Números

As 159 mortes registadas ontem por covid equivaleriam a 5200 nos E.U.A., ainda governados pelo “demónio” Trump. Ontem, por lá, foram registadas menos de 4000, e anteontem, o pior dia de sempre, cerca de 4400. No Brasil significariam cerca de 3300 mortes; ontem registaram-se lá 1131 mortes e no pior dia (24 de Setembro) foram um pouco acima de 1700. Espanha teve ontem, 201 óbitos; com a população que tem, seriam mais de 700 mortes se estivesse ao nosso “nível”.

Algo correu mal, muito mal. Não por falta de avisos. Não foi por falta de lhes ser explicado, por vezes com detalhe e remetendo para estudos credíveis e não com base em “achismos” de comentadores de tertúlia. Foi por incúria, negligência, incompetência, desleixo, sobranceria. Há quem escreve que é tempo de união e não de apontar dedos e procurar culpados. Talvez não. Mas é essencial identificar as causas e isso traz inevitavelmente consigo quem esteve na sua origem.

Mas também se sabe que, por cá, quando se deixa para depois o apuramento de responsabilidades, acaba-se sempre no “fomos todos e não foi ninguém” que safa sempre os negligentes, incompetentes, desleixados e condescendentes. Aposta-se na erosão da memória como com Pedrógão ou Tancos. O que convém muito a quem acha que foi eleito para tomar decisões, mas sacode a água do capote sempre que se percebe o quanto erraram. E não foi apenas uma vez. Esta não é uma “2ª oportunidade” para emendar as falhas verificadas.

Tenham vergonha!

Como Há Dez Meses…

… estamos pendurados à espera que um grupo de pessoas a quem, na maioria dos casos, eu não compraria uma impressora em segunda mão, quanto mais um carro, tome decisões que, apenas com uns pós de hipérbole, podem ser de vida e morte para muita gente. Há dez meses, felizmente, acabaram por decidir bem e o que agora querem dar a entender que foi muito severo, na realidade foi o que permitiu “matar” a 1ª vaga quase no arranque. Agora, com números muito mais elevados, entraram naquela de, após procrastinar e tergiversar, tentar mitigar medidas que deveriam estar em vigor desde meados de Dezembro. Dizem que nada é tardio, nada é teimosia, mas os 311 mortos de hoje e ontem, se os extrapolássemos para a população dos E.U.A. seriam mais de 10.000 (por lá foram c. 6.100 neste período). Fazendo o mesmo para o Reino Unido dariam quase 2.100 óbitos(o número real andou pelas 1.800).

O “milagre” da Primavera de 2020 está a tornar-se um “pesadelo” no Inverno de 2021, mas desde o ministro Tiago, o comentador Baldaia, os cronistas Tavares ou o qualquer coisa Oliveira digam o contrário, está tudo bem.

(os mais de 10.500 novos casos de ontem em Portugal equivaleriam, nos States, a quase 350.000… o pior dia por lá foi 8 de Janeiro com “pouco” mais de 300.000)

Ser (Ou Não) Desagradável

Depende das perspectivas. Há situações em que ser-se desagradável é a única forma de fazer entender que certos comportamentos e atitudes não podem passar em claro. Há quem não goste. Em especial quando isso é mais do que justo. E tanto mais quanto maiores forem as responsabilidades (e os disparates ou mesmo flagrantes más práticas) de quem não merece que se dê a outra face ou se sorria para ver se tudo fica em claro. Não faz o meu género; prefiro ser tido como desagradável do que como complacente ou cúmplice. Até porque não acredito muito na justiça divina no Além, Aquilo já deve estar tão povoado que até quem seja omnisciente e omnipresente terá dificuldades em detectar tod@s as sacaninhas que lá dão entrada. Pelo que é muito importante que se comece a fazer o trabalho logo pelo Aquém.

A Gazeta Da Corte – 2

Professores arcaicos e insubmissos, sem cartão da cor certa, temei, que os cortesãos alpinistas começam a ver os serviços reconhecidos.

Diplomas para Publicação em Diário da República:

(…)

tacho

(podia ser hipócrita, mas não me apetece… acho mesmo que depois destes anos de aparelhismo, o CIP tem o “perfil” adequado para este tipo de cargos)

Phosga-se! Série Especial “Estamos On”

1. Identifique a turma (ano e letra(s)) [sic]

2. Houve informação aos alunos sobre o cronograma de trabalho em contexto virtual, como horários pré-estabelecidos?

3. Foram promovidas sessões de formação a [sic] distância ou disponibilizados recursos para autoaprendizagem dos docentes?

(…)

Como se define um cronograma sem se saber com que prazos lidamos?

E continua assim até ao nº 18… no Microsoft Forms, claro.

grito2

 

 

Phosga-se! – Série “Professores”

Saquei os dois excertos abaixo ao mural do Ricardo Santos que retirou a identificação de quem escreveu estas pérolas.

Comecemos pela parte da arrogância, típica de quem vive num casulo em que a “inclusão” se enuncia mas não se pratica e em que as desigualdades são um mito. Não têm? Tivessem! Se não têm, é porque são uns inúteis ou desocupados.

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Mas há pior (se é possível) que é quem acha que pode exigir aos outros, mas depois nem consegue perceber como se faz a concordância entre um sujeito no singular e um predicado no plural.

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Sim, os tempos de emergência estão a fazer cair o verniz a muita gente. Há os que sinceramente acreditam em algumas coisas, mas há quem tenha apenas falhas evidentes de carácter.

E não se admirem se forem daqueles que também querem um “novo paradigma” para a carreira docente e já estejam em bicos de pés para certos cadeirões e com a gadanha na mão para fazerem uma “limpeza”.

Contra Os Filisteus

Cheguei tarde a este autor, mas estou a gostar imenso da clareza como ele, logo nos primeiros anos do famoso século XXI, começou a desmontar o discurso “inclusivo” de alguns responsáveis políticos (e não só) acerca da Sociedade do Conhecimento, que eles pretendem com pouco conhecimento e ainda menos preocupado com padrões de Verdade, que gostam de apresentar como uma questão de interpretação. Assim como passou a ser norma amesquinhar como “elitista” qualquer pretensão ou exigência intelectual de rigor. Poderia ter seleccionado diversas outras passagens, até mais concisas e acutilantes, mas esta parece-me assentar de forma perfeita ao que vivemos, com especial intensidade, desde finais de 2015 na Educação.

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Frank Furedi, Where Have All the Intellectual Gone? (Londres, 2004, pp. 16-17)

(espero poder um dia destes contar as agruras de um tipo a quem dizem – e não foi apenas uma ou outra vez – que escreve de forma demasiado complicada para vender nos tempos que correm…)