A Ler

Pior do que a facção “beata” do PS na Educação é a d@s bloquinh@s pespinetas, que eu não tenho alguns pruridos que o Nabais achou por bem subscrever. Eu afirmo sem problemas que a ignorância académica vai a par da arrogância política, não tendo idade. Pena é que logo em tenra idade se afirmem tantas certezas que, para além de idiotas, carecem de suficiente fundamentação e contextualização. No limite, esta postura woke tuga levaria ao apagamento dos programas de imensa parte dos conteúdos -a começar pela Filosofia, mas estendendo-se mesmo às Ciências – porque há 2500 ou 1500 ou 500 anos o “politicamente correcto” era outro.

Nada contra a “liberdade de expressão” e de “opinião”, tudo contra a patacoada atamancada em cima de preconceitos que, lá por serem agora dominantes não deixam de o ser. Há 100 anos, por exemplo, defender a “ditadura” como regime mais eficaz do que a democracia estava bastante na moda, mas não era por isso que a estratégia de reescrever a História ou truncar os factos era válida.

No caso da História, aguardo a investida para apagar todos os conteúdos anteriores ao nascimento de Karl Marx e à depuração dos que aconteceram entre 5 de Maio de 1818 e 24 de Março de 1999.

Da literatura à politiquice

Leituras Que Me Ocorrem Sempre Que Vem Uma Nova Vaga De Críticas Aos Manuais De História

Como se algures não se ensinasse também a “sua” História antes da dos outros. Por vezes, nem mesmo essa. As referências não são sempre as mais recentes, porque esta é uma velha “guerra”. E olhem que nem é por eu ser o maior fã de muitos manuais que tivemos ou temos por aí. A questão é que o ensino da História parte sempre de um olhar localizado e nunca existe uma História perfeita em nenhum manual. Por todo o mundo, o assunto é polémico, com exclusões, manipulações, instrumentalizações e tudo o mais. Por cá, ciclicamente voltamos ao tema, sendo que na maior parte dos casos a critica aos enviesamentos, vem ela própria carregada de preconceitos. Porque há “perspectivas” que condicionam muito as “investigações” quando optam por ignorar que há “centrismos” a partir de mais de um centro. Ora, desse tipo de “boas intenções”, estou farto. A História (no currículo, nos programas, nos manuais) está cercada e truncada, mas não é porque se destaca o papel de “descobridor” do Vasco da Gama, pois já sabemos que a Índia já lá estava e não é isso que está em causa. Todas as mitologias nacionais têm os seus heróis, a sua selecção de conteúdos; a questão está em saber até que ponto vai o condicionamento ideológico do ensino da disciplina, seja em que sentido e contexto for.

China’s Textbooks Twist and Omit History

Examining the Japanese History Textbook Controversies

Japan’s ‘nationalist’ school books teach a different view of history

The History Textbook Controversy in Japan and South Korea

Learning history through textbooks: Are Mexican and Spanish students taught the same story?

What the Textbooks Have To Say About the Conquest of Mexico: Some Suggestions for Questions to Ask of the Evidence

Teaching violence, drug trafficking and armed conflict in Colombian schools: Are history textbooks deficient?

Slavery in Secondary History Textbooks from the United States and Brazil

Banal Race‐thinking: Ties of blood, Canadian history textbooks and ethnic nationalism

Why Indian history textbooks are in absolute and urgent need of revision

Textbooks, Nationalism and History Writing in India and Pakistan

Nationalism of History Education: A Perspective on Indonesian History Text Books

Egypt strikes two revolutions from history textbooks

Nation-Building in Kenyan Secondary School Textbooks

The way history is taught in South Africa is ahistorical – and that’s a problem

Colonized Curriculum: Racializing Discourses of Africa and Africans in Dutch Primary School History Textbooks

Mas há muito mais. Entretanto, uma interessante perspectiva mais global:

History Textbook Writing in Post-conflict Societies: From Battlefield to Site and Means of Conflict Transformation

Leituras interessantes (incluindo críticas) acerca da construção de um Afrocentrismo no ensino da História: aqui, aqui e aqui.

Take 2

Eu já termino isto, que amanhã tenho 7 horas de aulas, de 3 disciplinas diferentes, e não me pagam para ficar sentado. Falta completar que o Luís Sottomaior Braga me enviou, como já escrevi, hoje um mail com o seguinte conteúdo:

Ex.mo Senhor Responsável pelo Blogue O meu quintal

Doutor Paulo Guinote,

Junto envio, para conhecimento, texto que hoje foi enviado pelo Diretor do meu agrupamento a todos os professores.

Com os mais respeitosos cumprimentos,

Luís Sottomaior Braga

Professor do grupo 200 (do agrupamento da Abelheira)

O Luís não assumiu o seu cargo de subdirector no agrupamento (que exerce desde o início do ano lectivo) e não compreendo bem porque não foi o próprio director, que assina os documentos, a prestar esclarecimentos. Julgo que isto terá a ver com qualquer questão protocolar, do tipo “profe para profe”, pois eu não tenho cargo equivalente para se me dirigirem nessa condição.

Primeiro problema: o texto que me foi enviado vem com a data, a hora e todos os destinatários, sendo que se a maioria está agrupada no mail geral dos docentesagea, uma série de colegas surgem identificados pelo nome e pelo mail que, mesmo sendo institucional, ele sabe que não deve partilhar com elementos estranhos sem pedir autorização aos ditos colegas.

Segundo problema: em anexo, vem o texto que eu já tinha, incluindo (de novo) a identidade e mails dos destinatários, no que é outra falha evidente na protecção da identidade de tod@s @s envolvid@s. Como é mais do que óbvio, transcrevo apenas o texto que, por ser acto administrativo ou equivalente, pode ser considerado de domínio público.

E esgoto aqui o meu tempo de antena para as contraditas do Luís, porque eu não tenho cadeirão em gabinete para gastar nestas bizantinices e muito menos a defender-me das acusações descabeladas que alguém escreveu e alguém assinou. Desta vez não fiz qualquer destaque. O que existe é do original. Leiam e digam-me se isto é de quem defende a “justiça” no contexto de um modelo iníquo. A mim, dá-me vontade de rir, mas lamento por quem tenha de aturar este tipo de coisa. Desculpem se gralhei alguma coisa, mas estou com o nariz entupido e tenho de dar-lhe no nasex.

Assunto: ADD – documento remetido aos avaliadores relativo a fundamentação Ex.mos/as Senhores/as Educadores/as e Professores/as

Em anexo, envia-se a todos os docentes (potencialmente todos/as avaliados/as ou avaliadores/as) um documento remetido, há dias, aos avaliadores/a e membros da SADD relativo à necessidade de fundamentação da avaliação de desempenho.
Crê-se que este documento é de interesse de todos/as os/as docentes envolvidos/as no processo de ADD porque precisa uma informação aos avaliadores/as que beneficia a qualidade do processo e as garantias dos avaliados/as (e, mais ainda, a segurança jurídica do processo).
O dever de fundamentar os atos que “neguem, extingam, restrinjam ou afetem por qualquer modo direitos ou interesses legalmente protegidos, ou imponham ou agravem deveres, encargos, ónus, sujeições ou sanções” resulta da alínea a) do nº 1 do artigo 152º do Código do Procedimento Administrativo.
Sendo a ADD um procedimento administrativo, rege-se por esse código, além das restantes normas, muitas delas, meros regulamentos sempre subordinados à Lei.
Os resultados da ADD afetam “direitos ou interesses legalmente protegidos”, entre outros, o direito à carreira, o acesso a funções públicas, à remuneração e até à própria equidade interna do processo (dado que o legislador definiu expressamente a avaliação, ela própria, como direito).
Assim, tem de ser, obviamente, bem, e especialmente, fundamentados os resultados que gerem avaliações prejudiciais (Ex: abaixo do nível dito suficiente, isto é, bom), facto que geralmente não suscita dúvidas
.
Mas também, e isto é generalizadamente esquecido, as que gerem avaliações mais elevadas que resultem em que, outros, que as tenham mais baixas, sejam excluídos da quota disponível para muito bons e excelentes. 
Se, tendo um nível de avaliação, mesmo de muito bom e excelente, alguém ficar excluído da quota e descer para a menção de bom tem, obviamente os seus direitos afetados. Além, de ter direito de reclamar da sua própria avaliação individual (que será alta e, por isso, sempre de difícil escrutínio) tem o direito de acesso e de escrutínio sobre a avaliação dos restantes, cuja avaliação, por terem sido avaliados com valores mais altos, é a causa da sua não inclusão na quota e descida de menção.
A ADD de cada um inclui 2 procedimentos conexos: a avaliação individual (1) e a ponderação das várias avaliações para inclusão ou não na quota (2).A fundamentação do 2 é a agregação dos resultados do 1.
Assim, a correta e sólida fundamentação do 1, em especial dos casos em que os valores altos excluem outros no processo 2 (mesmo com valores altos, mas não suficientemente altos) é essencial e é escrutinável por reclamantes.
Isso foi lembrado aos avaliadores, no documento anexo, e recorda-se, agora, a todos os docentes por ser do seu interesse.
O texto anexo já foi divulgado em redes sociais e blogues, mas objeto de publicação apenas parcial, tendo sido truncadas, manipuladas com sublinhados e ocultadas partes essenciais à sua compreensão e devida contextualização.
Quem ler o texto original e comparar com as citações e comentários que dele foram feitos, percebe instantaneamente que, em alguns locais de divulgação, foi distorcido e manipulado. 

O dever de fundamentação sustenta um direito dos que são avaliados e, por isso, é do interesse geral insistir nele.

Em algumas publicações refere-se que nelas não se identifica, nem o autor do texto, nem o agrupamento, porque a fonte o pediu, porque “terá receio de represálias.” Considera-se que essa visão constitui ela própria uma distorção bastante ofensiva.
Teve a virtude, contudo, de sinalizar que era útil remeter o texto integral a todos os professores, dado que a defesa da solidez da fundamentação dos processos de ADD, que resultam em exclusões, é de interesse geral. 
O texto não é secreto, nem confidencial e é autoexplicativo na sua indicação de que os avaliadores fundamentem bem a avaliação que produzem num determinado domínio específico. 
Por isso, se publica aqui, para que, transparentemente, em vez de ser comentado parcialmente e distorcendo-o, o possam analisar na sua totalidade e dele possam tomar conhecimento pela utilidade patente do que nele se refere.
A informação é remetida a todos os professores/as do agrupamento e deverá ser agendado, a cargo dos respetivos coordenadores, um debate sobre o tema nos órgãos de gestão (Departamentos e Conselho Pedagógico) onde será, como é habitual, neste agrupamento, debatido, em total liberdade e com possibilidade de se manifestar toda a dissidência fundamentada face ao seu teor.
Naturalmente, que o conteúdo e implicações do texto se mantêm vigentes (até porque se trata de uma lembrança do regime legal) e as reafirmo na sua totalidade.

Com os melhores cumprimentos,
O diretor do agrupamento
José Carlos Maciel Pires de Lima

Intermezzo

A legislação relativa à add é uma espécie de frankenstein resultante de diversos simplex nos tempos da senhora reitora e do ministro Crato. Não me apetece, nem julgo necessário ou útil, relembrar como desde os primeiros tempos estive contra este modelo (fica aqui apenas a notícia, quase com 13 anos, de algo que os velhos leitores do Umbigo recordarão) e bem ou mal até sugeri alternativas, ainda em 2008, na revista ops!, ligada à candidatura presidencial de Manuel Alegre.

Desde então, no que posso, tenho recusado alinhar com o modelo (poupo-vos a detalhes que foram ficando em pequenos textos ao longo dos anos) e a apoiar colegas em recurso e reclamações, logo por 2013-14 (quando se pensava que de nada poderia servir) e em especial depois do descongelamento. Acho o modelo errado, acho que deve ser substituído (e como disse, apresentei ideias, nem sequer muito populares ou populista) e que cada remendo é apenas mais um enxerto em má árvore que dá péssimos frutos. No entanto, acho que devem ser usadas todas as imperfeições ou oportunidades da lei para ajudar os colegas a escapar ao garrote das quotas no 2, 4º ou 6º escalões. E há testemunhas disso e o próprio L. S. Braga sabe de detalhes, pois os partilhei em conversas privadas entre bloggers. Detesto a lei, não a quero aperfeiçoar, não acho que seja possível torná-la “justa” com pretensões de hiper-objectividade, seja através de indicadores impraticáveis de tão detalhados, seja de intervenções externas na base do “acho que está claro que”. Claro que não me apetece colocar publicamente alguns dos aspectos da lei que são mais vulneráveis, até porque já sei no que isso daria.

O processo está descrito em diversos diplomas (decreto-lei n.º 41/2012 de 21 de fevereiro; decreto regulamentar n.º 26/2012 de 21 de fevereiro; despacho n.º 12567/2012, de 26 de setembro; despacho n.º 13981/2012, de 26 de outubro e despacho 4272-A/2021 de 27 de abril, pelo menos) e sucessivas notas informativas da dgae, publicadas desde 2020. É uma treta, destina-se apenas a afunilar a progressão, mas ao menos que usemos essa tralha toda em defesa dos colegas e é a isso que chamo “justiça”. Não a pretender que sei mais do que os outros e que devo ser eu a dizer que este ou aquele está a avaliar mal, a menos que seja em sede de recurso ou reclamação. E vou-vos poupar a detalhes, porque já vos ouço ressonar, as apenas quero explicitar que os avaliados e avaliadores só estão obrigados ao que a lei prevê e não a caprichos pessoais ou “conhecimentos experienciais”, que esses temo-los tod@s. E há procedimentos que não incluem considerações vagas acerca do que se acha serem considerações vagas. Ou há indicadores/descritores/parâmetros que permitem a quantificação da avaliação ou não existem. Se não existem a culpa é do CP e da sua sadd e, em primeira e última instância, do seu presidente.

Ao longo da noite de sábado, sem se identificar como autor, coautor, inspirador ou conhecedor em primeira mão do documento do post anterior, o L. S. Braga defendeu-o, partilhando um dilema ético em dezenas de grupos no fbook. Respondi-lhe no meu mural, no dele, num de que fomos membros fundadores (o da ILC) e no dos Professores de História (que somos ambos e onde tenho muitos colegas conhecidos e amigos). E cansei-me e aqui não vou repetir tudo o que escrevi, pois o cálice de Calvados está a descer e a ficar menos morninho. Apenas apresentarei o take 2, assim ganhe fôlego nos dedos.

Adenda explicativa: Despacho 11558/2021, de 23 de Novembro.

Take 1

A publicação deste post no sábado despertou alguma polémica e teve hoje desenvolvimentos de que devo dar notícia ao estimado auditório, para meu especial prazer e divertimento, porque nada como deixar alfinetes no ar e esperar pelos almofadinhas.

Recapitulemos os factos:

Na 6ª feira recebi, por mão amiga, como soi dizer-se nas prosas d’antanho, um mail de um director de um agrupamento deste belo país sobre a necessidade dos avaliadores internos fundamentarem classificações que o dito director e presidente de sadd pudesse considerar excessivas na dimensão relativa à participação na vida escolar. A prosa vinha embrulhada naquele palavreado que lembra um preâmbulo de despacho ou decreto do MÉ, mas o que considerei absurdo era uma exigência ausente da lei em vigor, a menos que tivessem sido definidos previamente em CP descritores ou indicadores para a quantificação do desempenho e que, de algum modo, os avaliadores estivessem obrigados a cumprir e pudessem não ter cumprido. Sem esse tipo de documento, o processo de avaliação tem muito de subjectivo, holístico, chamem-lhe o que quiserem, mas inviabiliza – muito menos a quem esteve por fora do processo individual – que um presidente de sadd pressione os avaliadores para atribuírem as classificações que julga adequadas.

A fonte pediu para não publicar o texto todo e mesmo o excerto que seleccionei foi considerado arriscado e de molde a que o autor (de facto ou de assinatura) o reconhecesse e pudesse criar problemas a quem tinha sido dirigido e assim ficava na suspeita de o ter divulgado, mesmo sendo documento de acesso público. Esta matéria já tinha sido objecto de conversa minha com outra pessoa do mesmo agrupamento e teve confirmações posteriores a validar a sua veracidade.

A publicação foi assim feita, no sábado, apenas do excerto que achei mais curioso (fundamentar as classificações acima de “suficiente”), retirando qualquer elemento identificativo.

Eis que, em especial no fbook, o colega Luís Sottomaior Braga surgiu em prosas e comentários inflamados a requerer que eu publicasse na íntegra o documento, nunca respondendo à questão que repeti acerca do motivo que o levava a fazer tal pedido, até porque o documento não tinha a sua assinatura e um subdirector não tem funções em matéria de add, a menos que seja por delegação de competências do director, mas nesse caso deverá assinar “p’lo director”. Recusei-me a fazê-lo, porque aqui não se anda com arreata e chicote.

Até que hoje, o dito Luís Sottomaior Braga me envia (o gmail diz-me que às 17.25) o documento completo que eu já tinha (agora acompanhado de uma comunicação mais recente a toda a comunidade escolar, mas não de qualquer documento relativo a descritores de desempenho), que então passo a transcrever (os destaques são meus, claro), para que tenhamos todos o prazer de o ler na íntegra, prometendo eu que existem mais materiais de interesse em posts que se seguirão, pois mantenho que o que aqui é pedido extrapola claramente as atribuições de “harmonização” que estão previstas para a sadd, não sendo (apesar da legislação ser má) previsto um critério de “conhecimento experiencial” no DR 26/2012 como método de julgar o papel dos avaliadores que, por lei, até são coordenadores de departamento e membros do Conselho Pedagógico, a menos que deleguem a função.

Ex.mos/as Senhores/as Avaliadores/as, 

A SADD tem por função aferir as avaliações dos docentes para analisar e harmonizar as propostas dos avaliadores, garantindo a aplicação das percentagens de diferenciação dos desempenhos (quotas) como determina a alínea e) do n.º 2 do artigo 12.º do DR 26/2012. 

A colocação dos docentes nas quotas é um produto automático da ordenação das suas classificações, produzidas e decididas pelos avaliadores na aplicação dos critérios. 

A SADD não tem o poder de alterar avaliações produzidas pelos avaliadores. Assim, a exclusão de docentes das quotas, na prática, não resulta de decisão da SADD, resulta da decisão agregada dos avaliadores, com base em critérios equitativos e que devem ser aplicados uniformemente.  

Mas, mesmo não decidindo avaliações, a menção regulamentar à função de harmonizar implica que a SADD afira os dados que tem de ordenar e verifique a sua validade material e formal. 

Ora, por conhecimento experiencial da vida do agrupamento, constata-se que, na dimensão Participação na escola e relação com a comunidade, existem sensíveis discrepâncias e desarmonias na avaliação produzida pelos vários avaliadores. 

A dimensão em causa nada tem a ver com aulas ou atividade letiva (avaliadas noutro item), mas, sim, com a participação dos avaliados nos mecanismos democráticos e operativos da escola e com a forma, qualidade e intensidade com que agem numa dimensão de construção da escola como comunidade, em que participam.  

No fundo, dar aulas é uma face da avaliação (ponderada na dimensão que lhe é própria), mas o sistema pressupõe (na esteira do ECD) que os professores não têm como função apenas dar aulas mas têm outras atividades, a realizar nas escolas, entre elas agir como participantes (não apenas pela presença) na gestão e nos órgãos em que são membros, configurados pela legislação de gestão. 

Assim, dado que a ADD é um ato administrativo, que está sujeito ao dever de fundamentação, solicita-se que, em relação ao(s) docente(s) que avaliou, elabore fundamentação específica no respeitante aos itens de Participação na escola e relação com a comunidade, isto é: 

  • Participação na construção dos documentos orientadores da vida da escola;  
  • Participação na conceção e uso de dispositivos de avaliação da escola;  
  • Apresentação de propostas que contribuam para a melhoria do desempenho da escola;  
  • Envolvimento em ações que visem a participação de pais e encarregados de educação e/ou outras entidades da comunidade no desenvolvimento;  
  • Contribuição para a eficácia das estruturas de coordenação educativa e supervisão pedagógica, dos órgãos de administração e de outras estruturas em que participe. 

Essa fundamentação, específica e detalhada, deve sustentar as classificações atribuídas, nomeadamente, as que elevem classificações acima do nível suficiente e deve ser construída por referência a elementos documentais, que os avaliados tenham indicado, que comprovem, sem ser de forma meramente declarativa ou vaga, a participação na construção de documentos orientadores, nos dispositivos de avaliação da escola, na elaboração de propostas (que se presume serem escritas ou estarem registadas, com referência temporal, em atas de reunião), do envolvimento em ações que devem estar descritas e ser localizáveis no tempo, etc. 

Recorda-se que, nos termos do artigo 153.º, n.º 2, do Código de Procedimento Administrativo “equivale à falta de fundamentação a adoção de fundamentos que, por obscuridade, contradição ou insuficiência, não esclareçam concretamente a motivação do ato”. Isto vale quer para a subavaliação, quer para a sobreavaliação, que tenha efeitos sobre a esfera jurídica de outros. 

A avaliação atribuída tem de ter base factual e não deve ser esquecido que, existindo quotas, a atribuição de classificação elevada, sem base factual que a fundamente, implica eventuais dificuldades na fase de reclamação e recurso. 

Recorda-se que a existência de quotas implica a possibilidade de acesso dos excluídos delas aos dados dos restantes candidatos à quota e significa o potencial escrutínio contencioso das decisões tomadas em cada caso e a eventual requisição de acesso aos dados de fundamentação.  

Na verdade, sobreavaliar um docente, sem fundamentação objetiva ou objetivável, significa subavaliar outros, na consequência, cuja avaliação até esteja correta, mas seja inferior à de outros inflacionada.  

Num sistema em que as avaliações de uns jogam dialeticamente com as dos restantes, a avaliação de cada um não pode ser inflacionada porque tem efeitos na de outras pessoas (mesmo que essas sejam justamente avaliadas). 

Além de tudo, excluir alguém de uma quota, com efeitos na sua carreira, por sobreavaliação sem fundamento é acrescentar injustiça a um sistema que tanto se diz ser injusto, mas que não mudando a sua natureza essencial não precisa de ter esse acrescento de injustiça. 

Assim, até ao dia 31 de janeiro, todas essas avaliações devem ser revistas e justificados/fundamentados cada um dos itens acima mencionados. As mesmas devem ser remetidas ao Diretor até às 10h.

O Diretor do Agrupamento e Presidente da SADD

Squid Game

Vi um par de episódios da série, ainda antes desta recente “polémica” relacionada com os efeitos que poderá estar a ter junto dos mais jovens e das suas brincadeiras, claro, nos pátios das escolas, que parece ser o único sítio onde ainda brincam. Não sei porquê, mas não consigo ter uma opinião muito inequívoca e extremada acerca do assunto, até porque já passei por algo parecido quando o Dragon Ball “incendiou” as preocupações dos adultos, antes de entrar no mainstream (sim, existe nova polémica, agora pela Argentina).

Dizem-me que o Dragon Ball é em animação e a série Squid Game é com personagens “reais”. é verdade, assim como nos filmes da série Hunger Games ou várias outras coisas bem violentas que se consomem por aí sem parente moderação parental. Até porque quem não vê em casa, pode ter sempre alguém que lhe mostre os vídeos num qualquer zingarelho.

Se aquilo é perigoso e pode induzir comportamentos desadequados e violentos? è possível, assim como tanta outra coisa ao longo dos tempos, em especial para as gerações com acesso ao cinema, televisão e noticiários. Eu nunca consegui levar a sério o que acontecia ao Bip-Bip e ao Coyote, que eram bichos e animados, mas também não acreditava que era possível voar como o Super-Homem ou andar de teia em teia como o Super-Homem ou de liana em liana como o Tarzan. E fiz muitas brincadeiras de “guerra” ou “cowboys” em que se “matavam” nazis e índios aos magotes.

Os tempos são outros e as “redes sociais” exponenciam tudo? Acredito, mas também se diz que temos a geração de pais jovens com melhor formação de sempre para lidar com isso.

Estou a relativizar demasiado as coisas? Tal qual como quando alguns alunos me perguntaram se eu conhecia a série e eu disse que sim, mas que não a achava especialmente interessante, pois já tenho a minha conta de coisas deste género no currículo em matéria de cultura pop. E não mostrei especial alarme ou dei a entender que eles deviam ser proibidos de ver a coisa, que é o caminho mais certo para acabarem nas traseiras do bloco X, a ver aquilo no iutubi, mesmo com a banda estreita das escolas.

Mais memes aqui.

Pelo Público Online

(…) Vou finalizar com uma crítica do mesmo tipo que fiz aos promotores da carta aberta pela reabertura rápida das escolas, de que a economista Peralta faz parte: sejam bem-vindos à luta por uma sociedade mais justa e menos desigual. Em outras ocasiões não demos pela vossa presença, como quando sectores inteiros foram objecto de uma redução substancial de rendimentos logo a partir de 2005. Mas mais vale chegarem tarde à luta pela justiça social e económica do que nunca. Agora só falta algum rigor na descrição e análise da realidade sobre a qual lançam as vossas propostas.