El@s Nunca Deixaram De Estar Entre Nós

Os ex-titulares de alma e coração ou os neo-titulares de aspiração. No terreno, conhecemo-los desde sempre e não se definem pela idade, como se tenta fazer passar, mas pela “atitude pró-activa”, sempre dois pontos à frente de todos para fazerem parte de grupos de controle, avaliação ou monitorização, desculpem, equipas de trabalho. Há duas variantes principais… quem diz detestar grelhas e burocracias mas corra logo a desenvolvê-las quando as “circunstâncias assim o exigem” e quem nunca deixou de achar que o modelo original de add da “reitora” só pecava por demasiado benevolente.

É a malta que aparece nas redes sociais sempre com disponibilidade para tudo e mais alguma coisa e critica azedamente quem acham quem critica as superiores e esclarecidas orientações da tutela. E reforça que “estamos em pausa lectiva, não em férias” e que acha bem que seja tudo non-stop, provavelmente por terem o seu próprio vazio temporal existencial por preencher. E se não tiverem umas tabelas para aplicar sentem que a vida se esvazia de sentido. É também aquele pessoal que diz que “se usámos sempre os computadores em casa, porque se estão a queixar”, não distinguindo o que é feito por opção pessoal do que é apresentado como se fosse um dever inquestionável da condição docente. É gente que tem muita dificuldade em separar como se usa o tempo e o espaço privado, mesmo quando se está em redes de sociabilidade, e a obrigação de estarmos em modo de domínio público 24/7, numa espécie de neo-servilismo digital.

É gente que lê pouco e pouco variado. E aborrece-se imenso com quem lê mais do que as vulgatas e sebentas dos poderes que estão. Lêem muito as arianas, mas nunca leram os originais. Acreditam que a flexibilidade e diferenciação pedagógicas são portentosas novidades, quando a mim já amareleceram as páginas do que li sobre isso. E há ainda quem faz que esqueceu. E entusiasmam-se com o tele-ensino como se fosse a “oportunidade” para entrar no século XXI, quando em termos conceptuais pararam num limbo sem tempo.

Mas não cedem à vaidade de quererem reconhecida a sua excelência em documento formal e só lamentam não existir cerimónia pública de agradecimento pelos pares menores.

É triste.

Efectivamente.

Os cágados de pernas para o ar.

 

 

Phosga-se! – Série “Professores”

Saquei os dois excertos abaixo ao mural do Ricardo Santos que retirou a identificação de quem escreveu estas pérolas.

Comecemos pela parte da arrogância, típica de quem vive num casulo em que a “inclusão” se enuncia mas não se pratica e em que as desigualdades são um mito. Não têm? Tivessem! Se não têm, é porque são uns inúteis ou desocupados.

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Mas há pior (se é possível) que é quem acha que pode exigir aos outros, mas depois nem consegue perceber como se faz a concordância entre um sujeito no singular e um predicado no plural.

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Sim, os tempos de emergência estão a fazer cair o verniz a muita gente. Há os que sinceramente acreditam em algumas coisas, mas há quem tenha apenas falhas evidentes de carácter.

E não se admirem se forem daqueles que também querem um “novo paradigma” para a carreira docente e já estejam em bicos de pés para certos cadeirões e com a gadanha na mão para fazerem uma “limpeza”.

O Elogio Da Ilegalidade

De um dos delfins de MLR (Pedro Adão e Silva) não me espanta nada o elogio do desrespeito pelo direito à greve. O mesmo se passa com um dos alegados pensadores da direita educadora (Alexandre Homem Cristo). E não me espantou que se juntassem ao Marques, Mentes nesta romaria de panegíricos.

A minha relação pessoal com o Manuel Esperança é escassa, mas foi sempre cordial. Por isso, custa-me tanto que ele tenha cedido à deriva napoleónica como que, à saída, os seus principais defensores sejam deste calibre. Posso discordar dele, mas acho que merecia melhor do que esta tropa fandanga.

Já agora, só um por”menor”… a “obra” de quem se considera professor deve ser o seu trabalho com os alunos em sala de aula. Sem isso, lamento, qualquer legado será sempre coisa menor.

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O Verdadeiro Polvo Que Tolhe O País

Mas há muito idiota que ainda acredita naquilo que os avençados (no futebol chamam-se “cartilheiros” uns aos outros) do sistema espalharam anos a fio sobre as causas do défice orçamental e da dívida externa. E muitos continuam por aí, ainda a apanhar uns restos da festa. Já não é como outrora, mas ainda sobraram umas migalhas…

Zeinal Bava queria pagar 77 mil euros para travar investigação a bónus de 8,8 milhões

MP diz que Conceição “aderiu a pacto” de Pinho e Mexia para beneficiar a EDP em 1,2 mil milhões de euros

Estado injetou 25,5 milhões de euros na banca nos últimos dez anos

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A ANVPC Que Se Que Se Chegue À Frente…

… no protesto ou proposta de soluções para a escassez de professores contratados e para a precariedade das suas condições de trabalho.

Porque tipos como eu, não passamos de “velhos” que se tornaram efectivos aos 40 anos e a meio dos 50’s somos uns privilegiados encravados a meio da carreira, mesmo com acréscimo pré-bolonhês de habilitações. Acho abusivo aparecer a falar nas condições dos colegas contratados e no que eles sofrem. Passei por isso durante quase toda a década de 90, seguindo-se a fase qzp. MAs acho que devem ser outros a terem “protagonismo” em causas que lhes são específicas.

Portanto, quando me ligaram de órgãos de comunicação social com microfones e câmaras e tudo, reenviei-os para quem, em tese e no nome, defende os direitos dos professores contratados, pensando eu que não apenas ao nível das vinculações cirúrgicas. O site oficial da organização, como já disse há uns tempos, parece o de uma divisão do ME e deixou de dar espaço a este tipo de notícias, mas seria bonito que não esquecessem por completo aqueles que dizem representar.

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(claro que dirão, num clima de harmonia institucional, que já estabeleceram “diálogo” com o governo e que existe “abertura” para a resolução do problema durante a nascente legislatura…)

4ª Feira

Há uns dias o Paulo Prudêncio escrevia sobre o conceito de “grupo fechado” numa perspectiva ainda um pouco abstracta sobre a forma como na sociedade e nas escolas as cliques no poder tendem a enquistar-se, fechando-se sobre si mesmas na forma como tomam decisões. O tema é-me por demais sedutor, para não voltar a pegar nele e ir concretizando um pouco mais como o “grupo fechado” se tornou uma realidade que, na vida política ou escolar, marca a forma como os cidadãos (na sociedade) e professores comuns (nas escolas) se vão sentindo excluídos dos processos decisórios exactamente por quem exalta a “inclusão” fala muito em “afectos”.

Em relação à Educação, este mandato começou por uma espécie de pacto em que o “grupo fechado” até poderia passar por outra coisa, pois percebeu-se que o poder político cooptou boa parte da comunicação social como estratégia para controlar o fluxo de informação e reduzir interferências estranhas. A confluência de todo o centro-esquerda nessa estratégia conseguiu torná-la bastante eficaz e só mesmo com os incêndios e o caso de Tancos sofreu brechas significativas. No caso da Educação, o pacto foi bem costurado e sempre que foi colocado em causa, tivemos direito a respostas entre a agressividade e a vitimização, mas sempre procurando dar a entender que a Verdade Única era a do Poder. A isso penso voltar em outra altura com mais paciência do que hoje.

Quanto à vida nas escolas, a tempestade quase perfeita que no último ano concentrou o fracasso da recuperação do tempo de serviço (revelando como a adesão sindical à estratégia do “grupo fechado” foi um erro na perspectiva da maioria dos docentes) com os efeitos dos reposicionamentos resultantes das vinculações extraordinárias e agora do (não) faseamento da “bonificação” mitigada, levou a que fosse desaparecendo alguma da sonolência que se instalara sobre os procedimentos internos da avaliação docente e de transparência de outros processos, como a circulação da informação interna sobre essa mesma avaliação e seus efeitos. Para muita gente, foi um choque talvez maior do que a porta na cara de centeno&costa quanto aos 9-4-2. Percebeu-se que, afinal, muita coisa acontecera durante o congelamento que só agora com o degelo de tornou parcialmente perceptível. Percebeu-se que os “grupos fechados” por esse país fora tinham tomado decisões anos a fio sem grande controle externo, desde que seguissem, mais ou menos, as directrizes superiores. E os “grupos fechados” reservaram para si o pouco que houve de magras fatias de gelado à base de água e corantes. E passou a controlar a informação a nível local, como aconteceu a nível nacional, replicando a estratégia das cliques no poder, com honrosas excepções.

E agora há por aí uma revoada de invocações histriónicas diversas divindades quando se toma consciência de que as ultrapassagens resultantes da desregulação dos procedimentos e de decisões políticas e administrativas  altamente questionáveis existem mesmo, bem como os estrangulamentos na progressão na carreira são, no seu conjunto, ainda mais penalizadores do que na formulação inicial do mandato de Sócrates/MLR.

Não foi por falta de aviso. Mas há quem se tenha acomodado, há quem tenha confiado e ainda há quem se tenha aproveitado. Ess@s são @s que agora fingem não saber bem de nada e sacodem as mãos como se de nada consigo se tratasse. Mas perfilam-se para receber as condecorações a distribuir pelo “grupo fechado”.

As Medalhas do General2

Antes E Depois

Antes da cartilha (26 de Maio):

“Quem vota no PAN são os urbano-depressivos” que comem “alface”

Miguel Sousa Tavares diz que o PAN só recolhe votos nos meios urbanos, nos meios rurais “toda a gente odeia” o partido.
.Depois da cartilha (27 de Maio):

Miguel Sousa Tavares: “Quando o PAN deixar de ser o partido dos cãezinhos e dos gatinhos, tem um grande futuro pela frente”

E é esta a “opinião” e a “análise” que a nossa comunicação social paga ao preço do barril do melhor malte.

Contorcionista