Flexibilizando Por Aí…

Este tipo de prosas parece mato nos dias que correm… pelo menos nos sítios onde as dão a conhecer a tempo de se discutirem:

  • O trabalho de projeto é um modo intencional que permite a articulação de saberes, possibilitando uma aprendizagem ativa e integradora das diferentes áreas curriculares (cruzar as Aprendizagens Essenciais, o Perfil dos Alunos e a Educação para a Cidadania de Escola)
  • Possibilita a realização de projetos de natureza multi, inter e transdisciplinares;
  • Valoriza o processo e centra o trabalho nos alunos;
  • Aposta no desenvolvimento das competências do Perfil do Aluno;
  • Possibilita o reforço das aprendizagens.

Heartbeat-Gif

Pelo Educare

E fica aqui a terceira peça para publicação “externa” esta semana. Tal como os textos no Público (2ª feira) e no JL/Educação (4ª feira), foi escrito com alguma antecedência. Confesso que, dos três, este é o que mais me divertiu, quase por certo por ser o que afronta mais o neo-eduquês que se está a instalar de novo no discurso “pedagógico” do Poder..

Da Utopia à Ficção Útil

O discurso sobre a nossa Educação está repleto de referências a “utopias”. De forma recorrente surgem políticos e pedagogos a justificar as suas opções com o caminho em direcção a uma “utopia” que eles consideram ser o “sonho” que a todos deve mover e que por ser inalcançável por definição impossibilita qualquer avaliação da sua validade.

pg contradit

E Fecho O Dia Com Uma Verdadeira Pérola Que Só Posso Transcrever Integralmente Pois Tem Reconfigurações, Paradigmas E Transformações Absolutas

Portalegre/Educação: Ariana Cosme reúne professores e psicólogos para “transformar a escola”

Cerca de uma centena de professores e psicólogos do distrito de Portalegre vão participar, sábado, numa sessão de trabalho centrada na Educação Inclusiva.

Ariana Cosme, professora de Psicologia e de Ciências da Educação na Universidade do Porto e autora de obras sobre a reconfiguração da profissão docente, vai estar em Portalegre para trabalhar com os docentes e “ajudar” a mudar a prática de sala de aula, mudando o paradigma educativo.

Em declarações à Rádio Portalegre, Luísa Moreira, do Centro de Formação de Professores do Nordeste Alentejano (CEFOPNA), promotor da iniciativa, disse que “o que está em causa é uma transformação absoluta do que é o mundo da escola”.

Segundo a professora, esta transformação pretende “olhar a escola centrada em cada aluno, construindo um plano de aprendizagem individual”.

A sessão de trabalho, com o apoio da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA), vai decorrer sábado no anfiteatro do agrupamento de escolas do Bonfim, em Portalegre, entre as 9h30 e as 17h30.

Burros

(isto “semos” nós, os que ainda não captaram o espírito do novo paradigma transformador inclusivo reconfigurado)

 

Talvez Seja Do Cansaço…

… mas só me ocorre o termo palhaçada para muito do que se está a passar em matéria de Educação e faz lembrar o pior da falta de decoro em tudo isto. Se vai ser a equipa da doutora Ariana (falta o doutor Trindade, será que aparece numa segunda fase da avaliação?) a auto-avaliar o projecto de flexibilidade e autonomia curricular que ajudou a definir, com um enquadramento teórico razoavelmente ultrapassado (basta começar a ler a introdução para nos “localizarmos” na segunda metade dos anos 80 do século XX), só falta mesmo que o David Rodrigues coordene a equipa que venha a fazer a avaliar a implementação do regime jurídico da educação inclusiva. Já estou por tudo. Como nos tempos daquelas avaliações da equipa do Roberto Carneiro às Novas Oportunidades. Estou cansado de moderar apreciações… apesar das “aparências” de rigor, com quadros e estatísticas e tal, o relatório que divulguei uns posts abaixo é mais uma peça de “missionação” do que um olhar “científico” sobre o que é estudado.

A passagem que se segue faz-me recuar ao tempo em que estas teses ainda sobreviviam quando fiz a profissionalização, a terminar o século XX.

Assim, mais do que medir, descrever ou julgar (Guba e Lincoln, 1989), pretendia-se contribuir para estimular os atores educativos no terreno, levando-os a participar nesse processo de modo a que, como defendia Kemmis (1988), a avaliação possa ser entendida como um processo através do qual se projetam, obtêm, conferem e organizam informações e argumentos que resultam da reflexão sobre o problema em debate. (p. 5)

Repito… alguém que defende este tipo de abordagem à “avaliação” de políticas educativas tem moralidade para impor qualquer espécie de avaliação aos outros?

Ouroboros

 

Isso Significa Que O Passado Foi Todo Mau E Não Teve Futuro?

Sim, eu sei que os destaques editoriais por vezes não são os mais felizes e até entendo – com boa vontade – a ideia, mas isto parece-me aquele tipo de adesivagem situacionista que me arrepela tudo. As minhas desculpas ao novo director do Centro de Formação de Escolas do Concelho de Almada (José M. Lemos Diogo, adjunto de um anterior secretário de Estado) se o que quis dizer não foi bem o que ficou escrito, como se o nosso passado não tivesse sido marcado por nada disto. A mim, impressiona-me a forma como há quem ande com tanta vontade em amesquinhar tudo o que foi feito, para que a mediania actual parece excepcionalidade. Os arautos do futuro do futuro começam a chatear, de tanto teclarem sempre o mesmo.

IMG_9801

(sim, também vem no JL/Educação de hoje)

Eu Ainda Sou Do Tempo…

… em que quando se preparava uma reforma educativa com alguma profundidade se produzia mais do que legislação e powerpoints. Em que quem preparava a “reforma” produzia para o ME documentação explicativa (folhetos, pequenos livrinhos, “manuais” de maior dimensão) para distribuição (gratuita) pela escolas e professores ou, nos casos mais restritos, pelos Centros de Formação, como no caso de publicações do I.I.E. (se não souber o que significa é porque é um millenial). Sim, à medida que os anos 90 foram avançando, foi possível encontrar muita publicação (na Asa, na Porto, na Texto, etc) em que essas pessoas depois também assinavam obras de multiplicação do que estava escrito nos outros documentos.

Sim, havia casos em que parecia a mesma coisa, com outra roupagem. Nem de propósito, alguns dos nomes que se liam nessas obras são reencontráveis agora ou então até já passaram pelas secretarias do poder (ocorre-me coisas sobre o sucesso pelo inefável gualter e amig@s, quando ele ainda pensava ser do cds). Mas existia toda a documentação que o próprio ME disponibilizava. Lembro-me de passar pelo rés-do-chão da 5 de Outubro, pela Biblioteca e por lá existirem obras que podíamos trazer, até com estatísticas, sem ser necessário recorrer a fundos extra. Agora as coisas mudaram e com o pretexto da revolução digital, a única coisa que se desmaterializou – ao ponto da evaporação – foi o material de apoio, conciso, claro, sobre as reformas em implementação.

Circulam os tais powerpoints e em nome da “autonomia” espera-se que as elites da conceptualização grelhística produzam os documentos “locais” sobre o assunto. E, em alguns momentos, acontece o descalabro, mensurável pelo volume da documentação produzida em forma de exibição de saberes esotéricos que transformam o que deveriam ser instruções claras e “abertas” (ousaria qualificar como “flexíveis”) num arrazoado imparável.

Incluo em anexo o texto de um dos principais nomes (Joaquim Colôa) ligados à Educação Especial/Inclusiva que denuncia exactamente esta nova deriva de quem, por certo, terá menos aulas para dar do que a maioria e, sem qualquer dúvida, menos alunos em quem concentrar a sua atenção e esforço.

Acabei de descobrir uma organização que para implementar o tal de 54 já tem disponíveis 9 documentos/formulários + um novo manual interno… isto só para a “educação especial” (sim que isto das inclusões não é para devaneios multidisciplinares muito menos de toda a escola…. arrumadinhos na tal gavetinha é que ficam bem) + uns 3 ou 4 para o SPO (que estas coisas multidisciplinares não se misturam)… Se “inventarmos” que a “coisa” necessita de monitorização…. pressupomos que nascerão mais uns 3 ou 4 documentos/formulários (sim que isto do multiníveis é muito inovador e diz que a monitorização é muito importante)… Se o antes era muito burocrático… fico entusiasmado a imaginar quantos formulários/documentos conseguiram “abater” com tamanha inovação… pelas movimentações grupais e inspirações formativas já desconfiava mas agora tenho quase a certeza…. HÁ ZONAS DO PAÍS COM UM VINHO MUITA BOM!!!

Ainda bem que não sou apenas eu a escrever que a comitiva vai com velhas novas roupagens que só podem ter saído de cabeças preocupadas com tudo, na prática, menos com os alunos.

Stupid2