Os Mercados

Lembram-se de quando vos diziam que a concorrência faria baixar os preços do mercado energético? Era naturalmente mentira e eles sabiam-no muito bem. Agora, poderão dar muita explicações, mas a verdade é que aquela conversa toda foi feita por mexias para que os mexias se safassem ao serviço de qualquer patrão, enquanto os mexilhões pagam. Os reguladores são o que são, quantas vezes gente à espera de ser mexia, pelo que voam baixinho e quando ousam algo, tipo álvaro, mandam-nos lá para fora para as ocêdêés e coisas assim, com pactos de silêncio e eles calam-se porque ao fim do mês compensa. Claro que o que era mau era o monopólio do Estado, o peso do Estado na Economia e tudo isso. Como agora falam do peso do Estado na Educação. O processo tem estado em decurso mas… já pensaram quando a Educação for um mercado concorrencial em que os testas de ferro sejam mexias e catrogas? Ou quase tão mau, os vereadores da situação local, em nome da aproximação aos cidadãos?

Tudo isto é demasiado mau e só não é pior, em termos pessoais, porque eu sou daqueles que acha que os “pretos e os ciganos” (eram assim que um comentador do velho Umbigo, gajo curiosamente de esquerda, se referia aos meus alunos) também merecem uma Educação com qualidade e porque exerço naqueles oásis socio-geográficos a que não chegam as PPP educativas porque, afinal, a liberdade de escolha de muita gente é a liberdade de escolher com quem querem que os filhos andem na escola e que sejam todos amarelinhos claros, já agora, com uma ou outra excepção para se parecer multicultural e tolerante.

Estou a misturar tudo?

Olhem que não… olhem que não… os mentirosos são os mesmos. E se não são, são parentes próximos… cuidai nos apelidos, explícitos ou ocultos.

Mercearia

Tungas!

Pensavam que metiam a Isabel na ordem? O salgado já se foi e o ulrico já não se está a sentir nada bem. Nestas guerras de compadres e comadres das finanças há sabe quem acabe por baixo e raramente é quem tem mesmo dinheiro. O ulrico é apenas uma cabeça falante, bem paga, é certo, só restando saber se com recurso a offchoras. Se ele aguenta? Claro que aguenta.

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Para que Serve (ou o que é) um@ Administrador@ Não-Executiv@?

Simples. Serve para funcionar como soft (ou hard) power, para influenciar, para abrir portas, estabelecer pontes, desvendar os meandros dos processos de decisão pública, contactar as pessoas certas, servir de gazua, de facilitador@. Mas sempre dizendo que é um cargo “não-executivo”, que não toma decisões. Acredito que sim, até porque o que lhes é reconhecido não é competência na área da gestão, mas sim a capacidade de estabelecer relações, olear procedimentos, acelerar decisões, inclinar as coisas para o lado certo. depois de outros decidirem o que fazer.

Há casos em que apenas é um poleiro dourado para se pagar principescamente presença em reuniões e ganhar “prestígio” no currículo. Mas em outros é mesmo só para recompensar serviços prestados ou a prestar.

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Um Pouco Mais de 30 Dinheiros

A incompetência reguladora, a selectiva miopia de alguns sobredotados para a coisa política pantanosa tem a sua generosa compensação. Lendo isto, pode pensar-se que estes vítores são ronaldos ou messis da finança internacional, quando muitas vezes não passam daqueles medianos chuta-bolas que oportunamente fazem auto-golo no Chibaretsky-Karkanhovo na Taça do Nenhuristão, permitindo avultados ganhos aos argutos apostadores tão interessados nessa potência futebolística mundial.

Saco de couro com moedas antigas.

Prendas Liberais

Nos últimos anos foi bem mais notório porque os salários se reduziram (alguns terão aumentado, mas o meu perdeu bem mais do que o ganho médio calculado), mas vamos com uns bons anos em que, degrau a degrau, as contas de serviços públicos que foram privatizados foram ganhando todo o tipo de acrescentos, desde taxas públicas a alcavalas privadas. Podia começar pelo serviço de televisão, para o qual até pago contribuição se colocar um contador de luz numa garagem ou de ter de pagar se quiser ver uma série de desportos que antes via em sinal aberto ou filmes com menos de cinco anos. Concentremo-nos nas facturas dos serviços telefónicos, da luz e do gás. Como tudo agora é online, porque somos pós-pós-modernos, é quase impossível não ter de assinar um serviço que tem telefone, net e televisão (se não quisermos ficar com a TDT que faz com que as antigas antenas pareçam maravilhas tecnológicas de um futuro radioso) e pagar dezenas de euros obrigatoriamente. Na factura da luz, o difícil é encontrar a parcela do consumo, pelo meio de taxas, impostos, impostos extraordinários (somos muito verdes eólicos, pelo que pagamos por isso), contribuições e potências contratadas que duplicam o custo final. No caso do gás, se o aluguer do contador e as cauções eram ilegais, não sei o que dizer do termo fixo que me disseram ao telefone ser pelo serviço prestado por esse mesmo atendimento telefónico que antes era feito sem qualquer encargo, até por ser de interesse da própria empresa. As águas, onde vivo, ainda são poupadas ao enorme desvario, mas também já há onde seja tratada como consumo de moetetchandon.

E, grave mesmo, é o Estado ainda ir em cima de tudo isto e cobrar 23% de IVA por estes serviços, como se fossem gastos sumptuários e ninguém se queixar verdadeiramente da vergonha.

Mas, como estamos numa sociedade muito liberal e globalizada, parece ser natural que sejam cobrados mensalmente 200 euros, dos quais metade em impostos e taxas público-privadas, enquanto se diz que as tarifas estão abaixo do preço de custo, mas as empresas dão milhões de lucros e nós é que levamos com sobretaxas.

Acredito que esta prosa revele o cripto-comuna que há em mim, o inadaptado estatista aos tempos da globalização que acredita que há sectores da economia e dos serviços que devem ficar sob controlo público até porque, para cidadãos e contribuintes, todas as contas bem feitas, ficariam bem mais baratos. Claro que isso impediria a existência de operações de mercado, a necessitar do apoio dos gabinetes de advogados ou empresas de consultadoria, assessoria ou marketing, que custam muito mais a todos nós do que à primeira vista parece, quando se apontam os males das prateleiras douradas das empresas públicas.

Atenção

 

Privatize-se!

O Natal.

Não apenas a parte das compras, mas uma replicação moderna do próprio momento do nascimento e adoração, com a benção do arroja e genuflexões variadas do césar das neves.

Porque me parece que a lei da concorrência teria permitido que existisse uma qualquer hospedaria aberta em Belém, quando José e Maria (a original, sem laca) procuravam abrigo. Para além disso, o gado em presença no palheiro dava toda a aparência de estar mal nutrido, resultado de uma exploração pecuária pouco intensiva, o que só se pode atribuir a deficiente inserção no mercado concorrencial que eliminaria as explorações menos eficazes. Já os Reis Magos, usassem eles GPS e transporte uberizado e não teriam chegado atrasados ao ditoso acontecimento, até porque a estrela cadente parecia ser claramente de uma empresa pública palestiniana. Isto para não falar na muito ineficaz divulgação do evento em si mesmo, que se tivesse ficado nas mãos de uma agressiva empresa de gestão de imagem, teria certamente suscitado a presença de muito maior audiência, filmando-se os primeiros gargarejos do Menino de modo a serem visualizados em tempo real em meia dúzia de redes sociais. A iluminação à vela, em estilo muito retro, também se revelou fraca ideia, embora com a vantagem de ter conseguido dar um efeito imediato instagram aos instantâneos colhidos pelos pastores.

PresepioSimpsons

Os Mercados

Há quem diga que não têm rosto, mas não é verdade. Entre nós têm imensos rostos e dão razão a quem os considera uma hidra. São vultos que estão sempre atentos aos maus comportamentos alheios e que têm do seu lado a razão e a responsabilidade. São eles que sabem os desejos dos credores e nos apontam, quais pitonisas, o único caminho certo para o futuro. São eles que velam por Portugal. Sem eles, viria o dilúvio. Só é pena que não lhes conheçamos como obra mais do que a palavra. É que no caso deles, o verbo ainda nunca se fez mais nada do que isso.

Mercados