Erro Lamentável Ou Procedimento Totalmente Habitual?

Alguém mente e percebe-se claramente quem é. Porque se era procedimento comum em 2019, não se pode agora dizer que é um erro lamentável ou atirar culpas para uma lei de 1974 descoberta a preceito. Isto cheira tanto a “ranço” que até enjoa.

“Não podia ter acontecido”. Fernando Medina pede desculpa por “erro lamentável” da Câmara de Lisboa

Perante o protesto e o pedido de esclarecimento dos ativistas, o gabinete de Fernando Medina explicou que “avisar as embaixadas dos países” era um “procedimento totalmente habitual” e apresentou ainda outros exemplos.

Mais Uma Cavadela…

… mais uma minhoca apanhada na argumentação da economista Peralta que parece uma daquelas especialistas instantâneas em economia da pandemia, só que truncando ou adulterando a informação que depois outros papagueiam de forma acrítica. E não há nada mais divertido do que ver alguém a “armar-se”, a colocar-se em bicos de pés em cima de barro por cozer.

No seu texto de 26 de fevereiro (“Costa, Marcelo e a penitência da Quaresma”), Susana Peralta argumenta em favor da abertura das escolas, apoiando-se num editorial publicado na revista médica The BMJ. A economista não deve ter feito uma análise cuidadosa da publicação que escolheu, ou teria detetado que o trabalho não apresenta informação científica que negue às escolas impacto na propagação do vírus – explico porquê nos últimos parágrafos deste texto, para quem interessar.

São As “Escolas” Ou O ME Quem Exige Os Papelinhos Todos Certos Para Dar Os Apoios?

Ainda esta semana foi feito novo pedido de comprovativos da Segurança Social dos alunos com direito a apoios. Se não os tiverem não são excluídos” pelas escolas, mas por quem define as regras a nível superior. Há gente que fala e escreve do que não entende, esquecendo-se que as tais “escolas” malandras acabam a ajudar estes alunos de modo informal e nas entrelinhas das leis. A começar por quem, em nome do Governo, se desresponsabiliza do que faz, atirando o odioso de tudo para os outros. Neste caso, o objectivo ´+e dar a entender que os alunos não são apoiados, não por incompetência da tutela, mas por má-vontade das escolas. Pena que os directores tenham levado uma injecção atrás da orelha parecida à que levou o super-lutador que agora anda sempre a reboque.

A mentira tornou-se a regra na relação do Estado com a opinião pública.

Escolas não podem recusar imigrantes em situação irregular mas há quem esteja a excluir estes alunos dos apoios sociais e dos que precisam de receber computadores. “É como fechar-lhes a porta da escola”, denuncia Centro Padre Alves Correia. Governo esclarece “que estes alunos têm direito aos apoios no âmbito da acção social escolar” e que escolas têm que os incluir.

Atentado Ao Pudor Na Via Pública

Tiago Brandão Rodrigues, 21 de Janeiro, conferência de imprensa televisionada:

Após o primeiro-ministro ter anunciado, no final do Conselho de Ministros, que as aulas estavam suspensas a partir desta sexta-feira e até 5 de fevereiro, Tiago Brandão Rodrigues veio esclarecer que esta suspensão abrange todo o ensino, incluindo os estabelecimentos particulares. “Não há exceções”, frisou.

E deixou críticas ao ensino particular, após a associação dos estabelecimentos de ensino particular e cooperativo, ter admitido recorrer ao ensino à distância nas próximas duas semanas.

António Costa, 27 de Janeiro, Circulatura do Quadrado:

No programa, após críticas feitas pelo antigo dirigente do CDS António Lobo Xavier às posições assumidas pelo ministro da Educação a propósito da suspensão das aulas presenciais, o líder do executivo saiu em defesa de Tiago Brandão Rodrigues.

Ninguém proibiu ninguém de ter o ensino online”, advogou António Costa, recusando que o seu executivo entre “numa discussão fantasma” e que haja “preconceitos” em relação ao ensino do setor privado.

João Costa, 27 de Janeiro, Jornal de Letras:

Há uns cheios de certezas, outros cheios de realismo. As certezas chegam no dia seguinte, no “devia ter sido”. O realismo convive com as (in)certezas dos especialistas, a (im)previsibilidade das estirpes, o estar preparado para o pior e ser surpreendido pelo ainda pior que ninguém adivinhava. Há quem hoje tenha a certeza disto, para no dia seguinte afirmar, confiante, o seu contrário.

Aguentei Pouco Mais de Um Minuto…

… a ver e ouvir o António Costa a retomar o seu lugar na agora Circulatura do Quadrado. Apanhei-o com ar sonso a dizer que não lhe competia analisar os resultados das presidenciais, mas que o resultado da Marisa Matias talvez fosse decorrente da atitude menos colaborativa do Bloco em relação ao governo e que o João Ferreira tinha consolidado (ou qualquer coisa assim) os resultados do partido que mais tem ajudado a solução “de esquerda” da governação. Esta última parte foi mais explícita do que a anterior, porque o homem para além de se baralhar muito nas concordâncias, tem o hábito de achar que consegue ser subtil e que aquele sorriso azeitoso é charme natural. Não vi o resto, porque até eu tenho limites para o que consigo aturar de auto-complacência e atentados ao pudor em público (até porque o Jerónimo me parece camarada recatado em tais matérias).

(entretanto, leio que “Costa defendeu o ministro da Educação dizendo que “ninguém proibiu” o ensino online” e não há realmente pachorra para tanta aldrabice)