Olhem-me Este Cromo!

A apontar o dedo, logo ele, um homem impoluto em matéria de pós-verdade.

Albino Almeida aponta o dedo à “desinformação” nas redes sociais, onde, diz, é possível “mentir sem que haja edição” e sem que os destinatários saibam qual a origem da informação.

Claro Que Não! Como As Rosas, Eles Aparecem-lhe No Regaço!

Pedro Adão e Silva explicou que vai suspender o vínculo ao ISCTE para se dedicar a tempo inteiro às tarefas de comissário executivo das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril. E revelou que já não é militante do PS

(e também vai prescindir das avenças mediáticas?)

Da Mais Absoluta Desfaçatez

Ou do triunfo dos suínos betos na quinta do PS. O operacional engomadinho não tem qualquer competência científica ou política para a função, mas tem imenso “perfil”.

E que não me venham com a conversa da “inveja”, que não colhe mesmo.

O Conselho de Ministros nomeou o comentador ligado ao PS para presidir à Comissão Executiva das comemorações da revolução democrática, que vão durar até ao final de 2026. A nomeação e as condições de que o comentador vai usufruir estão a causar polémica.

Será Por Ser “Representante” Útil?

Não deve ser por estar em risco de dar aulas.

Nesse caso, para quando a vacina do papá Confap, organização virtuosa que, ainda no final da semana, se apresentou parecer negativo quanto à redução da dimensão das turmas na Comissão de Educação do Parlamento?

Diretor de Escola de Cinfães vacinado contra a Covid-19 sem se conhecer critérios para o efeito

Uma Questão De “Prevalência”

O ministro Tiago foi prestar esclarecimentos ao povo pelas 20.15, mas em matéria televisiva só a RTP3 lhe deu antena. Nada de novo, o nervoso miudinho a descompor-lhe ali o canto do sobrolho direito, palavras em rajadas quase em parar, um esforço imenso para dar a entender que isto só é assim porque a “prevalência” do bicho inglês estragou o belíssimo trabalho que ele acha que tem sido feito em grande parte por si mesmo. Há momentos em que quase tenho pena das figuras em que este pessoal se coloca. Não há mordomias ou futuras portas abertas (ainda acaba em “reitor”?) que compensem este tipo de prestações. Ou melhor, há para quem valha, mas somos de estirpes muito diferentes.

(o secretário, claro, anda em modo stealth…)

Os Meninos À Volta Da Fogueira

Parece que o Conselho de Ministros vai reunir de emergência amanhã, por causa do fracasso do pseudo-confinamento que foram ELES a decretar. Mas aposto que as culpas vão ser atiradas para “os portugueses que não seguiram as regras” e tiraram partido das múltiplas excepções (52 que, ao contrário do que a ministra da Saúde disse hoje não são as mesmas de Março). Parece que o problema é o grande problema é das “vendas ao postigo” de bebidas, veja-se lá! Ou dos cafézinhos. Quando um bando de galinhas se desorienta é complicado voltarem a ir ao lugar. O desnorte tem origem bem clara e não vale a pena virem com aquela conversa do “preço de sermos humanos”, porque o valor de centenas de vidas não se mede pela idiotice de alguns, lá porque se acham grande coisa.

O que vão fazer? Aumentar coimas? Impedir umas lojas de abrir e permitir a outras que estejam a atender filas de gente nas zonas comuns dos centros comerciais? Fechar teatros, mas manter abertas as secções de ciclismo das lojas de artigos desportivos? Abrir os atl para justificar escolas abertas? Será que não entenderam ainda que perderam quase toda a credibilidade de tanto quererem agradar a uns e outros, mais amiguinhos, chamando “essencial” ao acessório e insistindo num modelo de confinamento que se via à distância que era uma treta? E que vai assim continuar a ser, pelo que se vai percebendo?

A culpa é do “povo”?

Não, a culpa é de governantes bons para festas e eventos, camarotes e carros à disposição, visitas vip e um crescente descolamento da realidade. Até porque só houve 58 contra-ordenações este fim de semana.

O perigo vem do oportunista Ventura?

Não, o perigo (e mede-se em centenas de vidas) vem de vocelências, impantes em toda a vossa enorme vacuidade. Vocelências é que, em toda a vossa inépcia e cedência a interesses “esquisitos”, acabam por lhe dar força.

Números

As 159 mortes registadas ontem por covid equivaleriam a 5200 nos E.U.A., ainda governados pelo “demónio” Trump. Ontem, por lá, foram registadas menos de 4000, e anteontem, o pior dia de sempre, cerca de 4400. No Brasil significariam cerca de 3300 mortes; ontem registaram-se lá 1131 mortes e no pior dia (24 de Setembro) foram um pouco acima de 1700. Espanha teve ontem, 201 óbitos; com a população que tem, seriam mais de 700 mortes se estivesse ao nosso “nível”.

Algo correu mal, muito mal. Não por falta de avisos. Não foi por falta de lhes ser explicado, por vezes com detalhe e remetendo para estudos credíveis e não com base em “achismos” de comentadores de tertúlia. Foi por incúria, negligência, incompetência, desleixo, sobranceria. Há quem escreve que é tempo de união e não de apontar dedos e procurar culpados. Talvez não. Mas é essencial identificar as causas e isso traz inevitavelmente consigo quem esteve na sua origem.

Mas também se sabe que, por cá, quando se deixa para depois o apuramento de responsabilidades, acaba-se sempre no “fomos todos e não foi ninguém” que safa sempre os negligentes, incompetentes, desleixados e condescendentes. Aposta-se na erosão da memória como com Pedrógão ou Tancos. O que convém muito a quem acha que foi eleito para tomar decisões, mas sacode a água do capote sempre que se percebe o quanto erraram. E não foi apenas uma vez. Esta não é uma “2ª oportunidade” para emendar as falhas verificadas.

Tenham vergonha!