Porque Insistem Em Enganar Quem Lê Apenas Os Títulos

A chamada de primeira página é a seguinte:

Pub 2Jan20

O que se lê na notícia?

Entre Novembro e Dezembro foram colocados nas escolas mais 1741 professores a contrato para substituírem docentes do quadro que se encontram ausentes, sobretudo devido a baixas médicas.

Ou seja: não existem mais 2000 professores nas escolas, apenas foram substituídos os que estão/ficaram doentes ou “ausentes”. E no caso destes “ausentes” que não sejam por baixa médica, seria interessante perceber porque apenas depois de Novembro terão sido substituídos. E nos caso das baixas médicas seria tão interessante que se investigasse quem está a entrar e com que qualificações, em vez de se debitarem os números do Arlindo, sem os explicar devidamente. Porque o que fica à vista é um engano e é bom que isso seja claramente demonstrado. E a foto do ministro, o que está ali a fazer? Foi ele que tomou alguma decisão nova para resolver o problema?

E depois acrescenta-se ainda que há “140 docentes sem alunos”.

Não. Existem muitos mais. Basta fazer as contas aos directores e subdirectores sem componente lectiva. Acho que dá dez vezes esse número.

Não é bem o mesmo?

Pois… mas então não façam chamadas de primeira página à moda de fake news. Acham que é assim que 1) Vendem mais? 2) Combatem as redes sociais? 3) Dão algum exemplo de jornalismo rigoroso?

Phosga-se… pensava que estes tempos, em alguns casos, estavam ultrapassados, mas já se está a ver que não e que 2020 começa mal, muito mal.

O (Do) Costume

Ainda bem que não vi o Sexta às 9 da passada semana sobre a violência nas escolas e a sempre prestimosa e spinante presença do SE Costa. Pena que os desmentidos não passem em horário nobre e sejam necessárias as redes sociais e blogues para tentar colocar a verdade no lugar.

malandro

(sempre me admirou a forma como alegados crentes nisto ou naquilo conseguem ter uma relação tão sinuosa com os factos…)

Porque Será…

… que há pessoas que aparecem na televisão a dizer coisas factualmente falsas que podem ser facilmente verificadas? A menos que, claro, tudo isto se deva a dados que ainda todos desconhecemos e por isso inverificáveis. Não é por acaso que pertencem ao grupo dos que querem acabar com tudo o que sejam “testes”, “exames” ou outras modalidades de avaliação externa comparável e respectiva publicitação de resultados que gostam de adjectivar de modo negativo de forma profusa. Porque daria um certo dó demonstrar como certas “metodologias avançadas” e um fortíssimo marketing com apoio do ME se traduzem em resultados medíocres, por exemplo, em Matemática (que se apresenta como um dos casos em que se mudou a metodologia com excelentes resultados). Quando se diz que se conseguem maravilhas com as novas pedagogias e a realidade é outra. Ou quando se fica em último lugar num concelho que nem é brilhante em resultados, mas se diz ter-se tido um desempenho comparativamente melhor.  Mas eu aposto que os professores no terreno não iriam dizer “inverdades” deste tipo e é por respeito a esses meus colegas, que muito fazem, que aqui não coloco os links ou imagens. Só lamento que as “lideranças” se andem a tornar em especialistas de cosmética e relações públicas. E ainda se apresentem como “exemplares”. 

E quem me conhece sabe bem que eu não guardo estas críticas apenas para casas alheias. Porque não gosto de fingimentos e pós-verdades ou factos alternativos. Mesmo que comecem por me doer a mim as consequências dessa atitude de chutar sempre para canto as responsabilidades pelos maus resultados.

pavao

 

Pelo Público

O salário dos professores: fact-checking

(…)

No caso dos salários, é grave que os estudos se fiquem pelo copy-paste dos dados nominais e pela aplicação de fórmulas do Excel que agora até já estão incluídas nas janelinhas do programa. A diferença é muita e bastaria consultar as tabelas disponíveis em sites sindicais. Se consultarmos as tabelas salariais para 2019, verifica-se que entre o 1.º escalão (1518,63€) e o 10.º escalão (3364,63€) existe uma diferença de 1846€, o que equivale a uma diferença de 121,6% (o estudo da Eurydice usa os dados de 2018). Mas esses são valores nominais. Os valores reais, líquidos, são outros. Depois da carga fiscal directa do IRS e do pagamento de outras obrigações, o que resta no bolso dos docentes? E qual é o verdadeiro diferencial?

PG PB

Domingo

É estimável a aparente renovada preocupação de alguns órgãos de comunicação convencionais em verificar a fiabilidade de algumas declarações de políticos ou “notícias” falsas, mais ou menos virais nas redes sociais. Não vou relembrar com muita insistência que continuam a não olhar para “dentro” e a admitir que muito logro veicularam, de forma consciente ou não, em troca de algo ou não ao longo dos anos e que continuam a falhar muito na verificação dos factos que publicam, assumindo que fonte “oficial” significa rigor.

Vou apenas constatar algo óbvio e que é o facto de os critérios “editoriais” que definem o que deve ser ou não ser verificado ser em si mesmo uma forma de dar mais ou menos importância a uns temas ou pessoas. Ou de colocarem a fazer essa verificação gente certamente estimável mas que parece considerar que o google contém 99% da informação passível de ser consultada e que uma notícia se faz apenas com o uso de um telemóvel medianamente inteligente.

VerdadeTruth

Tancos É um Caso Muito Mais Grave…

.. do que uma aliança parlamentar para repor o tempo de serviço dos professores que levou a ameaças de demissão. Porque é mentira em funções do Estado em matéria por demais sensíveis. Rio tem claramente razão numa coisa: se o actual PM realmente nada soube do que se passou, é porque não é verdadeiramente um PM responsável. Pode vir a ganhar eleições, claro. Como os valentins e isaltinos.

Mentira