O “Novo Paradigma”?

As coisas fazem sentido, na sua lógica própria. Do governante de +proximidade que acha que para ensinar basta estar cara a cara e ter um “dispositivo” à directora pedagógica exemplar que dá aulas de leitura sem gostar de ler. As coisas encaixam. O “professor” passou a ser uma designação com um conteúdo funcional muito diferente do que foi e não é o do “transbordamento” de funções.No século XXI é o do total esvaziamento de um saber próprio ou, sequer, de um  interesse especial pelo que se ensina. É um simulacro que clica para que o google ensine. Que tudo venha enroupado pela ideologia-MEM é apenas um detalhe operacional que nem chega a ser paradoxal, porque o que interessa é o Poder. A Educação é um mero pretexto para o acesso. Nem que seja ao círculo exterior.

vazio

Dia 71 – Vamos Falar Disto Mesmo A Sério? – 4

(…)

Uma “comunidade de aprendizagem”, realmente adaptada ao século XXI, assenta na possibilidade de estabelecimento, a qualquer momento, de interacções entre o professor e os alunos e entre estes. Que podem acontecer num tempo e espaço que se multiplicaram e quebraram as barreiras da sincronia e da presença, mesmo se podem manter momentos de partilha presencial na realização de algumas tarefas, em especial no lançamento das sequências de aprendizagem. A redefinição, em especial numa perspectiva conectivista, implica que o tempo da aprendizagem é balizado pelo professor nos seus limites máximos, mas pode ser gerido pelos alunos de acordo com o seu ritmo; assim como permite que o espaço seja multiplicado de acordo com as possibilidades e condições dos alunos. As salas de aula físicas tornam-se pontos de referência, mas não de presença obrigatória de acordo com uma grelha rígida diária ou semanal.

(…)

diario

Dia 70 – Vamos Falar Disto Mesmo A Sério? – 3

(…)

Nos últimos meses, tendeu-se a apresentar como se fosse uma “revolução” o processo de substituição das aulas presenciais nas escolas por variantes que procuraram replicá-las da forma mais fiel possível, só que à distância. O maior exemplo disso é o das aulas da “Telescola”. No fundo é uma “aula” dirigida ao mesmo tempo a todos os alunos, com o problema de não ter interactividade com o seu “público”. O mesmo se passa com as sessões “síncronas” em que tantas escolas parecem ter colocado ênfase, obrigando alunos e professores a estar ao mesmo tempo a realizar uma determinada actividade. No fundo, tirando o meio pelo qual se concretiza a “aula”, pouco acontece de verdadeiramente novo e há mesmo importantes perdas em relação às aulas presenciais.

(…)

diario

Dia 69 – Vamos Falar Disto Mesmo A Sério? – 2

(…)

No presente, as teses construtivistas regressaram em força e tentam mostrar-se compatíveis com a era digital, quase como se a tivessem antecipado, mas a verdade é que tentam sem sucesso colocar roupas velhas a algo novo. Tentam explicar os fenómenos do século XXI, com teorias do século XX que, na origem, desconfiavam muito da desumanização tecnológica. E não conseguem resolver o paradoxo de quererem mudar a Educação, mas acabarem por usar os novos meios digitais como se fossem apenas algo equivalente ao aparecimento do stencil, do projector de slides ou da fotocopiadora, quando está em causa uma transformação muito maior.

(…)

diario

Dia 68 – Vamos Falar Disto Mesmo A Sério? – 1

(esta semana vou ser muito construtivo… para não dizerem que não há proposta ou alternativas)

(…)

Há opções a tomar que têm implicações profundas no modo de conceber e praticar o ensino e promover as aprendizagens, não se limitando a discutir que plataforma é melhor para simular uma aula presencial à distância ou que ferramentas tem cada plataforma para apresentar um powerpoint aos alunos numa sessão síncrona ou partilhá-lo de forma assíncrona. Enquanto andamos por estas “águas”, nada de muito novo se passa, porque continuamos (por muito que se negue) no “velho paradigma”, seja ele behaviourista, cognitivista ou construtivista, Mas é o que tem acontecido, porque é neste caldo cultural que os decisores e conselheiros próximos se sentem confortáveis.

(…)

diario

Dia 67 – Não Chegam Rótulos

O ministro da Educação deu uma entrevista há um par de dias em que disse muitas coisas óbvias, mas muito pouco de concreto sobre o próximo ano lectivo. Afirmar que temos de avaliar “ tudo aquilo que não foi consolidado ou tão bem ensinado” ou que “a recuperação das aprendizagens tem de ser um dos pilares fundamentais no regresso às aulas” são evidências que se impõem desde dia 16 de Março. Por acaso, ao ministro faltou falar no que não terá sido “aprendido”, pois só referiu “consolidado” ou “ensinado”, o que é redutor.

Por outro lado, também é evidente que temos de nos preparar para vários cenários, pelo que quando afirma que “temos de nos preparar para uma conjugação entre ensino à distância e presencial” é como dizer que temos de nos preparar para a possibilidade de sol ou chuva, frio ou calor, vento ou calmaria. Sim, temos de nos preparar para quase todas as eventualidades perante a incerteza que nos rodeia.

Por isso mesmo é que é tão importante uma avaliação rigorosa, desapaixonada e não política ou demagógica do que se está passar durante estes meses. É fulcral que a análise do que se está a viver seja feita com rigor e não numa modalidade de ficção embelezada para efeitos de aproveitamento político. É tempo de ter a coragem de não se encomendarem estudos para gastar verba com cliques académicas que já sabem que conclusões devem tirar logo que conhecem o caderno de encargos. É muito importante que, já que se tornaram os quase exclusivos representantes das “escolas”, os directores optem por não querer apenas ficar bem na fotografia ou nas graças do poder, à espera de não comprometerem o futuro. E é decisivo que os encarregados de educação não oscilem entre o mais completo colaboracionismo sejam com quem for (através dos “parceiros” oficiais para estas matérias) e a reclamação descabelada e excessivamente emocional.

Porque já se percebeu que o ministro da Educação se aprendeu algo nestes anos foi a entrar no “jogo político” e a enunciar fórmulas vagas e números sem grande sustentação. Quando, na mesma entrevista, declara que se afirmou “dos cerca de 1,2 milhões de alunos, 50 mil não teriam acesso a computador ou meios de acesso, o que acontece é que esse número foi sendo reduzido”, percebe-se que ou descolou da realidade ou está a mistificar a opinião pública. Os estudos disponíveis indicavam-nos, de forma consistente, no início da pandemia, que cerca de 20% das famílias não estavam em condições de assegurar aos alunos condições para um ensino à distância em condições mínimas. Se é verdade que as autarquias (mais do que umas parcerias privadas que surgiram para consumo mediático) fizerem em certas regiões um trabalho muito meritório na aquisição e fornecimento de equipamentos, isso terá dado quase só para compensar o crescimento das bolsas de pobreza que resultaram dos despedimentos e quebra de rendimentos. A maior parte dos testemunhos indica-nos que, neste momento, o ensino remoto não passa de um remendo, que a “telescola” é um complemento muito fraco em termos pedagógicos, pois a partir do 1º ciclo são “aulas” tradicionais em que se tenta dar matéria a rodos em meia hora, e que o número de alunos “desaparecidos” ou “intermitentes” aumentou em relação às aulas presenciais.

Seria bom que tudo isso fosse avaliado, antes de nos quererem fazer acreditar que é possível, a começar pelo Ensino Básico, implementar um modelo credível de blended learning.

diario

Material Escrito Para Reflexão

Se é que queremos mesmo discutir métodos de ensino e aprendizagem ou uma Pedagogia para o século XXI que descole das teses do século XX. Há muito mais, mas hoje parece ser dia de lazer e praia, pelo que ficam aqui apenas umas pistas para futuras discussões. Entre nós, George Siemens é ainda um quase completo desconhecido.

Rapidamente: a favor, o facto de ser mesmo uma forma diferente de encarar a aprendizagem no século XXI; contra, a necessidade de termos uma sociedade com um nível de desigualdade baixo no acesso às “conexões”, se queremos mesmo o tal “novo paradigma”.

Special Issue – Connectivism: Design and Delivery of Social Networked Learning

Conectivismo: Uma teoria da aprendizagem para a era digital

Connectivism as a Digital Age Learning Theory

Conectivismo Pedagógico: novas formas de ensinar e aprender no século XXI

revolucao-digital-720x375

 

Dia 34 – O Regresso Do Par Pedagógico

Hoje também aconteceu em Educação Física e tudo.

Uma década depois da decisão de eliminar o par pedagógico na disciplina de Educação Visual e Tecnológica, com toda a polémica que esteve associada ao economicismo de uma decisão que não tinha qualquer fundamento pedagógico, eis que na “telescola”, em estúdio, sem alunos presentes, o par pedagógico regressa para disciplinas em que só existiu em situações excepcionais (caso da coadjuvação em turmas mais problemáticas).

O que nos pode levantar a fundamentada esperança de que o tão anunciado modelo de “Educação para o século XXI” nos traga o regresso do par pedagógico, agora para mais disciplinas do que anteriormente. Porque, e sei que me repito mas quero sublinhar bem a ideia, se são necessários dois docentes para assegurar “aulas” à distância de 30 minutos, o que se dirá de aulas de 90 minutos, com 25 a 28 alunos ou, quando as turmas são pequenas, com vários casos que precisam de um acompanhamento individualizado?

diario