Checklist De Compras Para A Pandemia

Antes que as hordas de abatam sobre os supermercados, aqui em casa fez-se uma rápida visita a um deles de que não devo fazer publicidade (mas por estes dias desconta o IVA acima dos 50 euros de compras e começa com Pingo e acaba em Doce), nas hospitaleira e afamada localidade de Azeitão. Poderia aqui descrever, para um certo colorido “local”, em detalhe como uma cliente berrava contra o patrão porque a queria mandar fazer teste à covid para poder ir trabalhar (claramente não em regime “tele”, achando ela que “paus só me enfiam na [pi-pi, literalmente], no nariz ninguém me enfia pau nenhum“, mas mais vale avançar para a lista de mantimentos adquiridos para enfrentar aquilo que António Costa define “sem vergonha” como confinamento.

  • Papel higiénico às paletes: não.
  • Guardanapos ao molho: não.
  • Farinha para fazer pão: não.
  • Garrafões de água: não.
  • Batatas à saca: não.
  • Arroz aos quilos: não.
  • Esparguete aos quilos: não.
  • Bacalhau: sim, mas daquele já pronto a ir para a panela.
  • Lombinhos de porco preto: claro que sim.
  • Maçãs de Alcobaça: sim, para efeitos de consumo directo ou para uma bela apple pie, mesmo se as reinetas são mais adequadas.
  • Álcool-gel aos litros: não.
  • Bebidas espirituosas: sim, porque sempre fui um tipo espiritual.

Quotidianos – 2

São. em média, numa manhã boa, 5 a 10 minutos para conseguir que a petizada (5º ano, mas acontece o mesmo em outros), entre na sala com a máscara no lugar, sem se empurrarem e colocando o gel nas mãos da forma adequada. Isto acresce ao ritual anterior relativo atentar que se sentem de modo ordeiro e sem especial gritaria e conflitos quando à mochila que está fora do lugar, ao caderno que transgrediu limites ou ao resultado do jogo de ontem. Regras? Nem as antigas corriam bem sem muito esforço, meses bem dentro do ano lectivo, quanto mais com eles a ouvirem que as escolas são “espaços seguros” e de “contágio zero”. Pela parte que me toca, muito disso é conseguido graças a cordas vocais resilientes, uma silhueta “robusta” (leia-se, rotunda) e concentração da expressividade facial da máscara para cima. E muito abrir de braços. Não é muito MEM, não é muito “queriducho“, não é muito “inovador“, não é muito “eu respiro Educação“, não é muito “teacher, leave the kids alone“, mas funciona dentro do possível. É o que se consegue arranjar, em seu contexto. Pelo menos, possibilita que nos minutos seguintes vá ouvindo esforços semelhantes a progressivamente conseguir diminuir o “reboliço natural nas crianças” (coloquei aspas, não por ser qualquer citação de artigo recente de uma pessoa sensível e flexível, mas por ser o espírito da treta). E acreditem que não é por estar “envelhecido“, que o estou, certamente, pois ouço a pouca gente mais nova que por aí anda, com a mesma atitude. Porque ou é assim ou temos uma variante de micro-caos em sala de aula não preparada para as câmaras. Desculpem se o “retrato” é a modos que neo-realista, mas não uso photoshop.

(em alguns grupos de professores em “redes sociais” e não só, voltaram as queixas contra as pessoas que “só se queixam numa altura como esta”… a essas reservo uma atitude mais compreensiva do que a do PR para com as “autoridades de saúde”… porque eu tento sempre compreender a intolerância de quem se diz muito compreensivo e sempre apoiei a compreensão para com aqueles que aspiram ao céu dos pobres de espírito)

Quotidianos – 1

Hoje, à saída da minha escola, nenhum dos encarregados de educação com que me cruzei por umas dezenas de metros tinha máscara ou a tinha devidamente colocada. Exemplos clássicos: máscara com o nariz de fora e máscara posta no queixo para conversar porque, como se sabe, elas protegem bem é quando a pessoa tem a boca fechada.

Pelo Que Percebi, Foi Preciso A Pandemia Chegar Ao Inverno…

… para muita opinião pública e a generalidade da comunicação social tomar conhecimento do singelo facto de as nossas escolas – salvo as honrosas excepções das que conseguem pagar a conta da climatização da Parque Escolar – serem assim para o fresquinho, que é como quem diz quase frígido, por esta altura do ano e escaldantes ali a partir de meio da Primavera.

Mesmo sem janelas abertas.

A sério que só este ano viram alunos com mantas e gorros nas escolas e nas aulas? Em especial os mais crescidotes que até acabam por fazer quase umas “tendas” partilhadas?

Nunca repararam que, no caso da pré e do 1º ciclo, o aquecimento é muitas vezes fornecido por aquecedores levados por educador@s e professor@s?

Nunca? A sério? têm andado ceguinhos? E o mais curioso é que, a avaliar por muita coisa que se vai aí escrevendo, até entre o professorado parece ter-se descoberto uma vergonha imensa, mas desconhecida até esta semana.

Acham mesmo que é verdade aquilo das “escolas para o século XXI”? Acreditam que os pufes das “salas do futuro” têm botão de aquecimento?

Foi preciso o Bruno Nogueira queixar-se que o filho passa frio para descobrirem que temos uma rede escolar em grande parte terceiro-mundista?

Phosga-se! Não há pachorra!

É mais grave se abrirmos as janelas todas? Pois! Mas só agora informaram a DGS disso, pelo que se não fosse o bom senso, as coisas seriam bem piores.

Mas, pronto, alguma coisa se haveria de ganhar em toda esta triste situação. Porque o Saber não ocupa lugar e parece que até se conserva melhor no frio.

(gesundheit!)

4ª Feira

Uma fnac às 8.05 da manhã é uma visão quase paradisíaca. Apenas a senhora da limpeza e dois funcionários algo estremunhados. Melhor, só mesmo se a oferta não fosse toda tão mainstream.

(quanto à razão de estar ali a tal hora – assim como se ter revelado impossível lá entrar cerca de 12 horas antes – é melhor não perguntarem, ou volto aos temas chatos do costume…)

Sábado

Os ajuntamentos estão bem e “recomendam-se”. Aquilo de apelar à “responsabilidade individual” tem mesmo muitos limites. É ver os carreiros de formigas diante das lojas, pois quer-me parecer que há pouca gente a fazer compotas. Ao longo da manhã de hoje, apenas entrei num espaço comercial. Não tinha fila. Era uma livraria das antigas, praticamente só com livros e alguns deles dos velhos, esgotados e já meio amarelados.

5ª Feira

Deve ser da idade, arcaísmo e rigidez, porque sei que há gente que acha tudo isto a quinta essência do maravilhamento digital. Só que há momentos em que ter de lutar com o E360 e as suas lacunas em termos de rotinas intuitivas para fazer tarefas simples é quase mais desanimador do que preencher as velhas folhas em que se contavam as cruzinhas. Porque essas, pelo menos, estavam ali todas à vista e não era preciso abrir (repetidamente) não sei quantos separadores ou janelas de opções.

A Cada Nova Temporada De Avaliações Que Chega…

… é impossível não pensar na enorme transformação burocrática do processo de avaliação dos alunos, com cada nova camada de procedimentos registados em impresso adequado a transferir mais uma parcela da responsabilidade pelo sucesso dos alunos para os professores, ao ponto que quase nada resta para aqueles. O aluno não aprende? É de quem ensina! O aluno falta às aulas? A culpa é dos conteúdos chatos e das pedagogias arcaicas! O aluno está-se nas tintas para as matérias? É porque os conteúdos são enciclopédicos e dá-se História em vez de Gaming Holístico! O aluno nem coloca os pés na escola? É porque o professor não fez os contactos que deveria para o trazer!

É tema velho, mas não perde actualidade, antes ganhando vernizes novos ao serviço da demonstração da inovação (impressos 1 a 3c), da flexibilidade (documentos 4a a 7h) e da inclusão (anexos 8 a 10, não esquecendo a apostilha que vai identificada com o novo logotipo da república, da paróquia ou da freguesia). Estes são os dias em que aos professores é pedido que apresentem prova de que andaram a fazer alguma coisa e, de preferência, que tenham registado tudo ou estarão sujeitos a queixa, requerimento ou apenas ameaça ou assédio moral em diferentes modalidades.

E então quando há, a um ritmo quase anual, aquele prazer perverso de quem tem um tempinho de sobra para fazer um novo “desenho” do impresso de preenchimento obrigatório, passando as cruzes de alinhamento horizontal para vertical ou em vez de se fazerem cruzes em quadrados considerar-se melhor círculos em torno de cruzes?

Cruzes!

burr

Entretanto…

… na plataforma SIGRHE, no separado dedicado a recursos hierárquicos, nem há a opção de fazer um em relação ap indeferimento do pedido de escusa relativo à Bolsa de Avaliadores Externos. Estou aqui a decidir se gasto o papel ou se poderá ser por mail, sendo que fazê-lo para o SE que agora também tutela isto é apenas pelo gozo de lhes explicar o quanto são desonestos na forma como lidam connosco. Mas como já sou lixado desde os tempos do doutoramento com despachos juridicamente muito duvidosos (na altura com aplicação retroactiva da legislação e tudo), nem me custa muito receber mais um indeferimento automático.