Sábado

Manuel Pinho considera que não recebeu um único euro que não lhe fosse devido. Sem a devida contextualização, esta frase pode aplicar-se a uma imensidade de situações, dependendo muito do tipo de serviços prestados que justificam os pagamentos. Sendo público que ele recebia pagamentos do grupos BES enquanto era governante, as coisas nem se adensam, transparecem. Claro que quem presta um serviço – volto a dizer que depende do tipo de serviço para se avançar com outras considerações – acha que recebeu apenas o devido ou ainda menos do que isso. O problema é que em Portugal, a larga maioria do pessoal que cumpre as suas obrigações não recebe o que lhe é devido. Só de pensar nisso, acho que Manuel Pinho é um privilegiado, tenham sido quais foram os serviços que prestou em troca do que recebeu.

Uma Animação

É estranho quando se desconfia quando a Justiça parece funcionar normalmente. Ou algo vagamente parecido com isso. Para além do Rendeiro, do Pinho e cara-metade (com cauções a preceito) e do empreendedor autarca Moreira, até andam outra vez de volta do futebol dos grandes. Claro que há sempre os casos cabritas para ficarmos na dúvida. E desde que nada disto chegue àquele peralvinho que se diz juiz, mas falhou a vocação para advogado de defesa dos fidalgos do sistema.

Falta-me Pachorra…

… para a sucessão de notícias sobre o destino político de Francisco Assis. Parece que se afirmou disponível para amar, mas o recusaram, o que ele depois acho ser normal. O que eu acho anormal é que este “senhor” consiga fazer-se notícia por tudo e nada, quando o seu passado ao serviço do socratismo no Parlamento (e não só) foi o que foi, vivendo sem problemas anos a fio ao lado (e a defender politicamente) aqueles que ou vão presos para não fugirem ou ficam cá fora por causa. Parece que não lhe chega ser presidente do CES, onde pode parece que poderá ficar mais uns anos a passear a sua inutilidade. Consta que um dia foi professor de Filosofia, mas parece que é daqueles que deve ter detestado, assim como deve detestar ter um emprego a sério, que não dependa das sucessivas direcções partidárias. Não é que as listas do PS sejam maravilhosas, mas a sua ausência sempre é um dos seus poucos pontos positivos. Já o deputado Siva, Porfírio de nossa desgraça, outro filósofo de formação, continua por Aveiro, em 4º lugar. Quando se prova, a coisa entranha-se e não se quer outra que se estranhe.

3ª Feira

A tradicional “falta de meios” não pode explicar tudo acerca dos atrasos ou erros processuais quando se trata de acusar os antigos apaniguados de Sócrates nas suas tropelias. Agora é mais um lote que escapa, nem precisando de ir para a África do Sul, pois nem a julgamento chegam. Não me venham dizer que tudo isto não passa de uma sucessão de acasos.

Erro?

Pois… O Pai Natal chegou mais cedo.

Erro da procuradora coloca elemento do Corpo de Segurança da PSP no carro do ex-ministro, quando o polícia seguia no carro de trás a pedido do governante. Na sua ausência, era Eduardo Cabrita quem dava as ordens, mas este garantiu não ter dado qualquer indicação sobre a velocidade a adotar.

Mas Por Que Raio Temos Nós De Aguentar Com Estes Gajos?

Carlos César faz pressão máxima sobre BE e PCP: “Sentem-se melhor a fazer oposição ou a fazer acordos?”. Esquerda sobe tom da crítica

Pedro Adão e Silva ganhou 108 mil euros com comentário

Pedro Adão e Silva, o analista, ganha bastante mais do que Pedro Adão e Silva, o comissário. Deixou o ISCTE, mas fica nos media, a par da comissão para as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril.

Pedro Adão e Silva já entregou a sua declaração de rendimentos no Tribunal Constitucional. O comissário executivo das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, nomeado em junho último pelo Governo, recusou na altura revelar quanto recebe no espaço de comentário na RTP, que vai manter, e a estação pública de televisão apenas remeteu para as tabelas da casa, sem adiantar valores. Mas a declaração permite perceber que a empresa através da qual fatura as múltiplas colaborações em órgãos de comunicação social, a Linha Justa Lda., teve em 2020 um volume de negócios de 108.642 euros, onde está incluído o que recebe da RTP (O outro lado), Expresso, TSF (Bloco Central), Sport TV e Record (do mesmo grupo da SÁBADO, a Cofina). O que fará dele, provavelmente, um dos mais bem pagos comentadores do País, pela acumulação de vários espaços.

O que mais espanta (?) neste segundo caso é que esta alma não consegue alinhar duas opiniões que escapem vagamente a qualquer das cartilhas que subscreve. O que nos pode sempre levantar a questão: o que ganha quem lhe paga?

Já quanto ao pretenso senador açoriano, aparece sempre que é preciso um trauliteiro com idade para ter juízo.

A Renovação Da República

  • João Miguel Tavares no 10 de Junho.
  • Rita Rato no Aljube.
  • Pedro Adão e Silva no 25 de Abril.

Escalas muito diferentes e mordomias bem diversas, mas a mesma lógica.

Costa e Marcelo numa luta comum pela construção de uma memória do regime que lhes seja confortável. Mais do que as nomeações, impressionam-me as “aceitações”. Podia acrescentar outras, até de gente de que conheço melhor o trajecto, pelo que talvez não me espante tanto a Ânsia. Há umas semanas, em conversa com um antigo colega meu dos tempos da Faculdade, a respeito de outra colocação menos visível, confrontávamos perspetivas acerca do que explicará tais “aceitações” ou “candidaturas”. Será que estamos tão mal, que acreditam mesmo que não se arranja melhor, para não dizer muito melhor?

E depois há esta arte de ir colocando peças de diferentes cores no tabuleiro, para evitar grandes oposições. E o que dizer das cumplicidades mediáticas, em que o que ontem se criticava a outros, agora se cala porque se trata de gente “amiga”?

E quem não salta de alegria, em pulinhos de entusiasmo incontido, ou não se cala é porque tem inveja?

Da Mais Absoluta Desfaçatez

Ou do triunfo dos suínos betos na quinta do PS. O operacional engomadinho não tem qualquer competência científica ou política para a função, mas tem imenso “perfil”.

E que não me venham com a conversa da “inveja”, que não colhe mesmo.

O Conselho de Ministros nomeou o comentador ligado ao PS para presidir à Comissão Executiva das comemorações da revolução democrática, que vão durar até ao final de 2026. A nomeação e as condições de que o comentador vai usufruir estão a causar polémica.