Afinal, Existe E Produz “Prosa”…

… mas é ao nível do desdobrável de campanha. Quando se coloca “sinergias” e “potenciar” na mesma frase só com uma copulativa a separá-los ou se consegue produzir um final de  parágrafo em que surgem, em catadupa, “autonomia”, “flexibilidade curricular” e “princípio da subsidiariedade” podemos não ter grande secretária de Estado da Educação, mas temos uma admirável Directora-Geral da Municipalização.

JN 9Jan20

Jornal de Notícias, 9 de Janeiro de 2020

5ª Feira

Enquanto país, estupidificámos mais um bocado e até acho que, se não fosse um Marcelo Suava e caminho do segundo mandato, o povo votaria em Cristina Ferreira para PR. Como dizia o outro italiano, se querem palhaços, ele ao menos era assumido. E o ucraniano até é um tipo engraçado. Em termos de governação, a República permite, com o seu sistema de rotatividade em circuto fechado, que políticos ocasionais de escasso valor possam, durante uns anos, cavalgar ondas – vamos fingir que se reverte a troika e aproveitar as receitas do turismo e a bolha imobiliária para parecer prosperidade – e parecer algo mais do que mera sorte circunstancial. Só falta mesmo um “grande projecto nacional”, tipo Expo ou Euro para se achar que estamos perante um novo dom manuel ou joão V.

Valha-nos o clima aquecido naturalmente, que ao fim de uns dias de frio já parece toda a gente que está no ártico de tanta queixa.

media

O Verdadeiro Polvo Que Tolhe O País

Mas há muito idiota que ainda acredita naquilo que os avençados (no futebol chamam-se “cartilheiros” uns aos outros) do sistema espalharam anos a fio sobre as causas do défice orçamental e da dívida externa. E muitos continuam por aí, ainda a apanhar uns restos da festa. Já não é como outrora, mas ainda sobraram umas migalhas…

Zeinal Bava queria pagar 77 mil euros para travar investigação a bónus de 8,8 milhões

MP diz que Conceição “aderiu a pacto” de Pinho e Mexia para beneficiar a EDP em 1,2 mil milhões de euros

Estado injetou 25,5 milhões de euros na banca nos últimos dez anos

polvo

Eu Queria Comentar Isto Mas Faltam-Me As Palavras, O Que Não É Nada Habitual

Crédito Agrícola pagava dois mil euros à mulher do presidente para lhe garantir “estabilidade emocional”

A mulher de Licínio Pina recebia uma subvenção por ter abdicado da carreira de professora para garantir “estabilidade emocional” ao marido.

Chorar

(ao shôtôr Pina, a ser assim tão instável, talvez fosse mais adequado ficar ele em casa e mandar a senhora sua esposa trabalhar…)

(a bem dizer… há quem se calhar pague mais por mês em serviços destinados ao mesmo efeito, sem sequer haver necessidade de aliança…)

Está Em Decurso A (Segunda) Maior Operação Financeira Das Últimas Décadas…

… de deslocação de verbas da Educação Pública para grupos privados, logo depois da “festa” da Parque Escolar (que a “reitora” não viu e que – aposto – em tribunal acabará nos arquivos da má memória). Um conjunto muito substancial de verbas, que nem sempre é fácil controlar por estarem espalhadas por diversas autarquias e comunidades intermunicipais, está a ser usado, com o pretexto do combate ao abandono e insucesso escolar (apesar destes indicadores terem uma evolução muito favorável ao longo das últimas décadas sem qualquer necessidade disto), para estender rendes clientelares locais em vez de servirem para dotar as escolas e agrupamentos de pessoal humano permanente e meios técnicos adequados para cumprirem a sua função. Se tudo o que está a ser feito está mal? De modo algum, há projectos interessantes e boas intenções que até correspondem a boas acções. Mas há mais do que isso, muito mais. A começar pelas tais “consultorias” com gente próxima do poder político na Educação desde os anos 80 e 90 do século XX que, finalmente, conseguiram redireccionar as “escápulas” das verbas do Orçamento para fora das escolas. Dizem que não se resolvem problemas apenas lançando dinheiro sobre eles, mas já aceitam se o dinheiro for lançado na sua direcção. E nesses interesses estão grupos de “especialistas”, por vezes com chancela académica, mas outros casos apenas com o carimbo do chico-espertismo empreendedor dos tugas, daqueles que têm ideias “brilhantes”, estratégias “mágicas” e centros de “excelência”. Há de tudo um pouco… de ex-governantes a ex-muitas coisas convertidos à causa da Educação agora que escorrem subsídios, quantas vezes apenas com coisas coladas a cuspo, depois de copiadas algures.

Mas parece que agora o “sucesso” é assim. E a “descentralização”. E há quem colabore. Porque há sempre migalhas que escorregam da mesa para os regaços de quem lá fica a dizer que sim.

Seria interessante que houvesse a coragem de ir divulgando certos “negócios”, com fundamento, dados concretos, nomes repetidos aqui e ali, dossiers replicados. Mas os tempos andam agrestes para a “investigação”.

paraq