Interessante

Embora ande um pouco pela superfície, em nome da divulgação.

Un an après l’assassinat de Samuel Paty, nous avons souhaité retracer l’histoire de cette profession dont la place est si particulière dans la République française, à laquelle on prête beaucoup et à laquelle on demande tant.

Outubro 2021

3ª Feira

Dia do Professor. Coincidente com o da República cuja ética se vai esboroando e não apenas por causa das habilidezas profissionais de um vitalino que queria presidir ao TC ou de um sarmento que é alguém com poder na direcção de um rio que se diz anti-poluições políticas. Ontem, mais um estudo de opinião coloca, neste caso, o ensino público no topo das instituições em que os portugueses confiam.

O curioso é que não é isso que muitas vezes sentimos. Seja a partir de “cima”, do discurso político, incluindo governantes (mesmo os de falinhas mansas, que depois nada fazem de concreto sem ser a favor dos seus vassalos) e ex-governantes que aparecem sempre que há algo bom para reclamar os louros. Seja a partir do “lado”, nas escolas onde algumas “elites” adoram exercer os seus poderes de uma forma que vai (com óbvias excepções) da mera incompetência à grave abjecção, no modo como se relacionam com aqueles que já não considera como seus “pares” sem ser, em dias de festa, da boca para fora.

O sistema de ensino público, com muitas falhas e inconseguimentos pelo meio, resistiu ao contexto da pandemia, apesar de todas as promessas não cumpridas e das críticas despropositadas que lhe foram dirigidas. Até resistiu a quem – qual escuteiro a querer que a velhinha atravesse a estrada à força – lhe atirou com imensas “soluções” que mais não eram do que as “suas” soluções.

O ensino público está bem e recomenda-se? Nem por isso, mas desempenha melhor do que quem o critica. Os professores são uma classe impoluta e sem defeitos? Longe disso, mas ao menos não anda todos os dias, em avença mediática, a doutrinar virtudes que não pratica.

A Ler

THE TEACHERS HAVE SOMETHING TO SAY

Lessons Learned from U.S. PK-12 Teachers During the COVID-impacted 2020-21 School Year

(…)

The primary message we heard from teachers is that they have not been valued as partners in designing our educational response to COVID. Specifically, the following three themes emerged from our interviews: 1.) exclusion from decision-making processes is demoralizing to teachers, especially when combined with worsening working conditions and widening inequalities; 2.) ignoring the concerns of teachers led to policymakers and school leaders advancing several seriously ill-considered ideas over the objections of practicing teachers; and 3.) teachers have developed a variety of effective instructional strategies in response to the challenging conditions of COVID. Delta is already disrupting school openings across the country. The school systems with the most effective approaches to pandemic schooling over the next year and beyond will be those that listen seriously to the concerns and insights of teachers and include them in design and decision-making.

E Quem Controla Isso?

No fim de semana tive uma bela conversa com amigo de longa data e responsabilidades na gerência 😀 de uma instituição do ensino superior politécnico, comparando os respectivos modelos de avaliação dos docentes. A certa altura perguntei se os procedimentos estavam todos “plasmados” num Regulamento de Avaliação aprovado pelo(s) orgão(s) competente(s).

Sim, claro que temos.

Mas, perguntei eu, quem controla isso?

O Ministério.

Mas como? insisti.

É o Ministério que trata disso.

Pois, sim, mas como é que controla, vai lá alguém ver se vocês têm isso feito e aprovado conforme o figurino?

Em regra, não.

Então, efectivamente, na prática, quem é que controla se tudo decorre como deveria?

Os professores, respondeu-me ele.

E costumam fazer isso?

Nem por isso.

(pois, bem me parecia! Afinal, não é muito diferente do não-Superior nessa parte. Metade não sabe, metade não se interessa, metade aproveita-se disso, metade pergunta como é se precisa e os esquisitos que não ficam amochadinhos “têm pouco espírito de equipa” e ainda levam má nota na parte do “trabalho colaborativo” prá imagem da instituição)

RR1

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 1.ª Reserva de Recrutamento 2021/2022.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de quinta-feira, dia 2 de setembro, até às 23:59 horas de sexta-feira, dia 3 de setembro de 2021 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato 

Nota informativa – Reserva de recrutamento n.º 1 

Listas – Reserva de recrutamento n.º 1 

Concursos

Não são anos, mas décadas que passei a ouvir falar na necessidade de “estabilizar” o corpo docente das escolas. A cada alteração nos concursos, a justificação mais comum é essa, mesmo quando o que é legislado tem exactamente o sentido contrário. A “fixação” dos docentes é uma prioridade nunca concretizada. Parece que agora vem aí nova vaga reformista, no sentido da “fixação dos quadros” (leia-se, eliminação das hipóteses de “mobilidade”, algo já ensaiado por David Justino há quase 20 anos e que tão mal correu), para que fiquem de vez onde ficarem colocados. Como criatura rara que nunca concorreu a qualquer mobilidade (andando mais de um lado para o outro, em seu tempo, conforme os concursos, sem direito a “jeitinhos”), colocado quando calhava em tempos de contratado e professor na escola onde fiquei pela primeira vez no quadro, sou todo favorável a que se eliminem atalhos e coisas assim mais para o manhoso, lado a lado com outras que são gritantes injustiças.

Por isso, receio muito a simultaneidade desta preocupação do ME e o recrudescimento do apelo dos directores para terem um papel mais activo na escolha dos professores a colocar nas suas coutadas. Já várias vezes referi que não selecciono alunos e devo trabalhar com todos os que me surgem porta dentro, pelo que não percebo porque certas lideranças sentem tanta necessidade de escolher os professores que lhes entram pelos portões. Se um bom professor deve saber mobilizar todos os alunos para o sucesso, independentemente das suas características, acho que um bom director deve saber mobilizar to, os os professores para um bom desempenho.

Mas, ia eu dizendo, receio muito os “mecanismos” que possam vir a ser usados para garantir certas “fixações”, pois se há coisa que já observo é que quem tem as costas mais aquecidas, já consegue “fixar” quem bem entende, ano após ano. O que nem sempre tem sido possível é abrir vaga com retrato à medida. Até porque há quem já esteja há tanto tempo na fila que, mesmo com as ultrapassagens “extraordinárias” que se conhecem, nem sempre é possível meter a agulha no buraco do camelo. Ou algo assim.

É que, com as tais décadas de experiência em ouvir boas intenções “plasmarem-se” em péssimas práticas, nada me garante que não se esteja para aí a preparar um cozinhado meio esquisito. Em que se retribua o favor de aplicar com eficácia e arreganho certas medidas, com uma acréscimo de “autonomia” da acção dos senhores directores, em matéria de concursos “localizados”. E depois não digam que não avisei a tempo. Mesmo sabendo que há quem goste de dar a entender que, qual Cassandra, as minhas profecias não são de fiar, mesmo quando acertam no alvo.

Não Sei Porquê, Mas Sinto No Ar Um Aroma A Frete

Não quero estar a fazer futurologia com fundamento em palpites (mesmo que com algumas pistas), mas cheira-me a cozinhado feiro em sede de geringonça coxa, mas que não envergonharia a malta do outro lado da barricada.

DECRETO N.º 158/XIV
Revisão do regime de recrutamento e mobilidade do pessoal docente dos ensinos básico e secundário

(…) Artigo 1.º
Objeto
A presente lei determina a abertura de um processo negocial com as estruturas sindicais

para a revisão do regime de recrutamento e mobilidade do pessoal docente dos ensinos
básico e secundário estabelecido pelo Decreto-Lei n.º 132/2012, de 27 de junho

2ª Feira

Há matérias que fazem parte do quotidiano de um professor que dificilmente se podem enquadrar no contexto funcional da profissão, mesmo se são incontornáveis, por manifesta falta de meios, nas escolas e em seu redor, para funcionar como primeira linha na defesa dos alunos contra ameaças muito sérias quanto à sua integridade física e emocional.