É Quase Uma Regra Sem Excepção

Apresentem-me alguém que diz não querer cargos ou estar cansad@ do exercício daquele(s) que tem que, sendo de mando, terei quase a certeza de estar perante alguém que fará tudo para se manter nele(s) ou até deitar a mão a mais qualquer coisa. Nem que seja como suplente.

Está Mesmo A Precisar Que O Ajudem A Terminar Este Mandato Com Um Mínimo De Dignidade

“Qatar não respeita os direitos humanos, mas, enfim, esqueçamos isto”, diz Presidente da República

Entretanto, o comentador Baldaia estava na SICN a dizer que já se critica há muito tempo isto do Qatar, pois ele lembra-se que em Agosto (deste ano, que se repare…) fez um podcast sobre uma reportagem da dita SICN sobre o assunto. E disse isto com aquele ar sério que ele faz sempre que diz coisas, tipo, cenas maradas.

Apetecia-me Dar Umas Belas Bengaladas Retóricas Neste Senador Da Mula Ruça, Mas Sei Que Seria Inútil

O Henrique Monteiro do Expresso é demasiado convencido de si mesmo; é uma variante masculina da Clara Ferreira Alves. Algures no tempo, fizeram qualquer de jeito no jornalismo e andam há anos e anos a viver disso, com a benção balsemãnica, produzindo “opinião” a metro. E tornaram-se insuportáveis para quem não partilha o ecossistema dos revolucionários d’outrora que nunca perderam o aroma da burguesia acomodada.

Nem é que eu seja particular fã do activismo climático que não limpa o próprio lixo, mas não tenho pachorra para prosas sobranceiras deste tipo. As escolas são “de todos”? A sério? E as ruas? São só de alguns? E o resto? O engomadinho voltou a ser colectivista em idade serôdia?

O horror é que esta malta, quando ainda não tinham vendido os ideais, mas os impunham à força, fez muito pior, mas nunca foi responsabilizada por isso.

Fechar escolas não deveria, nunca por nunca, ser admitido por autoridades. Mesmo aquelas que podem estar mais solidárias com a luta. Porquê? Por uma razão simples: a escola é de todos; dos que querem lutar e dos que não querem; dos que são a favor de as fechar e dos que são a favor de mantê-las abertas

O Ministro Da Razoabilidade Orçamental

Não da Educação, como se percebeu, há minutos, na RTP3, a completar o périplo mediático do dia. É um ministro que joga em equipa e faz o que lhe mandam ou, provavelmente, aquilo que sempre faria em matéria de gestão dos recursos humanos. Despejou números sobre a falta de professores nas escolas, o que deixa sempre aquele incómodo de observar uma realidade que desafia a narrativa ministerial e, muito em especial, as razões que gosta de apontar para o fenómeno. Agora faltam professor@s de Português e Inglês, grupos que antes nem sequer apareciam nos problemáticos. E parece que culpa é dos alunos “migrantes” e da necessidade de criar turmas de Português Língua Não Materna. A sério? Por “migrantes” poderia especificar as nacionalidades, número de alunos e turmas criadas ou foi algo que achou giro dizer, porque conhece um par de casos?

Refere várias medidas, de “mitigamento” ou “mitigação”, como o completamente de horários, que devem existir nas escolas d@s amig@s com muita autonomia ou número directo para a 24 de Julho. A parte sobre a mobilidade por doença foi daquele sibilino cinismo que o faz dizer que para ele todos são honestos, só que todos devem ser fiscalizados, menos aqueles a quem a mobilidade foi recusada.

Mas o que mais ressalta é o ar de aparelhista acinzentado, a jogar com as palavras, por exemplo, quanto à impossibilidade de devolver o tempo de serviço sonegado pelos dois congelamentos decretados pelo seu partido em 2005t e 2011. Falou em devolução “responsável” de parte desse tempo de serviço e justificou-se com a tal “razoabilidade” e com “responsabilidade”. Como deve achar que estamos para rimas, ofereceu para o futuro um acordo com aumentos salariais de 20% para a legislatura, dos quais metade já a inflação deste ano teria levado, se a coisa se aplicasse à classe docente e não às carreiras gerais e falou de “previsibilidade” e “estabilidade“, como se fossem um bem em si.

Não são. Algo ser “previsível” ou “estável” não significa necessariamente a sua bondade. Por exemplo, é previsível que eu morra e eu não gosto nada dessa previsibilidade. Da mesma forma, uma carreira em estado de coma está “estável”, mas isso apenas significa que estagnou num patamar.

Previsibilidade e estabilidade, no caso da carreira docente e no seu contexto actual, são qualidades negativas, porque não são previsíveis melhorias, antes estando claro que “estabilizaremos” em baixa, como já nos encontramos. O resto são tretas de quem talvez tivesse sucesso há muitos anos em debates numa qualquer associação recreativa de estudantes.

Para linguista, o ministro Costa revela fracas competências, ao nível de um spin doctor saído há um semestre de uma universidade de primavera de uma jota. Para quem não tinha percebido, andou anos a esconder-se atrás de outros e a ser politicamente desonesto, com aquele ar de sonso que se lhe colou sem remédio. Agora apenas está à vista de tod@s, mesmo de quem o aplaude e elogia, porque está do lado certo dos favores. Mas um dia será feita a história minúscula de um governante de escassa coragem e nula frontalidade, que veta jornalistas para entrevistas e recusa qualquer debate com contraditório a sério.

O Verdadeiro Malabarista

Há quem veja nela uma qualquer “esperança” que me escapa. Um “futuro” de que não percebo contornos que ultrapassem as “conveniências”, mais do que convicções, deles e destes ou daqueles que esperam o desenho “certo” de uma linha de alta velocidade, a localização “certa” de um aeroporto ou outra obra pública. Porque muito, mesmo muito, há a ganhar em tudo isto.

Pedro Nuno santos é capaz de se desdizer com uma desfaçatez que, nesse caso, sim, talvez explique um eventual maior “sucesso” na vida política.

Sim, fartei-me de usar aspas em tão curto texto.salvar-2023922

O ministro das Infra-estruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, avisou que integrar a TAP num grande grupo de aviação “pode ser mesmo a única maneira de assegurar a viabilidade de uma empresa estratégica para o país”. No debate requerido pelo PSD sobre a privatização da TAP, na Assembleia da República, Pedro Nuno Santos argumentou que os exemplos dados por outras companhias de aviação mostram que nenhuma conseguiu sobreviver sozinha.

Em 2020:

Pedro Nuno Santos: Se TAP fosse privada como PSD queria, “levavam com os preços” que ela quisesse

Pedro Nuno Santos: “Se o Estado não estivesse na TAP não sei se ainda cá estava”

A Doutora Frankenstein Elogia As Suas Criaturas

Sim, eu também conheço muito boas/bons director@s, gente dedicada, competente e séria. Mas… la que hay malandrage… la hay.

As posições contra a proposta do Governo de dar mais autonomia às escolas e aos diretores na seleção dos seus professores focam-se na descredibilização dos diretores das escolas, como se, por absurdo, a seleção viesse a ser um ato arbitrário em que só aqueles interviriam. Afirma-se que faltam competência e legitimidade aos diretores, que estes são incapazes de reconhecer o mérito pedagógico dos professores, que se orientam por interesses de proteção de amigos e de clientelas. Tudo resumido, seriam todos uns “grandes malandros”. Serão?

Há coisa de uma década, ouvi esta mesma “reitora” sem avaliação, num congresso da andaep, queixar-se d@s director@s ainda não terem assumido por completo o seu papel de “gestores” e ainda se sentirem demasiado “professores”. Parece que, uma década depois… acha que tal problema já está resolvido.

Entretanto, se depois as coisas correrem mal, também já sabemos o que irá dizer.

O Grande Ancião Da Economia Para Totós Da SICN Já Está A Panicar

Alguém explique à dona Gertrudes dos Anjos Caídos, desculpem, ao José Gomes Ferreira que se a “massa salarial” dos funcionários públicos aumenta, também aumentam as suas contribuições fiscais, para a C.G.A. e/ou a Segurança Social. Não é preciso estar já todo agitado com os encargos dos aumentos e das “progressões”, que parecem ser uma espécie de assombração para esta malta, tipo reduções do 79 para os pseudo-jovens ou cultores da “boa governança”.

The Road To Nowhere

E depois os outros é que são liberais, desreguladores. Há uns dias, o ministro Costa afirmou, de forma populista, que não assume que do “outro lado” estejam “corruptos”. Pela observação directa e relatos que vou tendo, concordo que não é “do outro lado” que estão.

O Ministério da Educação (ME) pretende que os professores possam entrar no quadro por decisão da escola onde estiverem colocados e não apenas por via de um concurso nacional de vinculação, como é a norma actualmente. Este foi um dos “pressupostos” para a alteração do modelo de recrutamento actual que o ministério apresentou nesta quarta-feira aos sindicatos de professores.

Acredito que uma versão disto vai avançar, com ou sem acordo dos sindicatos, mais ou menos coreografia. Como é óbvio, não me afecta, pelo que a minha imensa preocupação não é de ordem pessoal, mas sim a de quem não parou as leituras num dado momento e se vai apercebendo de como este tipo de medidas acentua desigualdades, não beneficiando – ao contrário do que é afirmado pela propaganda governamental – os mais desfavorecidos. Pelo contrário, as escolas com melhores condições, conseguirão cativar os professores com um desempenho mais competente, restando a muitas outras quem restar ou… quem tenha o “perfil certo”. Num caso que me ocorre, até porque as fotos são públicas em certas “redes sociais”, há quem goste muito de se fazer rodear em eventos “formativos” por colegas que apresentam das posturas mais (i)nova(dora)s, que depois têm a devida recompensa na sua avaliação.

Caso único e quiçá distorcido pela minha visão cínica? Pois… o problema são os outros casos, menos exibicionistas, em que até dá jeito os apelidos conjugais não se terem transmitido. Tudo em contextos “desafiantes”, claro. Em que a adequação à liderança é um critério claramente valorizado. Ou as boas relações com quem decide.

(e, já agora… há décadas que trabalho nesse tipo de “contextos desafiantes”, com todo o tipo de turmas e alunos, portanto não me venham com conversas de elitismo… porque o verdadeiro preconceito é de quem acha que o combate ao determinismo é baixar os padrões de ensino e, agora, de recrutamento dos docentes)

E, avançando este tipo de medidas de vinculação à medida, esqueçam todo e qualquer protesto no passado com “ultrapassagens”. É que será vê-l@s passar a toda a velocidade, porque a classificação académica em curso profissionalizante de nada serve, se @ shôr@ director@ considerar que quem sabe é el@.

Para quem quiser uma visão alargada dos estudos sobre esta matéria, com conclusões muito abertas” (agora já com o link certo):

Teacher Recruitment and Retention: A Critical Review of International Evidence of Most Promising Interventions

(…) Methods: The review synthesises a total of 120 pieces of research from 13 electronic databases, Google/Google scholar and other sources. Each study is weighted by strength of evidence. Results: The strongest evidence suggests that targeted money can encourage people into teaching but does not necessarily keep them in the teaching profession. The money needs to be large enough to compensate for the disadvantages of working in certain schools and areas, and competitive enough to offset the opportunity costs of not being in more lucrative occupations, and its effect is only short-term. Conclusions: Continuing professional development (CPD) and early career support could be promising approaches for retaining teachers in the profession, but the evidence for them is weak. There is no evidence that any other approaches work, largely because of the lack of robust studies.

Um relatório sobre as medidas mais recentes em Inglaterra, que não passam por “agências de recrutamento” como foi possível ler há pouco tempo a um professor português que para lá emigrou. Esse tipo de estratégia é a equiparação do recrutamento de docentes ao preenchimento de vagas temporárias num serviço de atendimento telefónico.

Teacher recruitment and retention in England

This House of Commons Library Briefing Paper provides information on the recruitment and retention of teachers in England, including the Government’s recently published Teacher Recruitment and Retention Strategy. It also gives an overview of attempts to reduce teacher workload.

Existe um número assinalável de estudos que sublinha que as escolas em contextos mais desfavorecidos ou “isolados” em termos sociais, económicos e mesmo educacionais têm muita dificuldade em contratar e depois reter os professores mais qualificados, sendo ilusório pensar que a sua permanência será longa, caso surjam oportunidades de colocação em escolas com menor grau de desgaste profissional e pessoal.

Pode ler-se aqui apenas um deles.

E já agora, um que sublinha uma evidência a que fogem os governantes como qualquer satanás de palavras cruzadas.

Do disadvantaged schools have poorer teachers? Rethinking assumptions about the relationship between teaching quality and school-level advantage

(…) This result indicates that differences in teaching quality are less a reflection of teacher capabilities than of the challenging circumstances in disadvantaged schools. We argue that policies seeking more equitable achievement should address wider social inequities, rather than unfairly blaming teachers for being unable to level an unequal playing field.

O Regresso Ao Passado Do Futuro Ou Vice- Versa, Mas Vai Quase Tudo Dar Ao Engenheiro

Dirigente do PS-Porto e ex-secretário de Estado da Saúde, Manuel Pizarro toma posse este sábado como sucessor de Marta Temido no Ministério da Saúde. É o regresso a uma casa que conheceu nos governos de José Sócrates

Reparem que, de acordo com a notícia, o homem até tem um inner circle e tudo, pronto para alimentar notícias sobre si. Não haveria de ir a ministro porquê?

O PM Costa, na dúvida ou na aflição, vai logo ao baú da tralha.