Phosga-se! Série “Absolutamente Inaceitável”

Os tempos andam muito maus para o mais leve resquício de preocupação com a legalidade. Ou de mera decência. Isto é um exercício de controlo absolutamente inaceitável tanto para os visados quanto para o “agente” que é induzido a fazer algo que pode “parecer” lógico do ponto de vista do “registo”, mas é de um desrespeito atroz pelos direitos à imagem e à privacidade.

Numa escola perto de si, em especial se morar em Braga.

Autonomia E Flexibilidade Digital

Estive a ler um plano de trabalho semanal que contempla as seguintes modalidades de comunicação entre docentes e alunos, para realização das aulas e distribuição/entrega de tarefas.

Vou colocar por ordem alfabética, porque não percebi se existe ordem de prioridade ou se é cada disciplina seu sabor.

  • Escola Virtual
  • Google Classroom + Meet
  • Mail (gmail ou outro)
  • Moodle
  • WhatsApp
  • Zoom

Faltou a minha plataforma favorita, a Phosga-se!

(a minha proposta é que cada alun@/professor@ ande com uma espécie de hub em forma de garfo espetado na parte que lhe aprouver da sua anatom #Somos Confusão)

Phosga-se! – Série “Isto Vai Dar Uma Ganda Confusão!”

A intenção de boa parte do que vou publicando não é necessariamente apontar o dedo a quem decide estes métodos de trabalho, mas sim deixar claro que este é um período muito mais complicado do que o presencial, que exige muito mais em termos de planeamento e que quem acha que os professores querem é ficar em casa está muito enganado e a mais de um nível. E deixar igualmente claro que parte disto poderia ter sido evitado se tivesse sido preparado a tempo, a nível central, não se esperando que sejam apenas as “escolas” a desenrascar-se ou as autarquias a chegarem-se à frente, porque há muitas que não se chegam.

O mail seguinte retrata a situação de um agrupamento também da zona norte onde é notória a carência de equipamentos dos alunos e as dificuldades familiares no actual contexto. São 100 alunos a terem de continuar na escola, em regime presencial/misto (mais de 6% do total do agrupamento), mesmo depois da distribuição dos kits aos mais carenciados. Destaco ainda o facto (raro) dos critérios de avaliação para esta situação terem sido aprovados em Conselho Pedagógico e Conselho Geral.

Tenho outros exemplos, alguns deles disponíveis online, mas este é um retrato claro da complicação que se vai desenrolar a partir de dia 8. Poderia ter sido diferente? Podia, mas agora dizem que não interessa nada.

Seguem algumas informações referentes ao Ensino à Distância.
Ensino à Distância: este regime de ensino tem de ser muito, muito bem organizado.

A – Três cenários de aprendizagem no agrupamento:  

1 – ensino não presencial – alunos e professores trabalham a partir de casa. 
A mancha de horário dos alunos é aquela que ficou definida em setembro passado, embora se tenha procedido a algumas alterações pontuais. Nesse mesmo horário está definido as aulas síncronas (mínimo de 30 minutos) e assíncronas.  Os horários são para cumprir de acordo com as horas marcadas (horários enviados).
No 2.º e 3.º ciclos não há desfasamento de horário.

A partir do dia 8 de fevereiro os Professores das Atividades de Enriquecimento Curricular, Professores das Expressões no Pré-Escolar e Animadores do Pré-Escolar irão efetuar teletrabalho através da Plataforma + Saber.
Desta forma, através do acesso facultado anteriormente aos alunos, estes poderão interagir com os seus Professores e Animadores, bem como ter acesso a atividades diversificadas e lúdicas, solicita-se divulgação desta informação junto dos alunos e encarregados de educação.  

Pré-escolar: a regra é que cada educadora estipule com os EE o que é melhor para a família e para o educador; é da responsabilidade do educador identificar as crianças que não têm contacto. Tem de ter um plano de atividades semanal. De referir que os alunos que não têm recursos informáticos, devem ser contactados telefonicamente, no mínimo 1 vez por semana, com entrega do plano a cumprir.
 1.º Ciclo: Dado que a escola vai receber, aproximadamente, 50 alunos para realizarem o ensino à distância na escola, estabeleceu-se um horário por ano de escolaridade. Por exemplo, na próxima segunda-feira aula de Português síncrona e depois um tempo assíncrono, permitindo que o aluno realize as tarefas propostas com o apoio de um professor supervisor. No 3.º e 4.º anos a mancha letiva altera-se um pouco pois tem que se ter em conta a disciplina de Inglês. Cumprimento do horário enviado. O Apoio Educativo é realizado pelos professores supervisores.
2.º e 3.º Ciclos: Os professores e alunos cumprem o horário estabelecido. No 2.º ciclo não há Apoio ao Estudo. Os Apoios Educativos 2.º e 3.º ciclos – podem ser realizados, o professor responsável decide, juntamente com o DT, a sua pertinência.

2 – Ensino não presencial para os alunos sem recursos
O Office 365 vai ser o ponto de recolha das atividades a realizar por estes alunos, sem recursos informáticos. As tarefas devem ser só páginas do manual e anexar uma ficha em PDF, a disponibilizar até à sexta-feira, da semana anterior. Os alunos e/ou os EE vão buscar na segunda-feira, seguinte, a planificação semanal e as respetivas tarefas, que voltam a entregar no final da semana, para que o professor dê, posteriormente, o seu feedback. Não é permitido o uso de links, nem PowerPoint para este tipo de aluno. 
A ficha de atividades encontra-se no OFFICE 365.

3 – Ensino presencial/Regime Misto alunos em risco identificados pelos PTT/CT – aproximadamente 100 alunos: 3 do Pré-escolar; 50 do 1.º Ciclo; 47 do 2.º e 3.º Ciclos. Dado elevado número de alunos a logística não é fácil para ter estes alunos na escola e dar-lhes condições de estudo adequadas. Professores supervisores – Foram selecionados os colegas que têm menos horas letivas e mais tempos letivos de apoio e coadjuvação; no 1.º Ciclo, foram escolhidos os professores de Apoio Educativo. Neste momento a escola tem 5 espaços diferentes, por ano de escolaridade. A mancha destes alunos é o horário da turma. No 1.º Ciclo, a opção vai ser a começar às 9H00 e terminar às 13h, havendo algumas aulas de tarde.  

B – Quanto aos critérios de avaliação: no que respeita ao Ensino à Distância, relembro o que foi aprovado em CP e CG:
Com menos de 2/3 das aulas em Regime Presencial – aplicam-se os Critérios de Avaliação e as Ponderações dos diferentes períodos, usados no Regime Presencial; ressalva-se a situação das disciplinas eminentemente práticas, onde o domínio psicomotor tem uma ponderação elevada. Neste caso, a ponderação atribuída a este domínio será distribuída pelos domínios cognitivo e sócio afetivo, em função das decisões de cada disciplina. No que se refere aos Instrumentos de Avaliação, alguns deles, especificamente, utilizados no Ensino Presencial, podem ser suprimidos por questões relacionadas com a sua inexequibilidade no Regime Não Presencial. Nesta avaliação, perante a situação de excecionalidade que vivemos, os alunos não serão prejudicados pelo facto de não disporem de ferramentas adequadas e suficientes para realizarem as aprendizagens pedidas, bem como de não poderem usufruir de apoios educativos. 

C – Quanto aos testes presenciais que ficaram definidos no Plano de Ensino à Distância, nesta situação de confinamento, não se realizarão.
Assim, os professores devem adaptar/acrescentar/reforçar os instrumentos de avaliação (chamadas orais; realização de trabalhos; participação e empenho nas aulas; questionários, entre outros) de forma a cumprir o que foi definido nos Critérios e Instrumentos de Avaliação para o E@D. Devem ler o texto de apoio enviado.

Ficha de avaliação no OFFICE 365:. Quanto à tabela de registo a preencher semanalmente por todos os docentes é uma situação particular da semana (mera indicação de como o processo está a decorrer com aquele aluno); as avaliações particulares são para cada professor, com a aplicação dos instrumentos e critérios de avaliação que se encontram em vigor e estão disponíveis no site do Agrupamento. A tabela com as informações semanais não podem ser partilhada com os EE (documento interno). 
Esta avaliação refere-se ao desempenho do aluno (assiduidade, empenho, participação, trabalhos/tarefas, outros critérios)

D – Sumários

TODAS AS HORAS LETIVAS E NÃO LETIVAS (horário entregue em outubro), DEVEM TER SUMÁRIO.

Os sumários devem retratar o trabalho realizado, independentemente de ser apoio, coadjuvação, clubes, coordenações, entre outras.

Phosga-se! – A Justificação Definitiva Para Um E@D Com Réplica Síncrona A 100% Do Horário Presencial

“Os professores não estão em layoff, recebem os seus salários iguais.”

E pronto. Numa escola da Grande Lisboa, onde a covid anda a bater em força e não apenas nos pulmões. Aguardo desenvolvimentos, mas dizem-me que há um “certo e determinado medo” em questionar isto em próxima reunião de CP.

Acredito que “fará escola”. Até porque a Norte se adivinham situações semelhantes. E não tarda nada será argumento central dos conrarias, miguelitos, raposos, baldaias e outros assim.

Como se o E@D se esgotasse nas síncronas.

De quem tenho sinceramente mais pena? D@s alun@s.

Phosga-se! – Série “Os Novos Horários”

Começam a chegar exemplos dos novos horários E@D. Vai ser uma coisa linda de se ver se, pelo país, isto for assim. Acham que existe banda larga que aguente tanto trânsito? É que eu de manhã estava a ver nuns “apanhados” o actual ministro das Finanças a tentar fazer uma vídeo-conferência com o Parlamento Europeu e se nem pessoa tão importante consegue manter uma ligação funcional, como conseguirá o Joaquim Pincel e os seus alunos?

Mas não faltará quem ache que isto é mesmo possível.

Pelo Educare

(…) Se é inegável que o fecho das escolas é indesejável e que o ensino presencial se revelou bem mais eficaz do que todas as teorias futuristas de uma Educação Digital anunciaram, também parece algo exagerado apresentar esse fecho como uma catástrofe geracional, quando em apenas uma semana (de 18 a 24 de Janeiro) se registaram mais de 1600 óbitos causados directamente pela pandemia. A carga de dramatismo colocada na suspensão das actividades lectivas atingiu níveis hiperbólicos, com expressões como “a destruição do futuro de uma geração” ou variações em torno do sacrifício que é para as famílias ficarem com as crianças em casa por 15 dias.

5ª Feira – Dia 7

Já lá irei ao PM Costa e aos seus problemas de precoce alzheimer. Antes disso gostava de fazer mais um desabafo sobre a forma como uma geração de gente de escassos conhecimentos e uma superficialidade aterradora se julga no direito de amesquinhar o trabalho dos professores em todo o mais pqueno canto de desconhecimento que cultiva.

Ontem, o final do dia foi exemplificativo disso em dois momentos: o primeiro, numa formação sobre o Holocausto, fui obrigado a ouvir uma “diplomata” com idade para ser irmã mais nova de alunas minhas, a perorar sobre o modo como os professores devem ensinar esse tema, acredito que com boas intenções, mas com uma ignorância atroz sobre as práticas docentes e até sobre o próprio assunto, a acreditar pelas leituras que apresentou e citou. E o que mais custou foi ver gente ali a dizer que tudo estava a ser muito bom e estimulante e assim é que é, que a Escola isto, os professores aquilo, como se alguma coisa do que ali estava a ser dito fosse uma novidade imensa. A sério que me chocou porque, mesmo tendo passado a maioria dos últimos 30 anos no 2º ciclo, sei como os temas são abordados, pelo menos em História, por parte de quem não tirou o curso por correspondência ou na horizontal. E custa-me ver uma abordagem do mais superficial que imaginar se possa, quase nos limites do anedótico, passar por “lição” aos professores.

A segunda foi, já noite adentro, um programa no Porto Canal em que três senhoras de idade entre o jovem e o jovem adulto ou pouco mais discorriam, com ar de quem sabe, sobre como os direitos da comunidade LGBT+ são tratados nas escolas e como é difícil aos professores, por serem “velhos” e terem sido “educados na tradição judaico-cristã”, abordarem tal temática. E diziam isso com um ar de presunção e água benta que daria para baptizar toda a comunidade LGBT+ de São Francisco. Não quero colocar em causa as experiências que tiveram (não percebi se alguma delas era da comunidade ou se era apenas simpatizante ou activista externa), mas gostaria muito que as não generalizassem porque, por acaso, cá em casa a experiência que um casal de professores “velhos”, ela criada na tal tradição judaico-cristã e ele (eu!) criado na tradição comuno-cristã da margem sul, é completamente contrária, pois há alunos que só n@s professor@s encontram a possibilidade de partilhar as suas dúvidas e intgerrogações, sem o receio de serem anatemizados ou levantarem uma tempestade familiar. Ainda se as ditas meninas, senhoras, whatever, tivessem um olhar que fosse além dos chavões sobre o tema, poderia tentar ouvi-las sem me entediar, mas, infelizmente, pareciam saída da jota do Bloco e de um debate de finalistas do 1º ciclos de estudo bolonhês da Faculdade, tamanha a pobreza fransciscana do diálogo. MAs, claro, os professores é que são o problema. Sempre.