Tope Dos Popes

Após um número indeterminado de debates que vi entre o confrangido e o adormecido, não esquecendo aqueles em que fui reforçar a bebida que estava a tomar para aguentar melhor a chinfrineira, cheguei a surpreendentes conclusões sobre os debatentes que mais apreciei e que nunca cativaram ou cativarão o voto, por razões que se perceberão. Passo, pois, ao meu top 3 pessoal aberto a ser sacrificado em auto-de-fé pelas mais aguerridas tribos instaladas.

  1. Francisco Rodrigues dos Santos (CDS) – sim, confesso o meu espanto por achar que foi aquele que melhor se adaptou aos diferentes registos dos debates, da berraria com o 4º pastorinho de Fátima ao derriço total com Rui Rio. E ficou a perceber-se que o CDS tem uma identidade distinta da Iniciativa Liberal e do Chega. Com Nuno Melo, o CDS seria uma espécie de Chega Liberal ou de Iniciativa do Chega. Sim apedrejem-me, mas o homem sureendeu-me pela positiva, o que é raríssimo.
  2. Rui Tavares (Livre) – outra surpresa, mesmo se RT como bom historiador tem obrigação de ser paciente com tudo e mais alguma coisa, de pitecantropos que comunicam apenas na base do grito a todo o tipo de modas passageiras. E o desempenho foi tanto mais inesperado quanto o único verdadeiro programa do Livre é fazer um qualquer acordo com o PS. Porque em termos políticos e ideológicos o Livre é uma espécie de coisinha entre outras, hesitando em compará-lo ao Luxemburgo ou ao Liechtenstein, entalado em os irmãos mais crescidos e reguilas (PCP, Bloco), ali a olhar se a Alemanha lhe dá a mão e casa com a linda carochinha. Mas esteve bem nesse papel ingrato.
  3. João Cotrim de Figueiredo (Iniciativa Liberal) – coloquei-o aqui por razões com pouco de político. Porque (com Tavares) foi o mais educado e é, claramente, o que tem um melhor alfaiate e acredito que aquelas camisas têm todas monograma e as iniciais do dono. Fica bem. Quanto ao mais, poderia ser um professor de História ou Direito do Secundário pela forma didática como nos tenta explicar o que é o “liberalismo” na sua versão do século XXI. Perante outros, em especial o seu antecessor na liderança da IL, parece um “sínhôre“.

Menção honrosa: João Oliveira (PCP): com a missão delicada de substituir um Jerónimo de Sousa debilitado e muito lento a reagir (o debate com António Costa foi penoso e, por isso mesmo, nos revelou que AC é um bully sempre que pode), esteve bem contra Rio, naquela estratégia do “quadrado”, do género “estou aqui, daqui não saio, mas ainda apanho uns deslizes ao adversário” (quando Rio disse que faria o mesmo que Costa em relação aos pedidos do PCP). A acompanhar como evolui (ou não).

O Ovo E A Galinha

Qual apareceu primeiro? Um aluno meu de 5º ano respondeu, de forma muito acertada, que foi obviamente o ovo, pois já existiam ovos antes das galinhas, como se pode verificar por espécies como os dinossáurios.

Por cá, continuam a acusar-se os rankings de males imensos para a Educação, confundindo-se o retrato com a causa das coisas. PArece que seria melhor não se saber de nada. Dá origem a prosas e retóricas inflamadas, colhendo-se aplausos a esmo, mas não passa de demagogia e populismo ou, pior, de ocultação das razões profundas de alguns aspectos do “declínio” da Educação. Foram os rankings que deram cabo do currículo, reduziram os programas de várias disciplinas a esqueletos, alteraram regras da avaliação, desresponsabilizaram a indisciplina, aplainaram a carreira docente ou decretaram este modelo de gestão escolar?

Parece que sim para quem lava a alma e se purifica em público ao diabolizar os rankings, apagando tudo o resto por estes dias. Lamento, mas acho sempre curiosa a denúncia do maniqueísmo com base em argumentos maniqueístas.

Já sabemos que os rankings dão uma visão redutora da realidade escolar. A inexistência deles dá uma visão melhor ou dá visão nenhuma? Ou apenas a visão da propaganda oficial?

Sábado

Não adianta proclamar muitos amores pela inclusão e afeições desmedidas pela equidade se, medida após medida, as desigualdades aumentam e se criam ambientes fictícios de sucesso. Havendo as mesmas vagas, não é a melhoria das médias que aumenta o acesso. Havendo mais vagas, como aconteceu, esse acesso pode melhorar, mas de modo assimétrico relativamente aos cursos mais procurados.

Pastiche #2

E eis que, no ano em que se tornam mais absurdos, nos aparecem os exames. Se acha que refletem uma avaliação clara da qualidade da escola, desengane-se.

Os exames são o resultado de uma lista ordenada de perguntas feitas por um grupo de professores que não conhece os alunos. Ponto. É mesmo só isto.

(…)

Avaliar os alunos e o seu desempenho é muito mais do que ordenar um ficheiro Excel por ordem descendente de resultados.

Frade

(um tipo que se afirma contra rankings com base em exames e que os critica, está há cinco anos no governo e mantém as coisas na mesma, mesmo num ano de pandemia? e tem a lata de escrever sobre os alunos que “não [é] ma centésima o que lhe dará asas para chegar mais longe”?)

(eu defendo os exames como mecanismo necessário de regulação externa das avaliações internas e, apesar disso, acho que este ano a sua realização é um erro desnecessário…)

Quem Terá Disponibilizado Os Dados E Com Embargo Até Ao Dia Seguinte Ao Novo Final Do Ano Lectivo?

Ao que parece, atendendo à extrema desafeição que lhes dedica, foi tudo contra a vontade do secretário Costa.

E eis que, no ano em que se tornam mais absurdos, nos aparecem os rankings. Se acha que refletem uma avaliação clara da qualidade da escola, desengane-se.

Os rankings não surgiram do nada. Há perto de 20 anos surgem quando o ME fornece os dados aos órgãos de comunicação social e é estabelecida uma data (pelo ME) para a sua divulgação.

O resto da prosa? Sim, seduz muitas sensibilidades, mas seria giro que fizessem umas perguntas difíceis a quem assim escreve, tão levemente, sobre o aspecto redutor dos rankings e o dos resultados dos alunos em exames mas que, “no ano em que se tornam mais absurdos, nos aparecem” de novos esses mesmos exames que dão origem a todo o mal agora denunciado.

Tanta pomba assassinada, mas nada de novo se fez quanto ao modelo dos exames (com que eu concordo em tempos normais) que certas pessoas criticam, mas deixam passar uma “oportunidade” de alterar.

Estranhamente, há quem vá dar a cara contra os exames “no ano em que se tornam mais absurdos”. E não vai ser o secretário Costa.

janus

O Mini-Debate no “360” De Ontem

A partir das 21.20. O Filinto esteve acutilante e assertivo. Quanto ao Rodrigo Queiroz e Mello decidiu entrar por um terreno terminológico (“cartilha”, “demagogia”) que acabou por dar “molho”. Porque se eu defendo rankings, também defendo que todos facultem a informação completa, não apenas as escolas públicas.

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A Oeste (Ou A Este, Norte Ou Sul) Dos Rankings Nada De Novo

Há uns casos episódicos de sucesso em contextos desfavorecidos, mas são a excepção e, se repararem, raramente se repetem mais de um ano ou dois. No topo, os do costume (consultei só o Expresso e o Público). A esse respeito, como alguém que gosta de rankings e do máximo de informação possível, continuo a não perceber porque o ME divulga os dados dos resultados dos alunos dos colégios privados, mas continua incapaz de aceder (ou ceder) os dados do seu contexto familiar e económico (habilitações dos pais, incidência de alunos com A.S.E). A transparência não pode funcionar num único sentido. Pessoalmente, ou divulgamos todos a receita ou não se aparece no top do masterchef.

As restantes discussões (com quase 20 anos) e os “argumentos” sobre a utilidade dos rankings ou sobre o que verdadeiramente avaliam estas seriações já me passam ao lado, porque a cada ano são menos originais e mais chatas.

ardina

Já Cheira A Rankings

Há quem torça o nariz. Eu prefiro saber. Até porque os que torcem o nariz, não o fazem pelas melhores razões, mas apenas por poeiras ideológicas, perdidas no tempo. Mais valia que tivessem feito algo durante estes meses para que algo mudasse. Em vez disso, andaram o tempo quase todo a acenar que sim, a ver se o chefe lhes dá um biscoito.

Ondas