5ª Feira

Há dias assim, multifunções. Preparar auditório com as colegas e alunos para peça de teatro (implicando carregar cadeiras, escada acima, escada abaixo *, andar em busca de cabos para colunas de som, fazer contas a “bilhetes” recolhidos pelas ditas colegas nas suas turmas), acompanhar a dita cuja, beber um sumo, ir dar aulas de História, comer uma bucha (comigo é sempre uma fase importante), reunir com encarregados de educação. Nada de muito diferente de milhares de colegas todos os dias. Sempre com alguma sorte pelo meio em termos humanos. Mas, como eles, com a sensação de que uns expertos acham que fazemos pouco, mal, rígido (não flexível, portanto), parado no tempo, estanque (não inter/trans, portantossss), sempre o mesmo, como no século XIX. E que conseguem ter megafones para espalhar esse tipo de mensagem tóxica. Mas, como disse, tenho talvez mais sorte do que a média em alguns aspectos.

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(* “limpando” de cadeiras a sala errada para desespero de uma colega inocente)

Uma Das Coisas Boas Da História É Que Está Sempre A Acontecer…

… e este ano posso apimentar a história da Reforma protestante, em especial da cisão anglicana, não só com os problemas conjugais das mulheres do Henrique VIII mas também com o Brexit e toda a confusão do backstop na fronteira entre as Irlandas. Claro que implica que os alunos tenham ouvido falar no Brexit, o que está longe de ser um dado adquirido. Mas é sempre engraçado explicar um dos principais problemas europeus dos tempos actuais com base numa coisa tão árida para a maioria deles como a Reforma.

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2ª Feira

Hoje, por exemplo, podiam ligar o farol de nevoeiro como deixaram estar a semana passada toda, mesmo com sol. No fim de semana lá desligaram a coisa, mas hoje – pelo menos por aqui – dava jeito. Já quando chove, só desajuda. Em contrapartida, a estrada continua com a mesma largura, não precisam de se meter no meio. Muit’agradecido.

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Instantâneos Maternais

Fim da manhã… papelaria a ver os últimos especiais da National Geographic (o da Idade do Absolutismo é bastante bom para a malta de História não totalmente convertida aos formatos digitais). Entra uma mamã com duas petizas sucessivas, 3 e 4 anos, mais coisa, menos coisa. Uma delas, agarra-se logo àquelas embalagens com coleccionáveis da Playmobil ou parecido, agitando e fazendo cair de tudo um pouco em redor. A mamã, sem olhar, diz “menina, isso não é para mexer”. E agarra-se a uma revista de sociedade para ver se quem é a última socialite disponível para amar. A criancinha, sem qualquer consequência após o aviso, nem parou para pensar e continuou a revoltear com tudo. Está pronta para ser um@ daquel@s alun@s do PISA que afirmam nem sequer ouvir o que os professores lhes dizem nas aulas. Ou para se revoltar se existir alguma consequência disciplinar, no que certamente terá o apoio maternal.

baby

 

 

6ª Feira

Cresci a assistir às “proezas” dos condutores tugas grunhos, daqueles com ar constantemente congestionado, com manobras erráticas e paragens inesperadas, como se fossem génios da fórmula 1 arraçada de todo-o-terreno, para quem uma simples buzinadela a chamar a atenção é uma ofensa dirigida a todos os ancestrais que deve ser lavada com sangue. Esta semana, por acaso, tenho-me cruzado com um assim, que me faz parecer pessoa delicada em todos os aspectos, incluindo o físico. Até os míticos óculos escuros logo pela matina apresenta quando encena perseguições cuja máquina não aguenta devido à sua massa e peso. Enfim. Mas agora vou envelhecendo a assistir à nova geração de condutores millenials que são uma versão muito mais sofisticada de criatura estúpida, aliando o poder económico para um carro razoavelmente potente, egos já criados na era do “quero, logo tenho” e com zingarelhos acoplados para ameaçar que fotografam, filmam e fazem não sei mais o quê na app se alguém não anda a 150 na estrada e não se desvia no segundo certo ou abre uma terceira via numa estrada de duas para sua excelência (que aposto estar preocupado ao sábado com a pegada ecológica e até anda de bicicleta para ser saudável), passar e poder lançar o seu turbo nas estrelas.

Phosga-se que há manhãs bem bonitas, as pessoas é que as desfeiam.

Majestic sunset in the mountains landscape. HDR image