Amanhã, No Parlamento

São Centeno irá descer do Olimpo e surgirá aos pobres terrenos com a suas vestes de Harvard e do Eurogrupo para pulverizar, atomizar, vaporizar, quaisquer dúvidas que possam existir acerca dos miles [sic meu] de milhões que acarreta qualquer progressão na carreira dos professores, a qual – em si mesma e nas suas consequências cósmicas hiper-nefastas – é capaz de desequilibrar as contas públicas, coisa que nem as tropelias do oliveira e costa, salgado, vara, cardona e tutti quanti da banca nacional conseguiram.

E tanto mais será assim quanto quem o convocou não foi qualquer partido que defende retoricamente os direitos dos professores para que ele explicasse as suas contas mas sim o PS, o partido dos Porfírios Silvas, para que ele viesse e esmagasse uma oposição inepta e os parceiros radicais da geringonça, agora em disputa final por mostrarem qual deles é o mais útil em final de mandato (o PCP ganha avanço na Saúde).

Centeno trará certezas, mas não necessariamente verdades. Trará números, mas não obrigatoriamente todos. Trará a “despesa”, mas inevitavelmente não trará a “receita” gerada pelos aumentos salariais provocados pelas tais progressões. Centeno Trará o Verbo e o Número, mas não qualquer as Parcelas.

Não se espere uma nova Revelação ou que Centeno tenha uma epifania e decida ser honesto intelectual, estatística ou orçamentalmente. Talvez até consiga, qual ministro da Educação, levantar a voz com irritação e arrogância, ultrapassando os gaguejares e as tibiezas próprias de um génio preso num corpo de comum mortal. Os porfírios e as ex-professoras marias augustas rejubilarão (no último caso com eventual repique de pérolas e fru-fru de alguma seda ou cetim que a chita é d’outrora) e gritarão “Hossana na Alturas que ele Chegou, Iluminou-nos e Exterminou os Incréus e Hereges!”, mas sabem que tudo é uma encenação, uma ímpia aldrabice com selo oficial.

Afinal, os vendilhões tomaram conta do Templo e nunca o largarão com bons modos, mesmo se foram obrigados a lidar com a Dúvida e isso devemo-lo (não exagero) às contas do Maurício.

centeno_austeridade_nao_virada

 

A Audição Do Ministro Tiago Com Direito A “Vozearia” (Peixeirada No Caso do Povo) Lá Pelo Meio

O homem agora já fala alto e gagueja menos, mas continua a não me convencer mais do que um daqueles simuladores com voz humana a debitar o conteúdo de memorandos.

Audição do Ministro da Educação sobre a falta de pessoal não docente nas escolas (requerimento do PCP) seguida de audição sobre a política geral do ministério.

Ainda acaba em assessor de um futuro PR pós-Marcelo.

Alcada

 

O Absoluto Despudor Como Regra

PS e PCP, com a abstenção de PSD, chegaram a acordo para legalizar a oferta de viagens por parte de entidades privadas a quem exerce cargos políticos e altos cargos públicos. Esta medida, aprovada na Comissão parlamentar para o Reforço da Transparência, surge em resposta ao caso que ficou conhecido como ‘Galpgate’ e que culminou com a demissão dos então secretários de Estado Fernando Rocha Andrade, João Vasconcelos e João Oliveira e ainda do assessor económico do primeiro-ministro, Vítor Escária, que viajaram até França a convite da Galp para assistirem aos jogos da seleção nacional de futebol no Euro 2016.

Shame

 

Será Que Há Coragem Para Fazer As Perguntas Certas Ao Ronaldo Centeno?

Agora que o PS parece interessado em chamar o ministro das Finanças para, teoricamente, esmagar qualquer dúvida sobre os encargos horríveis para o Erário Público que implicaria a progressão justa dos docentes, seria uma boa oportunidade para não se ouvir a mesma ladaínha do costume e em vez de questões políticas serem colocadas questões técnicas (afinal, ele é um génio nessas matérias certo? tão bom pelo menos como aquele holandês que copiou a tese de mestrado) muito concretas.

Vamos lá.

Se as regras das Finanças Públicas obrigam a separar de forma tão clara e irrevogável o que é a “despesa” da receita, conviria então esclarecer dois pontos muito objectivos:

  • Como é calculada a “despesa” da contabilização do tempo docente, já que o Governo tem acesso aos dados da base de dados MISI@ onde toda a gente está mais do que registada até ao ínfimo detalhe. Quantos docentes de que escalões progrediriam, em que condições e com que ganhos salariais? Não chega apresentar parcelas e totais finais.
  • Esclarecida então a “despesa” seria de passar, necessariamente, à “receita”, pois essa progressão implicaria um inevitável aumento da receita fiscal sobre salários mais altos, bem como dos pagamentos à SS/CGA. E isso nunca apareceu calculado. O OE tem nesse aspecto duas partes e a “receita” da progressão nunca foi apresentada. A directa (retenções na fonte) e a indirecta (mais difícil de calcular, mas não impossível de projectar, através dos imensos impostos e taxas sobre o consumo que aumentaria desse modo).

Penso que o próprio PS estará à vontade para colocar esse tipo de questões já que entre 2011 e 2015 as soube colocar de forma acertada ao governo anterior sempre surgiam novas medidas de austeridade e esse tipo de críticas aumentou com a chegada de António Costa à liderança do partido e com a promessas de “reversões”. Ora… o sentido da palavra “reversão” é qual? E o de “reverter”? Não é voltar atrás? Ao ponto de partida? Ora… a verdade é que, no caso dos docentes, agora dizem-nos que não pode ser assim.

lampadinha21