Ainda Há Uns Resquícios De Decoro

Mas não tenhamos muita esperança. Afinal ainda há 93 a votarem a favor, o que é sintomático da deriva do PS para uma espécie de neo-socratismo, com uma tentativa de dominar isto tudo em modo light e o PCP a servir de muleta aos dias pares, o Bloco nos dias ímpares e o PAN e a Joacine aos domingos. Este era (é?) um caso praticamente nos limites de tudo o que se pode conceber.

Vitalino Canas falha eleição para Tribunal Constitucional. Correia de Campos também não é reeleito para o CES

O socialista Vitalino Canas não conseguiu sequer todos os votos do grupo parlamentar do PS – teve 93 votos a favor (e 96 votos brancos) e há 108 deputados do PS. Votações exigiam dois terços de votos a favor, ou seja, 146.

Cowbell

(como terão votado os porfírios?)

Divulgando

Embora pareça que há quem vai, como já seria de esperar, roer a corda.

No dia 14 de fevereiro, será apreciada, na reunião plenária, a Petição Nº 603/XIII/4, com 5032 assinaturas, junto com dois projetos de lei que surgem no seguimento de uma tomada de posição do BE e do PCP relativamente à contabilização do tempo de trabalho declarado à SS, entendida por estes como um verdadeiro qui pro quo por parte do PS, no que concerne ao regime jurídico de trabalho de um docente. Assim, nascem o Projeto de Lei n.º 85/XIV/1.ª (BE) e o n.º 97/XIV/1.ª (PCP), com a pretensão de repor a legalidade e a moralidade na carreira contributiva destes profissionais, que se dizem traídos pelo governo, que, ao contrário do ditado popular, pratica em novos tempos, costumes velhos, movido por uma postura perfídia, no que ao assunto diz respeito.
Relembro ainda que a contabilização do tempo de trabalho declarado à Segurança Social não acarreta quaisquer custos para o Ministério da Educação.

Petição n.º 603/XIII/4.ªDa iniciativa de Ricardo André de Castro Pereira e outros – Solicitam a adoção de medidas com vista à correção das Declarações Mensais de Remunerações de todos os docentes contratados com horários incompletos.

Projeto de Lei n.º 85/XIV/1.ª (BE)

Contabilização de dias de serviço para efeitos de proteção social dos docentes colocados em horários incompletos

Projeto de Lei n.º 97/XIV/1.ª (PCP)

Regime especial de contabilização do tempo de trabalho dos docentes em horário incompleto

Grato pela atenção,

Com os melhores cumprimentos,
Ricardo Pereira
exclama

 

Cartografia Parlamentar

Pessoalmente, juntaria todos os pequenos partidos (Livre, Chega, Iniciativa Liberal, PAN e CDS) – fazem uma dúzia – numa fila ali à frente no hemiciclo, seguidos uns aos outros, por ordem crescente ou alfabética (qualquer das hipóteses proporcionaria vizinhanças promotoras da tolerância inter-partidária).

cabecinha_pensadora

Estão A Ver Como Sou Paciente?

Desde domingo à noite que estava para escrever isto, mas se o fizesse ia ser acusado de intolerante, xenófobo, fascista ou pior. Mas se forem os colegas de partido já é em nome da inclusão. Sim, concordo que ela tenha mais tempo. Mas então, há quem deva ter menos tempo, a começar pelas picaretas falantes. Ou um corrector automático para as intervenções do actual PM que não consegue ler um parágrafo sem assassinar a sintaxe e qualquer esperança da concordância entre género ou número que nos esforçamos por ensinar aos alunos desde petizes.

Livre vai pedir tolerância de tempo no Parlamento nas intervenções de Joacine

Bunsen

(e aquel@s parlamentares que são chatos como tudo e falam como se estivessem a falecer em câmara lenta, como o próprio ferro rodrigues, não podem ter a mesma tolerância?)

Um Bálsamo

O MECardoso já escreveu sobre a sessão de 12 horas do Parlamento inglês de há uns dias que ele recomendava que todos nós víssemos. Hoje não cheguei a tanto, mas ao fim do dia, sentei-me e fiquei a apreciar uma hora do debate ininterrupto numa sala apinhada, com intervenções objectivas, muita discussão, muitas réplicas, revelando um Boris Johnson a fugir à derrota de 11-0 que sofreu no Supremo Tribunal quanto à sua tentativa de manipulação do funcionamento da Casa dos Comuns, mas também a demonstrar que está muito acima de um Trump a debater. E o carismático Bercow a meter ordem naquilo tudo sem nos fazer cair para o lado de sono como na nossa Assembleia da República. Apesar de todos os ziguezagues em torno do Brexit, dá-nos realmente crença no que pode ser a democracia a funcionar, tendo um dos pontos altos sido a intervenção de Ian Blackford do Partido Nacional Escocês.