O Estado Da República

A conversa:

“É preciso sobrepor o interesse colectivo aos interesses individuais”, defende Marcelo

Os factos:

17 ex-gestores do GES tiveram perdão fiscal. Só Salgado terá legalizado 34 milhões

“Está a preparar-se um assalto aos fundos europeus”, diz presidente da Transparência e Integridade

Nova presidente da TIAC está preocupada com afastamento de Vítor Caldeira da presidência do Tribunal de Contas. Neste momento há dúvidas sobre quem se encontra em funções.

Ser (Ou Não) Desagradável

Depende das perspectivas. Há situações em que ser-se desagradável é a única forma de fazer entender que certos comportamentos e atitudes não podem passar em claro. Há quem não goste. Em especial quando isso é mais do que justo. E tanto mais quanto maiores forem as responsabilidades (e os disparates ou mesmo flagrantes más práticas) de quem não merece que se dê a outra face ou se sorria para ver se tudo fica em claro. Não faz o meu género; prefiro ser tido como desagradável do que como complacente ou cúmplice. Até porque não acredito muito na justiça divina no Além, Aquilo já deve estar tão povoado que até quem seja omnisciente e omnipresente terá dificuldades em detectar tod@s as sacaninhas que lá dão entrada. Pelo que é muito importante que se comece a fazer o trabalho logo pelo Aquém.

Só Para Amigalhaços

Como é que se arranja boa imprensa e números especiais a promover o Turismo, como é?

Lisboa privatiza jardim público

Começou por ser uma revista que divulgava marcas e promovia negócios para, depois, serem eles mesmo uma marca no mundo dos negócios. Foi assim que ficaram com a concessão do antigo Mercado da Ribeira, no Cais do Sodré, em Lisboa, onde subalugam espaços para coworking, hotelaria e comércio, organizam a animação do espaço com concertos e continuam a fazer a revista.

É uma organização muito ativa e, aparentemente, com métodos expeditos e bem sucedidos. Os problemas parecem não ser entraves de monta. Com as novas regras de distanciamento social e limitação do número de pessoas em espaços confinados, a Time Out deu mais um passo expancionista e instalou-se no jardim público na Praça Dom Luís I, mesmo ao lado do Mercado da Ribeira.

Nada disto seria controverso se o espaço público não tivesse ficado barrado ao público. Passa a ser apenas para clientes da Time Out. Se alguém quiser descansar as pernas num dos bancos do jardim público, à sombra de uma das árvores regadas pela água que todos pagamos, não pode. Os avisos espetados no solo são claros e não deixam dúvidas. O jardim público passou a espaço exclusivo de clientes de uma entidade privada.

Sociologia Superficial Dos Parceiros Da Ex-Geringonça

Há quem não tenha percebido que nos últimos anos foi feita uma clara opção por parte de algumas forças políticas (e suas ramificações sindicais) no sentido de apostar no apoio do que agora designamos como “precariado”. Por ser numeroso, por ser mais ou menos jovem. E por estar em situação de fornecer alguns milhares adicionais de efectivos quotizados do que os “velhos” trabalhadores dos “quadros” que, para além de serem vistos como “privilegiados”, ainda têm o condão de ser chatos e menos maleáveis a certas demagogias.

Não estou a colocar em causa a legitimidade de tal opção, ou sequer a sua maior ou menor bondade. Apenas a assinalar uma evidência e a tentar que algumas pessoas entendam que a boa vontade de alguns grupos político-sindicais se deslocou na última década e aderiu a uma lógica dominante diferente daquela que se poderá considerar “tradicional”: a defesa dos trabalhadores de uma dada profissão, que agora se apresenta como sendo algo “corporativo” e não dos aspirantes a essa profissão. Até há quem considere que é assim que deve ser, porque é mais justo e, numa perspectiva de “esquerda”, se está a privilegiar a defesa dos “mais vulneráveis”. E eu até tenderia a concordar – não tendo qualquer cartão ou não pagando quotas, não vou esperar que seja os meus interesses que alguém venha defender – se tudo isto depois não se traduzisse num nivelamento pelo salário mais baixo e na aposta nos que ficarão gratos com o mínimo dos mínimos, perdendo uma perspectiva de médio-longo prazo.

E repito… não estou a fazer um juízo de valor sobre a estratégia (uma discordância não é bem isso), apenas a querer que o pessoal menos novo perceba aquilo com que tem de lidar e com os apoios que, em regra, só terá da boca para fora. Porque se há algo que tenho de reconhecer ao actual PM é que meteu mesmo os marxistas na gaveta, desculpem, no bolso.

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A Mim Levanta Imensas Dúvidas…

… esta segunda nota sobre o faseamento da recuperação das migalhas de tempo de serviço (2ªNotaInformativaSobre Recuperação 2_9_18) que encontrei no Arlindo, porque – para além de muito tardia – parece criar um anómalo regime de excepção, com o pretexto da pandemia, ao permitir recuperar classificação com mais de 10 anos, algo que foi explicitamente negado a outras pessoas, em circunstâncias similares, em situações anteriores.

Eu sei que há quem assim veja a vida facilitada, mas a verdade é que houve quem não tivesse este tipo de “compreensão” e não tenha podido “mobilizar” nada dos tempos da MLR e sucessores. Eu já percebi que a “lei” é algo abstracto que se retorce a gosto por despacho ou nota informativa, mas continuo a não entranhar.

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Deviam Ter Dito Isso Mais Cedo

Horários duplos nas escolas podem ser um risco, avisam directores

Se alunos tiverem de ir para ATL vão aumentar os contactos sociais. Só nas zonas urbanas deverá haver horários divididos entre a manhã e a tarde para algumas turmas, prevêem dirigentes.

O funcionamento das escolas em horários duplos, com aulas de manhã para umas turmas e de tarde para outras, pode “ser um risco para contenção da covid-19”, acredita o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima. A solução também implica constrangimentos para as famílias. Os directores acreditam que serão poucos os agrupamentos a segui-la.

Evidence

(embora em muitos casos seja inútil esperar que gente com escassez do que interessa perceba as consequências de muita coisa. Eu já desisti de tentar explicar seja o que for a quem acha que sabe tudo, tomando por sabedoria a causa de dada posição. Porque depois ainda passo por ser eu a armar-me em qualquer coisa, quando apenas peço que pensem um pouquinho… mesmo se é tarde para arriscarem operação tão delicada…)

Uma Liderança De Sucesso

Balsemão e Marcelo confirmam.

PS e PSD mais longe um do outro nas sondagens

Costa sem maioria absoluta mas PS está 13 pontos à frente do PSD, Marcelo apreciado pelos eleitores socialistas e apoio de Rio ao Governo não rende votos. Estas são as ideias principais da sondagem da Católica para o PÚBLICO/RTP.

PS e PSD aprovam fim dos debates quinzenais. 35 dos deputados votaram contra

laranja-podre

É Melhor Não Desenvolver O Tema…

… do que poderão ser considerados “mini-portais locais de matriculas” (este não é caso único, longe disso). Quanto ao ME, claro que acha tudo normal.

Escolas pedem dados adicionais mesmo com renovação automática da matrícula

Ministério da Educação esclarece que é normal que as escolas estejam a pedir mais dados aos encarregados de educação mas assegura que a matrícula está garantida.
papagaio

Imaginem Isto Em Tempos Em Que Existisse Mesmo Oposição

A sucessão de disparates no ME começa a ultrapassar o vagamente razoável e está a par, se não suplanta, as trapalhadas dos tempos do Santana e da “tia” que era da família daquele senhor padre muito conhecido na altura.. Não é apenas o que isto desorienta as escolas e as famílias dos alunos, mas o que significa como sinal de um permanente amadorismo. Apesar de já ter tido tempo para fazer dois ciclos de estudos bolonheses na 5 de Outubro, o ministro Tiago continua aquela lástima que se viu na entrevista ao Expresso. Percebeu-se (e não foi apenas agora) que a carreira política está acima de qualquer coerência ou seriedade. O secretário Costa prefere os momentos e tempos de “sedução” a docentes “páusicos” de qualquer género, que gostam de conversa doce que faça sonhar com o fim dos anos 70 ou algo parecido e detesta ter de meter as mãos em tretas destas.

Nem vale a pena perder tempo com aquela de as turmas não irem ser divididas porque, afinal, os alunos cabem todos nas salas e o “distanciamento social” como prevenção é uma espécie de mito urbano moderno para o cientista Rodrigues.

Os manuais eram para devolver, apesar de se quererem recuperar aprendizagens no próximo ano; no Parlamento é votada a não devolução e o ME manda devolver na mesma até que alguém lhe deve ter explicado a estrutura dos poderes nos regimes liberais, porque no 6º ano ele estava distraído, porque História era uma chatice, e lá se disse que era mesmo para não devolver, embora grande número, na dúvida, tivesse devolvido.

Agora são as matrículas. Qualquer director de turma sabe que foi instigado com intensidade para convencer os encarregados de educação a usar o Portal das Matrículas; houve mesmo escolas que nem consideraram a possibilidade de matrículas presenciais. Deram-se datas, mas percebeu-se rapidamente que a última semana de Junho foi o melhor período para o usar, mesmo antes de se saberem os resultados das avaliações. Em pouco tempo, com a palavra passada, o portal começou a não aguentar os acessos simultâneos que eram previsíveis. E os directores de turma começaram a recomendar que se fizesse tudo pela madrugada, como antigamente com os primeiros irs por via electrónica. Quando tudo aconselharia que, em tempos como estes, as matrículas para quem permanecesse no mesmo agrupamento fossem automáticas. Mas não. Agora fala-se em “ataque informático” para justificar uma medida que deveria ter sido tomada há duas semanas. Não sei se existiu e até espero que não, pois os meus dados estão lá. Mas se houve mesmo, que segurança sentirão os pais dos alunos dos anos iniciais de ciclo ao irem lá colocar as suas informações?

Só que não temos oposição, por razões há muito sabidas. O Bloco anda a ver se apanha as últimas migalhas, enquanto encena umas questiúnculas e uns arrufos. O PCP anda a ver se ainda tem migalhas e não sabe bem o que fazer, não percebendo que já ninguém fica convencido com o perigo do papão da “Direita” chegar ao poder. Porque a “Direita” não existe. O PSD não tem uma mão cheia de gente que apareça e fale com credibilidade sobre seja o que for e o seu líder fica muito feliz só porque tem tempo de antena para dizer umas coisas. Se até o histórico militante laranjinha número 3 é o candidato preferido do actual PM, percebe-se que Rio está lá, porque é preciso estar lá alguém que nem perceba que só está lá para a cadeira não ficar vazia. Quanto ao CDS, apesar da boa iniciativa relativa aos manuais, é uma caricatura em miniatura dos seus piores tempos. Os outros? Os “novos”? A sério? Alguém leva mesmo a sério o Ventura (alguém que o convide para vice do Benfica e ele chega-se logo), a Joacine ou as zumbas do PAN?

O governo governa como bem quer e entende, podendo falhar tudo e mais alguma coisa, porque “o Marcelo” quer ser plebiscitado e bater o recorde de percentagem na eleição para um segundo mandato e não há qualquer tipo de “contrapeso” com verdadeira capacidade de intervenção. A maioria da comunicação social está estrangulada pelo medo de falir e aceita quase tudo, assinando de cruz. O poder judicial funciona até esta ou aquela instância, mas depois esbarra quase sempre numa parede imensa de cumplicidades.

Nem nos tempos mais ferozes do “engenheiro” se viu tamanha anomia e incapacidade de acção da oposição.

A democracia não é isto, mesmo se há cortesãos que batem palmas e se congratulam por esta forma “nova” de união nacional.

A preocupação maior é se os cámones vêm para o allgarve ou não. Tudo isto é triste, tudo isto é um mau fado.

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O Ano Mais Longo

Este ano lectivo não estará resolvido antes de Outubro, quiçá Dezembro, em especial no que diz respeito ao Secundário e 12º ano. A avaliação anda em terrenos movediços, porque, no essencial, em muitos agrupamentos e escolas, não se fizerem em devido tempo adaptações claras aos critérios estabelecidos no início do ano. E há gente (não apenas encarregados de educação, é bom que se note) que por se sentir menos “confortável” com o que se passa ou apenas porque a pandemia não melhorou nada em maçãs bichadas há muito tempo, irá fazer isto esticar até aos limites da irracionalidade. E como o mundo não pode ficar ainda mais vulnerável ao chico-espertismo, haverá natural reacção contra quem vai querer virar isto em proveito próprio, por via da ameaça e intimidação. E depois há demasiada gente com acesso directo a quem pode. E isso também gera muitas desigualdades e seria bom que quem muito proclama virtudes éticas e republicanas ou desligasse o zingarelho ou aprendesse a ignorar. Mas não tenho muitas esperanças. Porque não há pingarelho com um cheiro de poder que não sinta ter a chave da caverna dos tesouros.

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