Afinal Sempre Há Um Plano!

Comparar com o que o SE Costa disse ontem aos 3′ do programa Antena Aberta. Cá para mim, pensando que ia para outros ares, o homem deixou-se por uma vez ultrapassar pelo ministro que já tinha, na véspera, apresentado o plano inexistente. Que, claro, se dirá agora que é outro.

O programa ‘Includ-Ed’, que recorre a práticas pedagógicas inovadoras que envolvem a comunidade, foi elogiado pelo ministro da Educação: “É uma grande oportunidade para Portugal”

O programa ‘Includ-Ed’, para combate ao abandono e insucesso escolares através de práticas pedagógicas inovadoras que envolvem a comunidade, chega este ano a 50 agrupamentos de escolas do país, foi anunciado esta quarta-feira no Bombarral.

A inspiração foi colhida em Barcelona e a DGE tem até bastantes outros materiais online, traduzidos dos originais, porque parece que não há nada de novo por cá. Até aquilo das tertúlias que o ministro Tiago sugeriu não passa de uma cópia das Tertúlias Literárias Dialógicas dos anos 80 do século XX.

Não é a invenção da pólvora seca em pacotinhos, mas é do tempo áureo do Pisang Ambom com laranja.

sleepy

Já Lá Vão Cinco Anos E Meio…

… que escrevi o post abaixo contra o projecto, então do governo da troika/passos/portas, de aplainar e indiferenciar as carreiras da administração pública. Estava contra nessa altura, como ainda antes em outros textos contra a indiferenciação (este é de 2010), tal como agora, porque, na essência, o actual governo do PS apenas quer fazer o que a “Direita” não conseguiu: acabar com as carreiras especiais ou terraplaná-las sem remédio.

Da Carreira Salarial Única

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O Programa Do Governo Para A Educação

Está aqui e eu gostaria de destacar alguns aspectos (cf. pp 22-23 e 141-142 e p. 8 para a parte das “carreiras especiais”).

1. Revisão do modelo de gestão escolar, mas no sentido de subordinar a “autonomia” às exigências da municipalização, não me parecendo espúrio que talvez considerem a possibilidade de colocar técnicos autárquicos na direcção das escolas ou em cargos de assessoria.

Avaliar o modelo de administração e gestão das escolas e adequá-lo ao novo quadro que resultou do processo de descentralização e aos progressos feitos em matéria de autonomia e flexibilização curricular;

(…)

Dotar as escolas de meios técnicos que contribuam para uma maior eficiência da sua gestão interna, recorrendo a bolsas de técnicos no quadro da descentralização;

2. Manutenção de uma lógica de instabilidade nos concursos de docentes, mesmo que se afirme o contrário, ao privilegiar-se o qzp como unidade de referência para as colocações, ao mesmo tempo que se parece considerar que devem ser reforçados os poderes das chefias internas, escolhidas por métodos vagamente democráticos ou meritocráticos, mas que asseguram o funcionamento de uma cadeia hierárquica.

Estudar o modelo de recrutamento e colocação de professores com vista à introdução de melhorias que garantam maior estabilidade do corpo docente, diminuindo a dimensão dos quadros de zona pedagógica;

(…)

Avaliar a criação de medidas de reforço e valorização das funções de direção das escolas, incluindo as chefias intermédias;

3. Reestruturação da carreira docente com o objectivo de reduzir escalões acessíveis à generalidade dos docentes e reservando o topo (provavelmente restrito aos órgãos de chefia como o Arlindo publicou, de forma prematura, há uns meses) para uma minoria ainda mais escassa do que a prevista nos tempos dos titulares com justificações falaciosas como a seguinte, em que “estáveis” tem o significado de “estagnadas” anos a fio no mesmo escalão e “de desenvolvimento previsível” significa apenas que a progressão salarial será mais demorada e menor, com mecanismos de estrangulamento a manterem-se ou a agravar-se, pois “imprevisível” é estar agora anos à espera que desbloqueiem vagas para que quem cumpriu tudo possa progredir. Quem “instabilizou” a carreira foram os governantes do sector com as suas medidas. E reparem que o modelo de progressão nas “carreiras especiais” é apresentado como inibidor de se premiar a subserviência, desculpem, a excelência. 200 milhões de euros por ano é muito dinheiro? A sério?

O debate em torno das carreiras da Administração Pública é inevitável. As progressões na Administração Pública custam todos os anos 200 milhões de euros. Deste valor, quase 2/3 é gasto em carreiras especiais em que o tempo conta no processo de progressão, e que cobre cerca de 1/3 dos trabalhadores do Estado.
Este desequilíbrio deve ser revisitado. O aumento desta despesa não pode continuar a limitar a política salarial na próxima década e a impedir uma política de incentivos na Administração Pública que premeie a excelência e o cumprimento de objetivos predefinidos.

(…)

Não é possível pensar na concretização de políticas públicas de educação alheadas de profissionais com carreiras estáveis, valorizadas e de desenvolvimento previsível.

4. Proibição da retenção dos alunos no Ensino Básico (provavelmente eliminando qualquer mecanismo de avaliação externa como as provas do 9º ano), e limitando-a fortemente no Ensino Secundário, responsabilizando exclusivamente os professores por essa medida. Não é totalmente claro se existe a intenção de estender o modelo das provas de afeição ao Secundário, embora não esteja explícito o fim dos exames nacionais.

Criar um plano de não retenção no ensino básico, trabalhando de forma intensiva e diferenciada com os alunos que revelam mais dificuldades;

(…)

Reforçar o Plano Nacional de Promoção do Sucesso Escolar, especialmente ao nível do ensino secundário, onde se encontra o principal foco de insucesso;

(…)

Melhorar a eficácia dos sistemas de aferição do sistema ensino/aprendizagem para alunos e professores;

5. Escola, muita escola, escola a tempo inteiro. Se possível 12 horas por dia.

Promover programas de enriquecimento e diversificação curricular nas escolas públicas, nomeadamente assentes na formação artística, na introdução de diferentes línguas estrangeiras e de elementos como o ensino da programação, contribuindo progressivamente para a concretização de um princípio de educação a tempo inteiro, ao longo de toda a escolaridade básica;

6. Extensão ao Ensino Superior à lógica do “sucesso” a todo o custo, embora, como parece natural, isso venha a ser conseguido principalmente através de um modelo de Universidade a várias velocidades.

O caminho percorrido no ensino básico e secundário no que respeita ao acesso e apoio à frequência precisa agora de ser estendido ao ensino superior. Parte da sociedade portuguesa ainda projeta o ensino superior como um sistema inacessível e essa perceção, contrária às necessidades do país, deve ser combatida com medidas políticas efetivas.

(…)

Fomentar a qualificação de profissionais a quatro níveis:

  • Licenciados em áreas de menor empregabilidade, ativos ou inativos, com cursos curtos (1 ano) seguidos de estágios profissionais;
  • Não licenciados no ativo, mediante uma colaboração intensa entre empresas, associações empresariais e instituições de ensino superior;
  • Mestrados profissionalizantes;
  • Cursos curtos, não conducentes a grau, equivalentes, nas áreas tecnológicas, aos MBA Executivos.

Não há nada de positivo no programa do governo para a Educação? Há, mas são medidas que se subordinarão sempre às medidas destinadas ao embaratecimento do sector, à submissão aos poderes e interesses locais que reforçarão as cadeias de obediência hierárquica e, claro, à proletarização da larga maioria do pessoal docente, com a introdução de novos mecanismos de diferenciação interna e estrangulamento na progressão.

Todas e quaisquer bolsas de resistência ao modelo único das pretensas e demagógicas “boas intenções” serão subjugadas ou exterminadas sem dó nem piedade.Inferno1

Já Pensaram Nos Primeiros 100 Dias De Uma Governação PS/Bloco Na Educação?

Nas primeiras semanas acabam com as provas finais (“selectivas”, no mínimo, e “fascistas” no limite) do 9º ano e, se tiverem coragem em assumir a coisa por inteiro, a parvalhice em que se tornaram as provas de aferição de 2º, 5º e 8º anos.  A seguir, ali entre o Natal e o Ano Novo é para acabar com qualquer avaliação “sumativa”, em nome da inclusão e do combate às desigualdades, e com qualquer estatuto do aluno com regras “securitárias”. E o currículo será mais flexível e transversalizado do que qualquer das mais ousadaa e atléticas posições  kamasutrianas.

Depois, em coerência com as posições do Bloco, deveriam alterar o regime de gestão escolar, mas essa será, infelizmente, uma das questões que será necessário deixar “cair” em nome do “compromisso”. Isso e a reposição integral do tempo de serviço docente. Ou a reversão da municipalização.

O curioso é que, conhecendo muit@s professor@s, do Bloco, é raro que algum@ concorda tanto com estas acções como com as inacções adivinhadas.

zandinga

 

Acabem-se Os Exames Do Secundário…

… e as Universidade contratarão empresas de recursos humanos para recrutarem o “capital humano” certo para as suas instituições, com testes de tipo ratinhos no laboratório social. Ou então farão umas entrevistas para confirmar que os apelidos e escolas de origem batem certo. Sim, haverá excepções. E até haverá aquelas instituições que aceitarão tudo, porque é o que sobrará no “mercado”. Acham que esse será um sistema de ingresso mais “inclusivo”? A sério que sois assim tão ingénuos ou apenas não conhecem, o país, a sociedade, a academia?

Nem sequer falo na bela rebaldaria em que muitos tornarão os três anos de pós-básico…

Mad doctor

Revolução Digital Na Educação?

Quando se começa (Prós e Contras) por apresentar uma (uma) sala digital do futuro que foi criada há 4 anos, penso que entramos logo por um paradoxo. Mas o problema não é esse, embora muita gente confunda o “futuro” com uma crença sua particular numa dada forma de usar a tecnologia. Não tenho muita paciência para ouvir um director a falar na “escola do século XIX”, e nos males da “aula expositiva”, muito preocupado em mostrar-se modernaço, como se em alguma escola do país existissem condições para a maior parte das salas terem um equipamento capaz de uma aula de finais do século XX. Há gente que vive realmente no mundo da Lua e considera que 2 ou 3 salas “tecnológicas” são o “futuro”, quando há 20 com cadeiras e janelas todas rebentadas e sem quaisquer condições de luminosidade para usar quadros interactivos colocados num canto da sala. E isto é mais de espantar em quem, apesar de tudo, está nas escolas e não num gabinete bem climatizado da Católica ou da Nova Business e tal.

E mesmo agora ouvi falar em dar “liberdade” aos professores já que não se lhe pode dar dinheiro e a sorte foi eu não ter nada medianamente sólido para atirar à televisão. A “liberdade” nas escolas é uma quase miragem para os professores nas escolas de hoje, entregues a gente que desenvolveu em poucos anos um incrível complexo de Napoleão.

Valha-nos o António Carlos Cortêz.

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O Futuro É Ali

It’s 2059, and the Rich Kids Are Still Winning

Editors’ note: This is the first installment in a new series, “Op-Eds From the Future,” in which science fiction authors, futurists, philosophers and scientists write op-eds that they imagine we might read 10, 20 or even 100 years in the future. The challenges they predict are imaginary — for now — but their arguments illuminate the urgent questions of today and prepare us for tomorrow. The opinion piece below is a work of fiction.

Future