A Ver Se Percebo Isto…

… a senhora doutora Isabel dos Santos garante que nada de incorrecto ou ilegal fez nas suas empresas, embora, se for acusada, tenha documentos que provam que pelo menos numa das principais empresas de que tem sido accionista (a Sonangol) houve gente próxima do actual presidente angolano a cometer ilegalidades. Mas… mas… mas… sou só eu a achar que isto não faz sentido. Ou melhor, até faz, desde que se perceba que ao menos ela é mais explícita do que outros que, por cá, não dizem logo assim as coisas com tanta clareza.

Alcatrao

(e que se cruzam os caminhos de muita desta gente de cá e de lá, é bem verdade que se cruzam… basta ver as romarias anos a fio, até Luanda para o beija-petrodólar&diamante… para não falar de certos patrocínios ao nível da plantação noticiosa)

Centeno Über Alles?

A primeira página do Expresso de hoje é uma resposta à primeira página do Público de há uns dias? Seja como for, há uma forma pouco subtil de culto da personalidade que começa a marcar as “aparições” mediáticas de Costa e Centeno. Ou isso ou as opções editoriais andam a ganham uma densidade político-semiótica pouco habitual.

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(se bem pensarem, Vítor Gaspar nunca se fez assim representar… e só tira uma foto destas quem se coloca para a pose… a olhar o horizonte e mais além…)

Está Em Decurso A (Segunda) Maior Operação Financeira Das Últimas Décadas…

… de deslocação de verbas da Educação Pública para grupos privados, logo depois da “festa” da Parque Escolar (que a “reitora” não viu e que – aposto – em tribunal acabará nos arquivos da má memória). Um conjunto muito substancial de verbas, que nem sempre é fácil controlar por estarem espalhadas por diversas autarquias e comunidades intermunicipais, está a ser usado, com o pretexto do combate ao abandono e insucesso escolar (apesar destes indicadores terem uma evolução muito favorável ao longo das últimas décadas sem qualquer necessidade disto), para estender rendes clientelares locais em vez de servirem para dotar as escolas e agrupamentos de pessoal humano permanente e meios técnicos adequados para cumprirem a sua função. Se tudo o que está a ser feito está mal? De modo algum, há projectos interessantes e boas intenções que até correspondem a boas acções. Mas há mais do que isso, muito mais. A começar pelas tais “consultorias” com gente próxima do poder político na Educação desde os anos 80 e 90 do século XX que, finalmente, conseguiram redireccionar as “escápulas” das verbas do Orçamento para fora das escolas. Dizem que não se resolvem problemas apenas lançando dinheiro sobre eles, mas já aceitam se o dinheiro for lançado na sua direcção. E nesses interesses estão grupos de “especialistas”, por vezes com chancela académica, mas outros casos apenas com o carimbo do chico-espertismo empreendedor dos tugas, daqueles que têm ideias “brilhantes”, estratégias “mágicas” e centros de “excelência”. Há de tudo um pouco… de ex-governantes a ex-muitas coisas convertidos à causa da Educação agora que escorrem subsídios, quantas vezes apenas com coisas coladas a cuspo, depois de copiadas algures.

Mas parece que agora o “sucesso” é assim. E a “descentralização”. E há quem colabore. Porque há sempre migalhas que escorregam da mesa para os regaços de quem lá fica a dizer que sim.

Seria interessante que houvesse a coragem de ir divulgando certos “negócios”, com fundamento, dados concretos, nomes repetidos aqui e ali, dossiers replicados. Mas os tempos andam agrestes para a “investigação”.

paraq

Um Dia Como Outro Qualquer

Uma vergonha completa, que aqui se pode escrever, porque a pasmacenta segunda figura do Estado ainda não consegue chegar a todo o lado. A menos que, perante a sua evidente lentidão, lhe tenham crescido tentáculos autónomos.

Partidos livram-se de pagar centenas de milhares de euros em coimas prescritas

Nova Lei de Financiamento dos Partidos fez prescrever processos de contra-ordenação de partidos e seus responsáveis financeiros. Alguns destes eram deputados que estiveram na linha da frente da revisão da lei em 2018.

A classe política desacredita-se a si mesma, sem necessidade de qualquer ajuda. E acenar com o papão dos “populismos” é apenas uma reacção histriónica para consumo mediático, porque o pântano continua de excelente saúde, embora não se recomende a uma democracia que se queira respeitável.

Lama

A Boa E Velha Chico-Espertice

O Polígrafo era uma boa ideia, mas cedo se percebeu que era capaz de ser mais uma oportunidade de negócio com a sua incorporação no universo balsemânico. Que o seu criador se considere “negligente” nesta matéria é apenas um detalhe adicional.

Durante vários anos, o diretor do jornal Polígrafo, Fernando Esteves, acumulou a função de jornalista e editor de política na Sábado com uma quota numa empresa que, entre outras matérias, tinha no seu objeto social a “consultoria em comunicação”, uma atividade incompatível com a profissão de jornalista.

A revelação consta da acusação do Ministério Público no processo Máfia do Sangue, na qual se adianta ainda que a empresa em causa, a Alter Ego, chegou a trabalhar para a Octapharma e para Paulo Lalanda e Castro, o principal arguido. Fernando Esteves foi jornalista da Sábado entre 2005 e abril de 2017, noticiou esse mesmo órgão na terça-feira.

Money

O Melhor Ano No Melhor Dos Mundos

Até a cobertura dos incêndios que infelizmente voltaram é feita de modo maneirinho, que a Cofina andou a comprar a Media Capital e a Impresa não se mete nisso se não for por causa das audiências. A imprensa está quase toda amarradinha pela falta de receitas e está disponível para ALD em troca de umas mega-conferências sobre Portugal “Empreendedor” ou “de Sucesso” se forem com patrocínios dos grupos que funcionam num monopólio praticamente igual ao dos tempos em que eram empresas públicas. Basta ver os “painéis” que arranjam para dar “debater” os debates ou outras coisas igualmente inúteis.

Na Educação, as “organizações” estão controladas, O pai Ascenção diz que está tudo bem, mesmo que existam turmas inteiras sem manuais, escolas sem funcionários e conselhos de turma a arrancar a meio gás por causa das regras da contratação só depois do início do mês. O colega director Filinto diz que há dois anos que andamos nas nuvens, com esta ou aquela mais escura (a dos funcionários, a dos meios informáticos) e que a flexibilidade é a coisa mais autónoma que se viu nas escolas. Em caso de necessidade, saca-se de um “especialista” do grupo actualmente dominante no CNE, para explicar-nos como estamos finalmente no século XXI em termos pedagógicos. Pelo país, os “consultores” dirão que os planos municipais, intermunicipais e transmunicipais são o nec plus ultra do combate ao insucesso e abandono, numa perspectiva de descentralização das verbas que ajudam a gastar. Em caso de mesmo extrema necessidade ressuscita-se o actividade Israel Paulo para nos confirmar que os contratados nunca estiveram mais felizes.

Será que, pelo contrário, está tudo mal? Não, mas enjoa ver a forma como tudo parece coberto por um manto diáfano de extrema felicidade, sucesso e com o futuro já aqui. Enunciam-se maravilhas que se demonstram com o argumento de serem auto-evidentes e óbvias (o livro dos dois JC é quase por completo escrito assim) ou acusam-se quaisquer críticos de aleivosias diversas, da calúnia e do atentado à honra (os dois gajos da Educação são uns queixinhas nessa matéria) à subliminar insinuação de se ser um cripto-fascista pedagógico que espanca crianças nos tempos livres (especialidade de uma figuras que andam de ego enfunado por se verem reflectidos em decretos e despachos diversos).

Se algo falha é por falta de formação dos professores ou escassa liderença de algum@ director@ mais renitente.

O sol nasceu para todos, mas há quem seja mais suíno do que os outros suínos.

Majestic sunset in the mountains landscape. HDR image