Pastiche #2

E eis que, no ano em que se tornam mais absurdos, nos aparecem os exames. Se acha que refletem uma avaliação clara da qualidade da escola, desengane-se.

Os exames são o resultado de uma lista ordenada de perguntas feitas por um grupo de professores que não conhece os alunos. Ponto. É mesmo só isto.

(…)

Avaliar os alunos e o seu desempenho é muito mais do que ordenar um ficheiro Excel por ordem descendente de resultados.

Frade

(um tipo que se afirma contra rankings com base em exames e que os critica, está há cinco anos no governo e mantém as coisas na mesma, mesmo num ano de pandemia? e tem a lata de escrever sobre os alunos que “não [é] ma centésima o que lhe dará asas para chegar mais longe”?)

(eu defendo os exames como mecanismo necessário de regulação externa das avaliações internas e, apesar disso, acho que este ano a sua realização é um erro desnecessário…)

Quem Terá Disponibilizado Os Dados E Com Embargo Até Ao Dia Seguinte Ao Novo Final Do Ano Lectivo?

Ao que parece, atendendo à extrema desafeição que lhes dedica, foi tudo contra a vontade do secretário Costa.

E eis que, no ano em que se tornam mais absurdos, nos aparecem os rankings. Se acha que refletem uma avaliação clara da qualidade da escola, desengane-se.

Os rankings não surgiram do nada. Há perto de 20 anos surgem quando o ME fornece os dados aos órgãos de comunicação social e é estabelecida uma data (pelo ME) para a sua divulgação.

O resto da prosa? Sim, seduz muitas sensibilidades, mas seria giro que fizessem umas perguntas difíceis a quem assim escreve, tão levemente, sobre o aspecto redutor dos rankings e o dos resultados dos alunos em exames mas que, “no ano em que se tornam mais absurdos, nos aparecem” de novos esses mesmos exames que dão origem a todo o mal agora denunciado.

Tanta pomba assassinada, mas nada de novo se fez quanto ao modelo dos exames (com que eu concordo em tempos normais) que certas pessoas criticam, mas deixam passar uma “oportunidade” de alterar.

Estranhamente, há quem vá dar a cara contra os exames “no ano em que se tornam mais absurdos”. E não vai ser o secretário Costa.

janus

O Mini-Debate no “360” De Ontem

A partir das 21.20. O Filinto esteve acutilante e assertivo. Quanto ao Rodrigo Queiroz e Mello decidiu entrar por um terreno terminológico (“cartilha”, “demagogia”) que acabou por dar “molho”. Porque se eu defendo rankings, também defendo que todos facultem a informação completa, não apenas as escolas públicas.

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A Oeste (Ou A Este, Norte Ou Sul) Dos Rankings Nada De Novo

Há uns casos episódicos de sucesso em contextos desfavorecidos, mas são a excepção e, se repararem, raramente se repetem mais de um ano ou dois. No topo, os do costume (consultei só o Expresso e o Público). A esse respeito, como alguém que gosta de rankings e do máximo de informação possível, continuo a não perceber porque o ME divulga os dados dos resultados dos alunos dos colégios privados, mas continua incapaz de aceder (ou ceder) os dados do seu contexto familiar e económico (habilitações dos pais, incidência de alunos com A.S.E). A transparência não pode funcionar num único sentido. Pessoalmente, ou divulgamos todos a receita ou não se aparece no top do masterchef.

As restantes discussões (com quase 20 anos) e os “argumentos” sobre a utilidade dos rankings ou sobre o que verdadeiramente avaliam estas seriações já me passam ao lado, porque a cada ano são menos originais e mais chatas.

ardina

Já Cheira A Rankings

Há quem torça o nariz. Eu prefiro saber. Até porque os que torcem o nariz, não o fazem pelas melhores razões, mas apenas por poeiras ideológicas, perdidas no tempo. Mais valia que tivessem feito algo durante estes meses para que algo mudasse. Em vez disso, andaram o tempo quase todo a acenar que sim, a ver se o chefe lhes dá um biscoito.

Ondas

Esta Semana, No JL/Educação

Um texto com alguns argumentos chatos de um tipo chato que insiste em não saltar para as trincheiras do momento, não porque goste das outras, mas porque antes com convicção no meio de fogo cruzado do que mansinho no meio de um dos rebanhos.

PG JL Fev19

(talvez nos próximos dias consiga ter tempo para criar uma página específica para os textos publicados no JL, pelo menos até final de 2018; sendo os únicos que me pagam, por respeito, não gosto de os incluir por inteiro no blogue enquanto a edição está nas bancas)

 

2ª Feira

Curiosamente, são os críticos dos rankings que mais continuam a escrever sobre eles. E ontem perguntaram-me… “mas os rankings melhoraram alguma coisa na Educação?” E eu respondo que não posso saber, porque existem muitas outras variáveis e são poucas as que considero positivas nos últimos 15 anos, não sendo possível singularizar uma e dizer que foi esta que “melhorou” qualquer coisa específica. Mas parece que há quem ache que tudo corre bem e só os rankings e os exames são maus. Não sou assim tão simplista na análise, nem a minha defesa de mais informação se faz no vazio de outros indicadores ou circunstâncias.

Sim, os alunos portugueses passaram a comparar melhor com o resto do mundo nos PISA, PIRLS e TIMMS, mas para quem se opõe a todo o tipo de avaliação externa ou rankings isso é irrelevante (afinal são resultados que derivam de exames), pelo que a discussão se torna quase impossível de manter porque de um dos lados existe a firme convicção quase “moral” da inferioridade de quem defende a existência de exames. Eu apenas acho que há ferramentas que podem ajudar a compreender algumas (algumas!) coisas e que é melhor isso do que nada. Não é por acaso que todos os anos há escolas que se orgulham de sair da base da “seriação”. E outras que não ficam felizes – quanto muito armam-se em indiferentes – por lá estarem ou lá irem parar.

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