Phosga-se! – Série “E@D” #4

A forma como na DGE tratam as mensagens dos professores e as denúncias que há quem diga (e bem) que devem ser feitas. O pessoal lá nem tem paciência de mandar um “recebido”. Apagam sem sequer ler. O que vale é que os professores arcaicos ainda sabem enviar mensagens com relatório de leitura.

Há quem se queixe do “Estado”. Ora bem…

Screenshot Zoom

Há Alunos À Espera De Professor?

Às vezes espero um ano quase inteiro por alguns alunos… e nem sempre “chegam”.

Exp12Out19

Expresso, 12 de Outubro de 2019

(como em tantos casos, ninguém assumirá qualquer responsabilidade pela desastrosa política de gestão de recursos humanos na Educação… e nem foi por falta de aviso que isto ia acabar assim…)

Onde Está A Grande Descoberta?

E o futuro não será brilhante, pois andam pacientemente a transformar o “sistema público de ensino” numa rede escolar de 2ª ou 3ª linha, não apenas em termos de equipamento (salvo alguns Palácios Escolares) mas da própria concepção pedagógica de nivelar tudo pelo mais básico ou “essencial” no seu pior sentido. Em muitas partes do país, só mesmo a erosão de uma mítica classe média não levou a um maior êxodo.

Este tipo de constatação não precisa de qualquer estudo da OCDE. É pena que o ME não tenha a coragem de apresentar os dados a que pode ter acesso e disfarce com coisas que surgem “lá de fora”. E ainda mais do que a cobardia política, impressiona a forma como transformaram a “inclusão” e todo o “pafismo” flexibilizador numa amálgama que assusta quem tenha um pouco de capacidade crítica para distinguir a treta retórica do que interessa.

OCDE: Portugal entre os que têm mais colégios só com “gente rica”

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Se Fosse Só Em Beja!

É o resultado de uma política imbecil e completamente desarticulada de gestão de recursos humanos. Quer poupar-se, então não se deixa as escolas pedir horários em Agosto para lugares de pessoas com atestados de longa duração. Só na RR2 que é para poupar umas três semanas de salário a quem entrar ali por 20-25 de Setembro. Entretanto, as Juntas Médicas (Fraudulentas?) enviam para as escolas, sem as encararem nos olhos, colegas meus/minhas sem condições mínimas para assegurarem um horário completo.

No fim de Setembro acabam por existir dois docentes para o mesmo horário, depois de duas semanas sem aulas. Ao fim dos 30 dias de contrato, vai-se embora a pessoa colocada na RR2 ou RR3. Uma semana depois, no máximo duas, após cumprir os 30 dias obrigatórios de serviço, volta a colocar atestado @ professor@ que tinha voltado, por manifestamente não estar em condições. Reinicia-se o processo em RR ou já em contratação de escola.

Este sistema é, de longe, muito mais irracional e pior para o interesse dos próprios alunos do que as velhas listas únicas dos mini-concursos, pois tornam errático, moroso (em especial quando existem recusas dos horários apresentados) e estúpido o processo das substituições de docentes com baixa médica. Só funciona de forma sofrível se algumas regras forem atropeladas.

Alunos de turma do 7º ano em Beja sem professores para sete disciplinas

Como as coisas chegaram a este ponto – assim como a uma carência evidente de gente em alguns grupos de recrutamento – é responsabilidade única e exclusiva dos decisores políticos e de alguns assessores de bancada ao longo dos últimos 15 anos. Responsabilidade que nunca assumirão (ao contrário da relativa ao “sucesso”) porque a cobardia política parece ser condição indispensável para se assumirem certos cargos.

Com jeitinho, estas faltas ainda aparecerão em estatísticas do absentismo escolar, quando for necessário denegrir mais a imagem profissional dos docentes.

Velho

(casos esporádicos e isolados? nem por isso… comecei o ano com 4 baixas no CTurma da minha DT e só esta semana – a 5ª de aulas – conseguimos completar o elenco, sendo o último a chegar de um dos grupos de recrutamento com melhor lobby junto do SE Costa em matéria de fatiamento curricular; também com jeitinho, aparecerá o ministro Tiago a dizer que só teve todos os professores em Dezembro quando andava em calções na escola)

Serviço (Pouco) Público

CTT. Estas são as 22 lojas que vão fechar

O plano de reestruturação dos CTT previa, desde cedo, o fecho de algumas lojas. No entanto, não era conhecido o número.

CTT cortam 800 postos de trabalho e fecham balcões

A partir de 2020, empresa liderada por Francisco Lacerda quer ter mais 45 milhões de euros nos resultados operacionais.

E ainda querem que acreditemos que o banco vai funcionar?

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Continuo a Achar um Abuso

Que no Ensino Básico (já nem falo em escolaridade obrigatória, universal e gratuita) obriguem os alunos a pagar folhas de teste com carimbo da escola/agrupamento para poupar nas fotocópias das fichas de avaliação.

E depois falam em Educação para o Século XXI, toda digital e planos tecnológicos que custam milhões?

E vergonha na cara? Não há dinheiro sequer para as folhas em que obrigam os alunos a fazer os testes? Então o melhor mesmo é passarmos para o modelo em que não existem.

Patinhas

(e não venham com acusações aos zecos, porque isto são instruções para as poupadinhices como aquelas de pedir papel higiénico aos encarregados de educação e tal…)

Aquilo Que Eu Chamaria Uma Gestão Eficaz dos Recursos Humanos (E do Interesse dos Alunos)

Não andaria tanto em busca do tostão do horário (zero ou outro) poupado no curto prazo, mas sim preocupada com a melhor forma de suprir faltas temporárias de professores. A existência de professores com uma eventual insuficiência de horário pode servir para, em circunstâncias ocasionais, substituir de forma rápida um Director de Turma em falta, um professor que apenas pensa faltar uma semana ou duas por imperativos familiares ou de saúde, permitindo uma continuidade (não confundir com a treta das aulas de substituição de aulas de Matemática com professores de História) da presença junto dos alunos, por forma a evitar descarrilamentos. Nem sequer falo apenas de professores do “quadro” mas igualmente de professores contratados que podem cumprir esse tipo de missão que tem o seu quê de ingrato mas que, ao permitir aos docentes manterem-se alguns anos na mesma escola, reforçam a vários níveis a estabilidade do “corpo docente” mas também do “discente”, pois não ficam 2-3 semanas ao deus-dará. Até porque, tantas vezes, a deslocação de docentes todos os anos acaba por ter um efeito contraproducente ao nível das (mais do que justificadas) baixas médicas.

Claro que os arautos da “racionalização financeira” não pensam assim, seja os que têm assento nas Finanças, sejam os seus subordinados da Educação, como a SE Leitão que tem para este tipo de coisa a sensibilidade de um paquiderme a rolar por uma colina com 40º de inclinação abaixo.

Patinhas

Os Elevados Custos da Erosão dos Serviços Públicos

É anedótico ver tipos como o Hugo Soares e afins a clamar pela desprotecção dos cidadãos perante os fogos, atribuindo a responsabilidade ao fracasso do “Estado”. No que eu estou plenamente de acordo, só que levaria a questão a outro nível de análise, um pouco além da demagogia de parlamentares de aviário. Ou seja, o “Estado” é quem? Todos, mas nenhuns em concreto? O “Estado” – neste caso guardas florestais ou recursos equiparáveis para detecção precoce de incêndios, polícias para fechar estradas, isolar áreas, recolher pessoas (a bem ou menos bem) em zonas de elevado risco, bem como, bombeiros equipados e com orientação para intervir, sem andarem às  cegas atrás de tudo e nada, a fazer o impossível – é determinado por quem?

O deputado Hugo Soares, alguns dos tristes pares que o colocaram como líder parlamentar, mais o pessoal do CDS arrepiado com as mortes rápidas verificadas, parecem não se interrogar sobre a razão da erosão dos serviços públicos que os seus partidos promoveram de forma activa, em colaboração com o PS, não esqueçamos, desde o início deste século, para não irmos mais longe. E se falarmos em tantas outras mortes em combustão lenta por ausência de serviços públicos (caso da Saúde, não apenas da Administração Interna), o que nos responderão? Até há dias diriam que a maioria desses serviços seriam melhor desempenhados pela “iniciativa privada”.

Mas agora já dizem outra coisa. O sempre presente e tudólogo José Gomes Ferreira estava no outro dia na SICN a denunciar a “economia/indústria dos fogos” que ganha com as consequências dos incêndios, desde a madeira queimada ao aluguer de equipamentos para combate aos fogos e indignava-se com a falta de investigação sobre os interesses instalados no rescaldo destas tragédias. E concluía, com uma clarividência que não lhe via há anos (e muito menos quando dialoga com luminárias do tipo Mira Amaral, João Duque, João Salgueiro, Ferraz da Costa e muitos etc) que o mais certo é que este tipo de serviços (prevenção e combate a incêndios) sairia mais barato ao Estado se fosse feito com meios próprios (públicos, permanentes,.

O homem viu a Luz! O arauto da “eficácia”, da “racionalização”, do “combate ao despesismo do Estado” e tantos outros lugares vulgaríssimos parece ter percebido à fora de mais de uma centena de mortes quase em directo que serviços públicos não guiados pelo lucro de prolongar a intervenção e explorar os despojos, talvez sejam melhores do que contratos sazonais com interesses privados.

Não me refiro, claro, àqueles negócios que também surgem ao nível de certas chefias (Protecção Civil, Bombeiros) e que são pura e simples corrupção. Falo de toda uma estrutura no terreno que actue em permanência com uma orgânica clara e não uma pulverização de hierarquias em que há mais chefes no papel do que bombeiros no terreno. Serviços que não respondam porque “os acontecimentos foram foram o resultado de circunstâncias fora do normal” (também há aquela das inundações se deverem muitas vezes a chuvas “acima da média para a época do ano”).

Se serviços públicos permanentes, bem estruturados e equipados do ponto de vista técnico, humano, com um planeamento racional e não a pensar apenas em quem pode ter que cargo e ganhar o quê, são a médio prazo mais vantajosos para as contas públicas do que contratualizações ruinosas, das casuísticas para acudir a qualquer preço a desgraças às de prazos indeterminados e rendas calamitosas (olhem, parece que, afinal, foi a EDP da parceria sino-mexia que não limpou as zonas em torno das suas linhas na zona de Pedrógão, podendo ter causado o incêndio), parece-me algo pacífico e não necessariamente ideológico como alguns pseudo-liberais defendem (para poderem ter contratos com o Estado que abominam).

Até porque a expansão desse tipo de serviços foi exactamente a matriz do Estado Liberal moderno ocidental desde o século XIX, no sentido de chegar a todo o território e a todos os cidadãos para que se concretize o princípio da igualdade de oportunidades e mesmo da possibilidade de liberdade e prosperidade.

Só que dos hugos sorares aos gomes ferreira, passando por tantos outros putos reguilas ou velhas raposas, a aprendizagem do liberalismo foi feita pela cartilha do cuspo mal amanhado. Assim como a enorme paixão do cds (minúsculo) pela segurança dos cidadãos se traduziu mais em submarinos parados do que em esquadras de proximidade no interior do país.

Mas o que interessa é que fizemos estádios para o euro que agora se calhar até servem para jogos de solidariedade.

brainstorm