Dados Da OCDE Sobre As Condições Para Um Ensino À Distância Em Portugal

A síntese sobre Portugal baseia-se em dados anteriores à pandemia, colhidos nas bases de dados do PISA e do TALIS. Para começar, destacaria os dois primeiros quadros que revelam alguns dados interessantes.

No primeiro, pode perceber-se que os professores portugueses até estão bem acima da média quanto ao apoio ao uso de meios digitais por parte dos alunos e da percepção de os poderem ajudar, mas sem que isso tenha feito parte da sua formação inicial. Ou seja, foram competências que os professores desenvolveram na sua formação pessoal e profissional posterior.

No segundo, temos a admissão pelos directores de que os meios (equipamentos, banda larga, plataformas específicas) das escolas são insuficientes para desenvolver um ensino de qualidade com meios digitais, entre outras evidências.

Mas foi assim que se fez o falso “milagre”. E é assim que ainda se continua. Independentemente da segunda vaga que nem o ministro cientista ou o seu secretário (e respectiva corte), sempre tão previdentes e com uma visão tão prospetiva) parecem ter previsto.

Um Estudo A Precisar De Uma Amostra Mais Equilibrada

O estudo original é Schooling disrupted, Schooling rethought: How the Covid-19 pandemic is changing education e tem o carimbo da OCDE e a autoria do nosso conhecido Andreas Schleicher e de Fernando Reimers (Harvard Graduate School of Education). Recebi a versão preliminar, em português do Brasil que fica aqui para quem quiser consultar (School Rethought VPortBrasil). Os dados recolhidos e as conclusões extraídas são razoavelmente frágeis devido à evidente distorção do número de respostas recolhidas que, na maioria dos casos, oscilam entre uma para a maioria dos países e mais de 100 ou mesmo de 500 para outros. Nas tabelas apresentadas dá para perceber que em alguns casos os dados correspondem, no essencial, às de um país (nuns casos o México, em outros a Nigéria ou a República Dominicana), estando longe de ser um panorama global. Fica como apontamento de algo que espero que melhorem muito na versão final, pois é importante que se perceba como a Educação foi tão afectada em pouco mais de um simples trimestre.

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Comparações

Agradeço a referência acerca deste interessante índice de bem-estar da OCDE à AC. Porque quando um tipo sai dos feudos de certos amigos de Portugal, encontram-se coisas interessantes.

Eis o ranking global do bem-estar, em que ficamos à tira nos primeiros 30 em 40 países.

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Mas quando o amigo Andreas não está a controlar, o indicador da Educação da “nova Finlândia” vem por aí abaixo para o 33º lugar, apesar do brilhantismo das reformas costistas.

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Mas o pior mesmo é quando se vai para o indicador da “satisfação com a vida”, pois deslizamos para o 34º lugar. Povo ingrato que não entende como os nossos governantes (se) governam de forma tão brilhante.

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Sim, o ambiente e a segurança estão no top, mas tentem lá ver como são as coisas ao nível do emprego e dos rendimentos… de novo a rondar o 30º lugar. Trabalho precário e mal pago como regra de um país sem estratégia sustentada de desenvolvimento para lá de pacotes de subsídios, turismo e negociatas com empresas privatizadas que funcionam num regime que, na pior das hipóteses, é de oligopólios cartelizados que capturaram, com recurso a mexias, o Estado e os seus galambas.

Onde Está A Grande Descoberta?

E o futuro não será brilhante, pois andam pacientemente a transformar o “sistema público de ensino” numa rede escolar de 2ª ou 3ª linha, não apenas em termos de equipamento (salvo alguns Palácios Escolares) mas da própria concepção pedagógica de nivelar tudo pelo mais básico ou “essencial” no seu pior sentido. Em muitas partes do país, só mesmo a erosão de uma mítica classe média não levou a um maior êxodo.

Este tipo de constatação não precisa de qualquer estudo da OCDE. É pena que o ME não tenha a coragem de apresentar os dados a que pode ter acesso e disfarce com coisas que surgem “lá de fora”. E ainda mais do que a cobardia política, impressiona a forma como transformaram a “inclusão” e todo o “pafismo” flexibilizador numa amálgama que assusta quem tenha um pouco de capacidade crítica para distinguir a treta retórica do que interessa.

OCDE: Portugal entre os que têm mais colégios só com “gente rica”

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O Pântano Não Aceita Desafios

Gurría afastou Álvaro da conferência da OCDE depois da polémica sobre a corrupção

Álvaro Santos Pereira aconselhado a não vir a Lisboa devido a estudo polémico

Lama

(claro que não foi pressão do Governo, claro que nada é por causa de nada, claro que ninguém tem qualquer poder junto da OCDE,… claro que só falta ir alguém a um Prós e Contras para desagravo sem tempo para contraditório…)

(já agora… os mexias e catrogas não perdoam…)

Eu Até Gostava do Ministro Álvaro

Quando a OCDE publica estudos sem ser “por encomenda” sobre a Educação, as coisas parecem correr mal.

Pela mão da equipa do ex-ministro Álvaro Santos Pereira, a corrupção surge pela primeira vez em foco num relatório da OCDE sobre a economia portuguesa. Governo considera forçado e assente em preconceitos.

Santos Pereira foi um ET enquanto esteve no governo e lá teve de sair porque catrogas, mexias e amigos valem muito mais para as “elites” do que um estrangeirado. E ele foi muito menos fofinho do que o nosso ministro Tiago que diz uma coisa, faz outra e ainda rodopia. Santos Pereira foi enviado para uma prateleira dourada como quase todos os que se tornam dispensáveis (ainda me lembro dos cargos que aceitaram carrilhos&cravinhos), mas parece que não se esqueceu da forma como as coisas são feitas por cá.

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Mas, claro, já houve fuga de informação e o operacional governamental de agip-prop já entrou em campo e não me admiraria muito que em nome das boas relações com a OCDE, o relatório final tenha um destino parecido a algumas das medidas em estudo que na altura fizeram o ministro Álvaro ter de sair.

Mas alguém acha que a maior parte dos grandes negócios feitos por cá é feita de forma limpinha, limpinha? Basta ver quem negoceia, quem intermedeia e depois quem ficar a administrar. É quem sequer é uma forma subtil de fazerem as coisas.

Alcatrao

(claro que sabemos pelo SE Costa que os governantes de cá de nenhuma forma conseguem influenciar relatórios da OCDE, certo?)

Considerem-se Avisados!

Ou pensam que a OCDE diz estas coisas, nesta altura, por cósmica coincidência? Só acredito se convidarem o SE Costa para em prime-time desmentir que o governo português nada teve a ver com este assunto e que ele, himself, muito menos.

A municipalização da Educação poderia ir mais além do que aquilo que o Governo planeou, defende a OCDE no seu mais recente estudo sobre gestão de recursos educativos em Portugal, divulgado esta quinta-feira. No documento, argumenta que uma “divisão sensata seria atribuir aos municípios a responsabilidade por todos os assuntos operacionais”.

Neste cenário, as escolas “receberiam mais controle sobre todos os recursos (financeiros e humanos) que contribuem diretamente para a aprendizagem e o desenvolvimento dos alunos”. Embora não aponte diretamente essa solução, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico destaca que a contratação de pessoal docente é uma das pastas que não foi passada para os municípios. E diz que a autonomia das escolas, tal como foi desenhada, ainda deixa de fora “formas mais amplas de autonomia como a responsabilidade local pelas finanças e recursos humanos”.

As notícias continuam a sair. O relatório continua sem estar onde deveria poder ser consultado. Curiosamente, a recente recomendação do CNE sobre este assunto não teve o mesmo tipo de interesse mediático. Será porque tem, globalmente, um conjunto de reservas que não interessa espalhar?

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