O Pecado (Educativo) Original

Após profunda pesquisa hermenêutica e detalhada análise semiótica, declaro ter encontrado a fonte primeira do “novo paradigma” educativo costista.

Ordenou o Senhor ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás. (Génesis: 2, 16-17)

(há versões que optam por “ciência” em vez de “conhecimento”, mas vai dar ao mesmo)

Roteiros Para A Educação Mínima

Sacados ao Arlindo:. Amanhã talvez me divirta a colocar aqui alguns nacos de verdadeira inovação pedagógica como a passagem adaptada de uma tese de mestrado acerca das atitudes passíveis de tranquilizar os alunos que são coisas muito pensadas e reflectivas, após anos e anos de investigação-acção, que nunca nos teriam passado pela cabeça, caso não as tivéssemos lido com a chancela da equipa do SE Costa. Por exemplo, a mim nunca ocorreu criar “lações” de amizade com os alunos, porque nem li o handbook onde vem o conceito.

ROTEIRO – SEMESTRALIZAÇÃO DO CALENDÁRIO ESCOLAR

Calendário escolar (Eixo: Ensinar e Aprender / Domínio: 1.2. + Autonomia Curricular)

PROMOÇÃO DE ABORDAGENS CURRICULARES INTERDISCIPLINARES

Aprender Integrando (Eixo: Ensinar e Aprender / Domínio: 1.2. + Autonomia Curricular)

ROTEIRO – AVANÇAR RECUPERANDO

Avançar recuperando (Eixo: Ensinar e Aprender / Domínio: 1.2. + Autonomia Curricular)

ROTEIROS DE ORGANIZAÇÃO DE EQUIPAS EDUCATIVAS

Constituição de equipas educativas (Eixo: Ensinar e Aprender / Domínio: 1.2. + Autonomia Curricular)

ROTEIROS DE ORGANIZAÇÃO DE TURMAS DINÂMICAS

Turmas dinâmicas (Eixo: Ensinar e Aprender / Domínio: 1.2. + Autonomia Curricular)

ROTEIRO – COMEÇAR UM CICLO

Começar um ciclo (Eixo: Ensinar e Aprender / Domínio: 1.2. + Autonomia Curricular)

Sábado

Não é nada de excepcional e acho mesmo que é uma espécie de metodologia padrão para grande parte dos docentes. Avaliar a progressão das aprendizagens dos alunos, comunicar o que não correu bem, desenvolver estratégias de remediação, recuperação ou remediação (como lhes queiram chamar) e verificar de novo como estão as coisas. Só que em tempos de recauchutagem do velho, como verniz para parecer novo, fazer isto passa por ser enorme inovação, desde que se lhe coloque a palavra “Projecto” e se acrescente mais qualquer termo identificativo que sirva para servir de pretexto para “formação”. Há casos em que até vejo antigos colegas meus, que sabem fazer isto há décadas, ser nomeados como “embaixadores” de tamanha novidade.

Interessante

Agradeço a referência à AC.

A ideia foi refutada na década de 1970, mas ainda há uma crença generalizada de que as crianças são pequenos humanos que aprendem e se desenvolvem intelectualmente da mesma forma que um adulto. Este é um mito com consequências potencialmente graves para os sistemas educativos, pois leva a que não se considerem abordagens pedagógicas ajustadas à realidade. Afinal, o que nos diz a psicologia cognitiva sobre este tema? Será o conhecimento prévio determinante para a forma como aprendemos?

(As)Sincronias

Fiquei a saber pela Anabela que a DGE divulgou uma espécie de “manual” para a 2ª vaga do E@D, em que recicla propostas antigas e ocupa o resto das páginas com uma espécie de prós e contras do “trabalho síncrono e assíncrono, em contexto educativo, integrando sugestões metodológicas”. Fica mais abaixo para quem estiver com insónias.

Uma Conclusão Interessante

Parece que 2 a 4 semanas sem aulas presenciais com os professores, que têm sido obrigadas a seguir um modelo bem tradicional (as interacções em sala de aula, actividades colaborativas entre alunos e outras “diferenciações” estão fortemente desaconselhadas), destruiriam as aprendizagens de forma “irremediável” e conduziriam a uma “geração deslassada” (a tentativa de Manuel Carvalho fazer de Vicente Jorge Silva e cunhar uma expressão para a posteridade).

Ou seja, aquilo não terá sido conseguido por anos e anos de políticas disparatadas, em zigues e zagues, com uma acumulação de burocracias para atrapalhar o trabalho dos professores e políticas cada vez mais ridículas de avaliação dessas aprendizagens.

Realmente, a presença física dos professores é mesmo “impactante” para os alunos, ao contrário de uns 30 anos a dizerem que os alunos podem construir o seu conhecimento, em auto-descoberta, com os docentes ali apenas a “faclitar” (o que poderia ser feito à distância, certo?). Ou que as tecnologias tornariam quase irrelevante o papel do humano na Educação. Os professores foram sendo crismados de “inúteis”, “egoístas”, “corporativos”, “velhos”, “arcaicos” e tudo o que ocorreu a uma clique de burgessos, nem sempre exteriores ao sector da Educação, só que alguns de forma mais envernizada, mas não menos insidiosa. Afinal são “essenciais”.

(será altura de lembrar que há 6 anos, 4 meses e 2 dias de tempo de serviço apagado da carreira, que causou danos “irremediáveis” e marcou várias “gerações” de professores, que agora deveriam cobrir os deputados porfírios e os comentadores situacionisttavares e baldaias as com toda a vergonha que lhes falta?)

Será que essas criaturas que há tanto tempo nos bombardeiam com essas teorias, terão a decência de se desviar da frente e deixarem de atrapalhar? Porque as vossas teses parecem estar claramente erradas. Afinal, umas semanas sem professores em osso e carne (muita, no meu caso), as perdas são “irreparáveis” e podemos “perder uma geração”. Porque eu vou guardando todos estes malabarismos para, em devido tempo, sugerir que os freiristas e/ou futuristas de aviário se encham de alcatrão e penas quando voltarem a meter a cabecinha de fora, em nova vaga de parlapatice, sancionada pelo secretário costa e os seus apóstolos.

Uma Verdadeira Pedagogia Da Autonomia…

… dificilmente se satisfaria com a validação de práticas de servidão burocrático-administrativa ou com uma lógica em que o professor é considerado um irresponsável se não registar tudo o que fez e não fez, com a devida fundamentação em duplicado ou triplicado, em grelha, tabela, plataforma ou questionário, para posterior análise e eventual puxão de orelhas porque falhou aqui um ponto final ou ali ficou um verbo que parece mal à cartilha da “autonomia”. Parece-me de uma imensa hipocrisia, sabendo que me repito, mas apetece-me repetir, porque é coisa que dura e perdura, que quem ande com certas retóricas emancipatórias e inclusivas sempre a cair-lhe do beiço, deveria ter o decoro de não estar sempre a fazer descarado negócio em modo de “formações” reaquecidas em banho-maria das sebentas de outrora, ou que esteja na primeira linha dos que querem amarrar toda a gente a uma concepção do professor como funcionário subordinado e temeroso em relação a qualquer desvio ao padrão dominante.

Já agora, também tenho direito a citação freirista, mas sincera, porque eu até o li, mesmo quando discordava da parte demasiado devedora ao contexto das sociedades pós-coloniais de desenvolvimento muito desigual.

Que podem pensar alunos sérios de um professor que, há dois semestres, falava com quase ardor sobre a necessidade da luta pela autonomia das classes populares e hoje, dizendo que não mudou,
faz o discurso pragmático contra os sonhos e pratica a transferência de saber do professor para o aluno?! Que dizer da professora que, de esquerda ontem, defendia a formação da classe trabalhadora e que, pragmática hoje, se satisfaz, curvada ao fatalismo neoliberal, com o puro treinamento do operário, insistindo, porém, que é progressista?

Pelo Público

(…) E percebe-se que, para além de a pandemia nos ter revelado que o modelo de ensino presencial tradicional ainda é o melhor, também nos está a dizer que o modelo pedagógico do professor no alto do palanque, o mais longe possível de alunos que mal se relacionam entre si, é a realidade das escolas do século XXI. O que não é verdade. Mesmo se parece ser o mais adequado para que exista o tal ilusório “baixo risco de exposição”.