Por Outro Lado…

… tem o seu quê de divertido ver o estoiro da manada, qual formigueiro em pânico, perante uma decisão que até adia tudo mais um ano. A histeria colectiva que tomou conta do arco de governação mediático-política do regime, aqueles a quem não incomoda que 116 milhões sejam perdoados a um só “empresário”, é um espectáculo digno de se ver. Parecem um bando de galinhas, um segundo depois de uma decapitação geral  à maneira d’A Guerra dos Tronos.

 

Stampede

Não Me Apetece Especialmente…

… comentar a declaração de voto (abstenção) do PCP sobre a ILC (PCP Sobre ILC). Nada como ser bengala do poder para se ser responsável e criticar posições que, há bem poucos anos, seria a sua base de trabalho e quem não concordasse seria um “traidor à luta”. Daria para rebater parágrafo por parágrafo o que está escrito, em matéria de coerência com o passado mais ou menos recente, mas já não há pachorra. Bastava escreverem: só os “nossos” é que podem reclamar uma qualquer “vitória”, mesmo não existindo.

malandro

(globalmente, a votação da ILC não me surpreendeu minimamente, pois era o previsível, com mais ou menos abstenção, desde que a coisa surgiu a público…)

E Lá Fui Bloqueado Outra Vez…

… terá sido por causa do Austin Mário Powers? É melhor ir-me habituando… pelo menos, por enquanto, ainda não conseguem  “entrar” no WordPress. Mas escrevi “ainda”…

Lá pelo Fbook nem imagens me deixam colocar e posso publicar qualquer ligação menos aqui do Quintal que fica só visível para mim. Mas posso colocar um fundo de texto com “poias” desde que sejam lá do sítio. Alguém anda mesmo chateado comigo. Não chegavam aqueles mails com falsas coscuvilhices a ver se eu caía na esparrela?

Censura FB2

O Governo pode Fazer Pins Com 2A 9M 18D?

Só para que o menino Miguel consiga fixar um número sem auxiliares visuais de memória. Porque em tudo o resto é uma enorme confusão sempre que mete números nas suas crónicas; desta vez até consegue dizer que, afinal, o encargo com os professores é apenas de “200 e tal milhões de euros”. Tem razão numa coisa que escreve na primeira coluna da sua verborreia: muitos jornalistas sofreram com a crise e perderam o emprego. É injusto. Porque há que, sem perceber dos assuntos sobre os quais escreve ou conseguir fixar um par de números conseguiu mantê-lo. E já agora… não foi o PCP a colar-se aos sindicatos, foram alguns sindicatos que avançaram só quando os deixaram.

Mas veja-se no Expresso de hoje:

Exp2Mar19b

Reparem agora… “par5a que não restem dúvidas”, se for com recurso a pin ele consegue…

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É como com aqueles alunos que precisam de auxiliares de memória sempre que fazem qualquer tipo de prova sem direito a consulta dos apontamentos. Se é que sequer passaram os apontamentos bem.

Não Serei Conivente Com Pitonisos Que Argumentam Com Falácias E Falsidades

José Gomes Ferreira gostaria de ser um Centeno Plus. Já escreveu como gostaria que o país fosse, uma espécie de Nova Albânia, mas em modelo liberal. Sim, denunciou em tempo quase certo algumas das manigâncias dos tempos de Sócrates. Mas depois ensimesmou-se por ter acertado uma vez no totoloto e passou a achar que tem rtazão em tudo, mesmo que distorça gravemente os factos.

A luta dos professores (e não do Mário Nogueira ou de este ou aquele sindicato que provoque pesadelos ao JGF nestas noites mais frias) pela recuperação do tempo de serviço prestado não passa por qualquer exigência de recuperação do que já foi perdido definitivamente em termos salariais com o congelamento, os cortes, as sobretaxas, pelo que José Gomes Ferreira ou é menos espero do que parece ou, pelo contrário, é tão espertalhão como me parece quando escreve o seguinte:

Quando o Presidente da República veta o decreto-lei do Governo que limita a 2 anos, 9 meses e 18 dias a contagem do tempo de congelamento da progressão nas carreiras dos professores e obriga o Governo a negociar novamente, o que está a querer dizer ao país?

Que o tempo de contagem tem de ser maior, senão o veto não faria qualquer sentido. Mas se o tempo de contagem tem de ser maior, então qual é o limite? Os próprios sindicatos já o disseram, não há limite, querem todo o tempo que durou o congelamento.

Mário Nogueira nunca cedeu nem um dia dessa contagem, mostrando que não quer negociar coisa nenhuma, mas Marcelo Rebelo de Sousa obriga o ministro da Educação a chamá-lo para negociar…pondo a ridículo a posição do Estado empregador.

As contas estão feitas, o impacto da exigência dos sindicatos no orçamento do Estado vai ser de 635 milhões de euros por ano.

Mas se assim vai ser, então porque não começar também a exigir a devolução dos cortes de salários da função pública desde 1 de Janeiro de 2011, decididos por José Sócrates em 29 de Setembro de 2010?

E os trabalhadores do setor privado, porque não começam a exigir os cortes de salários que direta ou indirectamente suportaram durante os anos da crise e que ainda hoje muitos continuam a suportar porque perderam os empregos e tiveram de procurar outros mais mal pagos?

E porque é que os contribuintes não exigem a devolução imediata dos adicionais e sobretaxas de impostos que Vitor Gaspar aplicou a partir de 1 de Janeiro de 2013?

E porque é que os beneficiários da Segurança Social não reclamam também o pagamento imediato das pensões, dos abonos e subsídios que lhes foram cortados?

Não seriam todas estas devoluções, reversões e reposições socialmente muito mais justas do que apenas as de alguns grupos profissionais dependentes do Estado?

Por mim, tudo pode ser justo, mas José Gomes Ferreira mistura alhos com bugalhos e eu repito que há duas explicações para o fazer e nenhuma se coaduna com a postura de “consciência do regime” a que ele se atribui.

Porque:

  1. Os professores pretendem a recuperação do tempo de serviço que tiveram congelado, mas sem qualquer efeito retroactivo sobre as perdas salariais verificadas. Há quem aceite que isso seja feito de forma faseada ao longo de vários anos ou em antecipação do tempo para a aposentação. Em termos de passado o que está em causa é a realidade de um tempo que passou e não o dinheiro que se deixou de receber.
  2. Se as contas estão feitas de uma forma que se JGF acha certas (635 M€), estamos conversados quanto ao seu rigor técnico e seriedade. O ministério das Finanças apresenta um encargo inflacionado do lado da despesa (sem demonstrar essas mesmas contas) e oculta que parte dessas verbas nem chega a sair do perímetro orçamental, retidas pelo IRS, CGA e Segurança Social. Continuo a afirmar que despesa líquida, ao longo dos anos, será de 350 M€ numa estimativa generosa.
  3. JGF apresenta depois uma série de potenciais reivindicações que implicariam a reposição de verbas não recebidas no passado em virtude das medidas de austeridade. Em nenhum momento os professores pediram ou pedem isso, pelo que JGF apresenta um argumento falso, “alternativo”, inexistente. E apaga de tudo o que afirma que os professores já tinham sido congelados mais de dois anos antes de 2011.

Porque José Gomes Ferreira procede e argumenta desta forma, sem qualquer respeito por factos concretos?

Não me parece que seja por ignorância. Infelizmente. Antes fosse por ser o burro que não é.

Gomes

A Estratégia Comunicacional Anti-Ruído

Já passou pela indiferença em relação às críticas, como se não existissem. Depois, os casos foram-se acumulando em diferentes áreas da governação. A permanência de uma lógica de Estado Mínimo, em pouco diverso do pafismo de Direita, tem custos, como sabemos desde as experiências que se sucederam desde os anos 80 e 90 em países como a Inglaterra, em que Blair não reverteu propriamente aquilo que Thatcher e Major tinham feito, destruindo serviços públicos ou preocupando-se mais na sua instrumentalização a baixo custo. Em caso de necessidade, os críticos seriam imediatamente associados ao tempo anterior de Passos/Portas e seriam necessariamente de “Direita”.

No caso da Educação, esta estratégia teve sempre como elemento central a explícita ou implícita tentativa de associação de qualquer crítico aos tempos de Nuno Crato e ao “mais com menos”, mesmo quando o novo poder anda há três anos exactamente a pedir a mesma coisa, que se faça mais e mais com o mesmo ou menos.

Mais recentemente, em virtude da acumulação de disparates, a reacção tornou-se mais nervosa e, fazendo lembrar outros tempos, passa por domesticar alguma comunicação social, beneficiando da situação de crise dos media tradicionais, assim como pelo lançamento de lama no ventilador acerca de quem se mantém mais chato em algumas críticas. Mesmo que as faça com dados concretos, diz-se que são “insinuações”. Quando se pede que exista contraditório a afirmações lançadas sem que se perceba a substância, acusa-se que o faz de não ter credibilidade, de ser isto e aquilo e ainda aqueloutro. Mas quase sempre por interposta pessoa ou por meios que, no mínimo, são eticamente vergonhosos. Para ver se “abafam o ruído”.

Exemplificando: eu escrevo o que tenho a escrever, com o meu nome e cara e só não coloco mais notas de rodapé e links nos artigos que escrevo porque isso não é muito “legível”. Já disse e repeti que não pretendo o lugar que alguém ocupe ou queira ocupar. Gosto de ser professor, por muito que tentem destruir as condições em que exerço a docência. Pelo contrário, existem criaturas virtuais que enviam mails a espalhar mentiras objectivas em várias direcções, insinuando conspirações diversas, intenções ocultas terríveis. Levei semanas a aturar uma dessas criaturas a tentar tudo para eu alinhasse numa estratégia de “destruição pessoal e familiar” de alguém que costumo criticar, em troca de informações erróneas que me apresentavam como “segredos bem escondidos”. Só quando respondi repetidamente que não alinho nesse tipo de estratégia é que desistiram. Então passaram para outra fase… a de me enlamearem a mim, pessoal e profissionalmente, com a alegre colaboração de geringoncistas da luta permanente. Ainda há dias, alguém presente nas reuniões de certas plataformas me contou o tempo perdido a dirigirem-me ofensas em vez de se fazerem espertos e deixarem de ser enr@b@d@s a sangue frio pelo Centeno à vista de todos.

Calma, malta.

Calma.

Respirem fundo.

Aguentem-se ao barulho e tentem não usar truques tão sujos. Porque andam a entrar por caminhos que em pouco se distinguem daquilo que dizem criticar.

Não espalhem tanto a sombra.

Longe ou perto.

E eu percebo quando tentam chegar perto. Para intimidar. Na sombra. Porque, em regra, sois cobardes.

Não tenham medo de debater à luz do dia, sem ser numa posição duplamente privilegiada, pois têm acesso exclusivo a informações que cá fora não se sabem e têm o poder de oferecer contrapartidas aos vossos apoiantes.

Eu sei que a escrita desalinhada ainda vos incomoda, em especial quando tem do seu lado algo de mais concreto do que chavões mal aprendidos, mas… eu prometo que um dia digo que o imperador ou vizir ou rei ou ministro vai ricamente vestido. Sem ser preciso tença, ok?

emperor-clothes

 

E Ainda Ganhamos 25€ Por Cada Exame Que Classificamos!

O bestial, genial, MST voltou ao ataque no Expresso de ontem, apresentando crenças visceralmente irracionais como se de factos se tratasse, a coberto do amplo conceito de “opinião” pelo é empregado pelo Balsemão. O que eu gostava mesmo é que ele, que tanto critica os imensos privilégios dos trabalhadores do Estado, declarasse quanto recebe por cada coluna escrita para o Expresso (já sei, é a sua vida privada, ninguém tem a ver com isso), quanto tempo demora a escrever cada uma (com a riqueza da pesquisa que se nota nos factos que apresenta, deve ser coisa para uma hora com paragem para abastecimento de combustível e mudança de pneus) e, já agora, como isso poderá ter-se reduzido nos últimos anos ou então como poderá ter sido obrigado a desenvolver outras “coisas de definição ampla” para o grupo em que deixou de estar em exclusividade como antes (já sei, será do foro do estado de espírito psicológico do escriba, é do foro do sigilo profissional).

Ahhh…. e lembrei-me que adoro sempre estes aristocratas do privado tão preocupados (teoricamente) com as imaginárias operárias de Rabo de Peixe que entreviu nalguma viagem de férias ali pelos anos 90 do século passado quando ainda era um jornalista a sério e não a criatura amarga em que se transformou por não ter sido ainda colocado em vida no Panteão Nacional.

MST 10Nov18

(já agora, “alguns e algumas vezes” falaram-me “teoricamente” em números do género 5000 à peça, mas devem ser opiniões mal informadas… ou então ultrapassadas pelas necessidades de reestruturação financeira do grupo… o que poderá, alegadamente, ter ajudado a perturbar um pouco mais a objectividade das análises)