O Clérigo Conraria

Clérigo da opinião, claro, que não gosto de impor votos a ninguém. Mas indo ao que interessa. Na TVI24, que recentemente parece ter adquirido os seus serviços como comentador, o economista Conraria insurgia-se contra quem impõe o confinamento a outros, dando o popular exemplo dos feirantes que não podem ir às feiras, mas não se dispõe a pagar um imposto para quem perdeu rendimentos com a pandemia. Como seria de esperar, a meio da tirada, fez o àparte que ele não é um desses que defende confinamentos, pelo que julgo razoável deduzir que se estará a excluir dos malandros que devem pagar o tal tributo extraordinário, que algum clero opinativo gosta de apresentar como solidário.

Será que não se consegue desenvolver uma vacina para a hipocrisia?.

O Nu A Defender O Roto

Claro que acha isso, pois se assim não fosse, já viram o que teria sido dele, tardio arrependido de muitos disparates, quando era o avô cantigas do PS a usar as vestes de impiedoso e vermelhusco inquisidor? Gentinha sem vergonha nenhuma.

Vital Moreira sai em defesa de Caupers. “Opiniões do passado não podem ser sujeitas ao juízo condenatório da uma nova Inquisição”

Mas O Homem Já Não Tinha Idade Para Ter Juízo?

Quando os escreveu já era mais velho do que eu sou agora e teria certamente ambições. Se os escreveu é porque sentiu vontade de o fazer e quase por certo gosto ou mesmo. Preferia que ele os assumisse por inteiro do que estar a tentar desculpar-se de algo que fez quando já estava longe dos “excessos” que se associam à adolescência. Até porque o fez numa revista universitária e não numa qualquer mafazeja “rede social” ou tenebroso blogue. Não entendo muito bem este tipo de vergonha tardia por causa de escritos de “actualidade”, assim como também não percebo que quem o escolheu – pelos vistos sabendo ao que ia – pareça experimentar agora um certo incómodo.

Sorte minha preferir assumir por completo as asneiras que certamente escrevi, do que renegar convicções e querer trocar o que sou ou fui porque qualquer honraria em idade serôria.

Presidente do TC insurgiu-se contra “lobby gay” há 11 anos. Quando se debruçou sobre barrigas de aluguer, em 2018, escreveu que gestão de substituição era “violadora da dignidade da pessoa humana”.

Quando foi escolhido pelos conselheiros para se tornar também juiz do Tribunal Constitucional (TC), em Fevereiro de 2014, o professor universitário João Pedro Caupers deixou um aviso em relação aos textos de opinião que tinha escrito para publicação online da Faculdade de Direito da Universidade Nova durante quatro anos: alguns deles eram muito datados, motivados por questões da actualidade, e não os teria redigido da mesma forma mais tarde.

“Surpreendente” Para Quem?

Há muitos meses que se avisava para a tal “impreparação”. Isso foi denunciado de forma repetida, mas alguma comunicação social decidiu alinhar na conversa saída de certos gabinetes de comunicação de que eram apenas “más línguas”, pessoas mal informadas e que “só sabem dizer mal”. Não, por acaso as críticas vinham de quem está no terreno e não embarca em cantigas de embalar, de quem se preocupa mesmo com os alunos e não apenas com alguma opinião publicada, por vezes com a chancela de “notícia”.

Só que a culpa não é só, nem em primeiro lugar, do inepto ministro Tiago, que é mantido no lugar porque dá um imenso jeito ao par de Costas que na verdade governam a Educação, o de cima, o António, o das promessas balofas, que perpetua a animosidade de um certo PS em relação aos professores mais críticos de governações demagógicas, e o do lado, o João, que não é de baixo, porque é ele que decide muito do que interessa, resguardando-se habilmente das saraivadas, rodeado pela sua corte pessoal de candidat@s a comendas e futuros lugares de destaque no CNE (ou afins).

6ª Feira – Dia 15

A corrida aos equipamentos está instalada. O ME emprestou manuais, mas encolheu-se até ao fim nos computadores, faltando entregar a maior parte. O SE Costa disse aos directores que é mais fácil a um cidadão do que ao Estado comprar um portátil, mas o que vejo no base.gov não confirma bem isso, porque vejo lá muitos equipamentos a ser comprados e depressinha. E desde Abril de 2020 até governantes muito ineptos conseguiriam melhor do que foi conseguido. O “Governo diz que empresas têm de pagar despesas com net e telefone no teletrabalho”, mas exime-se a si próprio dessa obrigação em relação aos professores. Nos últimos dias, soube-se que Portugal passou em tempos de pandemia a “democracia com falhas” e uma das mais evidentes é a do agravar do desrespeito pela legalidade pelos próprios poderes públicos. Na Educação é sempre que dá jeito. O sistema de ensino à distância vai voltar a funcionar com base nos meios privados da larga maioria dos professores e das “famílias”. Uma série de normativos estão desactualizados para este contexto de ensino remoto, mas tudo se resolve na base do apelo à boa vontade, se possível com base em telefonemas e nunca em suportes oficiais. Pedem-se aos professores responsabilidades e desempenho de que a equipa ministerial acha estar isenta. E quem não adere ao “paradigma” #SóCriaProblemas e lançam-se-lhes em cima as araras do “eu coloco os alunos em primeiro lugar”. E finge-se que não foram feitas promessas nbem claras e explícitas, preferindo dar-se a entender que se algo falhar é culpa “das escolas” ou da falta de dedicação missionária dos professores. Mas não é bem assim, não são os outros que são incompetentes, porque é nestes momentos que se percebe que há quem só lá esteja, para tapetes vermelhos e “acesso” a outros voos.

(um acrescento… esta espécie de “diário”, irá voltar a ser partilhado a partir da próxima 2ª feira, de regresso ao E@D, no site Educare, onde os verbetes aparecerão logo pela manhã, com numeração nova relacionada com a nova fase que vamos iniciar e de que não sabemos bem o fim)

Lá Se Demitiu Um

O da “força da tasca” da vacinação, apesar de achar quase tudo normal até ter encontrado umas “irregularidades”. Embora o que parece de fora é que, para uma parte ínfima das vacinas que é preciso dar, a bandalheira estava já instalada. Ainda o mandam tratar dos testes anti-tiago nas escolas, se os chegar a haver. Os alemães que chegaram deviam era tratar disto, que era logo tudo em fila indiana e quem saísse da vez levava com uma eisbein na mona.

Atentado Ao Pudor Na Via Pública

Tiago Brandão Rodrigues, 21 de Janeiro, conferência de imprensa televisionada:

Após o primeiro-ministro ter anunciado, no final do Conselho de Ministros, que as aulas estavam suspensas a partir desta sexta-feira e até 5 de fevereiro, Tiago Brandão Rodrigues veio esclarecer que esta suspensão abrange todo o ensino, incluindo os estabelecimentos particulares. “Não há exceções”, frisou.

E deixou críticas ao ensino particular, após a associação dos estabelecimentos de ensino particular e cooperativo, ter admitido recorrer ao ensino à distância nas próximas duas semanas.

António Costa, 27 de Janeiro, Circulatura do Quadrado:

No programa, após críticas feitas pelo antigo dirigente do CDS António Lobo Xavier às posições assumidas pelo ministro da Educação a propósito da suspensão das aulas presenciais, o líder do executivo saiu em defesa de Tiago Brandão Rodrigues.

Ninguém proibiu ninguém de ter o ensino online”, advogou António Costa, recusando que o seu executivo entre “numa discussão fantasma” e que haja “preconceitos” em relação ao ensino do setor privado.

João Costa, 27 de Janeiro, Jornal de Letras:

Há uns cheios de certezas, outros cheios de realismo. As certezas chegam no dia seguinte, no “devia ter sido”. O realismo convive com as (in)certezas dos especialistas, a (im)previsibilidade das estirpes, o estar preparado para o pior e ser surpreendido pelo ainda pior que ninguém adivinhava. Há quem hoje tenha a certeza disto, para no dia seguinte afirmar, confiante, o seu contrário.

Uma Questão De “Prevalência”

O ministro Tiago foi prestar esclarecimentos ao povo pelas 20.15, mas em matéria televisiva só a RTP3 lhe deu antena. Nada de novo, o nervoso miudinho a descompor-lhe ali o canto do sobrolho direito, palavras em rajadas quase em parar, um esforço imenso para dar a entender que isto só é assim porque a “prevalência” do bicho inglês estragou o belíssimo trabalho que ele acha que tem sido feito em grande parte por si mesmo. Há momentos em que quase tenho pena das figuras em que este pessoal se coloca. Não há mordomias ou futuras portas abertas (ainda acaba em “reitor”?) que compensem este tipo de prestações. Ou melhor, há para quem valha, mas somos de estirpes muito diferentes.

(o secretário, claro, anda em modo stealth…)