Uma Questão De “Prevalência”

O ministro Tiago foi prestar esclarecimentos ao povo pelas 20.15, mas em matéria televisiva só a RTP3 lhe deu antena. Nada de novo, o nervoso miudinho a descompor-lhe ali o canto do sobrolho direito, palavras em rajadas quase em parar, um esforço imenso para dar a entender que isto só é assim porque a “prevalência” do bicho inglês estragou o belíssimo trabalho que ele acha que tem sido feito em grande parte por si mesmo. Há momentos em que quase tenho pena das figuras em que este pessoal se coloca. Não há mordomias ou futuras portas abertas (ainda acaba em “reitor”?) que compensem este tipo de prestações. Ou melhor, há para quem valha, mas somos de estirpes muito diferentes.

(o secretário, claro, anda em modo stealth…)

Ser (Ou Não) Desagradável

Depende das perspectivas. Há situações em que ser-se desagradável é a única forma de fazer entender que certos comportamentos e atitudes não podem passar em claro. Há quem não goste. Em especial quando isso é mais do que justo. E tanto mais quanto maiores forem as responsabilidades (e os disparates ou mesmo flagrantes más práticas) de quem não merece que se dê a outra face ou se sorria para ver se tudo fica em claro. Não faz o meu género; prefiro ser tido como desagradável do que como complacente ou cúmplice. Até porque não acredito muito na justiça divina no Além, Aquilo já deve estar tão povoado que até quem seja omnisciente e omnipresente terá dificuldades em detectar tod@s as sacaninhas que lá dão entrada. Pelo que é muito importante que se comece a fazer o trabalho logo pelo Aquém.

On/Off

Ando desatento ao ponto de só hoje de manhã ter percebido, pelo alarme na SIC, preocupada em explicar a “ilegalidade” da gravação, na qual ficou registado que o actual PM decidiu, em amena cavaqueira com os jornalistas que o entrevistaram em modo cúmplice qualificar os médicos envolvidos na situação de Reguengos de Monsaraz como “cobardes”. Compreendo o embaraço dos envolvidos por se ter conhecido o que realmente António Costa pensa sobre o assunto. É pena que a “coragem” só apareça quando se julgam os microfones desligados. O resto da “polémica” passa-me ao lado, porque há muito que sei a diferença enorme que vai entre as poses “de Estado” e a realidade de certas figuras que por aí andam e que pouco se distingue daquele discurso que tanto se critica ao povoléu das “redes sociais”. A verdade é que nem sei se mudam as moscas.

Phosga-se! – Série “E@D” #4

A forma como na DGE tratam as mensagens dos professores e as denúncias que há quem diga (e bem) que devem ser feitas. O pessoal lá nem tem paciência de mandar um “recebido”. Apagam sem sequer ler. O que vale é que os professores arcaicos ainda sabem enviar mensagens com relatório de leitura.

Há quem se queixe do “Estado”. Ora bem…

Screenshot Zoom

Mas Quem É Responsável Por Estas Propostas? (Phosga-se!)

Porque aparecem documentos como este (Propostas gerais intervencao educativa) sem data e assinatura, com propostas de “intervenção educativa para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade”? O nome que aparece nas propriedade do documento como autora não nos explica muito.

E porque tem propostas que, se formos bem a ver, vão claramente contra algumas das regras de segurança em relação aos riscos de contágio, para não falar de questões de privacidade ou mesmo de segurança informática?

Entrámos em desvarios? Porque uma coisa é procurar “soluções”, outra é fazer uma espécie de lista de compras.

PropostasEduc

Já agora expliquem estas contas, porque está qualquer coisa a falhar-me. Quem não tem computador, mas tem net em casa é no zingarelho móvel? É isso?

Um em cada cinco alunos não tem computador em casa e 5% das famílias com crianças até aos 15 anos não tem Internet

O Bloco Em Bicos De Pés

Isto de um tipo ouvir rádio enquanto conduz e gostar de saber algumas notícias faz com que se apanhe também com “debates” no Parlamento. Hoje, depois de mudar de estação perante o risco de regurgitar durante a intervenção da Ana Catarina Mendes, regressei e apanhei uma parte da outra Catarina (a Martins) a explicar ao povo tudo o que o Bloco arrancou em negociações de véspera à ortodoxia orçamental, como explicação para a abstenção. Mas, depois de somar aquilo tudo, pareceu-me um pacote de amendoins sem sal. Nem sequer beliscam os 250 milhões não orçamentados com as receitas fiscais das progressões na administração pública.

peaners

 

2ª Feira

Não sou o papá perfeito, nunca o fui. Sou irritável e também me encrespo sempre que necessário. Ou não, dependendo das opiniões e posições. Mas estes dias são muito esclarecedores acerca do nível de paciência da parentalidade dos millenials quando obrigados a conviver com a descendência mais de um par de horas com os olhos abertos e a necessidade de andar com eles mais do que o fim de semana em espaços públicos. Não tenho muita razão de queixa enquanto professor nesse aspecto, mas sei de muita gente que sofre bastante às mãos e língua de uma geração que desaprendeu quase por completo a noção de que ser mãe/pai não se trata apenas da consequência biológica de uns momentos de convívio íntimo, mais ou menos planeado. O que fariam se não tivessem um zingarelho cheio de cores e movimento com que aquietar a petizada? Sim, todas as gerações dizem o mesmo – ou parecido – daquelas que lhes sucederam, mas olhem que eu já estou nos limites aceites para a Geração X, aquela ~que passou por muita confusão e desorientação.

calvin-e-haroldo-direito-inalienavel

Afinal Sempre Há Um Plano!

Comparar com o que o SE Costa disse ontem aos 3′ do programa Antena Aberta. Cá para mim, pensando que ia para outros ares, o homem deixou-se por uma vez ultrapassar pelo ministro que já tinha, na véspera, apresentado o plano inexistente. Que, claro, se dirá agora que é outro.

O programa ‘Includ-Ed’, que recorre a práticas pedagógicas inovadoras que envolvem a comunidade, foi elogiado pelo ministro da Educação: “É uma grande oportunidade para Portugal”

O programa ‘Includ-Ed’, para combate ao abandono e insucesso escolares através de práticas pedagógicas inovadoras que envolvem a comunidade, chega este ano a 50 agrupamentos de escolas do país, foi anunciado esta quarta-feira no Bombarral.

A inspiração foi colhida em Barcelona e a DGE tem até bastantes outros materiais online, traduzidos dos originais, porque parece que não há nada de novo por cá. Até aquilo das tertúlias que o ministro Tiago sugeriu não passa de uma cópia das Tertúlias Literárias Dialógicas dos anos 80 do século XX.

Não é a invenção da pólvora seca em pacotinhos, mas é do tempo áureo do Pisang Ambom com laranja.

sleepy