Decidam-se!

Eu era razoavelmente mau em alguns “jogos infantis”. Escapava nos berlindes e matrecos, mas com o pião era um bocado cepo e sempre fui horrível a jogar flippers, mas consegui chegar à idade adulta e mesmo “envelhecer”.

Mas que rai’sparta de interesse têm estas conclusões, ou melhor, estas aferições da treta? Perdeu-se completamente a noção de fronteira entre essencial e folclórico.

Provas de aferição: mau desempenho em jogos infantis mostra problemas na motricidade das crianças

Incompreensível

Critica-se a eventual pressa e precipitação do STOP, por marcar uma greve em cima do final do período, com uma espécie de “menu” de alternativas e sem que se perceba se a greve é mesmo a todo o serviço (incluindo preparação das reuniões de avaliação e sua realização) e se o tempo indeterminado é com prazo fixo.

Espera-se por uma alternativa por parte do “sindicalismo institucional”, que se acha mais “respnsável” e sabedor destas coisas e, no dia 5 de Dezembro, depois de uns dias a preparar a “luta”, faz-se uma conferência de imprensa a anunciar uma manifestação para daqui a três meses, mais uns papelórios para assinar e umas vigílias ao anoitecer? Mas o que é que no dia 4 de Março se vai conseguir? Anunciar a Primavera?

Daqui até lá o que se vai passar? A romaria costumeira de abaixo-assinados (há um que na minha sala de professores tem apenas a assinatura de quem lá o pôs há uns dias) e mais aqueles convívios dos 20-30 do costume (pronto, 50) à porta do ministério e com grandes planos das televisões para parecerem quase 100? Voltamos atrás 15 anos, sem nada ter aprendido, entretanto?

Vamos lá relembrar as coisas… há mais de seis meses que as coisas estão anunciadas:

As cinco CCDR — Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve — vão ficar com as competências e funcionários das cinco direções regionais de Cultura, Educação, de Conservação da Natureza e Florestas e de Formação Profissional, para além das Administrações Regionais de Saúde e Entidades Regionais de Turismo.

Nada disto é novo. Foi dito no Parlamento com as letras todas, honra seja feita por uma vez, neste caso a Ana Abrunhosa, que explicitou com clareza:

Ana Abrunhosa admitiu, durante uma audição parlamentar, que será um processo “doloroso“, justificando que vão “desaparecer estruturas” e “muitas agências nacionais também vão perder competências e poder”. “É isso que significa descentralização e regionalização”, sublinhou.

A nota explicativa da audição parlamentar, citada pelo JN, antecipa que este é um processo “muito ambicioso” e que o Governo pretende levar a cabo “até ao fim do ano 2023”, sendo que será feito de forma gradual e que “até 2024 todas as competências dos serviços e órgãos mencionados se considerem transferidas”.

Toda esta transferência ficou decidida em Conselho de Ministros do passado dia 17 de Novembro.

Ao nível da Educação, as Direções de Serviços da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares passam para as CCDR, por exemplo, a participação “no planeamento da rede escolar da circunscrição regional, promovendo, sem prejuízo das competências dos restantes serviços do Ministério da Educação, ações de planeamento e execução do ordenamento das redes da educação pré-escolar, dos ensinos básico e secundário, incluindo as suas modalidades especiais, bem como as de educação e formação de jovens e adultos”.

Para as pessoas mais distraídas, o planeamento da rede escolar tem impacto directo nas necessidades de pessoal docente de cada agrupamento/escola, sendo por essa via possível, de modo até bastante simples, forçar a mobilidade de docentes entre estabelecimento de ensino, incluindo o pessoal dos quadros. Há quem ainda não tenha percebido mesmo como as coisas podem ser feitas.

Garantir que há um concurso nacional para vincular, mesmo que seja com base na graduação profissional (que tanto é criticada), não é garantia de qualquer estabilidade. O que está em causa é ir muito além do que se fez durante os tempos da troika. Sim, os qzp ficaram enormes, mas não se entregava o planeamento da rede escolar a estruturas exteriores ao Ministério da Educação.

Lembram-se do Crato dizer que ia “implodir” o ME? Isto é a terraplanagem das ruínas do que já foi uma estrutura que, com todos os seus defeitos, outrora dava apoio às escolas e com ela mantinha alguma relação de proximidade e familiaridade nas questões tratadas. E que até já teve, em tempo que já lá vão, alguma independência técnica dos humores políticos. Mas isso foi sendo destruído há cerca de 15 anos, e agora tudo vai ficar depende de uma regionalização encoberta, servida por uma estrutura (fica aqui a do Norte e aqui a do Algarve, para dar os dois extremos do país)

O ministro Costa, ampliado pelo seu séquito de cortesã(o)s, bem pode vir dizer que está “agastado” com alegadas mentiras. O problema é que se há alguém a mentir ou a dizer verdade por menos de metade é exactamente ele. A Educação vai tornar-se uma área de governação local ou regional, uma manta de retalhos, num pequeno país como o nosso, capturado por uma classe política, para quem a “ética” é uma palavra esvaziada de substância, como se percebe num estudo da FFMS divulgado exactamente hoje.

Voltando ao início… isto é, talvez até mais do que incompreensível, verdadeiramente ridículo. Se foi para isto que andaram em reuniões, podem ir limpar as mãos às paredes de uma casa de banho pública, daquelas bem castiças.

Estando as negociações suspensas pelo ME, Mário Nogueira, Secretário-geral da FENPROF, explica que este é o tempo de os professores demonstrarem ao Ministério da Educação que estão contra as medidas que este apresentou aos sindicatos nas reuniões de negociação. Assim, vão realizar-se vigílias de professores em todo o país na semana de 12 a 15 de dezembro, onde serão aprovadas moções a enviar ao ME, ao mesmo tempo que vai começar a circular nas escolas um abaixo-assinado para ser entregue na próxima reunião de negociação, prevista para 2023.

Mas qual negociação? Já está explicado tudo o que vai mudar!

Não Sendo Funcionário, Não Pude Comparecer, Até Porque Ainda Não Há Alta Velocidade Sobre Carris Até Ao Douro

Assunto: Convite aos funcionários para a silent party – hoje às 18h

Ex.mas Senhoras e  Ex.mos Senhores, 

Em cumprimento da determinação dada pela Srª Vereadora (…) por solicitação da Srª. Adjunta do Senhor Presidente da Câmara, (…) procede-se à seguinte divulgação: 

“O Sr. Presidente da Câmara convida todos os funcionários a produzirem as hormonas da felicidade, num sunset, gratuito, na PraÇa, hoje às 18h00m, numa celebração conjunta do fim das I Jornadas de Saúde Mental

Obrigada! 
Espero por vocês!>
😀

Quem me enviou isto quis anonimizar o ridículo, mas eu dei com a coisa. Só espero que o Albino não tenha aparecido ou era um eclipse total. A coloração rosada é de minha responsabilidade.

Uma Fantochada Só Possível Porque Temos Na Educação Umas Criaturas Que Só Navegam Com Vento Pela Popa

Contra todo o bom senso, continua a fingir-se que existe um modelo de avaliação do desempenho com um mínimo de sentido ou “rigor”. Continuam colegas a andar entre escolas e agrupamentos e a aceitar “observar”, enquanto a outr@s se exige que sejam “observad@s”. Tudo com recurso, pelo que vou sabendo, em “ferramentas de observação de aulas” que são, no mínimo, risíveis e intelectualmente deprimentes. De sul a norte, com naturais excepções.

Se tivéssemos na 5 de Outubro gente com as solanáceas no sítio e já teria sido pensado um modelo transitório para este período de pandemia. E poderia aproveitar-se a oportunidade para fazer alguma coisa de jeito na matéria mas, infelizmente, o pessoal político que anda por lá não prima pela coragem, preferindo refugiar-se em conversas de chacha saídas de sebentas mais do que encardidas. O que se passa é uma tristeza, criada para estrangular a progressão na carreira e mais nada. Que exista quem acha que assim é melhor do que nada e, portanto, colabora, desperta-me pensamentos que não gostaria de verbalizar agora por extenso, pois sei que gente amiga se sentiria ofendida.

Criam-se novas regras para tudo, há por aí uma emergência, mas há docentes a passear de um lado para o outro a cumprir procedimentos de uma estupidez assinalável. E repito… não me digam que não poderia ser de outro modo, porque poderia. Nem é a falta de coragem que me choca, porque não tenho esperança nas criaturas, é mesmo a aparente falta de entendimento que me demonstra o nível a que tudo isto desceu. E ainda há quem fale em “respeito” ou da falta dele.

(já agora… a excelentíssima senhora qualquer coisa da bolsa de avaliadores externos da minha zona comunicou ao meu agrupamento, semanas depois de lhe ter transmitido que aderia à greve ao sobre-trabalho e não cumpriria qualquer tarefa como avaliador externo, que “prescindia dos [meus] serviços”… tivesse a senhora dótôra enviado o mail directamente para mim e teria direito a uma resposta à altura do seu medíocre desplante… e quem entender que vá “bufar-lhe” o que aqui escrevi, a ver se me chateio…)

(segunda diatribe do entardecer… é penoso ver gente que nem uma acta consegue escrever sem erros ou fazer um relatório dos mais primários sem tropeçar nos parágrafos, a avaliar colegas e a atribuir-lhes classificações; já sei… são sublimes pedagogos do “saber fazer”…)

Não Havia Mesmo Necessidade

Não pretendo qualquer privilégio especial, mas foi uma perda de tempo meterem-me na bolsa de avaliadores externos da minha zona e, pior, nomearem-me mesmo para observar as aulas de uma colega que conheço há quase 30 anos e de quem fui colega de infortúnio desde os mini-concursos de finais de 80 e inícios de 90. Até agora, o CFAE tinha tido o bom senso de nomear outras pessoas que estão no meu escalão ou mesmo mais adiante. No início do ano (o civil) soube da nomeação e avisei logo a minha colega que a não iria avaliar e esgotaria todos os meios para esse efeito. E também avisei um dos elementos lá da equipa pedagógica do Centro. Veio a pandemia e tudo ficou parado. Mas agora recomeçou. Ela já foi informada oficialmente do facto, mas a mim ainda nada chegou. Claro que já falámos e eu renovei o que lhe afirmara. Recuso-me terminantemente a participar nesta palhaçada, como se eu tivesse uma competência acrescida para avaliar uma colega de quem me considero amigo e que tem uma carreira paralela à minha. A nomeação só servirá para atrasar o processo e duvido que tenha sido inocente. Tenho direito a achar que foi um “teste”. Se assim não foi, tudo bem. Se foi, lamento, mas devem estar a confundir-me com um daqueles que em tempos disseram “antes eu do que outro pior” ou, mais recentemente, “depois quem se prejudica é @ colega” (não, há sempre quem colabore… e até, por certo, mais qualificad@ do que eu, que tive sempre o cuidado de não fazer qualquer formação em avaliação e supervisão pedagógica). Arranjem um desses ou alguém que não se queira chatear com a coisa. Porque em matéria de concursos de teimosia…

Já Chegou Tirarem Horas A História…

… não a metam agora ao barulho por causa da Cidadania. Porque há gente, incluindo da área da História e com alguma notoriedade, a justificar ou criticar a necessidade de abordar alguns temas relativos à Cidadania porque na dita História existem conteúdos abordados de forma “ideológica”. Uns criticam o programa por não denunciar aos berros o colonialismo quando se aborda a Expansão Portuguesa, enquanto outros consideram que existe uma distorção na forma como se analisam as ditaduras e totalitarismos do século XX, seguindo-se uma linha alegadamente “esquerdizante”.

Isto irrita-me mais do que devia porque volta a existir uma imensa ignorância (ou má fé pura e dura) no meio de muita presunção e arrogância argumentativa. E irrita tanto mais quando leio historiadores (ou serão “historiadores”?) a defender abordagens perfeitamente anacrónicas de algumas questões.

A questão do colonialismo e escravatura é recorrente nos últimos anos, como se fosse essencial que, por exemplo, a propósito da exploração da costa africana, da abertura da rota do Cabo ou do descobrimento (na perspectiva europeia, claro, que as populações indígenas já sabiam que existia, eu sei) do Brasil, fosse obrigatório qualificar o Gil Eanes, Diogo Cão, Bartolomeu Dias, Vasco da Gama ou Pedro Álvares Cabral como exemplos maior do colonialismo eurocêntrico, mas se apagassem as práticas de esclavagismo e dominação existentes fora da Europa, antes da chegada dos portugueses. A verdade é que esses temas são tratados e não escondidos, salvo em casos residuais que ainda considerem que a História está ao nível dos manuais patrióticos dos anos 20, 40 ou 60 do século XX. O mais curioso é que há gente de “esquerda” que muita clama a este respeito, mas depois oculta o colonialismo e racismo evidente de alguns vultos da história política da esquerda portuguesa, a começar por muitas personalidades do republicanismo.

Por acaso, até sou dos que gosta de destacar que nos princípios originais do liberalismo ocidental existe uma enorme carga de preconceito racial, social e de género, não se devendo esquecer que não são poucos os casos de defensores da “igualdade” e do princípio de que  “homens nascem todos iguais” que eram esclavagistas ou, no mínimo, não se incomodavam nada com a existência da escravatura ou a exclusão do direito à cidadania de mulheres ou indivíduos sem rendimentos suficientes para pagar impostos. O que eu gostava mesmo era que se usassem padrões coerentes para se abordarem todas estas questões e, por exemplo, se apresentassem as fortes críticas de Tocqueville à existência da escravatura nos estados do sul da jovem democracia liberal americana. Ou que se destacasse a ausência de preocupações nessa matéria por parte da maioria dos líderes revolucionários franceses de 1789.

Um dos erros mais básicos no tratamento dos temas históricos é retirá-los do seu contexto, olhando-os a partir dos valores do nosso tempo. Sócrates, Platão e Aristóteles defendiam um modelo de sociedade que hoje consideraríamos profundamente misógino e a própria democracia ateniense estava longe de o ser de acordo com os nossos padrões. Deveremos defenestrá-los da História da Filosofia e desfigurar as suas representações artísticas.

Voltaire defendeu de forma repetida (do Traité de Métaphysique ao Essai sur les mœurs et l’esprit des nations) teses poligenistas sobre a origem das raças, justificando as suas diferenças e mesmo uma natural hierarquização entre elas, em que os Brancos se revelavam superiores a todos os outros. Era racista? A bem dizer… sim! O que fazemos? Degolamos as suas estátuas e esquecemos tudo o resto?

A Europa deve muita da sua liberdade e do combate contra o imperialismo nazi a Churchill, um impenitente colonialista durante as primeiras décadas do século XX.

Mais valia que muita gente defendesse que a disciplina de História não fosse leccionada a galope, depois de ver retalhada a sua carga horária, com a justificação de que os seus conteúdos são chatos e pouco apelativos, a menos que sejam abordados da maneira “certa”, em outra disciplina. Polemizem sobre a Cidadania, mas não metam a História ao barulho, de forma ignorante, truncada e pelas piores razões. Ouvir relativizadores do papel da Inquisição ou das técnicas de tortura do pós 11 de Setembro armados ao pingarelho, a criticar a intransigência alheia ou adeptos da revolução cultural chinesa a criticar os atentados aos direitos humanos no século XV está para além dos limites de qualquer Comédia Humana.

On/Off

Ando desatento ao ponto de só hoje de manhã ter percebido, pelo alarme na SIC, preocupada em explicar a “ilegalidade” da gravação, na qual ficou registado que o actual PM decidiu, em amena cavaqueira com os jornalistas que o entrevistaram em modo cúmplice qualificar os médicos envolvidos na situação de Reguengos de Monsaraz como “cobardes”. Compreendo o embaraço dos envolvidos por se ter conhecido o que realmente António Costa pensa sobre o assunto. É pena que a “coragem” só apareça quando se julgam os microfones desligados. O resto da “polémica” passa-me ao lado, porque há muito que sei a diferença enorme que vai entre as poses “de Estado” e a realidade de certas figuras que por aí andam e que pouco se distingue daquele discurso que tanto se critica ao povoléu das “redes sociais”. A verdade é que nem sei se mudam as moscas.