Phosga-se! – Série “Professores”

Saquei os dois excertos abaixo ao mural do Ricardo Santos que retirou a identificação de quem escreveu estas pérolas.

Comecemos pela parte da arrogância, típica de quem vive num casulo em que a “inclusão” se enuncia mas não se pratica e em que as desigualdades são um mito. Não têm? Tivessem! Se não têm, é porque são uns inúteis ou desocupados.

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Mas há pior (se é possível) que é quem acha que pode exigir aos outros, mas depois nem consegue perceber como se faz a concordância entre um sujeito no singular e um predicado no plural.

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Sim, os tempos de emergência estão a fazer cair o verniz a muita gente. Há os que sinceramente acreditam em algumas coisas, mas há quem tenha apenas falhas evidentes de carácter.

E não se admirem se forem daqueles que também querem um “novo paradigma” para a carreira docente e já estejam em bicos de pés para certos cadeirões e com a gadanha na mão para fazerem uma “limpeza”.

Não Serei Conivente Com Pitonisos Que Argumentam Com Falácias E Falsidades

José Gomes Ferreira gostaria de ser um Centeno Plus. Já escreveu como gostaria que o país fosse, uma espécie de Nova Albânia, mas em modelo liberal. Sim, denunciou em tempo quase certo algumas das manigâncias dos tempos de Sócrates. Mas depois ensimesmou-se por ter acertado uma vez no totoloto e passou a achar que tem rtazão em tudo, mesmo que distorça gravemente os factos.

A luta dos professores (e não do Mário Nogueira ou de este ou aquele sindicato que provoque pesadelos ao JGF nestas noites mais frias) pela recuperação do tempo de serviço prestado não passa por qualquer exigência de recuperação do que já foi perdido definitivamente em termos salariais com o congelamento, os cortes, as sobretaxas, pelo que José Gomes Ferreira ou é menos espero do que parece ou, pelo contrário, é tão espertalhão como me parece quando escreve o seguinte:

Quando o Presidente da República veta o decreto-lei do Governo que limita a 2 anos, 9 meses e 18 dias a contagem do tempo de congelamento da progressão nas carreiras dos professores e obriga o Governo a negociar novamente, o que está a querer dizer ao país?

Que o tempo de contagem tem de ser maior, senão o veto não faria qualquer sentido. Mas se o tempo de contagem tem de ser maior, então qual é o limite? Os próprios sindicatos já o disseram, não há limite, querem todo o tempo que durou o congelamento.

Mário Nogueira nunca cedeu nem um dia dessa contagem, mostrando que não quer negociar coisa nenhuma, mas Marcelo Rebelo de Sousa obriga o ministro da Educação a chamá-lo para negociar…pondo a ridículo a posição do Estado empregador.

As contas estão feitas, o impacto da exigência dos sindicatos no orçamento do Estado vai ser de 635 milhões de euros por ano.

Mas se assim vai ser, então porque não começar também a exigir a devolução dos cortes de salários da função pública desde 1 de Janeiro de 2011, decididos por José Sócrates em 29 de Setembro de 2010?

E os trabalhadores do setor privado, porque não começam a exigir os cortes de salários que direta ou indirectamente suportaram durante os anos da crise e que ainda hoje muitos continuam a suportar porque perderam os empregos e tiveram de procurar outros mais mal pagos?

E porque é que os contribuintes não exigem a devolução imediata dos adicionais e sobretaxas de impostos que Vitor Gaspar aplicou a partir de 1 de Janeiro de 2013?

E porque é que os beneficiários da Segurança Social não reclamam também o pagamento imediato das pensões, dos abonos e subsídios que lhes foram cortados?

Não seriam todas estas devoluções, reversões e reposições socialmente muito mais justas do que apenas as de alguns grupos profissionais dependentes do Estado?

Por mim, tudo pode ser justo, mas José Gomes Ferreira mistura alhos com bugalhos e eu repito que há duas explicações para o fazer e nenhuma se coaduna com a postura de “consciência do regime” a que ele se atribui.

Porque:

  1. Os professores pretendem a recuperação do tempo de serviço que tiveram congelado, mas sem qualquer efeito retroactivo sobre as perdas salariais verificadas. Há quem aceite que isso seja feito de forma faseada ao longo de vários anos ou em antecipação do tempo para a aposentação. Em termos de passado o que está em causa é a realidade de um tempo que passou e não o dinheiro que se deixou de receber.
  2. Se as contas estão feitas de uma forma que se JGF acha certas (635 M€), estamos conversados quanto ao seu rigor técnico e seriedade. O ministério das Finanças apresenta um encargo inflacionado do lado da despesa (sem demonstrar essas mesmas contas) e oculta que parte dessas verbas nem chega a sair do perímetro orçamental, retidas pelo IRS, CGA e Segurança Social. Continuo a afirmar que despesa líquida, ao longo dos anos, será de 350 M€ numa estimativa generosa.
  3. JGF apresenta depois uma série de potenciais reivindicações que implicariam a reposição de verbas não recebidas no passado em virtude das medidas de austeridade. Em nenhum momento os professores pediram ou pedem isso, pelo que JGF apresenta um argumento falso, “alternativo”, inexistente. E apaga de tudo o que afirma que os professores já tinham sido congelados mais de dois anos antes de 2011.

Porque José Gomes Ferreira procede e argumenta desta forma, sem qualquer respeito por factos concretos?

Não me parece que seja por ignorância. Infelizmente. Antes fosse por ser o burro que não é.

Gomes

Vasconcelos Andeiro

A Passos Coelho só falta assinar a petição dos franceses que querem repetir a final do Euro e pedir para entrar em lugar do Payet na segunda parte, para ir a tempo de acertar no Éder. Nem sequer se trata da total falta de respeito pelo seu país… o que mais enoja é mesmo o fingir que nada se deveu a ele e ao estertor do seu eleitoralismo final. O que está em causa é o exercício de 2015, de que ele foi responsável durante 11 meses.

A História de Portugal tem algumas personagens deste calibre. Nem todas foram defenestradas devidamente, mas raramente escaparam à posteridade vergonhosa que recordará, apenas para recordar, promessas como a da devolução da sobretaxa de irs, feita a par com a sua professora de finanças vassoureiras.

Resta saber se restará ainda lugar para consultor do Barroso, porque há que recompensar devidamente estes prestadores de serviços.

Verdade seja dita… conheci pessoalmente a criatura e nunca me passou então pela cabeça que pudesse descer a este degrau vergonhoso de sabujice.

defenestrar

Os Mercados

Lembram-se de quando vos diziam que a concorrência faria baixar os preços do mercado energético? Era naturalmente mentira e eles sabiam-no muito bem. Agora, poderão dar muita explicações, mas a verdade é que aquela conversa toda foi feita por mexias para que os mexias se safassem ao serviço de qualquer patrão, enquanto os mexilhões pagam. Os reguladores são o que são, quantas vezes gente à espera de ser mexia, pelo que voam baixinho e quando ousam algo, tipo álvaro, mandam-nos lá para fora para as ocêdêés e coisas assim, com pactos de silêncio e eles calam-se porque ao fim do mês compensa. Claro que o que era mau era o monopólio do Estado, o peso do Estado na Economia e tudo isso. Como agora falam do peso do Estado na Educação. O processo tem estado em decurso mas… já pensaram quando a Educação for um mercado concorrencial em que os testas de ferro sejam mexias e catrogas? Ou quase tão mau, os vereadores da situação local, em nome da aproximação aos cidadãos?

Tudo isto é demasiado mau e só não é pior, em termos pessoais, porque eu sou daqueles que acha que os “pretos e os ciganos” (eram assim que um comentador do velho Umbigo, gajo curiosamente de esquerda, se referia aos meus alunos) também merecem uma Educação com qualidade e porque exerço naqueles oásis socio-geográficos a que não chegam as PPP educativas porque, afinal, a liberdade de escolha de muita gente é a liberdade de escolher com quem querem que os filhos andem na escola e que sejam todos amarelinhos claros, já agora, com uma ou outra excepção para se parecer multicultural e tolerante.

Estou a misturar tudo?

Olhem que não… olhem que não… os mentirosos são os mesmos. E se não são, são parentes próximos… cuidai nos apelidos, explícitos ou ocultos.

Mercearia

Pedro e o Lobo

É o conto infantil que melhor simboliza o arrazoado dos opinadores do Observador em matéria de Educação, assim como a sua aparente idade mental, sendo que substituem o lobo pelo Mário Nogueira, quando eu acho que ele é mais o capuchinho vermelho. A falta de imaginação da maioria dos observadores é confrangedora, assim como as suas tácticas de demonização revelam uma continuidade em relação à retórica de Maria de Lurdes Rodrigues há perto de uma década que não deixa de ser sintomática de uma patologia comum. E olhem que é obra, conseguirem que isto seja escrito por alguém que tem pouca estima pelo grande herói sindical da Direita Portuguesa. Só que há limites para os traumas, as obsessões ou apenas a profunda e consciente desonestidade política e intelectual.

EL+LOBO+DEL+AMOR

Canibalismo

Há realmente que ter uma enorme pachorra para ler disparates sobre disparates, de uma ponta à outra do “espectro político” nestes tempos de imbecilidade elevada à categoria de análise do momento político. Com o pretexto do orçamento escrevem-se, subscrevem-se e partilham-se as maiores inanidades e incoerências. É intelectualmente indecoroso quem se inflamou contra Sócrates por ter congelado a carreira docente, achar que isso era natural com Passos Coelho e vir agora acusar Costa por fazer um OE que só trará benefícios aos funcionários públicos. É demasiado mau, é demasiada falta de carácter, demasiada desonestidade intelectual.

Li há pouco alguém que se aposentou em tempos bem mais favoráveis do que serão os meus, depois de uma carreira na função pública a subscrever, com o pretexto de declarações do presidente da GALP acerca dos aumentos de impostos sobre os combustíveis (que também critico, até por não ter transportes públicos da minha residência para o meu local de trabalho), esta autêntica sucessão de bojardas divulgada de forma pública numa rede social:

O que importa que o país vá perder? O importante é que os Funcionários públicos são aumentados. Os funcionários públicos, os verdadeiros pobres, o verdadeiro povo. Aqueles desgraçados que nunca ganham o ordenado mínimo, nem menos que isso; aqueles desgraçados que não têm medo de perder o emprego; aqueles desgraçados que não enchem as filas de desemprego; Aqueles desgraçados que vão passar a trabalhar menos 270 horas anuais que os ricos dos privados… esses porcos capitalistas que estão aborrecidos por irem pagar os privilégios dos pobres mencionados acima.

Isto é muito mau, é um chorrilho de mentiras e revela uma visão paupérrima do que deve ser uma sociedade que não se queira apenas terceiro-mundista e a disputar as migalhas do desenvolvimento com o Paquistão ou o Vietname.

Vamos lá a ver:

  • Os funcionários públicos não vão ser aumentados; quanto muito verão parte da sobretaxa que lhes foi aplicada ser reduzida ou desaparecer nos rendimentos mais baixos. Isto ser validado por quem esteve no funcionalismo público até ao momento que quis e que saiu a tempo de receber a aposentação que eu nunca terei, mesmo que trabalhe mais anos, é indecoroso. Não é rebeldia, não é verdade, não é incorrecção política. É MENTIRA.
  • Defender que os trabalhadores do Estado estão errados por poderem vir a regressar às 35 horas semanais é de uma tacanhez extrema, porque em vez de se defender o alargamento dessas condições ao universo dos trabalhadores (o que até permitiria aumentar o emprego), defende-se que todos devem ficar piores. isto não é defesa de equidade ou justiça, é apenas ESTUPIDEZ.

Tudo o resto é deste calibre, dum facciosismo claustrofóbico que até a um crítico de várias medidas deste governo empurra para a sua defesa perante o destrambelho extremo de quem comeu no prato de que desdenha, cuspindo alarvemente no daqueles que ainda fazem o seu melhor, dia após dia, mês após mês, com a carreira congelada e ganhando menos do que há uma década.

Realmente, só mesmo como observação antropológica um tipo se obriga a ler estas coisas, embora negando dar o nome a quem assim uiva ao deus dos mercados e da bondade privada quando se encostou ao Estado até ao último suco de tutano. Ide…

Haddock

 

Que se Lixem as Eleições?

A questão da sobretaxa ainda nem está no olvido (a par da não venda do Novo Banco) e já se percebe que também o buraco do Banif  foi escondido dos eleitores. E queriam ficar lá para continuarem a gerir a coisa. Pior do que a demagogia, só mesmo a evidente falta de honestidade política (que a mim custa a destrinçar-se da outra). O insuspeito Horta Osório acha este último episódio chocante e eu concordo, atendendo aos miles de milhões enterrados num banco de 3ª ou 4ª linha. Chocante é ainda o que se passou por estas bandas, alegadamente jornalísticas.

Goodfellas

Cobaias

O FMI reconhece que andou a fazer experimentações com os países do sul da Europa e admite que mais valia ter feito o que lhes foi dito desde o início que deveriam fazer. Admitir o erro é uma atitude certa, mas não consegue compensar os males que fez a milhões de pessoas. Fosse isto uma disputa entre uma empresa do regime e o Estado e daria uma indemnização das boas. Assim, escreve-se um paper a dizer que para a próxima é diferente e faz de conta que está tudo bem. Não está e, já agora, seria sinal de um mínimo de dignidade que o Pedro e o Paulo também admitissem os seus profundos erros, só não se percebendo se resultado de pura ignorância se de desforra social bem consciente. O anti-PREC de 2011 a 2015 é um período negro da nossa História, com políticas sociais criminosas, que não deveria passar de forma impune. Os prequinhos são sociopatas que não podem ser deixados, de novo, perto do poder de fazer mal. Quem despreza e opta por entregar o seu próprio povo a este tipo de desmandos é tão mau quanto quem o endivida sem remorso. A vacina está dada, quero acreditar que muita gente aprendeu e que, tal como com o engenheiro, é essencial evitar que os doidos tomem conta do asilo e do que o rodeia. Assim o PS tenha entendido as duas lições. Não falo dos assis, claro, que esses só conseguem ver o seu próprio pretenso desígnio, aquele foi fácil fazer-lhe acreditar que teria.

Hamster