You Say It Best When You Say Nothing At All

Se isto é o nosso “radicalismo”… estamos conversados. Nada contra a confissão da evidência, mas nada a favor de se terem tornado apenas mais uns, na lógica da tal “democracia burguesa” que afirmam combater.

“O Bloco de Esquerda tem proposta[s], apresenta um programa – às vezes as pessoas ficam um pouco chocadas, mas eu acho importante dizê-lo -, que é na sua essência um programa social-democrata”.

Ousadia

6ª Feira

Quem o impacto ou eficácia de uma greve que não não tenha efeitos “negativos” que pressionem quem decide (seja o patronato formal ou informal)? Uma greve meramente simbólica vale tanto como um cravo na lapela no dia 25 de Abril. Fica bem, mas vale de pouco. É triste ver o direito à greve ser sucessivamente demonizado e espezinhado pelo nosso governo mais à “esquerda” desde 1976. Se era para isto, declaro-me mais do que arrependido por ter achado, em 2009 (primeiro manifesto em defesa de uma solução PS/PCP/BE) e 2015, que valia a pena experimentar.

cravo murcho

4ª Feira

Apesar de pouco atento às novidades do dia, noto que por entre o noticiário sobre a possível transferência do Bruno Fernandes e da eventual necessidade de guarda-redes para o Benfica se hiperbolizam os efeitos da anunciada greve dos motoristas de “materiais perigosos”. Numa concertação entre poder político, organizações sindicais tradicionais e comunicação social ávida de publicidade institucional e favores de Estado se desenvolve uma campanha que me parece bem concertada e eficaz de acções e omissões que visa a pulverização, pelo exemplo, de qualquer esperança de sucesso de um esboço de movimento sindical independente, diferente do praticado pelos pizza boys (and girls). Depois do massacre sem contemplações do sindicalismo menos conformista pequeno burguês dos enfermeiros e da agitação recorrente da classe docente, segue-se o novo sindicalismo de matriz mais proletária. Apesar do ar mais polido do seu representante negocial (que demonizam por ter carros de alta cilindrada e processos em decurso, como se isso não acontecesse a muito amigo político), os motoristas são uma classe “trabalhadora” à moda antiga, ainda classificável como o proletariado que os camaradas arménio e jerónimo se orgulham de representar quando sob a sua alçada. Mas que decidiu agir por si mesma, nem sempre com o melhor discernimento, mas com uma coragem que urge ao poder político controlar, para que não venha a espalhar-se o vírus incómodo e imprevisível do “sindicalismo independente”, de proximidade. Isso incomoda demasiada gente. Daqui até dia 12, o massacre político-mediático será constante. Adivinho apenas 2 ou 3 figuras públicas a desalinhar do coro de interesses instalados. E nisso alinharão mesmo os revolucionários de pergaminhos (bastou ler um incrível texto de Elísio Estanque há uns dias no Público para perceber como o vento sopra forte de um só lado).

Todos os outros (incluindo um presidente sistémico em busca de segundo mandato) farão tudo para levar a opinião pública a desejar os motoristas ser levados em via sacra e crucificação final. Em nome da “responsabilidade”.

marioneta-de-madera