Parece Que Já Não Dava Para Pedir Perícia Neurológica

Constitucional confirma que não há nada que “impeça o trânsito em julgado” da pena de prisão de Rendeiro nos próximos dias. Ex-líder do BPP viajou para Londres. O seu ex-n.º 2 vive no Brasil.

(ainda me lembro de quem andou a validar a imensa honestidade deste senhor… em letra impressa ou de viva voz…)

Reportagens?

Há quanto tempo a criatura não faz uma “reportagem” ou jornalismo de investigação (eu tenho muitas dezenas de Grandes Reportagens, desde a nº 1, ainda me lembro…)? Quanto às entrevistas televisivas, nos últimos anos tornaram-se uma caricatura e variaram entre a técnica do bulldozer destravado e desinformado e o lambismo mais descarado. O que ele poderia era também parar com os tijolos com factos alternativos no Expresso. Era um serviço que prestava à higiene mediática nacional. E até ajudaria a equilibrar as contas do Balsemão.

MIGUEL SOUSA TAVARES: “ACABARAM AS REPORTAGENS, AS ENTREVISTAS, ISSO TUDO. PONTO FINAL”

6ª Feira

Apesar de estarmos em autárquicas o noticiário sobre o verdadeiro escândalo de tráfico de influências na câmara do delfim Medina ocupa pouco espaço nos destaques. Porque as cumplicidades vão muito além dos meandros municipais e estendem-se a muita gente que, por omissão ou receio, decidiu pactuar com uma série de esquemas manhosos. Em outras situações, vi e li parangonas sucessivas, mas agora parece que não convém colocar a ventoinha a funcionar. Um pouco por todo o lado, neste país que se afunda na mesquinhez de poderes incapazes de resistir a tentações, “facilidades” e de gente com muita dificuldade em recusar “compromissos” que só servem para alastrar a teia de cumplicidades, este tipo de coisas repete-se e o “abafanço” é a primeira estratégia para lidar com a manifesta ilegalidade. E a segunda, como em tantos outros casos, é desacreditar quem denuncia ou alegar que as provas foram colhidas irregularmente.

O Carro Do Cabrita

Não me parece um mistério especial. Nem tenho querido escrever sobre o assunto, de tão evidente tudo parece. Acho que já (quase) todos percebemos o que se passou. Porque, se não fosse claro que há por ali marosca, a renitência em deixar examinar o carro não faria qualquer sentido. Em qualquer país civilizado, o senhor ministro já teria dado com a porta de saída sozinho, sem necessidade de chauffeur. Pelo atropelamento e pela tentativa canhestra de encobrimento das circunstâncias.

E não há que temer… por certo haverá uma entidade qualquer onde continue, daqui por uns meses, a poder a alambar-se com carro do Estado à disposição e mais umas prebendas, excepto talvez uns tratamentos cerimoniais por Voxa Xalência.

(a impunidade não se mede apenas em berardos…)

Olhem-me Este Cromo!

A apontar o dedo, logo ele, um homem impoluto em matéria de pós-verdade.

Albino Almeida aponta o dedo à “desinformação” nas redes sociais, onde, diz, é possível “mentir sem que haja edição” e sem que os destinatários saibam qual a origem da informação.

O Esperado Desconforto

Esperei para ver como o Governo Sombra iria tratar a questão da nomeação do pedro Adão e Silva para comissário do PS para as comemorações do 25 de Abril e a coisa correu de modo ainda mais curioso do que esperava.

Se o Carlos Vaz Marques é rapaz das minhas idades, os três comentadores são da geração do comissário PAS e fazem parte daquela tertúlia alargada de opinadores em vários espaços da “arena mediática” que partilha de uma série de elementos comuns, que não apenas a idade. Embora com três posturas com tonalidades diversas, a verdade é que desde o mais crítico (um João Miguel Tavares que se deve lembrar das críticas que mereceu por causa do 10 de Junho recente) ao mais complacente (um Ricardo Araújo Pereira com sérios problemas em articular um argumento minimamente consistente sobre o tema), todos decidiram confluir no acessório (e não estou a armar-me em JPPereira). Pu seja, que a questão só surgiu por causa do Porto Canal, do salário do comissário PAS e da dimensão a que pode chegar a equipa de apoio.

Ou seja, entraram pelas questões que se poderão caracterizar, pelos defensores de PAS (papel desempenhado em boa parte pelo RAP e em menor escala pelo Pedro Mexia), como as relativas à “inveja”, não faltando a referência às mal amadas “redes sociais”. Só o JMT recordou o currículo político de PAS, em especial do seu proselitismo socratista, deixando de lado a assessoria a Paulo Pedroso no ministério da Segurança Social. RAP até disse que era interessante terem nomeado alguém nascido em 1974 (o próprio RAP nasce um pouco depois do 25 de Abril, pelo que percebo a afinidade). Com um ataque de amnésia oportuno, parece ter-se esquecido de tudo o que PAS escreveu durante muito tempo, mesmo em períodos recentes, de acordo com a cartilha do PS governamental, mesmo se isso significava mentir sem pudor acerca de vários temas (e ocorre-me um, bem em particular).

Estranhamente, ninguém falou – ou fez isso muito, muito de raspão – na adequação das competências do comissário PAS ao cargo. Porque o trajecto académico de PAS – em especial das reveladas na sua tese sobre o impacto económico do surf ou na de doutoramento sobre políticas públicas europeias. Parece que PAS é simpático, conhece muita gente e almoça com quase tudo o que mexe, tendo estabelecido uma rede de cumplicidades que amarra algumas línguas, tão viperinas quando se trata de nomeações de gente menos dada ao convívio social, aos petiscos e aos comentários futebolísticos.

Ora, a minha crítica não nasceu do salário ou equipa de apoio (acho que a ocasião justifica que quem fique com a função seja bem pago e apoiado) ou de ver uma reportagem no Porto Canal (que não vi, porque é canal que me passa ao lado, como qualquer um ligado a clubes, incluindo o do Sporting), mas sim de achar que Pedro Adão e Silva não tem o perfil mínimo para tal função, excepção feita a, pelo que foi dito, almoçar e jantar com muita gente e ser um tipo simpático. Vamos lá deixar-nos de tibiezas: PAS vai ser um comissário político para as comemorações e não adianta vir dizer que já houve outros no passado (até foram à Comissão de Descobrimentos para “limpar” a actual nomeação); vai ter boa imprensa, porque ele aparece em quase todo o lado e tem lugar residente um pouco em todos os sítios; quem levantar reservas é porque tem inveja do salário e das mordomias ou é do FCPorto. O cenário está montado e faz lembrar outros tempos de intoxicação mediática.

Eu não sou dos que acha que deveria ser um “historiador com vasta obra reconhecida” sobre o tema ou parecido. Sou dos que abominaria tanto um Fernando Rosas como um Rui Ramos na função, porque são líderes de facção. Mas não me chocaria um mais discreto António Costa Pinto, por exemplo, já que não temos entre nós um Medeiros Ferreira. Alguém que, mesmo conhecendo-se as afinidades e inclinações, não tivesse um passado conhecido de deturpação consciente dos factos e de tentativa de construção de uma memória falsa de alguns acontecimentos. Isso é que é importante. Se recebe 4500 euros por mês é o que menos me chateia e se querem que vos diga até acho muito pouco, se compararmos com o balúrdio que vão pagar à esposa do ministro Cabrita por coisa de muito menor relevo. Se vai ter um gabinete de 14 pessoas a apoiá-lo? Desde que não sejam mini-PAS, sempre de cabecinha a dar a dar durante muitos anos perante as piores tropelias, tudo bem. O problema é se são apenas um bando de cartilheiros ou “abrantinos” a quem é preciso recompensar serviços prestados.

Voltando ao Governo Sombra. Percebi onde estão as linhas vermelhas ou as linhas de desconforto. É que o desconforto foi tal que nem uma tirada com piada conseguiram produzir acerca do tema. Quer dizer… eu ri-me com aquela de PAS já ter almoçado com quase toda a gente. Qual gente?