Confirma-se Que Costa E O PS Anseiam Pela Greve Dos Camionistas…

… para voltarem ao eleitorado de centro-direita que gosta de uma liderança “firme”, o mesmo que deu a maioria absoluta ao engenheiro. Em tudo isto, o emproado Rio é um mero plano C se não existir maioria absoluta.

Costa alerta para “sentimento nacional de revolta” face à greve dos motoristas

AntCosta

3ª Feira

Há um oportuníssimo silêncio sobre o que se passa em torno da Ordem dos Enfermeiros e do risco da sua dissolução, alegadamente por se ter envolvido na organização da greve cirúrgica de há uns meses (o que contrariaria o nº 5 do artigo 3º do seu Estatuto, embora a alínea r) do nº 3 deixe ali uma margem de manobra, por pequena que seja nessa matéria).

O silêncio é natural em todos aqueles que desgostam das “ordens” por acharem que disputa, o espaço da “representação” dos profissionais aos sindicatos, mas ficam algo presos num paradoxo hipócrita porque a Ordem dos Enfermeiros está sob perseguição exactamente por ter colaborado com os sindicatos da sua classe na organização de uma greve. Porque se eu li muita gente criticar a existência das ordens profissionais por serem um resquício do “corporativismo fascista”, não leio nada agora sob o abuso do poder “democrático” sobre uma organização que colocou em primeiro lugar a defesa dos interesses laborais dos seus associados. Algo que há muitos sindicatos que sacrificam à primeira puxadela forte da trela dos “donos”. Mas as coisas são o que são e há por aí muito “purista” encartado que de coerência tem pouco.

O silêncio é igualmente natural, e bem mais expectável, em todos os que sempre consideraram que o poder político (confundindo o interesse particular de um dado governo com o do Estado) não deve ser contestado a partir da base e que todas (ou quase) contestações sociais devem ser contidas em limites “razoáveis”, devendo ser remetida para as eleições tetranuais toda e qualquer intervenção cívica mais activa. Basta ver que o próprio PSD (que se afirmava ser quem estava por trás da acção da OF ou da sua presidente) está silencioso sobre o assunto, sendo que na actual direcção do partido está uma ex-bastonária (da Ordem dos Advogados) que todos nos lembramos ter tomado atitudes bem agressivas em relação ao poder político.

E é aqui que desembocamos na diferença dada às ordens profissionais mais poderosas (advogados e médicos) e a que é reservada às restantes, sendo que algumas são perfeitamente anódinas e mal se sabe existirem.

Quem se esqueceu que no caso dos advogados existiram bastonári@s que disseram e fizeram coisas bem mais agressivas e utilizando linguagens e estratégias bem mais desrespeitosas do que a OE? O caso dos advogados, desde logo com o inefável Marinho e Pinto à cabeça, sempre com ameaças e chantagens públicas, e a acima referida Elina Fraga como sucessora muito razoável? E no caso dos médicos, em que, por exemplo, o actual bastonário parece um saltitão, a aparecer sempre que parece conveniente e a pronunciar-se sobre assuntos que dificilmente estarão nas atribuições da sua ordem (como comentar e condenar a acção de profissionais de outras classes), cujo estatuto segue uma matriz, nessa matéria, semelhante à dos enfermeiros?

O maior problema, contudo, é perceber que a lógica do “quem se mete connosco, leva”, por estes dias, tem a cobertura, por omissão, de forças politicas que deveriam ser menos invertebradas na defesa dos direitos dos trabalhadores, mesmo daqueles que parecem considerar “privilegiados” por terem qualificações académicas superiores e remunerações médias mais elevadas? Sim, no fundo eles são contrários às “ordens” porque os seus sindicatos é que deveriam ter o monopólio da representação dos trabalhadores mas… enfim… se já os ouvi submeterem-se à lógica do “interesse nacional” e mesmo das “boas contas”, não deveriam preocupar-se, desde logo, com a forma como as soluções políticas transitórias abusam dos mecanismos do Estado para submeter os seus adversários?

Parecendo diferente, não o será muito a forma como no tempo do engenheiro mandaram intimidar um blogger (António Balbino Caldeira), constituindo-o como arguido e confiscando-lhe documentação e agora entraram pelas portas da OE e foram em busca do que lhes pudesse sustentar a intimidação e ameaça de dissolução. Nas duas situações está em causa não tanto o cumprimento da Lei, mas a intimidação pelo exemplo do que pode acontecer a quem levantar muito o cabelo…

grito

Domingo

Leio com benevolência os primeiros textos na comunicação social contra o perigo de uma maioria absoluta do PS. Chegam tarde. Agora, como já escrevi, essa maioria se não acontecer, é possível com o apoio desta ou aquela bengala, que o próprio PS deseja ser o patusco mas perigoso PAN. Perigoso porque consegue sacar votos a gente que já nem sabe bem o que por aí anda a fazer na vida (tema a desenvolver, em outra altura, de forma pouco agradável para quem perceber que está a ser retratado na sua pseudo-mobilização cívica). Ou até pode ser um PSD a que a influência balsemânica deu como líder um idiota útil para a fase dos subsídios europeus, mas um idiota inútil e emproado como político a sério.

Mas quem agora começa a escrever sobre os perigos de um PS absoluto poderia fazer-nos o favor de explicar porque se calaram em outros momentos que poderiam ter limitado as hipóteses da tal maioria. Desde o início do mandato da geringonça, que eu admito ter apoiado, começou a notar-se uma espécie de “acordo de bastidores” com alguma comunicação social quanto à blindagem do que poderia ser notícia e o que poderia ser considerado “informação”. Seria interessante que quem sabe, explicasse porque, alegadamente em defesa da comunicação social “tradicional” contra o “populismo das redes sociais”, se colaborou numa política de representação da realidade e de confisco da verdade, com a aceitação de um uso da linguagem que deturpou com gravidade essa representação. Agarrando num ou outro exemplo de “excessos” das redes sociais produziu-se uma narrativa em que só a informação “oficial” deveria ser tida em conta. Não falo apenas da Educação (em que se percebeu com clareza durante 2 a 3 anos a forma como a blindagem da informação, com a colaboração consciente dos parceiros BE e PCP, funcionou como nunca aconteceu com Sócrates ou Passos Coelho), mas em quase todas as outras áreas da governação. Penso que só com o episódio de Tancos e com os incêndios de 2017 se assistiu a uma brecha nesse “acordo” e na colaboração pacífica entre governo, comunicação social (em geral) e a própria presidência que com os afectos e beijinhos funcionou como almofada dissuasora de de demasiadas coisas.

Eu gostava muito que a classe dos jornalistas, em especial de muitas direcções e chefias de redacção (não vale a pena ter esperança em “senadores da opinião” sentados confortavelmente nas suas avenças), dissesse o que sabe sobre esse período, em vez de agora aparecer a agitar perigos que ajudou a construir. Ou isso seria a sua sentença de “morte” profissional?

Já agora… também não adianta muito acreditar, agora, na bondade de gente que durante quase todo o mandato aceitou sem verdadeira oposição ou exercício de controlo democrático o regresso a um processo de manipulação do aparelho de Estado por parte de uma clique subsidiária da dos tempos do engenheiro, só que menos provinciana e, por isso mesmo, mais espalhafatosa nos sinais exteriores de abuso..

VerdadeTruth

A Municipalização Por Lisboa

Nem era para fazer post, mas achei graça à notícia feita a partir da Lusa. Repare-se nesta passagem:

O documento, apreciado em reunião plenária, contou com os votos contra do BE, PEV, PCP e de um deputado independente, a abstenção do PAN, MPT, CDS e de um deputado independente, tendo as restantes forças políticas e eleitos independentes votado favoravelmente.

Mas quem são as “restantes” forças políticas?

O vereador responsável pelo pelouro da Educação, Manuel Grilo (BE — partido que tem um acordo de governação da cidade com o PS), apresentou na terça-feira, em reunião privada do executivo, uma proposta para rejeitar a transferência das competências na área da educação, documento que foi chumbado com os votos contra dos socialistas e dos sociais-democratas.

Pois… eu vou poupar o Manuel Grilo a algum sarcasmo, porque dizem que ele já desgosta suficientemente de mim.

centro-politico

 

A Máquina Em Movimento

Ia escrever um título mais ácido envolvendo metáforas sexuais e vaselina, mas consegui conter-me.

Sem nunca falar em concreto do PSD, do CDS ou do PCP, o líder do PAN, André Silva, criticou nesta quinta-feira as três forças que considera serem as “mais conservadoras e menos progressistas” do Parlamento e que têm estado “de costas voltadas” para as pessoas. Já o PAN, frisou, tem uma “mundivisão diferente dos partidos tradicionais” que continuam a fazer política de uma forma que “atrai cada vez menos pessoas”.

Vaselina

(o autor do blogue esclarece que não recebeu qualquer subsídio à publicação por parte da marca apresentada, ao contrário de outras coisas que andam por aí…)