A Ler

Discordar, discordo um pouco do “rapidamente”, porque já se andam a ver as parcerias para profissionalizações à la minute. A certificação profissional dos professores não pode ser deixada a gente que leu uns livros e tem umas ideias vagas sobre o que é a vida concreta numa escola e na sala de aula, dia após dia.

Se existir um compromisso sério de que estes novos professores sem habilitação profissional nunca entrarão na carreira sem o grau de mestre em ensino, como os demais, podemos não entrar em modo de alarme e dar oportunidade a estes novos profissionais para completarem rapidamente a sua formação já ao serviço. Sem tal compromisso, é fácil prever um cataclismo académico.

6ª Feira

Acho que, já que aceito meter-me nisto, devo ter um mínimo de cuidado na defesa de colegas contra o arbítrio que anda por aí à desfilada, perante o olhar desinteressado da tutela, que só quer que as quotas se apliquem e o resto que se lixe. Mas esse cuidado deve ser extensivo a todos os envolvidos em diligências que não podem ficar-se pelo simulacro do cumprimento da lei, pela displicência no tratamento dos conflitos que surgem ou no puro e simples desleixo. 

6ª Feira – Dia 68

Este vai ter poucos gostos.

Sei que é um tema estranhamente pouco consensual. Um assunto que levanta reservas, com muita gente a torcer o nariz, porque entrevê em quem o defende intenções segundas, aspirações ocultas, todo um programa que vai além do que fica explícito. A ligação à defesa de uma Ordem dos Professores é quase imediata. Mas não é necessário que assim seja. Uma profissão como a docência é das que de forma mais natural deveria exigir a existência de um código deontológico para regular o seu exercício.

Esperem… E Verão Como Tudo Melhorará

Leio almas penadas a clamar contra a derrota da SE Leitão e a exigência parlamentar de um concurso nacional que modere os atropelos cometidos em Agosto passado. Li mesmo um colega (?) a vociferar contra os do “quadro” e – garanto que cito com razoável fidelidade, só não estou para identificar idiotices tão grandes pelo nome – a escrever que não era justo ter de concorrer de novo porque alguém que estava à frente dele na lista de graduação tinha sido colocado onde não queria. Penso que o “professor” em causa nem conseguiu perceber a barbaridade do que escreveu. Ou seja, que um atropelo à legalidade deveria manter-se só porque ele ficou bem.

A essas pessoas que assim pensam, eu recomendo que esperem pela municipalização da Educação e – apesar das negações absolutas nesse sentido – num futuro em que o provimento de lugares para “projectos” com apoio de verbas canalizadas pelas autarquias seja assegurado em concursos locais ou que as próprias necessidades temporárias deixem de ser feitas a partir de uma lista nacional. Então é que vão aprender o que morde a sério a quem não tiver o cartão ou as conexões certas. E será muito “divertido” ver quem andou a clamar contra a municipalização a tomar posições em certos centros de decisão local… alegando que antes eles do que outros.

Burros

(já agora… esta luta por um novo concurso foi feita em grande parte à margem das organizações representativas oficiais e, por vezes, mesmo com a sua adesão contrariada a algumas iniciativas, pois até pareceram concordar com a tese da SE Leitão de que seriam 100-200 os “insatisfeitos”…)

Subscrevo

Sei que (de diversos quadrantes) há a quem António Nóvoa desgoste, mas isso não me interessa grande coisa.

Desde o início do século XXI, têm surgido novas tendências de “administração” dos professores, cruzando três lógicas distintas.

A primeira é o reforço de dispositivos de avaliação, acentuando não os processos de desenvolvimento profissional, mas o estabelecimento de hierarquias dentro do professorado. Num contexto marcado pela omnipresença de indicadores internacionais, estes dispositivos tendem a evoluir para uma remuneração ou premiação dos professores em função dos resultados escolares dos alunos.

A segunda é a intensificação do trabalho dos professores, que vem atingindo níveis impensáveis, seja por via de uma escola transbordante, que quer fazer tudo, seja por via de uma burocratização crescente da vida escolar e docente.

A terceira é a inflação de materiais didácticos e pedagógicos, impressos ou digitais, que se destinam a “facilitar” a acção docente, mas que representam uma diminuição da autonomia dos professores e do seu trabalho profissional.

Ainda que por vias diferentes, todas estas políticas têm consequências nefastas na vida dos professores. Mais do que nunca, é necessário reforçar a profissionalidade docente, através de dinâmicas colaborativas e de uma maior participação dos professores na vida das escolas e nas políticas públicas de educação. (O Tempo dos Professores, pp. 1134)

fio-de-prumo

A Docência em Tempos Digitais

Interessante, mesmo se não concordo com a quase redução do papel do professor a “coordenador” em certas fases do processo.

Technology and the New Professionalization of Teaching

(…)

The new professionalization of teaching, in sum, may require renewed investment in teaching, in teachers, and in teacher preparation. Digital technologies are not likely to replace adults as important guides and role models in students’ development. What digital tools could do, if well designed, well chosen, and well deployed, is make teachers more effective in both traditional and new roles, especially in their new role as coordinator.

To accomplish this, we can no longer afford to evaluate teachers on a single metric: the performance of their students on standardized tests. Teachers contribute to the education and development of children in numerous ways, and our educational institutions must devise systems that acknowledge and reward the full range of professional services that teachers perform. In particular, systems for evaluating teacher performance should take into account teachers’ shift from the center of the pedagogical exercise to the coordinator of a range of learning and mentoring resources. This will require that teachers receive consistent support as they learn how to shift from the focus of a student’s academic life to someone who helps students coordinate the digital experiences they need to grow intellectually, socially, and culturally.

tecno