O Elogio Da Ilegalidade

De um dos delfins de MLR (Pedro Adão e Silva) não me espanta nada o elogio do desrespeito pelo direito à greve. O mesmo se passa com um dos alegados pensadores da direita educadora (Alexandre Homem Cristo). E não me espantou que se juntassem ao Marques, Mentes nesta romaria de panegíricos.

A minha relação pessoal com o Manuel Esperança é escassa, mas foi sempre cordial. Por isso, custa-me tanto que ele tenha cedido à deriva napoleónica como que, à saída, os seus principais defensores sejam deste calibre. Posso discordar dele, mas acho que merecia melhor do que esta tropa fandanga.

Já agora, só um por”menor”… a “obra” de quem se considera professor deve ser o seu trabalho com os alunos em sala de aula. Sem isso, lamento, qualquer legado será sempre coisa menor.

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O Verdadeiro Polvo Que Tolhe O País

Mas há muito idiota que ainda acredita naquilo que os avençados (no futebol chamam-se “cartilheiros” uns aos outros) do sistema espalharam anos a fio sobre as causas do défice orçamental e da dívida externa. E muitos continuam por aí, ainda a apanhar uns restos da festa. Já não é como outrora, mas ainda sobraram umas migalhas…

Zeinal Bava queria pagar 77 mil euros para travar investigação a bónus de 8,8 milhões

MP diz que Conceição “aderiu a pacto” de Pinho e Mexia para beneficiar a EDP em 1,2 mil milhões de euros

Estado injetou 25,5 milhões de euros na banca nos últimos dez anos

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A ANVPC Que Se Que Se Chegue À Frente…

… no protesto ou proposta de soluções para a escassez de professores contratados e para a precariedade das suas condições de trabalho.

Porque tipos como eu, não passamos de “velhos” que se tornaram efectivos aos 40 anos e a meio dos 50’s somos uns privilegiados encravados a meio da carreira, mesmo com acréscimo pré-bolonhês de habilitações. Acho abusivo aparecer a falar nas condições dos colegas contratados e no que eles sofrem. Passei por isso durante quase toda a década de 90, seguindo-se a fase qzp. MAs acho que devem ser outros a terem “protagonismo” em causas que lhes são específicas.

Portanto, quando me ligaram de órgãos de comunicação social com microfones e câmaras e tudo, reenviei-os para quem, em tese e no nome, defende os direitos dos professores contratados, pensando eu que não apenas ao nível das vinculações cirúrgicas. O site oficial da organização, como já disse há uns tempos, parece o de uma divisão do ME e deixou de dar espaço a este tipo de notícias, mas seria bonito que não esquecessem por completo aqueles que dizem representar.

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(claro que dirão, num clima de harmonia institucional, que já estabeleceram “diálogo” com o governo e que existe “abertura” para a resolução do problema durante a nascente legislatura…)

4ª Feira

Há uns dias o Paulo Prudêncio escrevia sobre o conceito de “grupo fechado” numa perspectiva ainda um pouco abstracta sobre a forma como na sociedade e nas escolas as cliques no poder tendem a enquistar-se, fechando-se sobre si mesmas na forma como tomam decisões. O tema é-me por demais sedutor, para não voltar a pegar nele e ir concretizando um pouco mais como o “grupo fechado” se tornou uma realidade que, na vida política ou escolar, marca a forma como os cidadãos (na sociedade) e professores comuns (nas escolas) se vão sentindo excluídos dos processos decisórios exactamente por quem exalta a “inclusão” fala muito em “afectos”.

Em relação à Educação, este mandato começou por uma espécie de pacto em que o “grupo fechado” até poderia passar por outra coisa, pois percebeu-se que o poder político cooptou boa parte da comunicação social como estratégia para controlar o fluxo de informação e reduzir interferências estranhas. A confluência de todo o centro-esquerda nessa estratégia conseguiu torná-la bastante eficaz e só mesmo com os incêndios e o caso de Tancos sofreu brechas significativas. No caso da Educação, o pacto foi bem costurado e sempre que foi colocado em causa, tivemos direito a respostas entre a agressividade e a vitimização, mas sempre procurando dar a entender que a Verdade Única era a do Poder. A isso penso voltar em outra altura com mais paciência do que hoje.

Quanto à vida nas escolas, a tempestade quase perfeita que no último ano concentrou o fracasso da recuperação do tempo de serviço (revelando como a adesão sindical à estratégia do “grupo fechado” foi um erro na perspectiva da maioria dos docentes) com os efeitos dos reposicionamentos resultantes das vinculações extraordinárias e agora do (não) faseamento da “bonificação” mitigada, levou a que fosse desaparecendo alguma da sonolência que se instalara sobre os procedimentos internos da avaliação docente e de transparência de outros processos, como a circulação da informação interna sobre essa mesma avaliação e seus efeitos. Para muita gente, foi um choque talvez maior do que a porta na cara de centeno&costa quanto aos 9-4-2. Percebeu-se que, afinal, muita coisa acontecera durante o congelamento que só agora com o degelo de tornou parcialmente perceptível. Percebeu-se que os “grupos fechados” por esse país fora tinham tomado decisões anos a fio sem grande controle externo, desde que seguissem, mais ou menos, as directrizes superiores. E os “grupos fechados” reservaram para si o pouco que houve de magras fatias de gelado à base de água e corantes. E passou a controlar a informação a nível local, como aconteceu a nível nacional, replicando a estratégia das cliques no poder, com honrosas excepções.

E agora há por aí uma revoada de invocações histriónicas diversas divindades quando se toma consciência de que as ultrapassagens resultantes da desregulação dos procedimentos e de decisões políticas e administrativas  altamente questionáveis existem mesmo, bem como os estrangulamentos na progressão na carreira são, no seu conjunto, ainda mais penalizadores do que na formulação inicial do mandato de Sócrates/MLR.

Não foi por falta de aviso. Mas há quem se tenha acomodado, há quem tenha confiado e ainda há quem se tenha aproveitado. Ess@s são @s que agora fingem não saber bem de nada e sacodem as mãos como se de nada consigo se tratasse. Mas perfilam-se para receber as condecorações a distribuir pelo “grupo fechado”.

As Medalhas do General2

Antes E Depois

Antes da cartilha (26 de Maio):

“Quem vota no PAN são os urbano-depressivos” que comem “alface”

Miguel Sousa Tavares diz que o PAN só recolhe votos nos meios urbanos, nos meios rurais “toda a gente odeia” o partido.
.Depois da cartilha (27 de Maio):

Miguel Sousa Tavares: “Quando o PAN deixar de ser o partido dos cãezinhos e dos gatinhos, tem um grande futuro pela frente”

E é esta a “opinião” e a “análise” que a nossa comunicação social paga ao preço do barril do melhor malte.

Contorcionista

Pelo Jornal de Letras – O Triunfo da Lógica Feudal nas Escolas

Dois anos depois de começar a colaboração permanente com o JL/Educação, comecei a colocar alguns dos textos mais antigos (2017, mas irei em breve acrescentar os de 2018), ali a partir da ligação sob o título do blogue. Como é a única colaboração paga, procuro não divulgar os textos na íntegra, mas já é tempo de os ir deixando arquivados para “memória futura”.

O desta semana é sobre a fase final de instalação da lógica feudo-vassálica no sistema educativo e nas escolas. Por amanhã ser 25 de Abril deixo um excerto mais longo do que o habitual.

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No sistema educativo e no interior das escolas passou a predominar um modelo feudal, em que o suserano distribui os seus favores aos vassalos, mas que os pode retirar a qualquer momento. Os directores e todos os órgãos internos de administração das escolas e agrupamentos podem a qualquer momento ser exonerados das suas funções por parte da tutela, assim como os directores podem exonerar dos seus cargos os elementos escolhidos numa eleição restrita para coordenadores de departamento. Em que o Conselho Geral tem uma lógica de Câmara Corporativa, mesmo se os representantes do pessoal docente e não docente (ainda) são escolhidos por voto directo.

Estando no quarto ano de um governo apoiado por uma maioria parlamentar de “Esquerda”, incluindo as forças partidárias onde se concentra a larga maioria daqueles que se declaram como os mais legítimos herdeiros do “espírito de Abril”, nada, absolutamente nada, foi feito na área do modelo de gestão escolar para recuperar os mecanismos democráticos que foram sendo perdidos. Pelo contrário, aprofundaram-se medidas que são completamente incompatíveis com um regresso da Democracia às escolas, como seja a sua colocação na dependência de estruturas autárquicas que, embora eleitas, não o foram para se sobreporem, no agravamento de uma lógica de hierarquização, aos órgãos internos das escolas.

O que a chamada “descentralização de competências” trouxe foi apenas mais um degrau na estrutura da hierarquia feudo-vassálica que tem o Ministério da Educação no topo como “suserano dos suseranos” e os professores como meros súbditos, que se querem arregimentados sem discussão, uma espécie de vavassalos dos directores que são suseranos no seu domínio, mas ao mesmo tempo vassalos, se desobedecerem às indicações do seu suserano (que em crescentes partes do território começa a ser o presidente da câmara ou em quem ele delegue as questões da Educação).

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