Censura

O debate esteve entretido, mesmo vendo só aos pedaços. Neste caso, acho que perde mesmo quem se vai abster, independentemente de alinhamentos. O melhor da tarde foi mesmo a imagem da flor do PAN a ser comida por uma vaca. E é claro que custa sempre a ouvir o Augusto Santos Silva a apelar à contenção verbal.

4ª Feira

A inércia e alguma morbidez – admito! – fez-me ficar a ver parte da sessão da Comissão de Educação a que foram a “reitora” e o ex-ministro João Melão, desculpem, João Leão justificar o que já se percebeu à milha ter sido um subsídio à medida do isczé. E nem sequer foram muito criativos nas justificações, o que demonstra como se sentem impunes: o ex-ministro alegou que não foi ele que assinou a coisa, como aquele patrão da empresa que diz que não foi ele que assinou a admissão do primogénito para vice-qualquer coisa, mas sim as pessoas em que ele delegou essa função. A excelsa “reitora” levou um gráfico que exibiu assim para o ar, segundo o qual ela demonstra que o isczé é a instituição do Ensino Superior que menos recebe do Estado por aluno; como se sabe, exibir um gráfico, sem termos acesso aos dados originais, não prova nada e muito menos nas mãos e quem já sabemos, de longa experiência, ter uma relação complicada com o rigor estatístico e com a verdade dos factos. Portanto, aquilo poderia ser um gráfico do preço dos legumes na Mercadona ou no Lidl, que poderia ter o mesmo efeito e/ou credibilidade aos meus cansados e míopes olhos..

Mas há um outro aspecto a destacar naquela “audição” e que é a imensa falta de qualidade de uma Comissão que parece formada, em boa parte, por gente que ali está em início ou fim de carreira, a preencher o lugar com escassa vontade ou competência para ir além do guião que lhe foi dado para debitar e pouco mais. Há os que estão a chegar e mal percebem seja do que for, limitando-se à chamada “crítica política” (o que significa, a crítica da conversa fiada, sem usar argumentos fundamentados em mais do que achismos e clichés); e há umas senhoras – não sei se peça desculpa, mas vou ser incorrecto para quem anda muito no espírito destes tempos alérgicos a tudo e mais alguma coisa e que ficam com obstipação só com o cheiro do glúten – com todo o ar de professoras de Liceu em processo de reforma ou já reformadas, tipos figuras de cera, mantidas em pé com ajuda de fixador ou da boa e velha laca Elnett Satin (fixação forte), que estão ali com o mesmo ar de fastio com que eu já as encontrei (ou umas parecidas) quando por lá passei há uma dúzia de anos. Incapazes de dizer uma coisa sua, original, com receio que lhe caia algum anátema em cima. A massa crítica daquela Comissão consegue ser mais baixa do que a de certas SADD de que conheci a produção “teórica”. Mas não deveria ser assim. Embora se perceba, porque a Educação mais do que deixar de ser prioridade, parece ter-se tornado mero empecilho, quando a caravana não avança à velocidade desejada pelos cortesãos.

A Sério, Gabriel?

Achas que essa é a “carta” certa para jogar nesta altura? Não me digas que ainda acabas em defensor da inclusão costista… Não teria sido mais óbvio sublinhar a “intolerância” à diferença?

O Pacheco de Amorim e o Cotrim não foram eleitos por serem… o quê? Caucasianos?

Chega falha vice-presidência da AR pela segunda vez: Mithá fala em “questão racial”

(não sei se faça a piada dos 177 votos “brancos”… que não foram contra…)

O Debate Do Dia

Em trânsito, ouvi parte do debate de hoje. Costa, o António só deu uma de “animal feroz” com Rui Rio, até ao momento em que ouvi. Desfez-se em elogios para Ana Catarina Mendes e esteve bastante mavioso com Catarina Martins (cuja intervenção começou bastante bem, mas acabou um bocado chocha) e com o camarada Jerónimo (que disse o que se esperava, no tom que se esperava, com o efeito que se esperava). Garantiu que não se demitia como se fosse um acto de coragem equivalente a atacar sozinho uma trincheira na Grande Guerra. Por agora, online, ouvem-se uns salpicos provocatórios do Ventura, que talvez despertem aquela animosidade tão contida do actual PM com as “esquerdas”.

Sou Tão Velho, Mas Tão Velho…

… que os secretários eram ajudantes de ministro e iam ao Parlamento explicar as políticas dos “superiores”. Ainda me lembro do Casanova, todo engasgado quando o Crato, em plena comissão parlamentar, lhe passava a palavra para detalhar qualquer coisa. Nos dias hiper-modernos que correm, o partido do Governo chama ao Parlamento o ministro para fazer a propaganda de políticas que são quase todas assinadas pelo secretário, em que foram delegados quase plenos poderes (menos os de “representação” em eventos desportivos).

Amanhã, Choverão Platitudes E Vacuidades

No dia 14 de julho a Comissão de Educação, Ciência, Juventude e Desporto procede à Audição a requerimento do GP PS seguido pela Audição Regimental do Senhor Ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues às 16h00.

Motivo principal da acção de propaganda teleguiada:

Resolução do Conselho de Ministros n.º 90/2021

Aprova o Plano 21|23 Escola+, plano integrado para a recuperação das aprendizagens

Aconselho Vivamente A Leitura

Do Relatório Final relativo à petição apresentada pelo Arlindo para fim do sistema de quotas. Como agora já vale tudo, a relatora – iupi, não foi o deputado silva! – ex-presidente de Câmara e professora aposentada Maria Joaquina Matos decidiu declarar que “A signatária do presente relatório exime-se, nesta sede, de manifestar a sua opinião política sobre a Petição n.º 216/XIV/2.ª, reservando a sua posição para momento posterior”. Na parte do relatório onde está escrito “Opinião do Relator”.

Como é que diz que disse?