ou com muleta central que concorda com a extinção de qualquer réstia de gestão escolar democrática ou “basista”. E depois “reconfigura-se” a rede escolar e é melhor nem entrarmos por aí, porque não há nada como engenheiros a racionalizar-nos a oferta/procura.

E se isto é assim por ali, dificilmente será diferente em outros bastiões. Qualquer ilusão vaga de reversão do modelo de gestão escolar está defunto. Daqui a 3-5 anos as actuais escolas-sede parecer-se-ão com as actuais escolas não-sede, terão uma espécie de coordenador@ com título talvez ainda de “director@”, mas a reportar tudo `autarquia-sede. Daí para baixo será o aperrear da cadeira hierárquica de submissão. Os Conselhos Municipais serão de legitimação e os Conselhos Gerais tenderão para a extinção, real ou simbólica.

Claro que isto está previsto desde 2008 ou mesmo antes e tem a colaboração activa do centrão e o colaboracionismo dos radicais (ainda) com poderes municipais significativos. E tudo o que disserem em contrário, será em modelo de verdade à pimentamachado (recordam-se?), um grande visionário da pós-verdade.

arreatasolacromooleada

Os Extremos Tocam-se E Titilam Em Sintonia

Uma parte da esquerda não gosta de exames e anda a preparar o caminho para que eles terminem, tendo mesmo já anunciado que o acesso ao Ensino Superior por parte de alunos dos cursos profissionais se faça sem passar por eles. Umas quantas instituições públicas e privadas em risco de definhar aplaudem com ambas as mãos.

Agora é uma parte da direita que vem dizer que a média do Secundário não deve contar para o acesso à Universidade. Umas quantas instituições de “topo” e bem colocadas nos rankings internacionais, com todo o interesse em seleccionarem a clientela , afastando “indesejáveis”, sem interferências exteriores aplaudem com ambas as mãos.

É curioso como certa esquerda e certa direita acabam por coincidir em medidas que irão menorizar o Ensino Secundário, transformando-o em apenas mais três anos de um Básico enorme, sem qualquer tipo de motivação extra para quem apenas está lá a passar tempo, ao mesmo tempo que se vai cristalizar de forma mais evidente um Ensino Superior “Dual”. Um para aqueles que lá entrarão sem qualquer tipo de exigência especial que não seja preencherem as vagas a concurso e produzirem estatísticas de frequência universitária e outro a que só acederão os que terão os meios, motivação e contactos certos para entrar nas instituições que se queiram mais exclusivas.

Isto não é a democratização do ensino superior, é a legitimação de um sistema fortemente desigual, em que, curiosamente todos terão o que pretendem, desde os que acham que serve qualquer canudo aos que sabem que só servem certos canudos, passando pelas instituições que aceitarão qualquer um para sobreviver aos que só aceitarão aqueles que lhes dêem garantias de manter o seu nível.

Quem disse que esquerda e direita (minúsculas) não acabam por ter estratégias e objectivos convergentes? Todos salvando as respectivas clientelas académicas, mas embarretando apenas os do costume?

Barrete

2ª Feira

Um dia tão bom como outro qualquer para encomendarem e/ou começarem a ler um dos melhores livros de não ficção que li nos últimos anos. Só vacila ali no penúltimo capítulo, quando explica em excessivo detalhe como podem ser produzidos vídeos automáticos para o Youtube, em especial para crianças com conteúdos violentos. Mas o resto é apenas um retrato de um presente praticamente invisível e dos erros e perigos dos deslumbrados com um futuro cibernético. O Neuromancer tem 35 anos e era ficção, mas agora começa a não ser.

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Amanhã É A 2ª Feira Dos “Próximos Vindouros Dias”…

… anunciados por um ministro irrelevante para o efeito, sendo que o destino de parte muito importante do tempo da vida profissional de dezenas de milhar de docentes será de novo alegadamente negociada por gente a quem não reconheço honestidade ou competência para o fazer, antes achando que são uma espécie de bailarinos de terceira categoria, mais para o habilidoso nas justificações depois do baile do que em tudo o mais. Como o meu dia será daqueles para o cheio, não sabendo desde já se terei tempo para um prognóstico mais próximo do meio do jogo, faço-o desde já, não vá, como em tempos, o próprio wordpress ser-me filtrado ao amanhecer e só poder publicar alguma coisa ao pôr do sol.

clown