O Outro Lado Das Notícias

Deu brado manso (o Relvas vai longe e o engenheiro ainda mais) que um secretário de Estado deste governo assumiu um mestrado que não completara.

Não acho que seja a forma certa de colocar as coisas. Afinal, o que me parece de espantar é que um tipo que chega a secretário de Estado nem consiga terminar um mestrado bolonhês em Ciência Política no ISCTE.

E ainda diz o Rangel que não há igualdade de oportunidades.

2ª Feira

Ainda em relação àquela ideia peregrina de tornar as escolas os espaços mais adequados para promover o uso de bicicletas, para além de questões operacionais que raramente ocorrem a quem decide estas coisas, fica a dúvida sobre qual será a JP Sá Couto desta vez. Ou será mais de uma, para satisfazer o “mercado”?

Aguarda-se para breve a decisão de promover a limpeza de aura e o uso de batidos detox no 3º ciclo. O mindfulness parece ser mais adequado para o corpo docente

E Trotinetes?

Acho discriminatório que o governo esteja preocupado em usar as escolas como espaços de aprendizagem só do ciclismo. Eu percebo o poder do lobby dos papás impacientes demais para ensinarem os filhos a andar de bicicleta, enquanto andam pelas estradas a falar entre si e a alegremente desrespeitarem o Código da Estrada (a começar pelos ajuntamentos de 10 e 20 ao mesmo tempo e continuando no esquecimento de os velocípedes não terem prioridade sobre os veículos motorizados nos cruzamentos, não esquecendo o uso das passadeiras para peões e passeios quando bem entendem), mas já agora acho que seria muito útil o ensino da trotinismo.

(para quando, aulas sobre a melhor forma de comer granola pela manhã?)

O Que Uma Pessoa Diz E Faz Para Ganhar A Vidinha

Grande parte destas “entidades”, criadas com nome forsomethig fazem-me lembrar os vendedores de banha da cobra de outrora. São capazes de diagnosticar inundações no deserto e hiper-pilosidade em bolas de bilhar para justificarem o seu ansiado “nicho de mercado”. O pior é que há “jornalismo” que acha que isto merece títulos como se fossem a sério. A culpa da disseminação da estupidez é só das redes sociais?

Clementina Almeida, fundadora do ForBabiesBrain, primeiro spa clínico para bebés da Europa, diz que “no pré-escolar, a criança já pode trazer um gap com repercussão direta no seu sucesso escolar pelo menos até aos 10 anos.”

Não Digam Que Não Perceberam Ainda…

… que os casos positivos se estão a espalhar de forma muito rápida entre os alunos dos 1º e 2º ciclos na zona de Lisboa e vale do Tejo, em boa parte por causa de comportamentos irreflectidos (ou mesmo irresponsáveis) de muita gente que pensa que já tudo passou. As próximas duas semanas de aulas, por muito que agradem a um selecto grupo de colunistas pró-economia-e-não-me-deixem-os-putos-em-casa-a-chatear, são um desnecessário risco, que nem a ficção das aprendizagens “perdidas” poderá justificar.

Só num concelho, nem dos mais populosos, foi-me hoje dito que já estão 19 turmas em casa. Podem confirmar junto do senhor secretário que tem acesso a dados bem mais actualizados do que os meus.

Fica Confirmado, Acima De Qualquer Dúvida, Que Esta Malta Entrou Em Desvario…

… quando o senhor director-geral da Educação manda para as escolas ao início da tarde de hoje, depois de uma manhã em que já existiram reuniões de avaliação dos 9º e 12º anos, que são os terminais do Básico e do Secundário (embora estes ainda com exames), este tipo de esclarecimento (que ao que parece alguém pediu) acerca de um assunto que é muito caro ao senhor secretário de Estado, seu superior hierárquico, ou seja, a certificação da participação em projectos relacionados com a “componente de Cidadania e Desenvolvimento” (que no Secundário nem é disciplina).

Isto parece-me demasiado caricato, para merecer prosa mais alongada. Fica aqui o ofício e acho que chega como prova provada de que entrámos na estratosfera da idiotice certificadora.

Manual Para Eunucos Linguísticos

Confesso que de qualquer organismo dirigido pelo Francisco Assis (aquela “população que um dia, quando era de noite numa localidade portuguesa do norte do país, foi atingida ou esteve para ser por uma manifestação de intolerância cívica, protagonizada por mãos em movimento rápido”) espero todo o tipo de parvoíce, armada em inovação. O homem gosta de estar em lugares, fazer coisas, parecer modernaço.

Por mim, os responsáveis por este tipo de iniciativas “neutras e inclusivas” podem bem ir fazer amor consigo mesmo, se ainda tiverem equipamentos anatómicos em condições de desempenhar essa função que permite algum prazer aos indivíduos de todas os credos, etnias e géneros.

Gestor é substituído por ‘população com cargos de gestão’ e trabalhadores passam a ‘população trabalhadora’. Tudo pela inclusão e pela linguagem neutra. Proposta retirada antes da votação

A imagem seguinte deve ler-se, numa perspectiva inclusiva, da seguinte forma “população caucasiana com capacidades intelectuais moderadas em relação à média desejável para a população em geral, atendendo a padrões padronizados de forma convencional, de acordo com parâmetros a carecer de revisão, tenta atingir um inocente insecto que decidiu descansar no seu órgão olfactivo, com artefacto produzido em contexto artesanal, havendo ainda a possibilidade de, com esse acto, estimular a sua actividade neuronal”.

Obrigadinho, Ó Mário!

Gosto deste tipo, que não dá uma aula desde que eu sou professor, mas que tem sempre sentenças prontas. Seja no exagero de uns números, seja no rápido aconchegamento às “prioridades”.

Portanto, por ti, vacina-se quem já lá está e quem vem de fora não é preciso? Já agora, pode-se ir vacinando o pessoal enquanto vai dado aulas, não achas?

Falhaste metade da vocação. Devias ter ido para doutor médico e depois logo ias para sindicalista. Demorava mais tempo a tirar o curso, mas parece-me que tens um dom natural. Ou isso ou para contas de sumir.

Vacinar todos os professores e funcionários escolares seria o ideal, diz ao PÚBLICO o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof). Este universo ronda as 250 mil pessoas, estima. Mas se tiverem de ser definidas prioridades, Mário Nogueira não tem dúvidas: “Devem ser aqueles, professores e funcionários, que nunca saíram da escola. Estou a falar dos que pertencem ao grupo de intervenção precoce, que asseguram a educação especial e o funcionamento das escolas de acolhimento, entre outros casos de excepção, nomeadamente de apoio aos alunos que não dispõem de Internet ou computador em casa para poderem acompanhar as actividades lectivas.” Estes não devem ir além dos dez mil no total, calcula o líder da Fenprof.

A Confap Nunca Deixa De Nos Surpreender

Mas raramente (nunca?) é pela positiva. É verdade que os documentos andam melhor escritos do que no tempo do pai Albino, mas no mandato do pai Ascenção, a lógica do frete ao Poder continua inabalável.

No recente parecer (se é que assim se pode considerar esta comunicação) relativo a uma petição para a redução do número de alunos por turma, uma das grandes preocupações é que isso poderia implicara construção de novas escolas. Já conhecia a posição, mas não a rqieuza e singularidade do argumentário.

Um tipo lê e não quer acreditar, mas é memso obrigado a reconhecer que há quem nunca fiquem aquém das nossas mais baixas expectativas.