O Ministro Tiago Está Na Televisão A Anunciar Coisas

De acordo com ele, o próximo ano lectivo poderá ser:

  • Preferencialmente em regime presencial
  • Em regime misto, presencial e com períodos de emergência com ensino remoto.
  • Em regime não-presencial se a evolução epidemiológica o obrigar.

Confesso que nada disto me tinha ocorrido.

Também falou em mais professores, psicólogos e horas para tutoria, o que fará o camarada Mário, em princípio, feliz. Resta saber se vai ser mesmo assim.

METiago

(ahhhh… e mais semanas de aulas para os mais novos… vai ser fartar até dizer chega, chega, chega…)

Pelo Educare

Educar para a adversidade

“Brucie dreams life’s a highway
Too many roads bypass my way
Or they never begin
Innocence comin’ to grief
At the hands of life’s stinkin’ car thief
That’s my concept of sin”
(Prefab Sprout, Cars and Girls, 1988)

(…)

Há um enfoque sistemático em educar de forma “positiva”, assumindo que a “felicidade” e o “sucesso” estão garantidos se fizermos tudo aquilo que nos dizem ser o certo. Mas a vida não é assim e o facto de se descurar a prevenção do que pode correr mal deixa muitos indivíduos vulneráveis, com níveis elevados de frustração, cada vez mais jovens. Porque não foram preparados para que as coisas corram mesmo mal. A uma escala que vai para além da “negativa” ou do ocasional “chumbo”. Há problemas muito mais graves do que esses.

Educar para a adversidade pode parecer um lema pouco apelativo.

Mas é indispensável que entendamos a sua extrema necessidade.

pg contradit

No Público De Hoje

É a recuperação de um texto aqui divulgado há quase duas semanas, antes da reconversão de ideias e/ou inversão de rumo de algum costismo digital educacional.

Que Educação para o século XXI?

Uma “comunidade de aprendizagem” adaptada ao século XXI tem exigências complexas a vários níveis que vão para além das alterações cosméticas das “salas do futuro”.

PG PB

Dia 75 – Humildade

A última crónica desta série diarística para o Educare, agora que entrámos na fase do “cruzem os dedos e esperem que corra bem”.

(…)

Esta nova fase deveria revelar que se aprendeu qualquer coisa, que se entendeu o quão frágil é a Humanidade e as suas “conquistas” quando um pequeno vírus fica descontrolado. Mas não é isso que me parece. A humildade é algo que nos ficaria tão bem ou melhor do que qualquer máscara usada como acessório de moda.

diario

Dia 69 – Vamos Falar Disto Mesmo A Sério? – 2

(…)

No presente, as teses construtivistas regressaram em força e tentam mostrar-se compatíveis com a era digital, quase como se a tivessem antecipado, mas a verdade é que tentam sem sucesso colocar roupas velhas a algo novo. Tentam explicar os fenómenos do século XXI, com teorias do século XX que, na origem, desconfiavam muito da desumanização tecnológica. E não conseguem resolver o paradoxo de quererem mudar a Educação, mas acabarem por usar os novos meios digitais como se fossem apenas algo equivalente ao aparecimento do stencil, do projector de slides ou da fotocopiadora, quando está em causa uma transformação muito maior.

(…)

diario

Dia 68 – Vamos Falar Disto Mesmo A Sério? – 1

(esta semana vou ser muito construtivo… para não dizerem que não há proposta ou alternativas)

(…)

Há opções a tomar que têm implicações profundas no modo de conceber e praticar o ensino e promover as aprendizagens, não se limitando a discutir que plataforma é melhor para simular uma aula presencial à distância ou que ferramentas tem cada plataforma para apresentar um powerpoint aos alunos numa sessão síncrona ou partilhá-lo de forma assíncrona. Enquanto andamos por estas “águas”, nada de muito novo se passa, porque continuamos (por muito que se negue) no “velho paradigma”, seja ele behaviourista, cognitivista ou construtivista, Mas é o que tem acontecido, porque é neste caldo cultural que os decisores e conselheiros próximos se sentem confortáveis.

(…)

diario

E O Próximo Ano Lectivo?

A crónica mensal, mais longa dos que os verbetes diários, com propostas que, já sei, os situacionistas dirão que não foram feitas. Ou que nem interessam a ninguém, porque o que lhes interessa é a encenação de uma pseudo-novo paradigma.

A multiplicação insana de novos mecanismos de controle do trabalho docente e de representação dos actos pedagógicos ganhou em algumas “unidades orgânicas” um nível inaudito de desvario. Ou as novas tecnologias servem a Educação e os seus agentes ou servem apenas para uma nova forma de servidão laboral, só que com o verniz da modernidade digital.

(…)

Porque o modelo hierárquico de liderança, baseado na nomeação e fidelidade, aliado a esta forma de decidir tudo à distância, também acentuou o que de pior tinha a lógica neo-feudal de governação das escolas e agrupamentos. Também aqui a retórica das boas enunciações acerca do “trabalho colaborativo”, da “partilha dos materiais e métodos de trabalho”, da “cooperação” não tem qualquer correspondência na prática, porque o que tem acontecido é – com naturais, honrosas e admiráveis excepções – que grupos pequenos e cada vez mais estanques têm assumido o domínio total das decisões tomadas, raramente reagindo bem a críticas ou pedidos de “aclaramento” dos procedimentos. 

(…)

Um “novo paradigma” não pode ser o mesmo de sempre em termos de procedimentos + computadores + sessões à distância em sincronia. Caso contrário é apenas o velho paradigma com roupagens novas.

pg contradit

As Artes E O Novo Tele-Currículo Digital

Estive a reparar que na grelha  estão previstos dois segmentos para as vertentes artísticas e tecnológicas das Expressões todas misturadas do 1º ao 9º ano. Portanto, Educação Musical, Educação Visual e Educação Tecnológica que se cuidem que no futuro Currículo Digital serão enviadas para o olvido. Até que gostava de saber o que acha disto aquele colega muito amigo do poder que preside a uma associação que diz amén a tudo e ainda manda bocas a quem desalinha. E com isto, concorda? Ele não conseguia gravar umas aulas magistrais adequadas, pelo menos, a cada ciclo? Se hã disciplinas em que o ensino à distância (imagem e som) melhor poderiam ser explorados no sentido de desenvolver aquela parte do sentido estético que aparece no famigerado “Perfil” são as de Educação Visual e Educação Musical. Mas…

Pelo menos, assume-se o que é considerado “essencial”. Artes? Nem por isso… só se for para consumo pessoal. Não inalando, claro.

Pintura