4ª Feira – Dia 66

Mas, tão ou mais grave, é quem torna os filhos como reféns das suas próprias incapacidades e das más opções ou dificuldades do passado, Quem parece que inveja que os novos consigam ir além do que eles foram. Quando se diz a um filho que se não se foi mais longe e mesmo assim se sobrevive, então o estudo é dispensável ou secundário. Cortar a possibilidade de voar, só porque não se conseguiu fazê-lo em seu tempo. Criar inseguranças adicionais a quem já se sente naturalmente inseguro. Querer manter domínio através de chantagens psicológicas abusivas.

A Confap Nunca Deixa De Nos Surpreender

Mas raramente (nunca?) é pela positiva. É verdade que os documentos andam melhor escritos do que no tempo do pai Albino, mas no mandato do pai Ascenção, a lógica do frete ao Poder continua inabalável.

No recente parecer (se é que assim se pode considerar esta comunicação) relativo a uma petição para a redução do número de alunos por turma, uma das grandes preocupações é que isso poderia implicara construção de novas escolas. Já conhecia a posição, mas não a rqieuza e singularidade do argumentário.

Um tipo lê e não quer acreditar, mas é memso obrigado a reconhecer que há quem nunca fiquem aquém das nossas mais baixas expectativas.

Sábado

É sempre complicado quando encontram@s alunos que vivem sob uma pressão imensa por parte da família, sendo que esta ou nem tem noção do que faz ou opta por alijar responsabilidades pelas consequências para quem nada tem a ver com o assunto. A projecção de aspirações próprias não realizadas (ou que parecem indispensáveis para manter um estatuto) na descendência ou, no outro extremo, a necessidade doentia de a amesquinhar sem razão aceitável são atitudes do mais lamentável que um@ professor@ em algumas horas por semana não tem forma de minorar. O bullying familiar é o parente pobre dos estudos sobre este tipo de temas. Fala-se em violência doméstica, sim, mas não é bem o mesmo. É algo mais insidioso.

(quantas vezes a miudagem acaba por arranjar esta ou aquela “desculpa” apenas para não enfrentar a fúria de um progenitor ou ver-lhe o olhar de desilusão… e nem sempre apenas o olhar?)

Contrariando Claramente Certa Opinião Publicada Por Encomenda…

… parece que os encarregados de educação portugueses estão satisfeitos com a escola que têm em tempo normal e em especial com os professores. Mas também com a avaliação e os métodos de trabalho O estudo é da DECO e foi publicado na última Proteste. Claro que, ao contrário de outros, o mais certo é ser pouco citado naquela imprensa que considera os sousatavares a 5ª essência da opinião informada. Também é giro que no site oficial da Confap não se ache nada sobre este estudo, mesmo se são organizações parceiras em várias iniciativas. As conclusões vão contra a “narrativa” do Poder? Porque estes resultados são consistentes com todos os restantes inquéritos conhecidos, sempre que são feitos por entidades exteriores a certos ambientes ou que não têm certos “especialistas” a dirigi-los.

Desculpem-me A Dúvida, Mas…

… este senhor ainda tem algum educando no sistema de ensino não-superior? A questão resulta mesmo de ignorância e quem pergunta por não saber é porque quer aprender. Nem tem a ver com a natureza das declarações, algumas medianamente sensatas, mas apenas para saber se ele ainda tem contacto directo com aquilo de que tanto fala.

Jorge Ascenção, da Confap, defendeu esta quinta-feira, em declarações ao Porto Canal, “o ensino que esperam que seja presencial, pelo menos até ao 2º ciclo” e indica que para a Confap “as escolas devem fazer tudo para que o ensino possa ser até ao final do ano presencial”, para isso “a comunicação das autoridades de saúde tem de ser mais clara e inequívoca, porque o distanciamento nas condições e espaços que temos não é possível”. Confrontado com a possibilidade de serem estabelecidos turnos nos horários dos alunos, Jorge Ascenção esclarece que “turno da manhã e da tarde para o 1º ciclo não faz sentido”.

Duvida

A Dor Das Famílias

Uma leitura honesta do que foi o terceiro período deste ano letivo obriga, contudo, a reconhecer que a experiência foi dolorosa para as famílias e de resultados bastante duvidosos para uma larga maioria dos alunos.

Nada substitui o ensino presencial e a primeira boa notícia, nos anúncios de ontem em relação ao próximo ano escolar, é António Costa e Tiago Brandão Rodrigues reconhecerem isso mesmo. 

Onde se lê “nada substitui o ensino presencial”, no contexto de algumas prosas, poderia ler-se “não há [pi-pi] que aguente ter a petizada em casa a mexer-nos no computador a toda a hora e a fazer perguntas e a interromper-nos”.

Muito do que se lê está correcto, mas… o pessoal sabe onde e a quem doeu mais.

ChorarChorarChorarChorar

Por Favor, Dêem Uma 1ª Página A Este Defensor Da Unicidade Parental

Depois de ler uns comentários sobre a sessão de hoje da 8ª Comissão Parlamentar (a da Educação e etc), fui à ARTV e puxei aquilo até ver, de forma apressada, algumas das intervenções, das quais destaco as do representante da Confap. Na primeira, desferiu um ataque frontal e cavalgado a toda e qualquer tentativa de qualquer concorrência na área, numa espécie de defesa da unicidade que não existe em mais nenhum sector da Educação. Até os directores (que são pouco mais de 800) têm duas associações. Sindicatos de professores e pessoal não docente são aos molhos, mas no caso dos pais e encarregados de educação temos de nos ficar com a organização que o ex-ministro Marçal Grilo já explicou como começou e com que objectivos. Este senhor, que deve ter prole extensa e sucessiva (ainda me lembro dele como mini-me do pai Albino), poderia guardar um tempinho para estudar, ao menos, a origem top down da sua amada confederação. Era só não ficar dias inteiros no Zoom em “reuniões informais”.

Depois do ataque à desfilada contra a CNIPE, na 2ª intervenção o senhor representante decidiu disparar mais umas canhoadas em redor, sobre o “ruído” de quem “procura problemas para as soluções”, revelando que leu o guião certo distribuído ainda em Março para estas situações. Até falou que a Comissão de Educação tem a legitimidade de ouvir quem quer, bastando para isso alguém ter um blogue. Phosga-se, ainda bem que não vou lá há uma década, pelo que felizmente deveria estar a biliar contra outro alguém. Em suma, uma exibição ao nível a que nos habituou este “representante” que nunca mais consegue ser o nº 1 da Confap, apesar de andar por lá há quase 20 anos.

Quem o meteu lá que o ature. Há mais como ele, “por todo o país”. Só sabem falar em tom de berraria de claque e ensaiar perseguições meio tresloucadas. Queixam-se de não lhes darem o espaço mediático que sentem merecer, embora só consigam completar frases sem desconformidades se tiverem escritas num papel ali diante dos olhos. Até conheço um ou outro clone que evito com cuidado, em nome da minha higiene cívica.

 

O Texto Para O JL/Educação Deste Mês

Nem eu consegui achar ainda a edição em papel, pelo que o deixo já aqui. É bom lembrar que estes textos são escritos, em regra, cerca de uma semana antes da publicação.

Eu, Encarregado de Educação

Ao longo dos anos, fui percebendo que todas as pessoas podem falar e escrever sobre Educação sem grandes receios de fundamentação das suas opiniões, a menos que sejam professores. Qualquer empresário, jornalista, escritor, economista, jurista, político, desportista, local ou nacional, qualquer curioso desta arte ou daquele ofício, tem espaço para se expressar sobre o “Estado da Educação e essa sua expressão é recebida com atenção e como sendo um “contributo” positivo para a “discussão”, seja ela qual for, exista ou não, tenha sequer alguma actualidade ou não passe de um pensamento passageiro ou antigo que se julgue por bem partilhar.

Um grande número dessas opiniões não tem qualquer tipo de base empírica para além de uma convicção pessoal ou limita-se a expressar a posição de um determinado interesse particular, individual ou de grupo. Em regra, são opiniões críticas que afirmam que a “Educação está em crise”, que “a Educação necessita de mudar de paradigma”, “a Educação precisa de uma mudança de mentalidades”, lugares-comuns tão recorrentes quanto entediantes, com um vazio de conteúdo evidente, ao que nas últimas décadas se veio acrescentar o de “precisamos de uma Educação para o século XXI”. Qualquer pesquisa num motor de busca encontra uma quantidade assinalável de artigos deste tipo ou passagens em entrevistas com um conteúdo similar.

Curiosamente, apesar de alguns ganhos nos anos mais recentes em termos de visibilidade mediática, se forem professores em exercício a apresentar a sua opinião sobre o tal estado da Educação, em particular se forem de natureza crítica, tal perspectiva é de forma sistemática encarada com sobranceria e rapidamente arrumada na prateleira dos “interesses corporativos”. Ser professor e ter uma posição sobre as políticas educativas é motivo de desvalorização e rápida catalogação negativa, ao contrário do que passa com outras profissões com qualificação superior. Ninguém pensa retirar credibilidade a um médico, advogado, arquitecto ou mesmo um futebolista para falar da sua actividade, mas se for um professor a tentar fazer o mesmo, a menos que seja para elogiar as políticas do momento como as melhores e mais inovadoras de sempre, surgem de imediato os olhares desconfiados, os sobrolhos franzidos e as insinuações nem sequer subtis acerca de uma espécie de agenda conspirativa da classe docente para arruinar as finanças do país e colocar em causa o futuro das gerações de crianças e jovens das próximas décadas.

Entre as opiniões sobre Educação que o poder político e alguma comunicação social mais apreciam, está a dos encarregados de educação, das “famílias”, porque são as que representarão da forma mais pura, cristalina e alegadamente desinteressada, os “interesses dos alunos”. Porque são eles (os alunos) que são o “centro da Educação” e o motivo pelo qual todos os sistemas de ensino foram erguidos e se mantêm em funcionamento. E eu até concordo, como parece natural. Sem alunos para aprender, o ensino não existe. Pelo menos em termos formais. Aquilo de que discordo é que se apresentem, com tanta frequência, os “interesses” dos professores como contrários aos dos alunos ou mesmo como se aqueles limitassem os destes. Como se os professores fossem uns egoístas, preocupados apenas com os seus “privilégios” e materialidades, descurando, nas suas posições e críticas, o que é melhor de igual forma para os alunos e para o sistema de ensino no seu todo.

Esta maneira de apresentar as coisas esquece que professoras e professores também são mães e pais, “famílias”, portanto, desconhecendo estudos que demonstrem uma qualquer fertilidade diminuída entre a classe docente que a desqualifique como portadora de opiniões que visem a defesa dos seus filhos enquanto alunos. Não sei se por causa do discurso sobre o envelhecimento da classe docente se passou a considerar que professoras e professores entraram, na sua larga maioria, numa espécie de limbo indefinido em termos familiares, que lhes retirou qualquer capacidade parental.

Contudo, há professores que, como cá por casa, também são encarregados de educação de crianças ou jovens em idade escolar e que, por isso mesmo, têm opiniões sobre as políticas em implementação ou sobre as mais recentes medidas mais recentes relacionadas com a situação de pandemia e nomeadamente com o retorno a actividades presenciais. Opiniões e questões que, por serem de encarregados de educação, devem beneficiar da atenção devida a quaisquer outras.

Como questionar o regresso às aulas presenciais no Ensino Secundário. Ou o prolongamento do ano lectivo no Ensino Básico, em regime de ensino à distância, até ao final do mês de Junho. Ou a reabertura das creches em moldes pouco compatíveis com as melhores práticas para essa faixa etária. Todas estas decisões podem ser analisadas e criticadas de forma livre e sem receios por parte dos encarregados de educação, das “famílias” e dos seus singulares “representantes” estimados pelos governantes do sector, ao contrário do que se passa com educadores e professores, que correm rapidamente o risco de serem acusados de só quererem estar de “férias”.

Por isso, passei a sentir-me mais confortável ou protegido se escrever e me expressar como encarregado de educação preocupado com o regresso da minha educanda a aulas presenciais do 11º ano durante esta semana, do que como professor do Ensino Básico que não acha muito sentido na extensão do ano lectivo durante mais três semanas do que o calendário original ou como marido de uma professora que teve de regressar à escola na passada segunda-feira, com muitas dúvidas e poucas certezas sobre os riscos envolvidos.

JL 20Mai20

Como encarregado de educação pareço ter legitimidade acrescida para questionar porque se tem navegado à vista em diversas matérias relacionadas como o Ensino Secundário, apenas tendo como norte orientador a realização de exames que tantos criticam por limitarem a liberdade pedagógica. Porque teve a minha educanda de se inscrever nos exames que pretende fazer até aos primeiros dias de Abril, sendo que no dia 11 desse mês saíram novas indicações (decreto-lei 14-G/2020) que levaram a ter de submeter uma nova inscrição (apenas devido à mudança de duas cruzinhas de quadrado)? Porque se foram sucedendo as normas de frequência das aulas presenciais, com adendas e alterações ao diploma aprovado, em vez de se pensar tudo com calma e ponderação desde o primeiro momento? Porque foi dito que retomar as aulas depois de 4 de Maio não faria sentido, mas foi decidido retomá-las no dia 18? Porque se afirmou com tanta veemência que ninguém deve ser deixado para trás, que todos devem ter igualdade de oportunidades, que as “famílias” têm a liberdade de decidir se deixam os seus educandos regressar às aulas presenciais, mas depois se declara que se não o fizerem, as escolas não estão obrigadas a assegurar o seu acompanhamento à distância, conforme documento emanado pela DGEstE? Por fim, porque se mantêm as informações-prova para o Ensino Secundário quando tanto mudou em tão pouco tempo?

Como professor sinto-me bastante limitado na expressão de dúvidas sobre as normas de segurança a implementar neste regresso, em especial quanto à forma de gerir os espaços destinados às aulas, à forma de reorganizar as turmas, aos novos horários que a situação exige, à equidade de diversas opções. Mas como encarregado de educação sinto que tenho toda a legitimidade e poder para exigir uma clarificação das responsabilidades em caso de algo correr mal, porque os alunos não podem ficar reféns do habitual jogo de empurrar culpas entre os decisores centrais e locais.

Como encarregado de educação tenho o direito e dever de relembrar aos decisores que os riscos do regresso às aulas não se encontram necessariamente nos alunos, em regra mais resistentes ao vírus ou assintomáticos com a doença, mas sim no que a sua movimentação entre casa e escola pode acarretar em termos de transmissão de vírus para familiares em situação de risco.

Como professor, se questionar o fornecimento de material de protecção para alunos, pessoal docente e não docente tenho a certeza de que rapidamente me acusarão de ser “pouco profissional” e estar preocupado com problemas “mesquinhos” (à imagem de qualquer crítica à chamada “telescola”), mas se o fizer como pai já estou a ser responsável e a expressar preocupações legítimas.

Portanto, por uns tempos, apetece-me assumir a roupagem de encarregado de educação nas minhas reservas. E eu, encarregado de educação, tenho muitas quanto a esta pressa em voltar ao “normal” que antes tanto se criticava.

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