Só Para Amigalhaços

Como é que se arranja boa imprensa e números especiais a promover o Turismo, como é?

Lisboa privatiza jardim público

Começou por ser uma revista que divulgava marcas e promovia negócios para, depois, serem eles mesmo uma marca no mundo dos negócios. Foi assim que ficaram com a concessão do antigo Mercado da Ribeira, no Cais do Sodré, em Lisboa, onde subalugam espaços para coworking, hotelaria e comércio, organizam a animação do espaço com concertos e continuam a fazer a revista.

É uma organização muito ativa e, aparentemente, com métodos expeditos e bem sucedidos. Os problemas parecem não ser entraves de monta. Com as novas regras de distanciamento social e limitação do número de pessoas em espaços confinados, a Time Out deu mais um passo expancionista e instalou-se no jardim público na Praça Dom Luís I, mesmo ao lado do Mercado da Ribeira.

Nada disto seria controverso se o espaço público não tivesse ficado barrado ao público. Passa a ser apenas para clientes da Time Out. Se alguém quiser descansar as pernas num dos bancos do jardim público, à sombra de uma das árvores regadas pela água que todos pagamos, não pode. Os avisos espetados no solo são claros e não deixam dúvidas. O jardim público passou a espaço exclusivo de clientes de uma entidade privada.

O Cúmulo Da Demagogia

Em prosa no JL/Educação de hoje, o SE Costa dá liberdade à sua faceta de demagogo, mesmo que com teses que parecem sedutoras e lógicas, Só que apelando ao senso comum mais simplório e sem qualquer fundamento sociológico ou histórico. Ou seja, que quem chumba são os pobrezinhos e que os pobrezinhos se chumbarem ficam ignorantes e se ficarem ignorantes vão alimentar os “radicalismos” e os “populismos”.

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Isto é tão errado a tantos níveis. Vou isolar apenas um punhado de argumentos acerca da falsidade deste raciocínio maniqueísta.

  1. Os pobrezinhos não são necessariamente ignorantes ou vítimas do insucesso. E se o são, nada como combaterem a pobreza a sério, em vez de o fingirem, especialidade maior deste governo que, nos momentos da verdade acha que mais 10-20 euros no rendimento mínimo podem comparar-se a mais 100-200 milhões para início de conversa num desfalque bancário.
  2. As manipulações de informação nem sempre têm “fontes obscuras”. Por vezes têm fonte oficial ou derivada. Veja-se a questão dos professores pretenderem “retroactivos” e a recuperação do seu tempo de serviço implicar uma “despesa” que se revelou falsa (até com demonstração pela UTAO), “notícias” colocadas em circulação por fontes “próximas” do ministério das Finanças, com a colaboração de articulistas doutorados e o silêncio sepulcral do SE Costa.
  3. Os “radicalismos” e “populismos” não são necessariamente alimentados pela ignorância mas pelo preconceito e esse encontra-se em todos os estratos sociais. Os neonazis que, ao que parece, andam pelo comícios ou encontros do Chega não têm apenas a 4ª classe ou chumbaram 3 vezes no Básico. Para além disso, há “populismos” altamente elitistas, como se pode comprovar por alguns dos seus líderes actuais. O Trump pode ser ignorante mas não chumbou na escola. O Boris Johnson tem uma educação acima de qualquer suspeita. E os que votam neles são todos os “descamisados” e enjeitados do sistema? Pelo contrário, nos EUA, o Trump desenvolve políticas baseadas no preconceito contra esses mesmos enjeitados, nomeadamente minorias étnicas.
  4. Historicamente, as derivas totalitárias não assentaram em movimentos de base popular e “ignorante”, mas exactamente no seu contrário, em elites e “vanguardas” que apresentaram o caminho “certo”. O “Mein Kampf” não foi lido por analfabetos. O Salazar chegou ao poder ao colo de militares, grandes burgueses e académicos cheios de leituras. Eu sei que a História é chata e “enciclopédica” para alguns, mas a sua ignorância ou desprezo, em especial por pessoas doutas, é triste.
  5. Há “radicalismos” e “populismos” de Direita e Esquerda. E todos eles manipulam a informação, da palavra à imagem. E há outros que até podemos considerar benignos, mas que continuam a vir dos dois extremos do “espectro político”. Será que o SE Costa está a falar de todos ou só dos que acha pessoalmente daninhos?

 

Ano Novo, Leituras Novas

Embora uma delas seja originalmente ainda do século XX.

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Uma espécie de guião para as próximas semanas acerca de algumas das preocupações que transbordam da discussão agora em voga se a “inovação ” se faz melhor com pufes ou cadeiras com rodinhas.

Sim, são leituras mais à canhota do que às direitas.

Já agora, porque será que por cá as publicações de malta de esquerda são quase sempre pensadas, em termos de formato e preço, para as elites vanguardistas e não para as massas? Porque não há cá nada disto? O mais próximo são os ensaios da FFMS, mas há quem diga que coiso e tal e desdenhe. Há por aí editoras todas progressistas, mas que que parecem mais seduzidas pelo mercado que os neo-capitalistas eles mesmos.

You Say It Best When You Say Nothing At All

Se isto é o nosso “radicalismo”… estamos conversados. Nada contra a confissão da evidência, mas nada a favor de se terem tornado apenas mais uns, na lógica da tal “democracia burguesa” que afirmam combater.

“O Bloco de Esquerda tem proposta[s], apresenta um programa – às vezes as pessoas ficam um pouco chocadas, mas eu acho importante dizê-lo -, que é na sua essência um programa social-democrata”.

Ousadia

4ª Feira

É preciso notar que eu cresci numa terra onde, após 1974, o PS era o partido mais à direita que ousava apresentar candidatos às eleições autárquicas de 1976, a FEPU (social-fascista na terminologia de então) chegava perto dos 70% na freguesia e os GDUP (ide à wikipédia ou à ephemera do JPP para se relembrarem do que eram) eram a terceira força política já depois do 25 de Novembro. PSD e CDS nem concorriam e comícios só para serem cercados em 1980. Em que os meus amigos ou malta um pouco mais velha oscilava (tirando o núcleo duro dos anarcas-contra-tudo-e-todos, mais dedicados à banda desenhada, a jogar à lerpa e a ouvir ramones e talking heads) entre o mrpp e a udp, andando em pancadaria de morte quando os matraquilhos estavam ocupados.

Portanto, a minha “cultura política” foi claramente enviesada e marcada por uma visão da “Direita” que a apresentava como aqueles que não se incomodavam com as desigualdades, as quais explicavam por uma meritocracia “genética”, consolidada com o capital familiar ou com a aceitação do sistema de “exploração do homem pelo homem”, sendo contra convulsões e confusões que visassem combatê-las a partir da acção “das massas” ou do Estado “revolucionário”. Já a “Esquerda” apresentava-se como combatente acérrima das desigualdades, como crente e lutadora pela possibilidade de uma sociedade mais justa, tendo o poder político e o Estado um papel fundamental no alcançar dessa utopia

Ou seja, à luz dos conceitos de 1974-78, o nosso espectro político deslocou-se completamente para a Direita e o mais “radical de esquerda” que agora se arranja são umas versões mitigadas da social-democracia burguesa, coberta com retórica pseudo-revolucionária em alguns quadrantes. E sim, estou a pensar em todos os partidos com assento parlamentar. E sim de novo, o PS com as suas práticas de controlo do aparelho de Estado no interesse dos subsídios próprios, volta a estar firme e hirto no quadrante da Direita mainstream, apesar de alguns floreados demagógicos em prol de uma justiça social de papel.

Pelo que, não tendo companheiros suficientes para um quarteto de lerpa e chegando-me sessões esporádicas de revivalismo musical, passei a ser de novo mais banda desenhada.

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De Bolso

Gosto do formato (ajuda à gestão do espaço) e do preço (ajuda à gestão financeira) e ainda me permitiu hoje, numa fnac, ouvir em tom público a manifestação da inteligência superior de uma funcionário ali pelos vinte e pouco que ao meio dia já deve estar chateada com a vida e os clientes. Quando lhe fiz notar que os livre de poche estão a oferecer, em parceria com a fnac, um saco de linho a partir da compra de dois livrinhos e que era melhor do que o de plástico que me estava a dar, depois de ir enfastiada buscá-lo, virou-se para a colega e sem problemas em ser ouvida saiu-se com esta “não percebo estes ecologistas, agora por causa do plástico, andam só a deitar árvores abaixo”. Eu sei que no cérebro dela certamente o que disse teria alguma relação com o facto de eu ter recusado o saco tradicional – pois não se coibiu de o dar a entender com a sua pouco subtil linguagem gestual e olhar reprovador –  e ainda estive mesmo para lhe perguntar se tem visto visto muitas árvores de linho a ser cortadas, mas depois pensei que já não estou em período de aulas e que quem se mete com gente parva é porque tem tempo para gastar, ainda é mais parvo ou está com necessidade de descarregar a bílis. Não era o meu caso, pelo que a deixei feliz com a sua auto-satisfação cívica.

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Vamos Fingir Que Estes Quatro Anos Não Existiram

Ouvi o camarada Jerónimo a apresentar as suas prioridades para as legislativas de Outubro e fiquei a pensar que em breve andarão a esconder que deram 4 anos de carta branca ao PS. Anoto que nas tais  prioridades, a Educação parece meio esquecidaE escolher o PAN como uma espécie de inimigo prioritário é algo parvo. Andaram quatro anos amarrados à ameaça de que se roessem a corda viria aí o papão da Direita e eles seriam responsabilizados nas urnas. Ora… nas autárquicas e europeias foram castigados exactamente pela razão inversa: a de parecer que um governo do PS sem apoio do PCP teria acabado por fazer mais ou menos o mesmo.

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Esquerda Radical Moderada

Catarina Martins considera que, “se o Governo resolver” a questão da progressão e do descongelamento, “existirá também bom senso da parte dos enfermeiros”. “É importante também que, da parte dos enfermeiros, haja essa aproximação e não haja sucessivas novas reivindicações, mantendo uma greve que está a penalizar muito o SNS”, disse, confiante que os enfermeiros sabem que o SNS “é um dos pilares” do país e apelando ao “bom senso de ambas as partes”.

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(estamos a um passo do conselhos aos professores para não colocarem causa a Escola Pública…)