Se Isto Não É A (Inter)Municipalização…

… não sei o que será. Formalmente, os concursos poderão não ser feitos pelas CIM, mas tudo o resto, incluindo o que definirá a oferta educativa e as necessidades de recursos humanos, vai passar por estes órgãos.

Até mantive o título do documento original, para se ver claramente de onde foi enviado para as escolas.

Noticiário Local

Isto é quase tudo fruto da recolha de muitas dezenas de notícias pelo Livresco desde o início da semana. A primeira é de hoje, porque é aqui de perto, mas o resto é uma compilação da semana.

Professores de Palmela desfilaram pela dignificação das carreiras e da escola pública

Educação “une” professores e alunos em protesto no Agrupamento de Escolas Rainha Santa Isabel em Coimbra (com vídeos)

Greve dos professores encerra escola Soeiro Pereira Gomes (c/áudio) 

A falta de professores motivou o encerramento da escola Soeiro pereira Gomes em Alhandra

«Cansados e ignorados», professores fazem greve em Faro

Greve de professores e auxiliares encerra Escola Secundária D. Manuel Martins

Greve dos Professores: Melgaço (também) pede “Respeito” pela profissão

Greve de professores fecha várias escolas em Oliveira do Hospital

Greve dos professores. Adesão total nas escolas de Lagoa no Algarve

Professores de Santarém manifestam-se no largo Cândido dos Reis

Greve de professores nos dois agrupamentos escolares da Guarda

Greve de professores volta a deixar centenas de alunos sem aulas na região [Leiria]

Professores fazem-se ouvir em Albufeira

Professores da Secundária da Sé protestam contra «ilegalidades» do Ministério da Educação

Greve de professores. Mega agrupamento de escolas em Sintra sem aulas desde início da semana

Alunos aderem ao protesto dos professores na Escola Secundária D. Pedro V em Lisboa

Pais e auxiliares juntam-se ao protesto dos professores em escola de Santiago do Cacém

Lousada: “No futuro não vamos ter professores, mas pessoas sem qualificação a debitarem matéria” – Nuno Costa, escola EB 1 de Campo | Verdadeiro Olhar

Escola Espinho 2 encerrou devido à greve de funcionários e professores

Gazeta Municipal

Ex-secretário de Estado e presidente da Câmara de Arouca acusados de prevaricação

Escutas confirmam suspeitas de tráfico de influências de presidente da Câmara de Matosinhos

Aguardo a procissão de tod@s aquel@s que garantiram que em Matosinhos tudo é legal e que o que está a acontecer é uma boa e velha “cabala” sem qualquer sentido (na procissão de há uns dias dei com muita gente alaranjada e azul celeste, se é que o Lobo Xavier ainda usa essas cores).

Estão Contra A Proposta Ou Contra Não Terem Sido Consultados?

Porque existe uma enorme diferença entre as duas coisas, sendo parecido aos autarcas que estavam contra muita coisa, até os “ouvirem” e lhes passarem o “envelope financeiro” “correspondente. E há muit@ director@ que cada vez se parece mais com aqueles sindicalistas que só querem um lugar à mesa das negociações e o resto da maralha que se lixe.

Ou – terceira hipótese – estão contra porque perceberam que serão uma espécie de homens de mão dos “líderes intermunicipais” que até podem dizer que foram “democraticamente eleitos”, ao contrário de quem o é em colégio eleitoral de tipo corporativo?

E Vai Mais Um

Este em tons alaranjados.

Não me venham dizer que são “casos isolados”. O que me admira é os que conseguem ser apanhados. Porque a maioria dos esquemas passa sob o radar e é preciso estar bem por “dentro” para se conseguir provar o que se conhece a olho desabrigado.

Autarca de Marvão condenado a perda de mandato e pena suspensa por corrupção passiva

Sábado

A sério que aquilo de que o país precisa é de um processo de revisão constitucional? Atascados nos seus escândalos, PS e PSD alinham num folclore sem sentido. Chamam populistas aos outros, mas usam-lhes as tácticas, nem que seja as de distrair as atenções com mcguffins. Vão-se descobrindo negociatas e compadrios em série a nível local quando se quer forçar uma municipalização de serviços públicos e até a contratação e vinculação dos respectivos quadros de pessoal? Atira-se com uma revisão constitucional. Já se existirem autarquias a bloquear projectos “de interesse nacional”, muda-se a lei para lhes reduzir esses poderes.

O poder local – “grande conquista de Abril” cujo valor não nego – tem vindo a tornar-se um alegre sorvedouro de dinheiros públicos e europeus e pasto para muita negociata, com endividamentos galopantes; mas, para outros fins, apresenta-se como exemplo maior da bondade de uma gestão de proximidade, atenta às populações. Claro que muitas autarquias fazem um excelente trabalho. Só que neste momento, não sabemos bem em que proporção. Mas basta ver quantos autarcas – e o que sabemos são apenas os casos que não foi possível esconder – andam envolvidos em coisas esquisitas e conseguem chegar a cargos no poder central, para se ter uma ínfima ideia dos canais por onde escorrem subsídios e financiamentos paralelos.

Em matéria de Educação, há dois “viveiros” que se destacam, um de tons rosados a norte, com vista para o Douro e a foz, o outro a sul, na grande Lisboa, de tons laranja, mesmo quando não o é oficialmente, onde nas últimas décadas a isaltino-dependência atraiu mais gente do que se sabe à superfície. São viveiros de franganitos na engorda, lado a lado com galos velhos e galinhas secas de tanto se chegarem à frente nas fotos de grupo, em especial o de lá de cima, onde a muito elogiada “colaboração” da autarquia com as escolas começa a ganhar uma notável opacidade. Mas são “exemplos” de obra feita que se quer replicar por outras paragens.

Depois, não digam que foi surpresa.

Já Repararam Que Esta Malta Cada Vez Está Mais Perto Do “Centro”?

Que seja inocente até prova em contrário. Mas esta forma de “fazer obra”, ou melhor, de “pagar obra” anda em alta e, sendo pelas vias certas, parece ser meio caminho andado para ser-se recompensado ao mais alto nível.

Casos como este são mais do que muitos pelo país, porque em terra pobre, estes esquemas tornam-se modo de vida e as clientelas fazem lembrar as velhas relações de patrocínio dos tempos romanos ou as feudalidades medievais. Claro que só se lembra de tais afinidades quem tenha tirado um anacrónico curso de História com disciplinas anuais, em vez de ter a História do Mattoso a exibir-se na estante, com as páginas coladas por causa dos anos de imobilidade.

Há quem grite que certas denúncias e indignações são “demagogia” ou “populismo”, mas é mais do que evidente que não vão além do papagueio de chavões, que não entenderam ainda que demagógicas e populistas são certas políticas locais baseadas na hidratação mútua das mãos de quem interessa.

Secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro foi acusado no âmbito de um inquérito resultante de uma denúncia anónima aberto em 2019.

Rabo Escondido Com Gato De Fora

Porque ficou debaixo do avental, desculpem, da mesa?

Inquérito-crime deixa de fora o facto de construtor beneficiado com parcerias público-privadas se ter tornado sócio de Isaltino Morais

Endogamias

Agora temos por aí uma cascata de “descobertas” acerca dos negócios de familiares de governantes com o Estado. Até há quem já vá atrás de coisas com mais de dez anos, quando me parece óbvio que ninguém – em teoria – poderá adivinhar que @ cara-metade ou @ filh@ vai acabar ministr@ ou secretári@ daí a uns tempos. Nem o pai do Dias Loureiro (lembram-se?) era capaz de prever isso.

O que poderia ser caso para estudo – olha-me a oportunidade de novo negócio para alguém no isczé ou na católica, se for para publicar no Observador – é a situação curiosa de tanta gente com negócios com o Estado conseguir colocar familiares na área executiva ou, de modo menos visível, na estrutura administrativa de apoio aos decisores políticos. Porque o inside knowledge nem sempre é maior nestes, em especial dos meandros técnicos de como concorrer e tal ou a que gabinete recorrer para a consultadoria em matéria das verbas que escorrem da Europa. O que seria interessante era mesmo estudar as linhagens que se estabelecem em torno deste tipo de negócios dependentes do Estado, mesmo depois de se dizer que se privatizou quase tudo.

Brincadeira, como é evidente, porque o que se privatizaram foram os negócios que antes eram assegurados por organismos do Estado e agora se contratualizam fora dele, com lucros não propriamente inesperados, muito pelo contrário. Lucros que não são para o Estado – que somo “todos nós” naquele peculiar linguajar de economistas ou pessoas que falam como se fossem, tipo gones ferreira ou o lourenço, sempre prontos para salvar a Nação com as suas ideias – mas para os “empreendedores privados” que, por pura coincidência, calham ser familiares próximos de decisores, pretéritos, presentes ou futuros.

Mas tudo é sempre legal, graças a pareceres, mais ou menos feitos à medida da encomenda, como se fosse na rua dos fanqueiros de antigamente.

Um estudo sobre estas endogamias, repito, não seria original, mas seria tanto mais interessante, quanto escapasse às generalidades e ao “isto também é assim lá fora”. Porque se os salgados e os rendeiros caíram dos poleiros, os ditos cujos ou outros parecidos não ficaram vazios.