Mas Há Quem Insista No Contrário…

… e use mesmo isso para denegrir os professores, quando os alunos são os primeiros a reconhecer o contrário.

Do “Country Note” para Portugal do PISA 2018, só sendo pena que esteja em letras pequenas, pois merecia que fosse esfregado, com o devido respeito pela linguagem, nas ventas de uma série de gente que por anda aí a papaguear banalidades falsas, enquanto se dá ares de pavão (ou pavoa) do regime porque leu uns livros ali há 25 anos e nunca mais desencalhou.

Claro que poderia escreve os nomes, mas vocês, ao fim deste tempo, sabem bem de quem estou a falar até porque aparecem muito nas fotos do twitter e em eventos com muita cobertura. Ou que acham que precisamos de muita “formação” para o “século XXI”.

PISA2018AlunosProfes

Da Evidência

Muito do que se tem feito na Educação tem sido à custa da capacidade de adaptação e flexibilidade dos profissionais, dos alunos e dos encarregados de educação. Fala-se muito de mudança do paradigma educativo, e discute-se até o sistema não permitir a retenção dos alunos. Ora, a realidade que conhecemos é a dos professores, mesmo com a possibilidade de chumbarem os alunos, fazerem o pino para que isso não aconteça. Portanto, não é necessário tomar decisões por decreto. E, já agora, qual será a intenção de ser por decreto?

exclama

Pelo Educare

As Guerras do PISA & Manjerona

Esta foi semana de divulgação dos resultados do PISA 2018 e nesta altura, mesmo entre os que publicamente desdenham de rankings, testes e comparações internacionais, há sempre uma dose acrescida de excitação para se tentar perceber quem pode reclamar louros ou a quem se podem apontar dedos acusadores pelos resultados que deveriam ser dos alunos. Como se em períodos de três anos fosse possível fazer o exame rigoroso de políticas que devem ser perspectivadas na longa duração.

pg contradit

O PISA Às Vezes É Como Os Interruptores

Mas dos antigos, nada destes que agora andam às rodinhas. Ora estão a ir para cima, ora estão a descer. Claro que haverá quem diga agora que não interessa nada, mas interessa, em especial quando se analisam as tendências.

Assim como os discursos catastrofistas que clamam por mudanças de paradigma são capazes de carecer de alguma sustentação empírica.

Já agora… mudaram governantes, mudaram políticas, mudaram currículo, mudaram programas, até os alunos mudaram. Os professores são a principal invariável no meio disto tudo. Mais velhos. Mas, apesar disso… parece que…

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Como Não Sou Especialista, Acho Que Se Deveriam Combater As Desigualdades Socio-Económicas Antes de Achar Que O Sucesso Se Consegue Por Milagre Pedagógico À Base de Puffs E Zingarelhos

Até pode funcionar como excepção, mas como regra, as sociedades menos desiguais dispensam uma série de estratégias preventivas, remediativas ou etc.

Desigualdades económicas continuam a limitar sucesso dos alunos

PobrePortugal

Os Resultados Dão Para De Tudo Um Pouco

Curiosamente, parece que os resultados desceram em especial onde não havia provas…

PISA 2018: Desempenho dos alunos cai a ciências e mantém-se a matemática e leitura

Alunos portugueses pioram a leitura e a ciências, mas mantêm-se acima da média da OCDE

Alunos portugueses são os únicos da OCDE a melhorar o desempenho na última década

Apenas sete dos 79 sistemas educativos analisados no PISA tiveram melhorias significativas durante toda a sua participação no estudo internacional. Portugal é o único país da OCDE a registar uma trajetória de evolução positiva.

Confusos?
Não fiquem… todos vão reclamar o sucesso como seu e apontar os dedos aos outros por coisas como:

Avaliação da OCDE: estudantes pobres estão mais longe dos ricos

Mais de um quarto dos alunos portugueses falta à escola

Grafico

As (Pré) Guerras Do PISA E A “Geração De 2003”

Penso que ao contrário da maioria do pessoal que (desde hoje!) escreve(rá) sobre os resultados do PISA 2018, eu sou encarregado de educação exactamente de uma petiza que nasceu em 2003 e apanhou com toda a tralhada com que mimosearam os alunos do Ensino Básico durante vários mandatos, incluindo as famosas “provas finais” do ministro Nuno Crato (mas também já apanhara revisões de programas no 1º ciclo das suas antecessoras). Assim como, desde o início do ano lectivo de 2015-16 apanhou com toda a retórica “anti-exames” e afins dos pedagogos da geringonça. E com ela, quem fez cá os testes PISA no início de 2018 já levou também com mais de 2 anos de governo do PS na Educação e a torrente do discurso verdascado em prol do sucesso a todo o gás,

Se são uma espécie de exame às políticas dest@ ou aquel@ ministr@? Seria bom que assim fosse e que isso se estendesse a todos os PISA e se fizesse a devida contextualização do trajecto do alunos que os fizeram em outros anos ou os venham a fazer em 2021, sem nada de peculiar na selecção das amostras (como parece ter acontecido em 2009). Porque precisamos que exista uma responsabilização pelo trabalho feito para além de se recolherem os louros quando corre bem e se sacudir a água do capote quando corre assim-assim ou nem tanto assim. Mas duvido que seja isso que venha a estar em causa, mas mais uma série de dedos a apontar para aqui e ali com muito oportunismo político e escassa mais-valia analítica.

A verdade é que desde 2000 os resultados dos alunos portugueses têm revelado uma melhoria consolidada. Mas isso não permite estabelecer relações de causalidade com medidas que não se relacionam com o que é examinado no PISA. Por exemplo, o encerramento de escolas do 1º ciclo tem alguma relação com o desempenho de alunos que nem sequer sejam dessas zonas? Ou as mudanças em programas de disciplinas que não foram as “examinadas” devem ser tidas em conta? E há mais “variáveis” que se andam a querer apresentar como relevantes quando dificilmente terão relações de causalidade.

A mim, sei lá porquê, quer-me parecer que andará a ser preparada uma enorme operação de spin e basta olhar para o programa de festas para se perceber que hoje já andaram lebres a saltar pelos campos. Resta saber se ainda levam chumbada nos lombos.

PISA will be published at 09.00 a.m. Paris time/CET (08.00 a.m. GMT) on Tuesday 3 December 2019.

OECD Secretary-General Angel Gurría will launch the report at an event at OECD headquarters, at 09.00 a.m. local time on Tuesday 3 December – full details below.

On Monday 2 December, news briefings will be held under embargo in (all local times):

Tuesday 3 December

To obtain an embargo copy of the report and country notes, journalists should contact embargo@oecd.org. Embargoed copies of the reports, together with country notes, will be issued 24 hours before the launch, in the morning Paris-time of 2 December.

Já agora, é curioso como muita gente que é contra “exames”, depois se queira agarrar aos PISA se lhes cheira que dá jeito.

PISA

Previsões Do Dia Antes

É estranho que se pré-comentem os resultados de algo que só sai amanhã, como se estivesse a ser feita um prognóstico no final de um jogo que não acabou para todos.

Há aqui algo esquisito, porque me parece que estão a ser misturadas muitas coisas numa só, dando a entender que estão em “exame” apenas umas políticas e não outras. Mas depois conclui-se afirmando o contrário.

Como é óbvio, a autora do artigo já sabe os resultados e eu, assim sendo, tenho quase a certeza que todos os poderemos adivinhar.

Amanhã será publicado o resumo do desempenho dos alunos na edição de 2018, e por tal importa compreender quem são os alunos que foram convidados a fazer este teste, para assim podermos compreender que políticas podem ter tido efeito no desempenho destes jovens.

As regras estabelecidas pela OCDE obrigam a que apenas alunos com 15 anos que frequentem o sistema de ensino pelo menos no terceiro ciclo possam ser selecionados para este teste. Assim, ficam de fora todos os que já tiverem abandonado ou que estejam mais atrasados no sistema.

Estes alunos nasceram em 2003 e iniciaram o primeiro ciclo em 2009, em 2018 os que nunca chumbaram estavam no 10.º ano ou similar.

Quando iniciaram a escola era ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues, que tinha desenvolvido a escola a tempo inteiro, encerrado escolas pequenas dispersas pelo país, introduzido as atividades extracurriculares e tinha zangado muito os professores ao tentar implementar um sistema de avaliação. Um mês após o início das aulas, novo governo era eleito e a sua sucessora, Isabel Alçada, dedicou-se a acalmar os professores e teve como medida mais icónica um célebre vídeo em que tratava os meninos como pequenininhos.

Depois, em 2011, veio Nuno Crato, com a introdução de exames no 4.º e 6.º anos e a revisão curricular a ancorar-se em teoria e focada na importância das aprendizagens, mais conteúdos, mais avaliação. Eram os anos da crise, cortes orçamentais em toda a linha do serviço público. Escolas descapitalizadas e professores a receber menos. Cortes no número de funcionários, alargamento do número máximo de alunos por turma e encerramento de disciplinas como área projeto ou estudo acompanhado. Os nossos alunos PISA estavam então no segundo ano de escolaridade.

(…)

Se os resultados do PISA 2018 forem bons, ou seja, se os alunos portugueses mantiverem ou subirem, temos de concluir que fazer muitos exames e aprender num sistema virado para os resultados foi uma boa experiência, e colocou alunos portugueses numa linha competitiva com os seus pares. Se os resultados forem fracos, então o governo atual tem argumentos para dizer que muitos exames, e programas de conteúdos ambiciosos, devem ser repensados. O atual governo verá o seu programa educativo parcialmente avaliado em 2021. Os resultados das políticas de educação devem ser interpretados olhando para percursos longos de aprendizagem. Com ciclos governamentais de quatro anos não é possível avaliar políticas enquanto o governo que as lançou está no poder.

Bola de cristal

Para Uma Crítica Da Estratégia OCDE, Versão Schleicher

PISA vs. PISA: What Works May Hurt

(…)

The problems with PISA’s evidence-based recommendations arise from neglecting or simply ignoring the side effects. Side effects in education happen for a number of reasons. First, education has multiple goals, but the effects of an education intervention can be different on different goals. A policy or practice that is effective in accomplishing one goal can impede the realization of other goals. In the case of PISA, even if the factors that make an education system successful in achieving high test scores could be identified with precision, it is perfectly possible that they might hurt student well-being. Until 2015, PISA identified successful education systems based on student performance on its assessment. East Asian education systems, for example, have been found to be effective in producing excellent performances in tests and hurting students’ social emotional, psychological, and physical well-being, resulting in less life satisfaction, less positive attitude, and lower-levels of confidence.

Second, policies and practices that benefit some students can hurt others due to individual characteristics. Outcomes of treatments are always the results of interactions between characteristics of the treatment and of the individual or aptitude-treatment interaction (Cronbach, 1957; Cronbach & Snow, 1981). This is evidenced by the inconsistent finding about the effect of the quality of teachers in PISA because different qualities of teachers can have different effects on different students. The fact that PISA has found inconsistent impact of class sizes or long studying hours can be due to the possibility that small classes or long studying hours benefit some students but affect others negatively.

Third, policies and practices that work well in one context may cause harm in others. The unintended consequences of borrowing policies in education reform are well documented and evidenced (Harris & Jones, 2015). In the PISA case, this explains why some countries, actually only a very small number, have seen rapid improvements after adopting policies endorsed by PISA, while many others have not seen improvement. The countries performing less well after adopting PISA strategies tend not to be in the international limelight, and the side effects, or negative effects, of policy interference are less well known.

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(versão mais longa aqui)