Aula Integral Ou Com Linha De Horizonte Muito Curta?

Em vez de uma parafernália de quizzes e zingarelhos tecnológicos para abordar o Sistema Solar, “revolucionário” seria levá-los lá para fora, à noite e ensiná-los a ver as estrelas reais, a imaginar “um pouco mais de azul”, fazê-los libertar a imaginação ao observar o infinito celeste. Ensinar-lhes a usar um telescópio e a verem as constelações sem ser com identificação automática numa app.

E falar-lhes de Galileu.

Nada contra as aplicações em causa, de que aprecio e pratico em especial o Quizizz, mas… o Céu e não o ecrã é que deve ser o limite.

Imagine o leitor uma aula em que o assunto é o Sistema Solar. Cada aluno cria uma pequena apresentação sobre um planeta, o Sol ou o que quer que seja, e dá à turma uma palestra de cinco minutos. A turma debate sob a orientação do professor e, ato contínuo, resolve um quiz numa aplicação chamada Kahoot, ou uma consolidação em grupo numa outra funcionalidade, o Quizlet!. Quando chegam a casa, recebem no telemóvel os códigos para jogarem entre eles com novos quizzes numa outra aplicação, o Quizizz. Muitos dos jogos contêm variações que nem foram abordadas nas aulas, mas que fazem parte da tal estratégia de autoaprendizagem. E os miúdos conseguem porque estão envolvidos e, acima de tudo, gostam do que estão a fazer! Na aula seguinte, eliminamos conceções alternativas através do Mentimeter e fazemos um novo Kahoot. Apesar de o programa da disciplina se ir desenrolando, os quizzes antigos vão sendo disponibilizados, de modo a dar a oportunidade a todos para consolidarem aprendizagens anteriores, ficando reservada ao professor a tarefa de moderador das aprendizagens

A aula integral, com toda a ligação direta ao mundo da tecnologia de que os jovens já não abdicam e o seu manancial de ferramentas facilitadoras, não é apenas uma proposta pedagógica alternativa, mas um conceito revolucionário no que concerne a ensinar e aprender.

Telesc

 

 

Afinal Sempre Há Um Plano!

Comparar com o que o SE Costa disse ontem aos 3′ do programa Antena Aberta. Cá para mim, pensando que ia para outros ares, o homem deixou-se por uma vez ultrapassar pelo ministro que já tinha, na véspera, apresentado o plano inexistente. Que, claro, se dirá agora que é outro.

O programa ‘Includ-Ed’, que recorre a práticas pedagógicas inovadoras que envolvem a comunidade, foi elogiado pelo ministro da Educação: “É uma grande oportunidade para Portugal”

O programa ‘Includ-Ed’, para combate ao abandono e insucesso escolares através de práticas pedagógicas inovadoras que envolvem a comunidade, chega este ano a 50 agrupamentos de escolas do país, foi anunciado esta quarta-feira no Bombarral.

A inspiração foi colhida em Barcelona e a DGE tem até bastantes outros materiais online, traduzidos dos originais, porque parece que não há nada de novo por cá. Até aquilo das tertúlias que o ministro Tiago sugeriu não passa de uma cópia das Tertúlias Literárias Dialógicas dos anos 80 do século XX.

Não é a invenção da pólvora seca em pacotinhos, mas é do tempo áureo do Pisang Ambom com laranja.

sleepy

Há Quem Acredite Piamente Que Bastará Saber Achar Uns Vídeos “Motivacionais”

Precisam os professores de Matemática de saber Matemática?

(…)

Importa uma formação que promova e aprofunde o desenvolvimento do conhecimento matemático nos futuros professores, mas também a experiência e a cultura matemáticas — que promova assim o saber Matemática, o saber-fazer Matemática, o saber sobre a Matemática. É este o sentido amplo de saber — conhecimento, experiência, cultura — que interessa a quem vai ser professor. E sobre o desenvolvimento do interesse, do gosto, da capacidade de apreciar e valorizar a Matemática, não posso aqui senão fazer mera menção à importância que têm que estas dimensões na formação do futuro professor.

O problema é que esta visão multiforme sobre a formação de professores não é a de quem acha que basta uma formação generalista com foco praticamente só nos mais básicos conhecimentos, enquanto se valorizam técnicas comunicaçionais e motivacionais que não chegam para um professor, a dada altura, sequer conseguir acompanhar os seus alunos mais dotados. Há quem parece considerar que o “conhecimento matemático” (ou de outras disciplinas) nem sequer é fundamental.

O problema não é o recurso a metodologias “pró-activas”, que incentivem o aluno a “descobrir o saber”. O problema é acreditar que os professores podem desenvolver isso e verificar o seu progresso sem eles mesmos terem um domínio que lhes permita corrigir rumos, abrir novas perspectivas, acompanhar até mais além quem o consegue. Quando impera a noção de que bastam umas “generalidades” para se ser professor de Matemática é porque se acha que ele não é um matemático a sério.

media

 

Pelo Educare – Parecendo Que Não, É Um Balanço Para Reflexão

… porque não deixa de ser uma acusação a um dos consensos do “arco da governação” que, na dúvida, escolheriam sempre um centeno aos próprios alunos.

Descontinuidade Pedagógica

Ficámos presos numa situação que, de ano para ano, mina num crescente número de escolas a possibilidade de constituir equipas pedagógicas que consigam acompanhar os alunos ao longo dos ciclos de escolaridade, devido à elevada rotação de docentes como resultado inevitável de uma política de gestão dos recursos humanos que nos últimos 15 anos privilegiou qualquer cêntimo de “eficácia financeira” a uma verdadeira “eficácia pedagógica”.

pg contradit

Uma Manta De Retalhos De Não Sei Quês

Eu tentei isolar partes do programa do PAN para a “Educação, Ensino Superior e Investigação”, mas declaro-me derrotado. Parece uma sopa da pedra, mas sem as partes boas.

Mas não resisto a estes excertos, lapidares no seu neo-eduquês conceptual:

Por que razão cada professor tem de gerir sozinho a sua turma? Por que tem de ter uma turma? Por que tem de haver reprovação? Por que tem de haver um professor a falar e um grupo de alunos a ouvir, ou a fingir ouvir?

(…)

A implementação da flexibilidade curricular deve ser acompanhada de adequada reflexão e inovação nos seus processos e dinâmicas organizacionais. Por outro lado, a descentralização de competências pode representar a oportunidade de reorganizar as relações entre todos os agentes da comunidade, onde a escola não fica isolada no seu papel educador. Para tal, necessita de conseguir integrar e potenciar as sinergias da comunidade, não descurando a ligação à Academia.

(…)

Em contraponto à escola fábrica apresentamos a escola das emoções, da natureza, do desporto e das expressões pelas artes, onde vigora a transdisciplinaridade, e a empatia surge como o maior facilitador da construção de relacionamentos sociais, promovendo a liderança natural.

PAN

 

Confesso Que Merece Leitura…

… porque acho que como “alternativa” é interessante, mas como fórmula-padrão desperta-me um imenso sorriso.

Meet the school with no classes, no classrooms and no curriculum

(…)

Rob describes Agora as a blend of a university (where you have knowledge), a Buddhist monastery (where you can think), a theme park (where you can play) and a communal marketplace (where you can trade and swap things). And it’s this last one, Agora, and borrowed from Ancient Greek, that gives the school its name. Each day starts with dagstart, where students spend a few minutes outlining their challenges for the day, what they hope to achieve and what help they might need. It’s also a chance for other students to suggest things, offer advice or join in.

Algodao

(agora sem pés… agora sem mãos… agora sem dentes…)