2ª Feira

Aquele “sentido profundo do dever cívico” está em clara erosão. Não falo apenas por mim, que o sinto a diminuir à medida que observo a sua ausência ou o manifesto “sentido profundo de desenrascar a vidinha à custa dos outros”. Sobre isso há articulistas que se deveriam informar e escrever e não andarem sempre a chatear os mesmo.

(eu percebo que as condições são más e já escrevi sobre isso, mas o que dizer de quem concorre, aceita horários, mete atestado no primeiro ou segundo dia e depois, ao fim de umas semanas, renuncia, deixando turmas ao deus-dará, incluindo algumas com exame nacional? deve ser uma “ética dos novos”, que a dos velhos está fora de moda)

5ª Feira

Quantos milhões do enorme ganho no orçamento para a Educação chegarão à escola, nem que seja em forma de material? Porque isto de anunciar tanto maná (mas uma gota se pensarmos na “bazuca”), sem explicar quanto fica cativado na origem, não passa de propaganda. Ou quando temos “progressões”, mas depois as processam de maneira a grande parte ficar logo “cativada” em impostos. Ainda não percebi se apenas por incompetência técnica se por “determinação superior”.

Porque ando farto, tão farto de quererem fazer-me passar ainda por mais asno do que naturalmente sou.

Tal Qual Como No Conselho De Estado

Numa escola deste país, que até tem carteiras individuais, mas se vê na obrigação de meter 28 alunos numa sala. No caso das minhas turmas, são 27, em mesas duplas, embora me pareça que a área das salas seja ligeiramente maior. Neste caso, é mesmo a realidade a cores e tudo. Como se vê, o arejamento ali num dos cantos deve ser imenso. E se @ professor@ precisar de andar pela sala, o distanciamento social é uma ilusão de óptica.

Se mostrarem ao ministro Tiago, já sabem, a culpa foi da escola, que não soube requisitar a tempo o espaço a que teria direito.

(ahhh…. e tal… se fosse no Sudão do Sul nem tinham cadeiras e nem se queixavam, já sei…)

Bom Dia

Um simpático petiz, deduzo que do 3º ciclo, frustrado com o ritmo de recuperação da economia ou, porventura, traumatizado com este regresso o uso de máscara ou alguma desidratação devida ao uso de gel desinfectante, decidiu dar cabo de uma boca de incêndio, provocando um fluxo de água assinalável pela escola, devido à ruptura causada. Corte de água e aulas suspensas, pelo menos no turno da manhã. E eu a pensar que há uma série de bocas de incêndio por aí que se me nunca ocorreram.

À Atenção Dos Senhores Das Operadoras De Banda “Larga”

As aulas acabaram, mas continuamos a ter de usar a net para muita coisa, o teletrabalho não desapareceu e é um bocado chato quando o tempo de espera para aceder mesmo ao simples gmail faz lembrar os antanhos, quando tinha o modem de 32k do sapo e tinha conta de correio no clix.

Mudei de operadora, de cabo para fibra óptica, nos primeiros tempos até parecia que a coisa tinha melhorado mesmo, mas agora é como se fosse água em tempo de estio prolongado.

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Isto É Mesmo Gozar Com Que Trabalha

ISTO É MESMO GOZAR COM QUEM TRABALHA!

RAP dixit. E bem! Mas isto não é somente o talk-show que nos faz rir aos domingos à noite.

Ele há Escolas que se julgam ainda na Idade Média. Porquê? Porque acham que o seu quintal é um feudo, e como tal, ninguém mais lá manda a não ser os seus donos. E as suas intelligenzias acham-se acima das leis.

Faz lembrar aqueles tempos socrático-rodriguistas, em que, numa deriva afetivo-socialista, nasce o conceito de escola inclusiva – politicamente corretíssimo! – mas que, paulatinamente, vai dando lugar a todo o tipo de abusos e oportunismos.

Lembra-nos os famosos EFA’s em que, em turmas de trinta alunos, alguns (muito) adultos, faziam o favor de ir à escola mostrar-se à razão de uma vez por mês, dizer de que país tinham vindo e para que é que precisavam do diploma de Dupla Certificação. E sem fazer rigorosamente nada, esperavam a dita aprovação para “dar como concluído” o curso Secundário e irem às suas vidas.

Mas atenção, como Sócrates & Rodrigues tinham 12.000 diplomas para distribuir para cumprir as metas europeias do sucesso escolar à força, os professores eram encostados à parede para compactuar com esta fraude. Senão, abria-se-lhes um inquérito, ora pois! Se alguém quisesse fazer um trabalho sério, ao inferno com ele!

Por causa de EFAs e CEFs desta natureza, e cuja intenção inicial era uma nobre ideia de recuperação educativa das franjas mais desfavorecidas da sociedade, oriundas de bairros mais ou menos marginais ou de PALOPS, muitos professores mudaram de escola, por não suportarem a pressão do faz-de-conta-sem-vergonha em que aquele ensino rapidamente se tornou.

Nesta fase, à sombra dos desaires familiares e anímicos dos nossos adolescentes, alguns que se acharam de férias, a partir daquela fatídica sexta-feira 13 em que lhes anunciaram o fecho das Escolas por tempo indeterminado por conta do COVID-19, vimos de novo surgir uma cassette dos bem-pensantes sobre a falta de equidade, que, na prática, lança alguns dos meninos para a total impunidade e desresponsabilização.

Inúmeros professores por este país fora andaram a fazer formações, às vezes até pagas, sem descanso na Páscoa, a construir recursos, a inventar novas estratégias para cativar as já tão facilmente dispersas mentes dos jovens, com a última palavra em tecnologias digitais, para cativar suas excelências, que, por natureza, vivem agarradas a tudo quanto é gadget e para quem “viver nas nuvens” é, não só literal, como indispensável.

Para garantir que as aprendizagens se continuariam a realizar de forma a não quebrar o vínculo com a escolaridade e manter o elo com os textos, livros, imagens, vídeos, power-points, filmes e tudo aquilo que pudesse cativar o seu apelo pelas novidades, muitos professores prescindiram de muitas noites e fins-de-semana, ficando a trabalhar incansavelmente, durante três meses consecutivos, para que os seus alunos aprendessem, sem olhar a meios, nem a gastos pessoais, nem a esforços.

Muitos já passaram a meia-idade e estão cansados. Mas sem o lamentar, fá-lo-iam de certeza de novo, pois nestas coisas, é a consciência profissional que os reconcilia com o travesseiro à noite.

O que nada faria prever é que agora levaram com a menina dos 5 olhos nas mãos, ao verem as suas notas votadas em Conselhos de Turmas cheios de tias e tios, inteligentes e conscienciosos, com um discurso do coitadismo-sindicalista, “ah e tal, a falta de equidade que o sistema pôs a nu…” Então, bora lá nivelar pelas benesses do 2º período! Como é que é???

Entendamo-nos no seguinte: alguém duvidava da falta de equidade nas nossas escolas? Mesmo no regime normal e sem pandemias, temos lado-a-lado nas nossas turmas o menino-filhinho do Sôtor-Juíz, que se dá ao luxo de ter 3 telemóveis de 700 Euros cada, (um para os pais, outro para a namorada e outro para os amigos dos chats) e o miúdo do bairro de lata, que até foi para aquela Escola porque a mãe é mulher-a-dias daquela senhora que a autorizou a dar a sua morada para ele lá entrar.

Todos sabemos disto. Ou não sabemos? Isto é novidade para alguém? Isto não apareceu com o COVID!

Não sabíamos já que os alunos que trazem melhores trabalhos e fazem apresentações com mais qualidade são aqueles cujo background cultural em casa assim o propicia? Não conhecemos os alunos que nos enviam trabalhos de um MAC, editados a partir de programas avançados como o Latex, que têm uma qualidade gráfica que se distingue a léguas logo pelas imagens de capa?

Estes miúdos não vivem na Boavista nem nas Galinheiras, mas nas Torres de Lisboa ou por aí. Não choca os tios e tias que se classifiquem alunos destes com 18 ou 19 valores, antes ou depois da pandemia.

Durante este período, atípico é certo, muitos souberam aproveitar o tempo para desenvolver e aperfeiçoar competências nas áreas que mais gostavam. Todos esses merecem notas altas e aqui não ousaram discordar ao ponto de exigir votação da nota.

Mas choca os corações sensíveis das tias dos CTs que se dê 8 ou 9 a quem se baldou persistentemente, ficando “fora da rede” sempre que isso lhe dava jeito, mas não para os grupos de Whatsapp ou para manter contacto com os YouTubers da sua predileção.

Estes jovens alegavam nunca ter cobertura de rede quando era preciso, sempre em casa dos avós ou nos confins lá da terra, para efeitos de enviarem um email de 15 em 15 dias com uma tarefa atribuída, ou sequer dar resposta a um simples convite da Classroom, para o qual basta ter um endereço do gmail.

A compaixão tomou conta dos corações sensíveis, que se acharam no direito de proteger essas criancinhas desvalidas, que, coitadinhas, ficaram em situação atípica e desigual, embora com tudo o que é aplicativo instalado nos seus smartphones de última geração. Isto depois de esses anjinhos terem confessado à frente da turma, no regresso ao regime presencial, que “se acharam de férias desde Março e então deixaram andar, sem fazer nenhuma das tarefas solicitadas” confessando “preguiça e desleixo”… E assim se dá um estímulo ao oportunismo e à impunidade para os futuros adultos. Que belo exemplo!

É ajudar a crescer, isto? É criar cidadãos responsáveis? É contribuir para um percurso escolar de maior qualidade? Não, não é! E quando as atitudes excessivamente protecionistas e paternalistas vão ao arrepio das propaladas exigências de manter um padrão de excelência e prestígio da instituição, alguma coisa aqui não bate certo.

Podemos então perguntar-nos porquê e para quê andámos a ter tanto trabalho para facilitar a consolidação das aprendizagens e, em muitos casos, facultar novas aprendizagens, se depois não são passíveis de uma avaliação consequente?

Alguns Grupos Disciplinares e Departamentos que mais parecem Senhores Feudais, Schoguns da pós-pós-modernidade, resolveram, ao arrepio do Decreto-Lei nº 14-G/2020 de 13 de Abril, não dar cumprimento às avaliações sumativas e meramente repetir as classificações do 2º período.

Só podemos concluir que trabalharam para o boneco os professores que se esfalfaram a ver trabalhos e enviar as correções dos mesmos e foram desrespeitados na sua profissionalidade; e foram injustiçados os alunos que cumpriram, trabalharam e deram um feedback sistemático do seu empenhamento.

Que nos perdoem os respeitabilíssimos doutores Eduardo Sá e Daniel Sampaio, mas isto é gozar com quem trabalha, senhores! Mesmo!

Lisboa, 29 de Junho de 2020

(Docente do Ensino Secundário)

exclama

Quase O Fim Para Alguns Alunos

Os do Básico e do 10º. A quem ainda faltam as matrículas e mais uma série de coisas interessantes como devolver os manuais que deveriam usar para o ano, para a tal “recuperação das aprendizagens”. Para os professores começa a saga das reuniões, que podem ser muito simples, mas que há quem ache que se não for complicado, longo e chato não é a mesma coisa.

Para os alunos do 11º e 12º, bem como para os professores do Secundário, tudo está muito longe de terminar. Estou particularmente curioso com os procedimentos quanto à realização dos exames e respectiva classificação. Devem ver para aí dezenas de páginas de regras, guiões e mesmo tutoriais.

Há “infernos” que duram a quase eternidade.

Bigorna

(o que vale é que, na mente delirante de alguns, que nunca desmentiram as baboseiras, os professores são regiamente pagos por cada exame…)

 

What Have We Done To Deserve This?

Penúltima sessão “síncrona” com a minha DT (8º ano). Presença de 12 alunos (dos 18 em 21 que desde o início foram participando). Uma subida em relação à semana passada (10), mas a mesma sensação de já não estarmos aqui. Para além das saudações iniciais e finais, penas 4-5 a colocarem questões sobre matrículas e computadores para o próximo ano. Mas tudo muito telegráfico. Alguns dos ausentes a serem detectados online a jogar na ps4 pelos colegas. Já perceberam há algum tempo as coisas. Estiveram quase desde o início com os olhos abertos. Por maioria de razão em todo este anómalo 3º período. mas o que se faz em on é detectado em on e é fácil saber quem não aparece por não poder e quem o faz por não querer. Mas tudo isto é mesmo um longo estertor, inexplicável em muitos aspectos, embora eu saiba que existe gente competentíssima, que consegue motivar multidões de alunos, se necessário for, dançando a macarena enquanto ensina a ascensão do liberalismo no Antigo Regime ou as propriedades dos feldspatos ao entardecer. Gente que levaria isto atém ao infinito e mais além, nem que fosse para provar que têm razão, são @s melhores e tod@s os outros uns ineptos.

To Infinity And Beyond