Competências E Concursos

Continuo a achar “peculiar” (mesmo que alegadamente seja crença fundamentada em práticas terceiras) que se considere que a classificação de um candidato à docência, obtida após a sua formação científica e uma profissionalização especializada, seja considerada um método inadequada para a colocação de professores, em contraponto a uma alegada mais competência por parte de elementos directivos que – em tantos casos – estão há c’anos e décadas sem dar um simples dia de aulas por ano ou de elementos autárquicos que – em tantos casos – até são professores em fuga da docência para a vida política ou técnica local.

3ª Feira

A nossa comunicação social de referência está quase toda absolutamente completamente preocupada com o fenómeno das fake news. Em vez de reflectirem no que fizeram de modo a quetal se multiplicasse a partir dos media convencionais, desdobram.-se em denúncias do presente. Mas, nos seus espaços, abrigam um híbrido de “(ex?)jornalistas-comentador@s” que dizem o que lhe lhes apetece sem qualquer verificação sob o manto a “opinião”. Que deve naturalmente ser livre mas ter alguma substância em factos. Sei disso por experiência própria porque já tive de me ir defender em tribunal de coisas desse género, “salvando-me” os factos que aduzi serem verdadeiros e a outra parte apenas fingir o ultraje pela porcaria feita exactamente por emitir juízos de valor sem os ter (aos valores, aos factos). Mas os tempos estão escorregadios e agora parece bem dizer (de novo) que a “verdade” é apenas uma questão de perspectiva que 800 ou 600 ou 400 ou 200 é tudo o mesmo, ou quase, sendo sempre “muito” ou “insustentável. Algumas dessas cabeças (ou em alguns casos beiças) falantes beneficiam de estar em tempo de antena nobre, sem contraditório, como se fossem elas as descodificadoras legítimas das situações, quando não passam de manipuladoras ao serviço de causas que, em “muitos” casos, precisam da simpatia dos poderes para sobreviver. Se em tempos endeusaram zeinais, granadeiros, berardos e salgados e alguns até os doutoram por causa da “honra”, querem que alguém minimamente informado lhes dê crédito. A sorte é que tudo anda a ser feito para que o maior número de cidadãos seja o mais desinformado e consequentemente acrítico possível. E nesse particular há quem ande a prestar inestimáveis serviços à causa.

Da Obscenidade A Céu Aberto

Há que admirar um gajo que goza na cara de toda a gente e ainda diz que quis ajudar bancos com “excesso de liquidez”.

Berardo1

Claro que ninguém se lembra de ter estado no governo de Sócrates que fez aquelas trocas e baldrocas com o CCB… e aposto que há muito escrevinhador de notícias que já se esqueceu de visitas, viagens, prendas, prosas…

Berardo Socas

E agora já há compromissos eleitorais e prioridades de governação que talvez não se oportuno recuperar.

A coleção Berardo, avaliada em 316 milhões de euros e uma das principais beneficiárias de subvenções do Estado, é uma das prioridades da Cultura do programa do PS. Se António Costa for indigitado primeiro-ministro, com o apoio do PCP e do BE, o futuro governo de esquerda compromete-se a manter a coleção Berardo em Portugal, lê-se na página 106 das 138 páginas do programa do PS, embora não sejam feitas as contas aos custos desta prioridade.

Berardo Costa

 

Sábado

O problema não é se as “famílias” no governo ou gabinetes têm a mesma opinião. Se o marido ministro e a mulher chefe de outro gabinete concordam nas políticas. Se o primo da prima e o tio do sobrinho votam da mesma forma. Num governo isso é mais do que normal e basta ver a disciplina parlamentar para que se perceba que a castração das alternativas é uma realidade e pessoas que junca se viram até entrarem nas listas votam direitinhas que nem fusos quando lhes mandam. Há quem – como o actual PM – queira deslocar a conversa para aí. Mas esse não é o problema, nem se as “famílias” nos negócios, na banca ou na comunicação social são habituais.

A questão está na forma como uma curta elite política se fecha sobre si mesma, guarda para si tudo a que pode lançar mão e desertifica tudo em seu redor, agravando um enorme divórcio já existente com a “sociedade civil” sem cartão ou um conhecido, cunhado ou amigo mais ou menos distante numa posição que tenha direito a nomeações. Não é por acaso que um dos poucos refúgios de concurso para a administração pública com critérios objectivos – o velho concurso de professores – tem sido um dos alvos preferenciais de desregulação nos últimos 15 anos com pretextos do mais canhestro possível. Há coisas “extraordinárias” que mais não são do que portas de entrada para depois, lá “dentro”, se aceder a outros cargos e a posições permanentes. Endogamia e promiscuidade podem andar de mãos dadas. É um swing em ambiente fechado. Só que em circuito fechado quase sempre dá em degenerescência genética com o avançar das gerações.

Claro que existe a fase dois… aquela em que depois de se ter estado no sector público, com algum poder decisório se passa para o privado antes tutelado. Há rostos bem conhecidos desse tipo de “trajecto” de sucesso. Gente que aparece como sendo gurus de uma sociedade que andaram a falir com bastante dedicação. Os varas ou limas apanhados na rede são apenas os mais descaradamente gulosos ou os cordeiros sacrificiais para que o rebanho acredite que os lobos estão sob controle.

Como há ainda aquele género de nódoas ambulantes que, para pararem de causar danos, se promovem para posições muito melhor remuneradas, mas em que a falta de qualidade se nota menos ou fica abafada pela distância da terra. E que quando são inquiridos sobre toda a merda que fizeram ou deixaram fazer, de tão invertebrados ou incapazes que foram, atingiram a idade do útil esquecimento dos detalhes.

Mas voltando ao início… não se podendo embolsar agora favores de forma concentrada à escala de há 10-20-30 anos, há que disseminar os canais. É para isso que servem as famílias com um espírito cívico mais desenvolvido do que as outras.

Nada disto é novo?

Claro que não. Mas como as vacas emagreceram nos últimos tempos em matéria de “grandes negócios” (o do aeroporto é uma semi-excepção muito localizada onde já antes “caiu” a ponte) e verbas europeias, para alimentar as clientelas começou a exagerar-se acima da média no saque directo à arraia-miúda.

Escrever isto é “populismo”?

Não será antes maior e mais desavergonhado “populismo” andar a dizer que as famílias recebem mais isto e aquilo e que se repuseram rendimentos, quando se usam números truncados e relativos aos valores nominais pré-esbulho fiscal directo e indirecto, mais o das alcavalas em tudo o que é factura de serviços prestado em regime de oligopólio?

Goodfellas

(o pior mesmo é ter-se a sensação de a essência da democracia estar a ser destruída de alto a baixo na vida pública e no interior da generalidade das instituições sociais, com o reforço dos mecanismos da submissão e a ascensão do oportunismo)

A Conversa De Chacha Sobre O Populismo

Agora está por todo o lado. Qualquer bicho careta com assento, microfone e eventualmente câmara, perora sobre os malefícios do que chama “populismo”. E pelo mesmo caminho, toda uma catrefada de políticos de ocasião, embora alguns com idade e formação que os deveria obrigar a saber do que falam. E misturam tudo com “demagogia” e fake news numa salada que só serve para baralhar tudo.

Há duas escolas: os que dizem que todo o populismo é mau e depois há os que dizem que há populismo “mau” e populismo “bom” (criado para albergar especificamente o nosso PR). Qualquer das tendências fundamenta-se de forma muito deficiente e amiúde falacciosa os seus “conceitos” e pior ainda qualquer sustentação histórica.

Mas sobre isso hei-de escrever com mais tempo, talvez para reclamar o regresso da Introdução à Política ao currículo do Ensino Básico, que tanta falta parece fazer, em vez de Cidadanias transversais.

Por agora, apenas afirmar que se por “populismo” entendermos uma posição que visa obter um apoio popular entusiasmado em torno de uma causa, contra um dado “inimigo” ou desenvolver uma política que se deseja popular junto da opinião pública, podemos usar como exemplo maior aquela conhecida frase “perdi os professores mas ganhei a opinião pública” que vai continuando actual.

Mas concretizemos de outra forma… não será populista a retórica que repete até à náusea o seu pretenso “anti-corporativismo” e “a defesa do interesse nacional” sempre que se pretende negar os direitos de um dado grupo social ou profissional? Não será “populismo” ir fazer cataplanas para programas de manhã de grande audiência? Ou dançar de forma ridícula em cima de uma camioneta num qualquer Carnaval?

Porque o “populismo”, em si mesmo, não é mau. Depende do contexto, pois o que é “populista” entre os defensores do porte de armas no Texas pode não ser entre as comunidades atingidas por massacres escolares, em que “populista” será defender a limitação do uso de armas. O que é “populista” entre os fundamentalistas islâmicos pode ser muito diferente do que é populista entre as populações urbanas do México. E depende dos objectivos de quem lança mão do discurso populista. Se o faz para atacar minorias, grupos específicos, promover a exclusão e a xenofobia ou iludir a opinião pública com falsas afirmações ou se o faz, de forma transparente e honesta, apresentando obra efectivamente feita em prol da maioria da população.

Combater a pobreza não é “populista”?

Para mim é “populismo”, e nem sequer do bom, o “encavalitanço” de uma série de gente na “greve” de alunos de hoje, quando até ontem ninguém tinha praticamente falado dela entre nós ou dos seus objectivos.

E depois há os paradoxos irremediáveis em que pessoas que se entusiasmam muito com as manifestações de hoje, com jovens a protestar contra as alterações climáticas, mas depois criticam de forma ácida manifestações ou iniciativas de outros grupos de cidadãos.

Porque, na sua versão simplista e simplória actual, o “populismo” está para a política como o bicho-papão para as criancinhas ou o Ronaldo para o Atlético de Madrid.

Populismo