E Ainda Há Quem Nos Queira Dar Lições Sobre Inclusão E Profissionalismo?

Observei como uma colega minha levou a maior parte da tarde de hoje a fazer materiais específicos para apoiar um único aluno neste arranque do ano. Esteve ali várias horas a escolher materiais, organizá-los em fichas (in)formativas ao ponto de eu lhe pedir encarecidamente para parar de estar já a desgastar-se a este ponto com a preocupação que lhe suscita esse aluno, sem que sejam necessários decretos, despachos, referenciais, manuais para a inclusão ou impressos diversos para que ela sinta este dever como imperativo seu. Ela faz aquilo, como muit@s de nós, porque é essa que sente ser a sua obrigação para com os seus alunos mais vulneráveis, para com aquele aluno em particular. Eu sei que por vezes pareço um bocado cínico em relação a tudo isto, mas é porque depois me irrita muito que apareçam luminárias diversas (lá do topo das cátedras ou gabinetes mas cada vez mais abencerragens de proximidade) a darem lições que ninguém pediu sobre “inclusão” ou a fazer juízos de valor sobre o profissionalismo docente. Sim, sei que há quem mereça críticas, mas raramente são ess@s a levar com a devida sapatada. Em regra, as críticas sobram para quem faz o seu melhor, mas falha em marketing, lambebotismo ou choraminguice.

Cigarros

(ando cada vez menos “filtrado” e com menos vontade para aturar quem pouco faz e muito fala do que não pratica. Ou da protecção dada a quem menos o merece, enquanto se queimam quem menos se sabe defender)

 

 

 

4ª Feira

Nada como um segundo pequeno almoço a tomar o pulso às férias das senhoras que gostam de partilhar com todo o estabelecimento as maravilhas da Isla Canela, porque a Isla Cristina “nem se compara”. Em meu favor se diga que, embora conhecendo os riscos do local, lá entrei quando estava, estranhamente, vazio de clientela. Mas, a dado momento, pareceu ter sido dado uma espécie de tiro e eis que chegaram as clientes habituais, tendo à cabeça a, vamos ser generosos, ainda jovem adulta que fez propaganda ao spa em que trabalha (e que tem uma happy hour “para toda a gente” o que me parece factor eliminatório de qualquer spa que se queira de qualidade mínima, mesmo para subúrbios com pretensões), recurso que  antes de nos maravilhar com os camarões que lhe serviram (que raio de pancada obsessiva este pessoal tem com as gambas) e o igualmente maravilhoso vinho, com a água do mar sempre a 27, 28 graus, umas noites de Verão sem vento “como antigamente havia” (?!?!?!?!) e um paredão de 7-8 km para andar toda a noite. Desde logo, percebe-se que a pessoa não entende o sentido da palavra “paredão”, devendo querer dizer “calçadão”. Em seguida, que levar a noite a andar para trás e a frente 7-8 km me parece uma forma como qualquer outra de desperdiçar muito tempo que poderia ser usado em actividades mais lúdicas (jogar à bisca lambida, como é óbvio). Mas pronto é o que se tem e acaba por substituir um pouco o recurso aos transportes públicos como forma de tomar o pulso à população neste período pré-eleitoral. E ao quotidiano em geral. Durante poucos minutos de cada vez, entenda-se.

Ilha Tropical

(fiquei verdadeiramente em pulgas e ácaros para conhecer a reportagem que terá feito, por certo, para o insta e o feice)

A Necessidade Da Memória Em Tempos Digitais

Regressei ao mundo real e, como seria de esperar, foi duro. Porque há coisas por pagar, outras por levantar, não sei mais o quê por resolver, tudo acrescido do facto do choque térmico de quase 10 graus em poucas horas.

Para começar a resolver algumas coisas ainda hoje, lá fui levantar duas encomendas que estavam em espera (por uma vez não eram nos ctt) e que necessitavam de códigos para ser detectadas, mesmo se uma estava bem visível do balcão onde eu me encontrava. Claro que tudo segue um protocolo e a jovem funcionária (vintes e poucos) deve ter tido formação, mas ai-jesus que não sabia de nada e lá chamou o colega. O colega queria ver a mensagem de confirmação que me tinha sido enviada. Perguntei-lhe se não chegava que eu lhe dissesse o código que lá vinha (7 dígitos, para um tipo arcaico como eu fixam-se em poucos segundos e tinham sido vários os minutos que passaram enquanto observava a funcionária incapaz de lidar com os procedimentos que não soubera memorizar. Claro que saberia clicar nos ícones e até reconhecer palavras, mas ficou evidente que fora incapaz de memorizar a sequência das operações.  Desconfiado, o que a veio auxiliar lá inseriu o código que lhe disse, não sem antes comentar que não lhe parecia normal para uma encomenda online. Azar, estava certo e deu com a coisa. Uns vinte minutos depois de tudo ter começado, lá me deram o que estava à minha vista, num expositor de encomendas com a identificação bem à vista. Ainda bem que pagara previamente ou nem tinha conseguido almoçar em tempo útil e sabeis como isso me incomoda.

No segundo caso, novamente uma jovem funcionária (vintes um pouco mais avançados) capaz de ir buscar o que era necessário onde quer que estava, depois de alguma luta para inserir o meu nome (o raio do apelido é chato para quem só espera por silvas) mas absolutamente incapaz de pelos seus meios produzir a factura do produto para que eu o pudesse pagar. Pedido de ajuda a uma outra colega, mais graduada e despachada, que deixou as coisas mais ou menos alinhavadas até eu perceber que estava a ser facturado o dobro do valor devido por duplicação das quantidades (pelos vistos cada uma terá inserido o produto de forma autónoma). Vai de refazer todo o processo e eu a explicar à minha petiza como a informática ajuda muito (até porque sou utilizador registado, com todos os dados já lá guardados na base) se as pessoas a souberem usar E tiverem capacidade para memorizar os procedimentos correctos a adoptar.

E é no quotidiano que se percebe que a imensa facilidade em descarregar e usar apps no telemóvel ou publicar as férias, festas e felicidades nas redes sociais, podendo corresponder a “competências digitais”, está longe de satisfazer necessidades básicas de um quotidiano laboral que exige, apesar de todas as modernidades, o mínimo dos mínimos de alguma malfadada capacidade de memorização.

Mas eu é que estou velho e não percebo mesmo nada disto.

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O Inferno Em Que Transformaram A Minha Profissão – 2

Segunda parte do texto da colega Maria de Fátima Patranito.

– No conselho de turma faz-se, obrigatoriamente, uma apreciação geral de cada um dos alunos e identificam-se áreas de melhoria que também são aí registadas, aluno a aluno, período a período.

– Também são registados os sumários e as faltas dos alunos nessa plataforma, bem como a justificação das mesmas (“tarefa” que cabe ao diretor de turma).

– No final de cada período cada docente faz a avaliação das atividades de apoio ao estudo dos alunos que as frequentaram, preenchendo 1 documento com o nome dos alunos, sessões a que cada um assistiu, se foi proposto ou se as frequentou voluntariamente. Estes dados são retirados dos sumários das sessões, registados na referida plataforma.

– Há professores que colocam na plataforma Moodle materiais extra para os seus alunos, sobretudo no ensino secundário.

– Planificação anual e por período, dos temas, domínios ou módulos, consoante os anos de escolaridade (professores que têm os mesmos anos de escolaridade).

– Planificação de visitas de estudo e toda a documentação inerente (projeto da visita, lista de alunos para seguro escolar, autorizações para os encarregados de educação).

– Como diretora de turma, há que salientar as seguintes “tarefas”: 1. Controle de faltas e sua comunicação atempada aos encarregados de educação (através da plataforma Inovaralunos); 2. Justificação de faltas; 3. Elaboração de relatório para a direção no caso de o aluno atingir um determinado número de faltas de carácter disciplinar e ser necessário aplicar medidas corretivas; 4. Atendimento semanal de encarregados de educação; 5. Manter atualizados os processos individuais dos alunos; 6. Atualizar os processos individuais no final do ano letivo; 7. Limpar o dossiê da direção de turma; 8. Preparar e dirigir as reuniões com encarregados de educação; 9. Identificar alunos que necessitem de apoios individualizados (apoio em foco académico, nova designação do 54/2019) e preencher o respetivo documento (com 3 páginas de dados) para entregar à EMAEI; 10. Preparar as fichas de informação a entregar aos encarregados de educação em cada uma das reuniões do final de cada período; 11. Imprimir as fichas de informação para encarregados de educação; 12. Elaboração das atas das reuniões com encarregados de educação (para não correr o risco de ficarem por fazer e entregar ad eternum).

– Terminadas as atividades letivas, ainda fui coadjuvante do exame de 12º ano, na 1ª e 2ª fase; fiz 2 vigilâncias de exames; fui convocada como corretora de provas da 1ª fase, recebendo 37 provas para corrigir.

B – Reuniões:

– Reunião geral de professores, no início do ano letivo, para as boas vindas e receber horários. Para o serviço de exames (coadjuvação, vigilância e correção das provas). Para esclarecimentos sobre a contagem do tempo de serviço a recuperar: a “esmola” de 2 ano, 9 meses e 18 dias (em vez de 9 anos, 4 meses e 2 dias).

Total: 3

– Reuniões de conselho de turma: 5 por ano, multiplicadas pelo número de turmas que o professor leciona e que podem ir de 2 a 8 ou até mais, dependendo da sua disciplina. Nos anos sujeitos a exame nacional, podem ser feitas 6 reuniões de conselho de turma para identificar alunos que necessitem de medidas especiais no dia de realização das provas (tempo extra, suporte digital, etc.). Podem existir outras reuniões de carácter extraordinário. No meu caso, tive 12 conselhos de turma (3 turmas x 4 ct).

Total: entre 10 a 40 ou mais,

de acordo com o nº de turmas do docente

(ou mais uma para cada turma nos anos de exame)

– Reuniões de diretores de turma: 4 por ano para cada ciclo de ensino. Alguns professores podem ser contemplados com 2 direções de turma e, eventualmente, uma de cada ciclo.

TOTAL: 4

– Reuniões de grupo disciplinar para tratar de assuntos diversos, nomeadamente, dar cumprimento a orientações do conselho pedagógico.

Total: 10

– Reuniões de departamento quando há necessidade de dar cumprimento a orientações do conselho pedagógico ao nível dos departamentos curriculares.

Total: 3

– Reuniões de conselho pedagógico para tomar decisões ou fazer recomendações aos vários departamentos.

Total: 24

– Reuniões de cidadania com vista à implementação da “Estratégia” do ME para a Cidadania e Desenvolvimento. Apenas os professores que lecionam a disciplina. No presente ano letivo, apenas turmas de 7º ano, com 50 minutos semanais, em regime anual ou semestral, conforme as turmas (ensino normal ou ensino articulado da música). Convém referir que estes 50 minutos foram retirados às Ciências Sociais e Humanas. Mais uma vez a História saiu prejudicada!

Total: 8

– Reuniões com encarregados de educação realizadas no início de cada um dos períodos letivos, sendo que no 3º período se realizam duas. Podem realizar-se reuniões extraordinárias se as turmas tiverem problemas de comportamento. Na minha direção de turma realizou-se uma reunião extraordinária no 2º período, registando-se um total de 5 reuniões.

Total: 4

– Reuniões com da SADD (secção de avaliação do desempenho docente) com os avaliadores.

Total: 2

(e continua… continua…)

 

O Inferno Em Que Transformaram A Minha Profissão – 1

Publico em seguida a primeira de três partes de um texto elaborado pela colega Maria de Fátima Patranito acerca do labirinto em que se tornou a docência. Não é leitura para leigos ou colegas daquel@s muito alegritas com cada nova novidade burrocrática.

*

Tenho 62 anos; 44 anos de serviço (11 anos e 6 meses em outro organismo do Estado e o restante como docente). Escolhi a minha profissão por gosto e convicção. Se fosse hoje, faria uma opção diferente.

No presente ano letivo (2018-19), fui coordenadora de departamento (cargo que acumulei com o de CAD – coordenadora de área disciplinar) e diretora de turma do ensino secundário; tenho 14 h de serviço letivo (8 horas de redução), mas em contrapartida sou agraciada com 11 horas na componente não letiva. Ainda não contabilizei as horas de trabalho individual (ou seja, realizado em casa), mas elas ultrapassavam em muito as 10h que nos são deixadas para perfazer as 35h semanais.

I – Algumas considerações sobre a carreira docente

Há mais de uma década que a carreira docente tem sido constantemente sujeita a ataques de políticos incompetentes, arrogantes, difamadores e sem escrúpulos, pouco preocupados com a escola que é de todos, com as condições de trabalho de docentes e não docentes, homens e mulheres que, em algum momento da sua vida, ousaram dizer que gostavam de trabalhar com crianças e jovens.

Particularmente, os professores têm sido alvo de ataques diversos, difamação, insultos, bodes expiatórios de insucessos de sucessivas reformas nunca avaliadas, de vontades políticas de políticos e partidos sem agenda para a Educação, tema de conversa de café e de outros espaços públicos por gente que não faz a mínima ideia do que é ser professor em Portugal e no inferno em que, sobretudo desde o ministério de Sócrates/Maria de Lurdes Rodrigues, transformaram a nossa vida. Recentemente, até fomos usados para inventar uma crise política! A Comunicação Social e os seus “comentadores” de cartilha encomendada, têm ajudado a disseminar o ódio por uma classe que devia ser respeitada e acarinhada por todos. Escusado será dizer que nunca tivemos ou temos direito ao contraditório, nos diversos meios de comunicação social, sobretudo nas televisões pública e privadas.

Com a carreira congelada durante 9 anos, 4 meses e 2 dias, com cortes salariais e sonegação dos subsídios de férias e de Natal durante o período da “crise” (2009-2014), que representaram muitos milhões de “poupança” para o Estado (que necessitava de injetar muitos milhões em bancos privados cujas administrações praticaram atos fraudulentos e levaram à sua falência e continuam impunes), com vários entraves à progressão dos docentes integrados na carreira que são colocados no 1º escalão sem que se tenha em conta todo o tempo de serviço prestado até essa altura, com a necessidade de abertura de vagas (abertas pelo ME) para aceder ao 5º e ao 7º escalão, com cotas (de acordo com regras impostas pelo ME) para a atribuição de Muito Bom e Excelente, com muitos dos docentes a receberem salários de miséria (alguns levam para casa 900 euros e muitos têm de os repartir entre duas rendas de casa pois estão deslocados a muitas dezenas ou até centenas de km de casa, combustível ou transportes públicos, alimentação e outras despesas inerentes a quem está afastado da sua residência), uma proletarização que tem acontecido com a conivência de sindicatos afetos às duas centrais sindicais, por motivos diversos e por falta de agenda política, por interesses pessoais e por afastamento da escola, durante décadas e décadas, dos vários sindicalistas e, em simultâneo, negociadores.

Em 2018, as carreiras foram descongeladas, mas o poder político “esqueceu-se” de comunicar aos portugueses que os eventuais aumentos salariais que daí resultaram, estão a ser pagos em “prestações suaves de 25%, trimestralmente”. Para esses docentes, o salário correspondente ao escalão para onde transitaram só aparecerá no último trimestre de 2019, ou seja, 2 anos depois de o governo de Costa “Ter posto o relógio a andar” (sic). Muitos docentes foram ultrapassados nesta progressão devido ao despacho que recupera 2 anos, 9 meses e 18 dias do tempo de serviço prestado, pois o diploma descrimina os que progrediram em 2018, prejudicando-os, e os que progrediram em 2019, que recuperam esse tempo de serviço de uma só vez. Não acredito no Pai Natal, mas estas ultrapassagens foram intencionalmente consagradas no diploma porque, também elas, representam uns milhões de poupança e, como diz o povo é uma forma de “dividir para reinar”. Assim, sempre conseguem pôr professores contra professores (os mais distraídos, é certo, mas infelizmente acontece). E muito mais haveria a dizer, mas a intenção do meu registo é outra.

II – As “tarefas” de um professor ao longo do ano letivo

Não tendo escrito um diário sobre aquelas que são, de uma forma geral, as tarefas (termo utilizado, intencionalmente, para desprestigiar ainda mais a classe) de um professor ao longo de um dia de trabalho dito “normal”, não quis, contudo, deixar de registar as mil e uma atividades para que somos solicitados ao longo do ano e logo após o encerramento das atividades letivas. Fomos transformados em meros funcionários do Estado, sem qualquer desprestígio para os que, com profissionalismo e responsabilidade, exercem essas funções nos mais diversos departamentos dos serviços públicos. Mas a profissão docente tem especificidades que os políticos teimam em negar, intencionalmente ou por pura ignorância e até arrogância.

A – “Tarefas” gerais:

– Preparar aulas e materiais a utilizar (embora se resuma a uma frase, é a atividade que mais tempo nos deve ocupar. Por vezes, é a que fica para o fim de tudo o resto, porque a “burrocracia” e a “escravatura” digital assim o exigem!).

– Elaborar (incluindo critérios de correção), fotocopiar, corrigir e entregar devidamente classificados os testes e outros instrumentos de avaliação aplicados a cada um dos alunos.

1ª NOTA: A falta de pessoal não docente nas escolas tem sido uma constante. Assim, o ME e as direções das escolas sempre optaram por sobrecarregar os professores com tarefas inerentes a outras funções que não as docentes. Foi neste contexto que começámos a fazer matrículas e turmas (agora um pouco menos devido à utilização da matrícula eletrónica, embora as escolas continuem a gastar milhares de folhas A4 para “renovar matrículas” dos alunos que já pertencem à escola e apenas transitaram de ano). Este ano fomos todos surpreendidos com a decisão da direção de fotocopiarmos os nossos testes, com argumentos de que assim se controlaria, com maior eficácia, o número de fotocópias. O argumento é a falta de pessoal, sobretudo de técnicos operacionais, que se têm de desdobrar para outros serviços. Quem paga essa “fatura”? Os professores! O verdadeiro argumento é o desrespeito que todos nos devotam, incluindo alguns elementos da classe docente que ocupam lugares nas direções.

As turmas são de 30 alunos, excepto no 7º ano onde são de 28. Um professor pode ter entre 3 a 8 ou mais turmas (dependendo da organização curricular de cada escola, depois da entrada em vigor do Dec. – Lei 55/2018).

– Registar numa plataforma acessível aos encarregados de educação todas as classificações de todos os instrumentos (entre 6 a 15 instrumentos anuais, dependendo da carga horária semanal da disciplina).

2ª NOTA: Nunca ninguém demonstrou, através de dados estatísticos, a percentagem de encarregados de educação que acedem a esta plataforma durante o ano letivo, mas a avaliar pelos dados da minha direção de turma, ouso afirmar que a percentagem não irá muito além dos 8%/10%. Justificar-se-á tão hercúlea “tarefa” tendo em conta o tempo despendido com a mesma? 

– No final de cada período, cada professor regista, na mesma plataforma, as propostas de classificação dos alunos (recorde-se, sobretudo, o número de turmas de cada docente).

– Nessa mesma plataforma temos de rever/recalcular o número de aulas previstas e dadas (PD), mais importando aos encarregados de educação as faltas que um professor dá do que as faltas que o seu educando deu e que ele justificou com “dores de barriga” ou “indisposição”!

– Ainda nessa plataforma, cada professor “pode” fazer sínteses descritivas, por aluno.

3ª NOTA: por vezes começa-se pelo “pode”, para de seguida se passar à obrigatoriedade do registo, por decisão das direções). 

Maria de Fátima Patranito

(continua)

Burnout

De Bolso

Gosto do formato (ajuda à gestão do espaço) e do preço (ajuda à gestão financeira) e ainda me permitiu hoje, numa fnac, ouvir em tom público a manifestação da inteligência superior de uma funcionário ali pelos vinte e pouco que ao meio dia já deve estar chateada com a vida e os clientes. Quando lhe fiz notar que os livre de poche estão a oferecer, em parceria com a fnac, um saco de linho a partir da compra de dois livrinhos e que era melhor do que o de plástico que me estava a dar, depois de ir enfastiada buscá-lo, virou-se para a colega e sem problemas em ser ouvida saiu-se com esta “não percebo estes ecologistas, agora por causa do plástico, andam só a deitar árvores abaixo”. Eu sei que no cérebro dela certamente o que disse teria alguma relação com o facto de eu ter recusado o saco tradicional – pois não se coibiu de o dar a entender com a sua pouco subtil linguagem gestual e olhar reprovador –  e ainda estive mesmo para lhe perguntar se tem visto visto muitas árvores de linho a ser cortadas, mas depois pensei que já não estou em período de aulas e que quem se mete com gente parva é porque tem tempo para gastar, ainda é mais parvo ou está com necessidade de descarregar a bílis. Não era o meu caso, pelo que a deixei feliz com a sua auto-satisfação cívica.

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