Apagões E Outros Escaraminhões

Há coisas curiosas no Polígrafo e não é apenas o verificar muita gente menos certos articulistas de publicações parceiras. Serão “critérios editoriais”…

Uma curiosidade recente foi o aparecimento da seguinte questão:

PoliTBRSe seguirmos o link…

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Porquê?

Justa ou injusta a acusação existiu e foi divulgada pela Sábado há 3 anos. E verdade se diga, o dinheiro foi devolvido.

Segundo Rui Carvalho, que ainda hoje é professor na Universidade de Coimbra, o então aluno Tiago Brandão Rodrigues terá ludibriado a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) ao pedir uma bolsa para pagar propinas na Universidade do Texas (no prestigiado Southwestern Medical Center)  onde se deslocou em Setembro de 2001 para fazer um estágio no âmbito do seu projecto de doutoramento. Isto porque, sublinha Rui Carvalho, a Universidade do Texas não cobrava propinas aos alunos que lá estudavam no regime fixado para Tiago Brandão Rodrigues. Ou seja: não fazia sentido pedir uma bolsa para as pagar.

Rui Carvalho afirma que soube da alegada fraude quando contactou a FCT no sentido de se informar sobre os mecanismos formais que seria necessário cumprir no sentido de se desvincular da orientação do doutoramento de Tiago Brandão Rodrigues. “Assim que dei o nome do candidato à senhora do departamento de bolsas, nem precisei de lhe dar a referência da bolsa. A senhora disse-me: ‘Ó senhor doutor, é uma grande coincidência estar a ligar-me porque nos últimos seis meses andamos a tentar contactar esse aluno para lhe pedir o recibo do pagamento de propinas em Dallas e não conseguimos’.” 

Rui Carvalho terá  informado de imediato Tiago Brandão Rodrigues que tinha de devolver os cerca de 18 mil euros que recebera indevidamente, o que acabou por acontecer em Setembro de 2002 por iniciativa do actual ministro.

O que não se percebe é porque a questão surgiu agora e… logo desapareceu. Porque não suscitaram questões como “beltrano foi acusado de plágio na sua obra literária mais conhecida?”. Como neste caso, justa ou injusta, a acusação aconteceu.

O Polígrafo começou bem, ocupando um espaço vazio na nosso panorama mediático, mas parece andar com umas espécie de dores de crescimento.

 

O Dia das Vias Rápidas

Na Madeira, os 9-4-2 irão ser recuperados, após aprovação pelo representante da República.

No Continente, hoje é dia de reposicionamentos com direito a retroactivos (no sentido adequado do termo e não no da dupla Carlos César/Paulo Trigo Pereira) integrais desde Janeiro, enquanto há quem ande a receber aos 25% de cada vez. E nem é bom falar nas ultrapassagens pela faixa da direita, sem quotas ou o que quer que seja, enquanto os outros continuam estacionados nas boxes.

Mais do que república das bananas, estamos na república d@s amig@s. El@s ficam bem e é bom que assim seja, @s entead@s é que se lixam.

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Aprendizagens Essenciais – A História Contada aos Meninos

Não são tanto as alterações de conteúdos (a Antiguidade Clássica reduzida a um fiapo, a I Guerra Mundial como se fosse uma coisa passageira, entre outras mudanças), mas o discurso a recuperar aquelas coisas do tipo “o grande remorso do homem branco” em passagens como esta:

Reconhecer a submissão violenta de diversos povos e o tráfico de seres humanos como uma realidade da expansão portuguesa; (8º ano)

Ou então aquilo que se apresentam como “Ações Estratégicas de Ensino Orientadas para o Perfil dos Alunos”, invertendo a lógica do perfil como uma ferramenta para a o tornar um Fim em si mesmo ou “O Fim”, submetendo tudo e todos à ideologia de alguns. Podem apanhar-se nacos distribuídos um pouco por todos os documentos em análise, Fico-me por um par de exemplos relativos a História do 9º ano:

Aprendizagens

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(estamos entregues à bicharada…)

Não Percebi

A irritação de Mário Nogueira na mini-entrevista dada ao Bernardo Esteves do Correio da Manhã e transcrita numa das últimas páginas da edição de hoje (não está online e eu não fotografei o cantinho da página) e na qual, a propósito da alteração de estratégia do ME em relação à flexibilização curricular, parte para acusações de cobardia, seguindo-se umas bojardas sobre a possível intervenção presidencial no processo. Ou estou muito enganado ou há qualquer coisa que me escapa que lhe anda a correr mal.

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Oxalá

Que alguns dos que elogiaram muito a coragem da SE na disputa com os colégios com contrato de associação não acabem ultrapassados no concurso de vinculação extraordinária por pessoal que tenha saído deles com muitos anos de serviço sem terem para isso passado por qualquer concurso público de colocação. Porque, a ficarem assim as coisas, adivinham-se umas coisas mesmo extraordinárias.

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Neo-Realismo

Uma família, em virtude dos seus horários de trabalho, revela-se incapaz de fazer o seu educando entrar no recinto escolar às horas adequadas. Entregue a si mesmo, o petiz entra na escola quando tem fome (hora do reforço, a meio da manhã), aparece nas aulas que entende, às horas que entende, a menos que alguém o procure pelos corredores e cantos da escola e o obrigue. Ao perceber isso, aprende a saltar a vedação da escola e ficar por conta própria durante quase toda a manhã, até voltar a ter fome (hora de almoço). A escola contacta a família, a família pede compreensão e ajuda, implora para que não se despertem as medidas extra-escolares legalmente exigíveis nestas situações. A escola continua a alimentar o aluno e, quando necessário, até lhe fornece a roupa que não tem para os frios invernais. A gratidão é momentânea. O apelo pela rua, pelas companhias mais velhas, pelo que se desconhece, é maior do que qualquer apelo sensível ou autoritário.

A culpa é da escola? Por não ser do século XXI?

Ou do falhanço social que a envolve, em que temos condições de vida e trabalho de acordo com o tal modelo de manchester, mas o fabril, exaltado pelos betos das padariasportuguesas?

São estas coisas que o sucesso verdascado não tem forma de remediar, a menos que o dêtê fique à porta de casa do petiz desde a matina com uma pulseira electrónica em punho.

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