Admira-me Tamanha Admiração

Foi preciso MSTavares entrevistar o André Ventura para muita gente constatar que ele tem do jornalismo uma memória distante e que como entrevistador é uma lástima completa, servindo-se do tempo que lhe dão para atropelar os entrevistados de quem não gosta ou estender o tapete aos que são da sua simpatia? A entrevista de António Costa não parecia um derriço à moda antiga, cheio de olhares e cumplicidades, mas sem proximidade física relevante? Antes disso, já não se tinha visto o “entrevistador” a interromper a despropósito os convidados para fazer as suas declarações pessoais sobre este ou aquele tema da sua estimação? E depois desata a culpar as “redes sociais” por tudo e nada, nunca tendo um pingo de auto-crítica ou de admissão dos erros grosseiros que comete?

Se um entrevistador não está obrigado a ser neutro, também não deve ter sempre a mania de que ele é que sabe tudo (e a verdade é que cada vez ele sabe menos do mundo que o rodeia) e os outros são idiotas (em especial por terem aceite o convite). Em outras paragens há entrevistadores durinhos, também com alguns tiques de “diva”, mas os seus programas têm uma componente de entretenimento assumido. É o caso de Bill Maher, que faz poucos prisioneiros quando leva gente de que não gosta, mas ao menos sabe do que fala.

Mas se a TVI paga ao presidente da CMLisboa para ter um espaço de “opinião”/propaganda, pouco me espanta que ache que vale a pena apresentar o nosso opinador-mor do reino do faz-de-conta como se fosse uma cristina ferreira da informação ou algo mais do que um tipo com uma arrogância só equivalente à sua ignorância funcional e aos preconceitos que se foram agarrando à pele e ele confunde com “frontalidade”. Não, é apenas um envelhecido petiz mimado e malcriado. E não espanta nada que deteste professores.

A “Legislação Vigente”!

Falava ontem com alguns colegas, a pretextos vários, sobre a forma como (não) se têm resolvido situações de acordo com a legislação em vigor, mesmo quando é isso que, informalmente ou em suportes inválidos em termos dos procedimentos mais básicos a respeitar na administração pública por agentes do Estado com autoridade sobre outros, é invocado como razão para certos “actos”.

O problema é que as leis e normativos servem apenas num sentido, mas raramente no outro, não sendo raro que perante pedidos formais (requerimentos, pedidos de escusa, de impedimento ou reclamações perante evidentes atropelos das regras em horários ou funcionamento interno das organizações) surjam contactos informais para tentar resolver as coisas na base da “compreensão”, do “bom ambiente”, do “estamos todos numa situação difícil”. O problema é que isso é o argumento, em regra, de quem sabe que não tem razão, que fez o que não devia, que extrapolou das suas competências ou fez uma leitura abusiva da “legislação vigente”, sabendo que não pode passar a escrito, em resposta para arquivo, aquilo que diz oralmente, mesmo que sinta as “costas quentes” dos serviços político-administrativos centrais da tutela.

O abuso despudorado dos poderes, a tentativa de imposição de soluções de facto, vão a par das tentativas de “sedução” com voz mais ou menos maviosa, para tentarem que se outrem faça aquilo a que não está obrigado e aceite “colaborar” e contribuir para a “solução”. E nem falta, em casos de maior escassez de vergonha, o indecoroso argumento da “pandemia”, do “estado de excepção em que vivemos” e que, pelos vistos, serve para justificar todos os desmandos.

E quase tod@s @s colegas com que falei sentem-se indefesos perante isso, desanimados com os efeitos de qualquer resistência, reclamação ou recurso, sendo poucos os que ainda exigem que tudo seja colocado preto no branco e que a “legislação vigente” seja claramente referida e extensamente citada ao que se aplica e não como muleta automática de operacionais que muitos de nós ouviram clamar contra tudo e mais alguma coisa, até o seu lugarzinho à volta do tacho estar em risco. Porque as leis podem ser “flexíveis” para umas coisas, mas não para outras. Ou vice-.versa, conforme as conveniências de quem acha que defeca d’alto e só borra os outros.

Sim, o exemplo vem de cima. Mas não é justificação. Muito menos o aceitarem-se conselhos em off para agirem assim ou assado, apenas para entalarem o próximo e o distante, caso não colaborem a bem (a tal abordagem sedutora e maviosa) ou a mal (as ameaças de procedimentos disciplinares e imposição da lei da rolha).

E o que descrevo cada vez são mais a regra do que excepções.

Domingo

Confesso não ter muita paciência (ou complacência) em relação a pessoas que voluntariamente se candidatam a cargos cuja funções e eventuais agruras conhecem, para depois se queixarem da dificuldade dessas funções e dos aborrecimentos causados por tais agruras, parecendo que só tinham previsto as vantagens. Em todos este anos, em torno da minha vida profissional escolar, candidatei-me a dois cargos. De um, saí ao fim de cumprir um mandato (Conselho Municipal de Educação), por achar que era mais decorativo do que outra coisa e que íamos lá para ouvir decisões tomadas algures e pouco mais. Não tenho uma má memória, apenas a recordação de umas horas maioritariamente vazias de substância. Do outro, demiti-me a meio do segundo mandato (Conselho Geral), quando achei que o mínimo dos mínimos em matéria de cumprimento das suas regras tinha sido abandonado e que o seu papel, já de si muito “mitigado”, estava a ser perfeitamente pulverizado, pelo que não fiquei lá a fazer figura de corpo presente.

Portanto, acho que a pessoas que se candidatam a cargos por vontade própria, sabendo ao que vão, depois se comecem a queixar dos deveres, mas sem nunca “largarem o osso”, porque, apesar de tudo há lá “carninha” agarrada. Se não estão bem, mudem-se, por o mundo não acabará. Muita gente importante finou-se e continuamos cada vez mais por cá e, apesar de funerais pomposos, todos os insubstituíveis acabaram melhor ou pior substituídos. Até nós, temos sobrevivido sem Sebastião voltar.

Ó Shôtôra, Mas De Maneira Que Não Lhe Mandem Nenhuma Netinha Para Casa!

Porque eu ainda me lembro bem da forma como tem abordado este assunto ao longo dos meses e só gostava mesmo de saber se a “lei da rolha” que está a vigorar em muitos lados é por sugestão oficial ou se é atitude voluntária por parte de algumas direcções.

Um mês depois [do início das aulas], a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, admitiu esta quarta-feira que as normas adotadas para os estabelecimentos de ensino precisam de ser revistas, adiantando que aconteceu uma reunião entre a DGS e parceiros escolares para analisar a situação.

(Sábado, 14 de outubro)

O Miguelito Continua A Ler Pouco E Mal

O escriba-mor do reino balsemânico parece que anda a reclamar para si a enorme qualidade de ter sido um dos primeiros – e certamente o primeiro entre este país de idiotas – a alertar para os perigos das redes sociais em termos políticos e de “canalhice humana”. Ora bem… sobre “canalhice humana” muito haveria a escrever, mas não gostaria de entrar pelo mesmo nível de argumentação.

Foquemo-nos apenas em dois pontos.

1) O “populismo” ou o que agora passa por isso precedeu em muito o aparecimento das redes sociais, embora não tanto dos meios de comunicação de massas. Em cada momento, os líderes carismáticos populistas lançaram mão dos meios ao seu dispor para comunicarem com sucesso com o seu eleitorado potencial. Mussolini não precisou do Twitter e o Hitler talvez fosse pouco hábil se tivesse acesso ao WhatsApp. Penso mesmo que Salazar (ditador, mas apenas populista q.b.) teria igual nojo ao que MST sente em relação ao Facebook. E o que dizer de outros populistas já mais nossos contemporâneos? O pai Le Pen tornou-se “popular” antes do velhinho Hi5 e chegou à segunda volta das presidenciais em França ainda o Instagram vinha quase a uma década de distância. Quando o Berlusconi chegou a primeiro-ministro de Itália a Internet ainda era uma palavra globalmente desconhecida. Jorg Haider assustou muito antes de haver Snapchat e os irmãos Kaczyński chegaram ao estrelato político antes do You Tube ser criado. E no Brasil, antes de Bolsonaro tivemos Collor de Melo. À esquerda, o populista Hugo Chávez chegou ao poder ainda no século XX. Todos eles usaram meios de comunicação de massas para se promoverem, chegarem ao eleitorado e transmitirem a sua mensagem. Não precisaram de redes sociais. O “populismo” é uma forma e um conteúdo que se aproveita dos “meios” disponíveis em cada momento. Anteontem, microfones, rádio, cartazes e filmes; ontem, a televisão; hoje, redes sociais; amanhã… o que existir. Sobre a ascensão e raízes menos superficiais dos nacionalismos populistas fica aqui uma sugestão que já fiz há uns tempos e que até parece já ter tradução nacional. Evita algumas leituras/análises que vão para lá do simplismo e entram de forma decisiva pelo simplório.

(quanto a boatos e coisas falsas… ainda me lembro de algumas… sobre os professores… e quanto receberiam por classificar exames… e não foi em redes sociais…)

2) Trump não é um produto das redes sociais. É um produto de uma insatisfação socialmente localizável com a forma de governação actual de algumas democracias liberais “avançadas” e com a evolução da sociedade americana no sentido de uma maior diversidade étnica. Trump era mal educado muito antes de existirem redes sociais. Aconselho a audição de intervenções dele na rádio ao longo dos tempos, em especial quando provocado pelo Howard Stern (este é um dos casos), como este explica. A sua misoginia ou sexismo, a sua forma de estar abrutalhada, o seu culto do sucesso a qualquer custo precedem em muito as suas tuítadas. Se permitiu amplificá-las? Sim, mas não mudou a sua substância ou, sequer, o seu carácter apelativo para uma massa do eleitorado que ele mobilizou especialmente com a sua própria presença. Mesmo por estes dias, insiste em retomar comícios presenciais e em recusar debates virtuais, apesar de transmissíveis ou multiplicáveis nas redes sociais. E se é verdade que existem claras provas da influência das redes sociais em campanhas contra os seus adversários políticos, dificilmente ele teria sucesso se não conseguisse estabelecer uma relação “pessoal” com a sua base de apoio, claramente menos sofisticada em alguns dos seus núcleos duros (brancos, de meia idade ou mais, do interior dos E.U.A., com menos formação académica e profissões com alguma qualificação, mas ameaçadas pelos efeitos da globalização) em termos digitais do que o eleitorado de outros candidatos. E em relação ao uso das redes sociais, um dos precursores nas campanhas presidenciais (Howard Dean, que também falava em “recuperar a América para os americanos comuns”) caiu em desgraça exactamente quando elas amplificarem o seu famoso “grito” em 2004. Portanto… as redes sociais têm lados muito maus, mas não são as primeiras responsáveis pelas derivas populistas e o seu sucesso.

Há muito tempo que o escriba-mor do universo mediático balsemânico (excepto quando a TVI lhe acenou com mais dinheirinho) se informa pouco sobre o que escreve e gosta de confirmar as suas próprias “profecias”, ignorando quem demonstrou o contrário. Que, em dado momento, escreva umas coisas que soam bem e parecem certas é como os relógios parados que acertam na hora duas vezes por dia.

In sum, to understand the link between social media and the recent rise of populism we need a global, comparative approach that carefully scrutinises claims about the effects of new media technologies on political change. Future thinking and action on social media and populism must consider a larger set of factors and cultural contexts than those normally considered, while carefully checking reports about the direct impact of social media analytics, filter bubbles or fake news on populist successes.

A Grande Qualidade De António Costa…

… é conseguir enfiar barretes em todos os quadrantes, convencendo o Bloco que sem eles não há OE, enquanto acerta com o PR e Rui Rio (embora chegue a ser penoso este a explicar a sua posição sobre o Tribunal de Contas, dizendo que concordou com aquilo de que discorda) os negócios maiores do regime e as nomeações para as “controlar”, embolsando as oposições à esquerda e direita (e com mais uns tostões embolsa o PAN). Ao menos, parece que o velho Jerónimo está a acordar do torpor em que caiu há uns anos, embora saiba que se bater muito o pé, as suas autarquias sofrerão.

Tal Qual Como No Conselho De Estado

Numa escola deste país, que até tem carteiras individuais, mas se vê na obrigação de meter 28 alunos numa sala. No caso das minhas turmas, são 27, em mesas duplas, embora me pareça que a área das salas seja ligeiramente maior. Neste caso, é mesmo a realidade a cores e tudo. Como se vê, o arejamento ali num dos cantos deve ser imenso. E se @ professor@ precisar de andar pela sala, o distanciamento social é uma ilusão de óptica.

Se mostrarem ao ministro Tiago, já sabem, a culpa foi da escola, que não soube requisitar a tempo o espaço a que teria direito.

(ahhh…. e tal… se fosse no Sudão do Sul nem tinham cadeiras e nem se queixavam, já sei…)

O Estado Da República

A conversa:

“É preciso sobrepor o interesse colectivo aos interesses individuais”, defende Marcelo

Os factos:

17 ex-gestores do GES tiveram perdão fiscal. Só Salgado terá legalizado 34 milhões

“Está a preparar-se um assalto aos fundos europeus”, diz presidente da Transparência e Integridade

Nova presidente da TIAC está preocupada com afastamento de Vítor Caldeira da presidência do Tribunal de Contas. Neste momento há dúvidas sobre quem se encontra em funções.