Saúde Mental

Eu compreendo algumas das razões e conheço mesmo algumas situações em concreto. Mas não deixa de ser curioso que se argumente, de forma geral, que as crianças precisam da escola e de estarem horas com aqueles arcaicos professores do século XX para ficarem mentalmente mais estáveis e sãos, em vez de estarem com as “famílias”. A menos que se tenha dito muita asneira ao longo dos anos sobre a relação da petizada com as ditas escolas e os velhotes professores.

Nova Calendarização Das Provas E Exames Até Dia 12 De Fevereiro

Para o que servem, as de aferição, em especial do 2º ano, deveriam ser eliminadas. Com o que se passou o ano passado e está a passar neste não fazem qualquer sentido. As de 5º e 8º também me parece que só servirão para fingir qualquer coisa.

Quanto a provas finais e exames é curioso falarem tanto em “mudança de paradigma” e não terem aproveitado para serem coerentes com a teoria. É assim que se percebe a verdadeira profundeza de certas convicções para parlapateio público.

Uma Conclusão Interessante

Parece que 2 a 4 semanas sem aulas presenciais com os professores, que têm sido obrigadas a seguir um modelo bem tradicional (as interacções em sala de aula, actividades colaborativas entre alunos e outras “diferenciações” estão fortemente desaconselhadas), destruiriam as aprendizagens de forma “irremediável” e conduziriam a uma “geração deslassada” (a tentativa de Manuel Carvalho fazer de Vicente Jorge Silva e cunhar uma expressão para a posteridade).

Ou seja, aquilo não terá sido conseguido por anos e anos de políticas disparatadas, em zigues e zagues, com uma acumulação de burocracias para atrapalhar o trabalho dos professores e políticas cada vez mais ridículas de avaliação dessas aprendizagens.

Realmente, a presença física dos professores é mesmo “impactante” para os alunos, ao contrário de uns 30 anos a dizerem que os alunos podem construir o seu conhecimento, em auto-descoberta, com os docentes ali apenas a “faclitar” (o que poderia ser feito à distância, certo?). Ou que as tecnologias tornariam quase irrelevante o papel do humano na Educação. Os professores foram sendo crismados de “inúteis”, “egoístas”, “corporativos”, “velhos”, “arcaicos” e tudo o que ocorreu a uma clique de burgessos, nem sempre exteriores ao sector da Educação, só que alguns de forma mais envernizada, mas não menos insidiosa. Afinal são “essenciais”.

(será altura de lembrar que há 6 anos, 4 meses e 2 dias de tempo de serviço apagado da carreira, que causou danos “irremediáveis” e marcou várias “gerações” de professores, que agora deveriam cobrir os deputados porfírios e os comentadores situacionisttavares e baldaias as com toda a vergonha que lhes falta?)

Será que essas criaturas que há tanto tempo nos bombardeiam com essas teorias, terão a decência de se desviar da frente e deixarem de atrapalhar? Porque as vossas teses parecem estar claramente erradas. Afinal, umas semanas sem professores em osso e carne (muita, no meu caso), as perdas são “irreparáveis” e podemos “perder uma geração”. Porque eu vou guardando todos estes malabarismos para, em devido tempo, sugerir que os freiristas e/ou futuristas de aviário se encham de alcatrão e penas quando voltarem a meter a cabecinha de fora, em nova vaga de parlapatice, sancionada pelo secretário costa e os seus apóstolos.

5ª Feira

Acredito que o progresso deve ser uma realidade a cada nova geração, mesmo quando há muitos indicadores em contrário. Dito isto, acho muito estranho que se ande a espalhar um discurso acerca dos traumas imensos causados por algumas medicas em curso para minimizar os riscos de contágio. Apesar de não concordar com algumas, que acho serem escassamente úteis, também considero hiperbolizadas as consequências que alguns anunciam. Cresci sem centros comerciais e com tudo a fechar a partir da uma da tarde de sábado (e canal e meio de televisão) e acho que a minha geração até é bem mais resistente do que outras que se seguiram em relação a muitas adversidades. Aliás, acho que em muitos casos esse discurso muito preocupado com “traumas” tem origem em quem cresceu com muita coisa e pouca capacidade de resistência às dificuldades. Passar dois fins de semana em família restrita parece ser um esforço imenso, uma provação próxima de um qualquer purgatório. O que eu compreendo, em pessoal que parece ter da família uma ideia muito diferente da minha, que até sou descrente. Estranho que sintam tanta dificuldade em ficarem “confinados” ao fim de semana, em especial gente que se apresenta como bem pensante, até com instrução e recursos acima da média. Em especial quem parece considerar que “liberdade” é sair de casa para espaços fechados, cheios de gente. Estranho ainda mais quem critique os excessos do capitalismo, mas desfaleça se lhes tiram umas tardes de consumismo.

Sincronias

Enquanto o pai faz uma formação online sobre Psicologia Positiva (sim, um destes dias ainda me apanham nos escuteiros), a filha descobre que a sua turma aumentou de 26 para 29 alunos do 11º para o 12º ano, enquanto a sala continua com um máximo dos máximos de 30 lugares, mesmo na modalidade ombro com ombro.

Olha para mim a focalizar a parte “positiva” de tudo isto…

Já Chegou Tirarem Horas A História…

… não a metam agora ao barulho por causa da Cidadania. Porque há gente, incluindo da área da História e com alguma notoriedade, a justificar ou criticar a necessidade de abordar alguns temas relativos à Cidadania porque na dita História existem conteúdos abordados de forma “ideológica”. Uns criticam o programa por não denunciar aos berros o colonialismo quando se aborda a Expansão Portuguesa, enquanto outros consideram que existe uma distorção na forma como se analisam as ditaduras e totalitarismos do século XX, seguindo-se uma linha alegadamente “esquerdizante”.

Isto irrita-me mais do que devia porque volta a existir uma imensa ignorância (ou má fé pura e dura) no meio de muita presunção e arrogância argumentativa. E irrita tanto mais quando leio historiadores (ou serão “historiadores”?) a defender abordagens perfeitamente anacrónicas de algumas questões.

A questão do colonialismo e escravatura é recorrente nos últimos anos, como se fosse essencial que, por exemplo, a propósito da exploração da costa africana, da abertura da rota do Cabo ou do descobrimento (na perspectiva europeia, claro, que as populações indígenas já sabiam que existia, eu sei) do Brasil, fosse obrigatório qualificar o Gil Eanes, Diogo Cão, Bartolomeu Dias, Vasco da Gama ou Pedro Álvares Cabral como exemplos maior do colonialismo eurocêntrico, mas se apagassem as práticas de esclavagismo e dominação existentes fora da Europa, antes da chegada dos portugueses. A verdade é que esses temas são tratados e não escondidos, salvo em casos residuais que ainda considerem que a História está ao nível dos manuais patrióticos dos anos 20, 40 ou 60 do século XX. O mais curioso é que há gente de “esquerda” que muita clama a este respeito, mas depois oculta o colonialismo e racismo evidente de alguns vultos da história política da esquerda portuguesa, a começar por muitas personalidades do republicanismo.

Por acaso, até sou dos que gosta de destacar que nos princípios originais do liberalismo ocidental existe uma enorme carga de preconceito racial, social e de género, não se devendo esquecer que não são poucos os casos de defensores da “igualdade” e do princípio de que  “homens nascem todos iguais” que eram esclavagistas ou, no mínimo, não se incomodavam nada com a existência da escravatura ou a exclusão do direito à cidadania de mulheres ou indivíduos sem rendimentos suficientes para pagar impostos. O que eu gostava mesmo era que se usassem padrões coerentes para se abordarem todas estas questões e, por exemplo, se apresentassem as fortes críticas de Tocqueville à existência da escravatura nos estados do sul da jovem democracia liberal americana. Ou que se destacasse a ausência de preocupações nessa matéria por parte da maioria dos líderes revolucionários franceses de 1789.

Um dos erros mais básicos no tratamento dos temas históricos é retirá-los do seu contexto, olhando-os a partir dos valores do nosso tempo. Sócrates, Platão e Aristóteles defendiam um modelo de sociedade que hoje consideraríamos profundamente misógino e a própria democracia ateniense estava longe de o ser de acordo com os nossos padrões. Deveremos defenestrá-los da História da Filosofia e desfigurar as suas representações artísticas.

Voltaire defendeu de forma repetida (do Traité de Métaphysique ao Essai sur les mœurs et l’esprit des nations) teses poligenistas sobre a origem das raças, justificando as suas diferenças e mesmo uma natural hierarquização entre elas, em que os Brancos se revelavam superiores a todos os outros. Era racista? A bem dizer… sim! O que fazemos? Degolamos as suas estátuas e esquecemos tudo o resto?

A Europa deve muita da sua liberdade e do combate contra o imperialismo nazi a Churchill, um impenitente colonialista durante as primeiras décadas do século XX.

Mais valia que muita gente defendesse que a disciplina de História não fosse leccionada a galope, depois de ver retalhada a sua carga horária, com a justificação de que os seus conteúdos são chatos e pouco apelativos, a menos que sejam abordados da maneira “certa”, em outra disciplina. Polemizem sobre a Cidadania, mas não metam a História ao barulho, de forma ignorante, truncada e pelas piores razões. Ouvir relativizadores do papel da Inquisição ou das técnicas de tortura do pós 11 de Setembro armados ao pingarelho, a criticar a intransigência alheia ou adeptos da revolução cultural chinesa a criticar os atentados aos direitos humanos no século XV está para além dos limites de qualquer Comédia Humana.

O “Povão” É Tramado

E agora os inteligentes do costume que me expliquem isto. Porque não era este o eleitorado preferencial de Lula?

Bolsonaro com a melhor avaliação desde início do mandato. Mais vulneráveis contribuem para resultado

Não estou a ajuizar nada, apenas a constatar a evidência de que há quem vote em que dê forneça “pão e circo”. Ou vice-versa. Porque um sem o outro, não é bem a mesma coisa.

Na análise feita pelo jornal, é possível perceber ainda o peso que os mais vulneráveis tiveram na avaliação feita, uma vez que “dos cinco pontos de crescimento da taxa de avaliação positiva, pelo menos três vêm dos trabalhadores informais ou desempregados que têm renda familiar de até três salários mínimos, grupo alvo do auxílio emergencial pago pelo Governo desde Abril e que tem a sua última parcela programada para saque em Setembro”. Trata-se de um apoio no valor de 600 reais mensais (cerca de 94 euros), motivado pela pandemia de covid-19.

Mas não foi só a avaliação positiva que subiu. A avaliação negativa também desceu: nesta pesquisa, 34% consideram o Governo péssimo, quando na anterior esta percentagem se situava nos 44%. Já os que classificam o Governo de Bolsonaro como regular representam agora 27%; em Junho eram 23%.

Povao

 

Dúvida (Pouco Construtiva)

Se os alunos dos 11º e 12º ano que não voltarem às aulas por “manifesta intenção” dos encarregados de educação deixarão de ter qualquer ensino à distância e ficarão com as classificações apuradas até 17 de Maio, isso significa que já estão de “férias”, quando quem regressa fica até 26 de Junho e ainda corre o risco (se é para levar a avaliação a “sério” como repetiram o actual PM e o SE presencial), que pode ser mais do que meramente teórico, de ver as suas classificações baixar?

Afinal, sempre querem ver se há malta a não voltar…

Alcatrao2

Mas Se Os Exames Vão Contar (A) 100% (Como Provas Específicas) Para O Acesso (À Universidade)…

(agora com corrigenda no título, que se poderia prestar a interpretações erróneas)

… qual a enorme preocupação com as classificações internas? Estou mais preocupado com a conjugação das regras do ano passado com as deste ano e depois com o próximo.

Inspecção vai auditar avaliações de alunos para travar inflação de notas

A ordem é para reforçar acções que visam detectar inflação artificial de notas. O ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues garante que haverá processos disciplinares sempre que se justifique. Em breve seguem instruções para as escolas a explicar como funcionarão os exames, com perguntas opcionais para garantir que alunos podem não ser avaliados a matérias menos consolidadas.

Beaker-Bunsen

Dia 63 – Miúdos E Graúdos

(…)

O que foi dito acerca do regresso dos “mais velhos” ser mais seguro, porque compreenderão melhor as regras de distanciamento social e estarão em melhores condições de as cumprir do que a petizada pequena, não resiste à observação da descontraída proximidade que se verificou nos espaços envolventes dos portões escolares. Até podem ter mesas a 2 metros de distância nas salas e trajectos que minimizam os contactos, mas cá fora foi business as usual, mais ou menos máscaras fashion.

(…)

diario