Espanto, Admiração e Sincera Incredulidade

Mas a grande “festa” da ministra preferida de Sócrates foi “contaminada”? Não posso acreditar… se tivesse sido assim, não posso crer que alguém tão atento à sua área de governação não desse por nada e não denunciasse coisas que cedo algumas más-línguas pérfidas andaram por aí a insinuar.

Recuso-me terminantemente a aceitar que tal se tenha passado e se alguma vez escrevi algo em contrário é porque estava sob a influência de excesso de fumo de barba de milho com oregãos. Porque acho impossível qualquer das alternativas, ou seja, nem posso crer que a ministra maravilha desconhecesse algo tão relevante e que movimentava tanto dinheiro numa altura em que ela se mostrava tão preocupada em ajustar a despesa, nem que, se desconfiava de algo, tenha ficado caladinha só para manter o lugar e garantir a posterior ascensão.

A Polícia Judiciária está a investigar suspeitas de subornos na Parque Escolar. O “Correio da Manhã” explica esta quarta-feira que em causa estão alegados pagamentos de empreiteiros a altos funcionários da empresa pública, criada em 2007 pelo então primeiro-ministro José Sócrates e cujo objetivo era a requalificação de 332 escolas em todo o país.

O esquema passava, refere o jornal diário, por viciar as regras da contração pública. Aos envolvidos rendia milhões, enquanto as restantes construtoras concorrentes e o Estado saíam lesados.

Na terça-feira, várias pessoas foram constituídas arguidas na sequência de dezenas de buscas realizadas pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção a empresas e casas particulares de atuais e antigos responsáveis da Parque Escolar e de coordenadores das empresas de construção civil. Em causa estão os crimes de corrupção passiva, no caso dos decisores públicos, e de corrupção ativa, no caso dos empreiteiros.

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(e, sim, estendo a minha incredulidade a outros governantes da altura, políticos experientes que teriam certamente detectado se algo assim se tivesse passado…)

As Rendas que Pagam a Festa da Outra

Com a mudança de instalações para o n.º 2 da Avenida Infante Santo, em Lisboa, em Fevereiro, o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, e os seus três secretários de Estado (dois da área educativa e um do desporto) passaram a ser inquilinos da empresa pública Parque Escolar (PE), que comprou aquele imóvel em 2013.

O Ministério da Educação (ME) não divulgou qual o valor global da renda que paga à Parque Escolar pela ocupação parcial do edifício da Infante Santo (em parte deste edifício funciona também a sede central daquela empresa). Em resposta ao PÚBLICO, indicou apenas que “será paga uma renda mensal no montante de seis euros por metro quadrado”.

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(na Infante Santo as concentrações dão muito menos jeito do que na 5 de Outubro…)

A Parque Escolar Foi Uma Festa!

Tempestade derruba telhado do Liceu Camões e relembra necessidade de obras

Direcção da escola aponta atraso no cumprimento do plano de requalificação previsto para o edifício. Ministério da Educação refere que reparações começam esta terça-feira.

Andamos (quase) todos a fingir que o mandato de MLR não foi um período áureo para algumas elites e nichos de mercado, Para servir e recompensar pedrosos, desculpem, clientelas.

É sempre assim? Talvez… mas há quem tenha a lata de se apresentar como “senadora” do regime (pelo menos em certos ambientes mediáticos amigos) e exista quem ainda ache que muito do que fez foi muito válido. Pois, quiçá, mas há pecados pouco originais que mancham tudo. Nem tudo de mau foi culpa da pasionaria? claro que não, penso mesmo que muita coisa se baseou na aposta da credulidade e vaidade da senhora.

Há demasiada gente cobarde com meios para saber que obras foram feitas, onde, beneficiando quem (a vários níveis, não apenas em relação a construtoras e gabinetes de projectos), mas isso talvez pareça mal. Não passam de cúmplices por omissão em algo que não é alheio aos delírios do engenheiro. Não é porque alguns notáveis de certa imprensa de referência passaram a ter a descendência em escolas do primeiro mundo que se justifica o que se passou.

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(e depois a culpa é sempre dos outros, dizem que pessoalmente nada ganharam, nada viram, nada souberam… como aqueles que assinam de cruz despesas que davam para ajudar muitas crianças…)

A Festa da Outra

Foi à la carte. Fizeram-se intervenções faraónicas em escolas relativamente recentes e deixaram-se outras a cair. Porquê? O modelo de negócio da Parque Escolar como proprietária dos velhos liceus no centro das cidades passaria pela alienação de uns quantos para gerar receita, depois dos alunos irem desaparecendo com as más condições?

Se edifícios escolares com boa qualidade são uma mais-valia para os alunos e para as condições em que desenvolvem as suas aprendizagens? Exactamente! Por isso, a estratégia nunca poderia ter sido a da concentração no 80 para uma minoria seleccionada a dedo, deixando 0,8 para a grande maioria.

A mim o que chateia é que, a menos que esteja tudo a cair, a maior parte dos directores opte pela “responsabilidade” de ameaçar e pouco mais.

Rave on!

rave

Agora Apanhem as Canas

A festa da Parque Escolar foi uma rave do caraças, com anos de ecstasy para muita malta. O problema é quando começa tudo a falhar ou nem pode ser usado, por causa dos encargos. O que se está a passar em Carcavelos é apenas uma pontinha do que se vai passando pelo país, mas nem todos têm a coragem e a cobertura mediática do director Adelino Calado. O engraçado é que, nestas alturas, as amigas do engenheiro e dos lenas e quejandos, assim como a corte de admirador@s da papisa educacional do ps, nunca marca presença, faz petições ou acende velinhas em defesa da escola pública. E nem falemos dos que andam há anos de mão estendida por migalhas. Logo quando uma pessoa precisa de uma câncio é que ela não aparece ou, se aparecer, claro que a culpa foi sempre dos outros.

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