Uma Boa Posição Para Fazer Algo De Muito Útil Pela Vidinha, Desculpem, Pela Classe Docente

Lambe botas

(porque não há como amar tanto a docência que uma pessoa se sacrifica ao ponto de a deixar para os outros… mas sempre com espírito de “missão”, seja-se coordenador de estabelecimento de comes e bebes ou subdirector para as questões da transcendência administrativa imanente)

Não Queria Acreditar, Mas…

… os contactos que fiz ontem e hoje confirmam-me o essencial do que publiquei acerca das ameaças (ali pelo segundo semestre de 2019) de um grupo de directores “jovens” acederem a classificação que os isentasse de quotas ou então que se demitiriam (o que duvido muito), o que permitiu a muitos escaparem a esse gargalo de progressão.

O complicado é que… quando um tipo escava as coisas, descobre, qual Vasco Santana de prego e martelo em punho, o que não espera, só que desta vez não é branco, nem tinto, apenas um truque “legal” (como me foi sublinhado) para ultrapassar a questão das quotas por outra via.

Em “expilico”

Ao que parece houve director@s, em número que não me é possível apurar, que se demitiram do cargo para serem avaliadas como docentes “regulares” e assim obterem a classificação desejada para a progressão(por vezes, d@s avaliador@s que nomearam como coordenador@s de departamento), voltando depois a candidatar-se ao cargo que tinham vagado, voltando a ser avaliador@s de quem @s tinha avaliado.

(claro que nada disto me foi explicado por extenso, porque já todos aprendemos que o melhor é ficarmos pela via oral…)

O que me faz lembrar aquele truque dos alunos que davam uma voltinha pelo profissional para terem grandes notas para se candidatarem à Universidade.

É “bem pensado”? É.

É legal? É.

É de uma promiscuidade aterradora? É

É este modelo de avaliação e progressão uma enorme vergonha? É.

Mas fez-se? Sim.

É vagamente moral ou ético? Não me parece (mas eu estou quase sempre enganado nestas coisas…)

Este tipo de conduta explica tanta coisa, em particular quando é feito com a complacência da cadeia de comando central. E também explica que tanta gente vã de peito feito para certas reuniões, clamando por isto e aquilo e proclamando certas posições, e delas saia com a trela posta e a cabecinha a-dar-a-dar.

cadeia-e-teia-alimentar

El@s Nunca Deixaram De Estar Entre Nós

Os ex-titulares de alma e coração ou os neo-titulares de aspiração. No terreno, conhecemo-los desde sempre e não se definem pela idade, como se tenta fazer passar, mas pela “atitude pró-activa”, sempre dois pontos à frente de todos para fazerem parte de grupos de controle, avaliação ou monitorização, desculpem, equipas de trabalho. Há duas variantes principais… quem diz detestar grelhas e burocracias mas corra logo a desenvolvê-las quando as “circunstâncias assim o exigem” e quem nunca deixou de achar que o modelo original de add da “reitora” só pecava por demasiado benevolente.

É a malta que aparece nas redes sociais sempre com disponibilidade para tudo e mais alguma coisa e critica azedamente quem acham quem critica as superiores e esclarecidas orientações da tutela. E reforça que “estamos em pausa lectiva, não em férias” e que acha bem que seja tudo non-stop, provavelmente por terem o seu próprio vazio temporal existencial por preencher. E se não tiverem umas tabelas para aplicar sentem que a vida se esvazia de sentido. É também aquele pessoal que diz que “se usámos sempre os computadores em casa, porque se estão a queixar”, não distinguindo o que é feito por opção pessoal do que é apresentado como se fosse um dever inquestionável da condição docente. É gente que tem muita dificuldade em separar como se usa o tempo e o espaço privado, mesmo quando se está em redes de sociabilidade, e a obrigação de estarmos em modo de domínio público 24/7, numa espécie de neo-servilismo digital.

É gente que lê pouco e pouco variado. E aborrece-se imenso com quem lê mais do que as vulgatas e sebentas dos poderes que estão. Lêem muito as arianas, mas nunca leram os originais. Acreditam que a flexibilidade e diferenciação pedagógicas são portentosas novidades, quando a mim já amareleceram as páginas do que li sobre isso. E há ainda quem faz que esqueceu. E entusiasmam-se com o tele-ensino como se fosse a “oportunidade” para entrar no século XXI, quando em termos conceptuais pararam num limbo sem tempo.

Mas não cedem à vaidade de quererem reconhecida a sua excelência em documento formal e só lamentam não existir cerimónia pública de agradecimento pelos pares menores.

É triste.

Efectivamente.

Os cágados de pernas para o ar.

 

 

Phosga-se! Série Especial “Estamos On”

1. Identifique a turma (ano e letra(s)) [sic]

2. Houve informação aos alunos sobre o cronograma de trabalho em contexto virtual, como horários pré-estabelecidos?

3. Foram promovidas sessões de formação a [sic] distância ou disponibilizados recursos para autoaprendizagem dos docentes?

(…)

Como se define um cronograma sem se saber com que prazos lidamos?

E continua assim até ao nº 18… no Microsoft Forms, claro.

grito2

 

 

Phosga-se! – Série “Professores”

Saquei os dois excertos abaixo ao mural do Ricardo Santos que retirou a identificação de quem escreveu estas pérolas.

Comecemos pela parte da arrogância, típica de quem vive num casulo em que a “inclusão” se enuncia mas não se pratica e em que as desigualdades são um mito. Não têm? Tivessem! Se não têm, é porque são uns inúteis ou desocupados.

Crazy

Mas há pior (se é possível) que é quem acha que pode exigir aos outros, mas depois nem consegue perceber como se faz a concordância entre um sujeito no singular e um predicado no plural.

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Sim, os tempos de emergência estão a fazer cair o verniz a muita gente. Há os que sinceramente acreditam em algumas coisas, mas há quem tenha apenas falhas evidentes de carácter.

E não se admirem se forem daqueles que também querem um “novo paradigma” para a carreira docente e já estejam em bicos de pés para certos cadeirões e com a gadanha na mão para fazerem uma “limpeza”.

Hoje, Pelo Público

Desculpem, li mesmo o programa do governo e não trago boas notícias para a maioria, mas isso não é novidade. A linguagem é moderadamente colorida, mas merecerá uma leitura quiçá mais atenta do que os destaques. Peço desculpa aos cortesãos do Poder que acham que ainda tenho excessivo “tempo de antena”. Mas são só palavras com algum significado, algo que desprezais do alto do vosso olimpozinho aconchegante.

O regresso dos professores “titulares”?

Enquanto docente choca-me a evidente opção de regressar ao aspecto mais problemático das reformas encetadas por Maria de Lurdes Rodrigues.

PG PB

Fica Bem Recompensar Os Amigos Fiéis

Só com muita dose de ingenuidade se leva com isto e não se desconfia do bodo… 🙂 Há quem à custa disto leve metade da semana a olhar para ontem e, como é natural, esteja fresquinho que nem alface para criticar os outros. Por isso é que há malta com a minha idade que dá 10 horas de aulas e o resto são “projectos” e “clubes” daqueles que se desenvolvem grande parte do ano em grelhas de computador e uns quantos fins de semana que servem para encher a boca meses a fio. E olhem que há quem, há não muito tempo, no próprio grupo de EF, tenha ficado de olhos em bico quando lhe expliquei certos “arranjos” que por aí há.

Que não me desculpem os interessados que poderão voltar a vergastar-me com os seus “argumentos” habituais, mas são mais de 1000 horários completos que, dependendo dos micro-lobbys de proximidade, criam situações absolutamente caricatas e grupos disciplinares de 1ª e 2ª em matéria de horários nas escolas e agrupamentos.

Ou ainda pior… consolidam-se práticas que alimentam guardas pretorianas dos poderes instalados em troca de… E olhem que não escrevo só por ouvir dizer, porque estas lentes acrílicas que a terra há-de infelizmente demorar a reciclar já viram mais coisas do que gostariam.

Créditos horários no Desporto Escolar vão aumentar

Desenvolvimento de modalidades nos estabelecimentos de ensino mobiliza o equivalente a 1000 professores.

ginastica

(força, pessoal, que venha o grupo do costume zurzir-me e negar que passaram a existir dt’s com quatro horas para duas turmas a cargo, como já começa a acontecer em algumas escolas, enquanto há quem tenha 6, 8 ou mais horas para diversas variantes destes créditos específicos e intransmissíveis…)

Então, Arlindo, Não Deverias Ter Começado Por Apresentar Uma Proposta De Novo Modelo De Gestão E Administração Escolar?

Apresento a proposta do Arlindo acerca da “carreira funcional” (que me faz pensar no que será “não funcional” na docência que tantas funções tem), guardando para depois as reservas sobre alguns aspectos que só poderão ser esclarecidos se ele apresentar o que considera que deve ser o novo modelo de gestão. Prefiro esperar porque me parece que ele está a adaptar, em andamento, as suas sugestões.

Apesar disso, como sou demasiado acelerado, gostaria de sublinhar desde já que a escolha do Director continuaria a cargo de um “colégio eleitoral” ainda mais curto do que o actual. Sem elementos estranhos ao pessoal docente mas, mesmo assim, uma escolha em ambiente fechado e não uma eleição directa entre pares (ou será “entre pares funcionais”?). Sendo que continuo sem perceber porque deverão os coordenadores de departamento ser elevados a um escalão remuneratório exclusivo apenas com base em “responsabilidades pedagógicas” cujo alcance, para além do que já é feito no Conselho Pedagógico, tenho dificuldade em vislumbrar.

Às funções funcionais ficam adstritas as responsabilidades pedagógicas e não as avaliativas dos docentes, podendo a “função avaliativa” ser meramente de acompanhamento às avaliações externas.

Na avaliação dos docentes na carreira funcional indiquei que a mesma seria feita pela IGEC, pelo que como facilmente poderiam pressupor, não haveria intervenção do Conselho Geral para a eleição do diretor, nem do diretor para a eleição dos Coordenadores de Departamento.

Assim, o modelo de Gestão e Administração das Escolas deveria partir deste pressuposto também.

À candidatura funcional de Coordenador de Departamento os docentes devem apresentar projeto de intervenção de candidatura a um mandato de 4 anos que será de eleição entre todos os membros desse departamento.

O candidato a diretor apresenta candidatura para um mandato de 4 anos que será de análise e eleição entre todos os coordenadores de departamento. A eleição do diretor é válida após aprovação do Conselho Geral, ficando aqui o Conselho Geral apenas com a função de órgão consultivo.

Duvida