4ª Feira

Um das vítimas maiores da pandemia corre o risco de ser a informação de qualidade e rigor, já de si escassa, quando fica dependente de subsídios destes (públicos) ou aqueles (privados). Claro que pode ser tudo um acaso, mas o actual PM multiplicou-se nas últimas semanas em entrevistas a jornais e televisões, sempre em contextos controlados e com as perguntas tidas por adequadas e raramente inesperadas ou com follow up de respostas ao lado, exigindo esclarecimentos. Por exemplo, na mais do que amena cavaqueira de compinchas tida há uns dias com o “entrevistador” MST na TVI, António Costa foi muito detalhado a explicar como o Estado pode aceder aos rendimentos de toda a gente, lucros, etc, etc. Se fosse outro alguém a dizer parecido sobre limites de peças de caça, lucros de empresas promotoras de touradas ou de importação de charutos, aposto que o “entrevistador” esmifraria quem de forma tão “cândida” expôs a que ponto a máquina político-fiscal vai no controlo dos cidadãos. E a verdade é que mais ninguém pegou sequer no assunto. Que é grave na forma como foi apresentado. Porque se é possível à máquina fiscal detalhar a facturação de bicas e pastéis de bacalhau no boteco da esquina, porque deixa escapar coisas bem maiores? E tanta outra coisa que aquelas afirmações poderiam suscitar e nem sequer parecem ter ocorrido a estoutro “animal feroz” que é de amoques e de amigâncias, mas que como “entrevistador” se resume ao tipo que faz as perguntas acordadas de antemão com a mão que dá o milhão.

O Governo pode Fazer Pins Com 2A 9M 18D?

Só para que o menino Miguel consiga fixar um número sem auxiliares visuais de memória. Porque em tudo o resto é uma enorme confusão sempre que mete números nas suas crónicas; desta vez até consegue dizer que, afinal, o encargo com os professores é apenas de “200 e tal milhões de euros”. Tem razão numa coisa que escreve na primeira coluna da sua verborreia: muitos jornalistas sofreram com a crise e perderam o emprego. É injusto. Porque há que, sem perceber dos assuntos sobre os quais escreve ou conseguir fixar um par de números conseguiu mantê-lo. E já agora… não foi o PCP a colar-se aos sindicatos, foram alguns sindicatos que avançaram só quando os deixaram.

Mas veja-se no Expresso de hoje:

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Reparem agora… “par5a que não restem dúvidas”, se for com recurso a pin ele consegue…

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É como com aqueles alunos que precisam de auxiliares de memória sempre que fazem qualquer tipo de prova sem direito a consulta dos apontamentos. Se é que sequer passaram os apontamentos bem.

A Partir De Agora Só Greves Entediantes, Programadas E, Claro, Que Tragam Sacrifício Material Apenas Aos Grevistas E Poupanças Ao Estado

Vou agora esperar pela resposta indignada da “esquerda radical” a uma medida que se fosse de um “governo da Direita” seria razão para cuspirem todo o fogo dos Infernos.

CADEIRADEBALANÇO

(se calhar, até poderão refilar, mas estão a rejubilar por dentro por terem sido devidamente amestrados os heterodoxos e surpreendentes enfermeiros)

A Seu Tempo?

Começa a cheirar-me a fumo. Já com o wikileaks a coisa começou assim e deu em quase nada por cá. Alegar  a necessidade de investigação é bonito, mas em outros casos foi meia bola e força. Espero que o esquema seja revelado com todos os nomes mesmo e não seleccionar apenas alguns com base em critérios editoriais. Claro que dá jeito colocar Putin à frente da coisa e dar um cheirinho de Messi. Porque a normalização disto tudo não é assim tão difícil. Não é duvidar da palavra do Pedro Santos Guerreiro, longe disso, mas ter a consciência de que há muita coisa se passa acima das suas capacidades.

A publicação dos ficheiros do Panamá revela mecanismos globais criminosos nas cúpulas de poder financeiro, político e empresarial. Lavagem de dinheiro, corrupção e financiamento de atividades criminosas mostram comportamentos que põem em causa a forma como as sociedades se organizam, e merecem atitudes de investigação, diz Pedro Santos Guerreiro na SIC Notícias, que responde que há casos portugueses que estão a ser investigados no Expresso e que a seu tempo serão noticiados.

Só para dar uma ideia, veja-se como as coisas já estão na Austrália:

“Currently we have identified over 800 individual taxpayers and we have now linked over 120 of them to an associate offshore service provider located in Hong Kong,” the Australian tax office said in a statement emailed to Reuters. It did not name the Hong Kong company.

ATO Deputy Commissioner Michael Cranston said his office was working with the Australian Federal Police, the Australian Crime Commission and anti-money laundering regulator AUSTRAC to further cross-check the data.

“Some cases may be referred to the Serious Financial Crime Taskforce,” Cranston said in the statement. “The message is clear – taxpayers can’t rely on these secret arrangements being kept secret and we will act on any information that is provided to us.”

idees-noires