4ª Feira

É preciso notar que eu cresci numa terra onde, após 1974, o PS era o partido mais à direita que ousava apresentar candidatos às eleições autárquicas de 1976, a FEPU (social-fascista na terminologia de então) chegava perto dos 70% na freguesia e os GDUP (ide à wikipédia ou à ephemera do JPP para se relembrarem do que eram) eram a terceira força política já depois do 25 de Novembro. PSD e CDS nem concorriam e comícios só para serem cercados em 1980. Em que os meus amigos ou malta um pouco mais velha oscilava (tirando o núcleo duro dos anarcas-contra-tudo-e-todos, mais dedicados à banda desenhada, a jogar à lerpa e a ouvir ramones e talking heads) entre o mrpp e a udp, andando em pancadaria de morte quando os matraquilhos estavam ocupados.

Portanto, a minha “cultura política” foi claramente enviesada e marcada por uma visão da “Direita” que a apresentava como aqueles que não se incomodavam com as desigualdades, as quais explicavam por uma meritocracia “genética”, consolidada com o capital familiar ou com a aceitação do sistema de “exploração do homem pelo homem”, sendo contra convulsões e confusões que visassem combatê-las a partir da acção “das massas” ou do Estado “revolucionário”. Já a “Esquerda” apresentava-se como combatente acérrima das desigualdades, como crente e lutadora pela possibilidade de uma sociedade mais justa, tendo o poder político e o Estado um papel fundamental no alcançar dessa utopia

Ou seja, à luz dos conceitos de 1974-78, o nosso espectro político deslocou-se completamente para a Direita e o mais “radical de esquerda” que agora se arranja são umas versões mitigadas da social-democracia burguesa, coberta com retórica pseudo-revolucionária em alguns quadrantes. E sim, estou a pensar em todos os partidos com assento parlamentar. E sim de novo, o PS com as suas práticas de controlo do aparelho de Estado no interesse dos subsídios próprios, volta a estar firme e hirto no quadrante da Direita mainstream, apesar de alguns floreados demagógicos em prol de uma justiça social de papel.

Pelo que, não tendo companheiros suficientes para um quarteto de lerpa e chegando-me sessões esporádicas de revivalismo musical, passei a ser de novo mais banda desenhada.

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Garanto Que Não Tem Qualquer Destinatári@ Específic@, É Apenas Algo Com Que Concordo Desde Que Me Lembro De Observar As Pessoas

Power Causes Brain Damage

How leaders lose mental capacities—most notably for reading other people—that were essential to their rise.

(…)

The historian Henry Adams was being metaphorical, not medical, when he described power as “a sort of tumor that ends by killing the victim’s sympathies.” But that’s not far from where Dacher Keltner, a psychology professor at UC Berkeley, ended up after years of lab and field experiments. Subjects under the influence of power, he found in studies spanning two decades, acted as if they had suffered a traumatic brain injury—becoming more impulsive, less risk-aware, and, crucially, less adept at seeing things from other people’s point of view.

napoleao-i-no-trono-imperial

Umas Das Vantagens Do “Envelhecimento Docente”…

… deveria ser a presunção de que já sabemos o que lemos há 20 ou 30 anos e que nessa altura nos fizeram digerir à exaustão. Mas parece que o que se assume é que andamos já todos senis e que é preciso explicarem-nos novamente a diferença entre modalidades de avaliação de acordo com o paradigma das últimas décadas do século XX e entre avaliação interna e externa. Um tipo lê certas coisas e pensa estar de volta aos tempos da profissionalização ou de alguma cadeira do 1º ciclo de estudos bolonheses em Educação. Na prática, o que tais “especialistas” nos acabam por demonstrar é a magreza e fragilidade das suas próprias leituras e o monolitismo dos seus conceitos.

entropia

Exige-se Alguma Honestidade Intelectual A Quem Parece Defender O Mesmo…

… que eu defendo, mas o faz de forma tendenciosa e falacciosa. Irene Flunser Pimentel clama em defesa da História, da Filosofia, da Memória, etc, mas afirma que o faz “num momento em que estão sob o fogo da extrema-direita e do nacional-populismo”.

Ora bem… em Portugal a recente reforma flexibilizadora do currículo permitiu fatiar a História no Ensino Básico aos semestres, manteve a Filosofia na sombra e elevou a Educação Física a disciplina dominadora ao serviço do Homem Novo e Saudável, enquanto um governante considerava “enciclopédicas” disciplinas como as atrás nomeadas, defendendo transversalidades praticamente sem conteúdo substantivo em nome de um “perfil do século XXI”. Essa reforma foi feita por um governo do PS, com o apoio do Bloco e do PCP. O que eu gostava mesmo é que quem bate muito no peito como sendo de “Esquerda” me explicasse esta situação à luz dos seus conceitos.  Adianto desde já que não me choca nada classificar o regime costista como uma espécie de “nacional-populismo”. O que tem a historiadora Irene Pimentel a dizer acerca disso ou, como aqueles que critica, vê as coisas apenas preto e branco?

Até porque escreve que:

O populismo — lembro — caracteriza-se por dividir o mundo a preto e branco, entre, por um lado, o “povo” (bom), entidade colectiva perfeita e trabalhadora, e, por outro lado, as elites (más), sejam elas culturais, sociais, profissionais e/ou políticas, pois todas seriam corruptas e nada fariam pelo “bem comum”.

Ora… isto aplica-se que nem uma luva a muita da governação actual e à retórica política que a suporta. O ataque à História, Filosofia, Artes e Humanidades é transversal ao espectro político e é comum a todo o tipo de mentalidades tacanhas, parolas e pretensamente pós-modernas. Mas com o ponto comum da deriva censória. A que não são estranhas as práticas de cert@s historiador@s de um lobby situacionista que eu conheço mais do que bem.

bla bla

 

O Artigo É De 2016, Ou Seja, De Quando Por Cá Voltaram Ao Poder Os Promotores Desta Escola A Tempo Inteiro Com MAis Folclore Do Que Substância

The New Preschool Is Crushing Kids

Today’s young children are working more, but they’re learning less.

Step into an American preschool classroom today and you are likely to be bombarded with what we educators call a print-rich environment, every surface festooned with alphabet charts, bar graphs, word walls, instructional posters, classroom rules, calendars, schedules, and motivational platitudes—few of which a 4-year-old can “decode,” the contemporary word for what used to be known as reading.

Ideia

Um Argumento Que Não Consigo Aceitar

Em tempos que já lá vão, levávamos reguadas e chapadões de profesor@s e isso estava errado, tão errado quanto agora um aluno de 12 anos enfiar uns murros num professor com mais de 60 porque, no fundo, aos 12 anos ninguém é bem culpado de nada.

Uma m€rd@ é que não, se é que me faço entender.

keep_calm_and_pardon_my_french

(um malfeitoria não pode justificar outra… uma besta adulta não pode justificar retrospectivamente seja o que for e se aos 14 anos os petizes já podem ter uma licença especial de condução de ciclomotor em via pública, gostava de saber se esse período de dois anos corresponde ao momento crítico de desenvolvimento de atitudes morais, éticas e etc…)