Fornicações

É quando o homem abre a boca que me desaparece completamente qualquer simpatia teórica pela sua posição e fico mais convencido da situação da descendência como mero reféns da “pancada” deste pai e da teimosia do ministro.

Porque o que podia ser a defesa de uma espécie de tolerância ou liberdade se revela apenas um enorme obscurantismo intolerante. Começa bem e depois não consegue resistir e espalha-se ao comprido.

Para quem afirmava que não queria fazer campanha mediática, mais valia ter respeitado a promessa e não exibir de forma tão evidente uma visão tão limitada da vida. Ou do que para ele será isso. Assim, só consegue fazer o ministro parecer razoável e tolerante.

Se tem o direito a ter esta opinião? Sim. Se tem direito a defendê-la? Sim. Se consigo sentir alguma simpatia por esta forma de vez as coisas. Phosga-se, não!

I, 19 de Julho de 2022

1992-93, 21 Horas Todo o Ano

Já não me lembro bem do total (não tenho aqui o registo biográfico), mas no fim deu uma perda de umas boas dezenas de dias de serviço. Primeiro ano a começar no grupo 200. Comecei as aulas, salvo erro, no dia 6 de Outubro, uma 3ª feira. O colega que se tinha apresentado na 6ª feira anterior teve direito às 22 horas e ao ano de serviço completo. Uma colega, que chegou mais tarde, de outro grupo (210, quando ainda as havia), mais fotogénica, passou de 12 para 22 horas, já na altura graças a apoios em Português (nenhum sobrou para mim). Uns anos depois, volto à mesma escola, mesma situação. Tive de dizer ao presidente do CD que até me podia colocar a tratar dos WC’s, mas que não voltassem a fazer a mesma “brincadeira”. Tive a 22ª hora a um par de dias do limite para contar o horário como completo que, à época, era o dia 15 de Dezembro, já depois de ter passado para uma abordagem mais “assertiva” do assunto.

O rol de injustiças vem de muito longe. Mas por isso mesmo não se justificam repetições, que só podem resultar de má fé, desleixo ou pura incompetência. Pior, quando tem chancela “superior”.

Uma professora com 24 anos de serviço não vai tornar-se efetiva no final do ano letivo por lhe faltar uma hora no contrato anual que tem com o Agrupamento de Escolas da Mealhada, contou hoje a própria à agência Lusa.

Agora Chamam-lhe “Supervisão Letiva”

Que se esclareça que não tem nada a ver com a add. É apenas um cp muito zeloso da cólidade do ensino. E parece que nem sequer é de agora, mas prática comum. Não sei como terá sido no período não-presencial, mas o que interessa isso agora? O que interessa é que a malta tem mais umas coisitas para fazer, não sabendo eu em que componente do horário entra e se depois o feedback é tipo “maia” ou se apenas é para para misturar e ficar tudo entre amigos. Ou não..

Date: terça, 26/04/2022 à(s) 21:55
Subject: Supervisão letiva em sala de aula – 3.º período
To: Professores <professores@***************>

Boa noite!

De acordo com o definido em reunião de Conselho Pedagógico, este ano letivo manter-se-á o modelo implementado nos anos letivos anteriores, mas, somente, no 3.º período. Assim, relembro que:

1. A supervisão pedagógica é efetuada pelos Coordenadores de Departamento.

2. Sem prejuízo do ponto anterior, o Coordenador de cada Departamento, pela especificidade da disciplina ou da didática, pode delegar competências nos Delegados de Disciplina e/ou Coordenadora de Estabelecimento.

3. O Coordenador de Departamento é supervisionado por um Delegado de Disciplina, à sua escolha, de entre os que constituem o seu Departamento, de acordo com a(s) disciplina(s) que leciona. No 1.º Ciclo, o Coordenador de Departamento é supervisionado pela Coordenadora de Estabelecimento.

4. A supervisão letiva em sala de aula ocorre, presencialmente, uma vez, neste período.

5. Os Coordenadores de Departamento deverão preencher, no mais curto espaço de tempo, a calendarização da supervisão (dia, mês, hora, docente), já partilhada na drive (documento em anexo).

6. Da Supervisão letiva em sala de aula será preenchido documento próprio, o qual será assinado pelos intervenientes no processo (documento em anexo).

7. No final do ano letivo, todos os “supervisores” se reunirão para analisar o processo de Supervisão, partilhar e refletir sobre a prática de cada um.

8. Sem prejuízo do estabelecido no ponto anterior, o Coordenador de Departamento deverá reunir com os seus Delegados uma vez por ano letivo, especificamente para analisar / refletir sobre o processo de Supervisão, sendo elaborado relatório com destaque para os pontos fracos e fortes evidenciados no processo.

Qualquer dúvida, disponham.

Continuação de boa semana

(como é óbvio, apaguei detalhes, mudei as propriedades e até o formato do ficheiro, originalmente em word)

Para O Anedotário Nacional

O surfista pouco prateado a ministro da Cultura. Resta saber se continuará com as verbas todas por meia comunicação social. E acumulará com o cargo de czar dos 50 anos do 25 de Abril ou se irão buscar alguém que, desta vez, perceba um pouco do assunto. Mesmo que seja um frete ao Bloco ou ao PCP para os apaziguar. Se vão ser quase 5 anos disto, mesmo depois do que já gramámos neste século XXI, considero pela primeira vez a possibilidade de emigrar para um qualquer país decente que, por comparação, até pode ser um daqueles em que os nossos “liberais” vão dar consultoria a regimes iliberais.

Correndo O Risco De Incorrer Na Fúria Dos Deuses Das Leis… 2

Ia orgasmando intelectualmente quando cheguei ao ad libitum até perceber que era apenas a versão extensa do corriqueiro ad lib e nada libidinoso. Não duvido que tudo esteja de acordo com as vírgulas reticências de todos os normativos, constituindo uma peça antológica da burrocracia escolar nacional. Se vivem num regime assim, lamento e percebo que queiram fugir mais depressa do que através da estrada de Lviv. Mas quer-me parecer que é mesmo isso que @ escriba deseja. Até porque é fácil perorar-se sobre a pontualidade e assiduidade alheias quando se tem a possibilidade de definir o próprio horário.

Obviamente, retirei desta “informação operacional” a identidade d@ autor@, porque ainda levo com mais alguma insinuação de processo por causa de qualquer coisa que não me lembro. A vitimização até já lá está nos meandros do “tratado”. E nem sequer ainda explorei bem se por aqui não andará nada que possa ser contestado ao abrigo da alínea b) do artigo 45º do C.P.A.

Percebe-se assim melhor ao que pode chegar a volúpia do poder sobre quem se detesta e se quer atingir na dignidade pessoal e profissional, ao abrigo de um legalismo e de um modelo de gestão escolar que se diz querer combater.

Está-se aqui a perder um@ grande director@-geral é o que é.

Correndo O Risco De Incorrer Na Fúria Dos Deuses Das Leis…

… arrisco a publicação desta comunicação enviada aos ex-pares, por um primus inter pares que se distingue pela forma elevada como trata estes assuntos e considera que no momento do toque o professor deve estar de relógio em punho à porta da sala de aula. Nada como dar poder a quem tem contas por ajustar e muita vitimização para exibir. A verborreia é o que é, nem valendo a pena adjectivá-la, só sendo ultrapassada no pretensiosismo pelos maneirismos bacocos e por um paternalismo em matéria de “profissionalismo” que desperta um amarelo sorriso. A crítica a quem redigiu o Regulamento Interno nem sequer é disfarçada. Agora imaginem que o poder não é delegado, mas passa mesmo a ser próprio… nem os intervalos seriam permitidos aos professores… tudo em nome da Lei! Enegreci apenas as partes “legais” mais “negras”. E acreditem que há outra documentação bem mais “rigorosa” do que esta, incluindo as mais draconianas interpretações do que é um “102” ou mesmo uma “urgência médica” que possam imaginar. É esta a “nova” geração de proto-lideranças que resolveram claramente mal um passado incompleto.

Para: Docentes (…)

Cc: Conselho Geral; Conselho Pedagógico; Presidente do Conselho Geral

NOTA IMPORTANTE: OS COORDENADORES DE DEPARTAMENTO DEVEM REMETER ESTA INFORMAÇÃO A TODOS OS DOCENTES DOS SEUS DEPARTAMENTOS (COM cc. a subdiretor@********.edu.pt) E DEVE SER DEBATIDA EM TODOS OS DEPARTAMENTOS NA 1ª REUNIÃO POSSÍVEL (PODENDO SER-ME REMETIDAS AS OBSERVAÇÕES PRODUZIDAS QUE SERÃO TODAS RESPONDIDAS)

Ex.mos/as Senhores/as Professores/as e Educadores/as,

Lamenta-se, mais uma vez, ter de voltar a estes assuntos.

É muito desagradável ter de repetir estas mesmas observações que já antes foram feitas várias vezes.

Algumas vozes [sic]

Mas atitudes de pseudoresistência passiva, coordenada contra o que não admite grandes dúvidas em matéria de deveres profissionais, não vão demover-me de salientar o que parece correto e que, aliás, resulta da Lei e não de mera opinião.

  1. Sobre os problemas de justificação de faltas reencaminha-se a informação produzida em Novembro e que continua a ser ignorada por alguns/mas professores/as e educadores/as.
  2. Tem havido uma atitude pedagógica e dialogante, de quem tem a incumbência de aceitar justificações de faltas, para promover a conformidade às regras de base legal, mas, esgotando-se essa via, restará o caminho de injustificar faltas sem hipótese de correção, o que será evidentemente verberado então como sinal de tirania e abuso quando, na verdade, é apenas fazer cumprir regras, que se difundiram e relembraram largamente e explicaram exaustivamente, mas, mesmo assim, andam a ser displicentemente ignoradas.
  3. No domínio da pontualidade, constata-se que na EB23 se mantém o hábito de um elevado número de professores/as considerar que o toque da campainha é o sinal para iniciar a marcha até à sala de aula.
  • Na verdade, é o sinal para iniciar a aula e sinaliza o momento em que se pode começar a marcar falta aos alunos por atraso (salvo nos 1º tempos).
  • Se o toque marca o início do atraso do aluno, para este ser “objetivamente verificável”, o professor tem de estar na sala de aula para o poder verificar pessoalmente.
  • Cita-se abaixo o regulamento interno vigente. (Sem deixar de fazer a nota linguística de que é fascinante, pelo que significa simbolicamente, de se referir na sua redação a palavra “atraso”, que é gramaticalmente um nome, com o contraditório adjetivo “pontual”, para significar realmente “ocasional”, para além do uso dúbio de conceitos gerais e indeterminados).
  • Salienta-se que, apesar de haver tolerâncias aos primeiros tempos para os alunos, não há para os professores (o que talvez deva justificar revisão futura desta norma).

Espero sinceramente não ter de me voltar a debruçar sobre este assunto nestes moldes o que significará que houve considerável melhoria do nosso funcionamento.

Com os melhores cumprimentos,

(…)

subdiretor do agrupamento (no uso de competência delegada)

Extrato do regulamento interno Artigo 226.º – Falta de pontualidade

1. Aos alunos é tolerado o atraso pontual e justificado de dez minutos no início do turno da manhã e no da tarde, se for este o início das aulas do dia. Nos restantes tempos, a falta de pontualidade é justificada somente por motivos objetivamente verificáveis.

2. Verificando-se a chegada do aluno à aula após o período de tolerância, sem justificação plausível ou atendível, o professor deve marcar uma falta de pontualidade no registo próprio.

3. Atingidas três faltas de pontualidade, nas circunstâncias mencionadas no número anterior, cabe ao professor fazer a sua conversão numa falta de presença, com os correspondentes efeitos legais para esta previstos, informando, de imediato, o Diretor de Turma desse facto.

4. Sempre que o Diretor de Turma receba informação nos termos do número anterior deve, no mais curto espaço de tempo, dar conta dessa situação ao Encarregado de Educação.

Inconseguimentos Digitais

Turma em sala de informática, pelo meio dos pingos da chuva das aulas de TIC, para preenchimento online de guiões de leitura e entrega via Classroom. Ao fim de 4 semanas (com 4 aulas na dita sala, para quem diz que em casa não sabem não pode, não consegue, não coiso) continuam 30-35% das tarefas por cumprir, mesmo depois de todas explicadinhas e demonstradas.

Principais razões para o incumprimento.

Semana 1 – não sei da palavra-passe.

Semana 2 – achei a palavra-passe mas deixei em casa.

Semana 3 – trouxe a palavra, mas não dá, stor, está errada.

Semana 4 – o que é que era para fazer?

(por questões de privacidade do grupo, vou omitir por aqui o feedback dado ao longo das semanas e a forma como progressivamente se tornou mais “assertivo”, mas em simultâneo desanimado com as competências digitais pretensamente “inatas” das novas gerações que, no fundo, se resumem a clicar em ícones e mandar memorizar todas as palavras-passe, em todos os sites, apps e zingarelhos)