2ª Feira

Sempre gostei daquela “anedota”, que me foi contada pela primeira vez há muitos anos pelo professor de Filosofia de 10.º ano, sobre a forma de demonstrar a falsidade dos argumentos de Zenão contra o movimento. Bastaria, de acordo com a tal estória, dar um estalo ao filósofo enquanto ele discorria sobre os seus paradoxos para provar que o movimento é possível e que tanto a seta chega a acertar no alvo como Aquiles consegue ultrapassar a tartaruga.

Que Coisa D’Espantar!

Mas segundo certos “decisores”, a Escola é que serve para apagar todas essas “assimetrias” e os atrasos em equipar os tão apregoados “mais desfavorecidos” é culpa do coelhinho da Páscoa.

Já sei que #SóCrioProblemas, mas como não vivo na Aldeia dos Sorrisos Digitais e ainda hágórinha mesmo vi os problemas de uma reunião com 15 pessoas teoricamente já treinadas para isto, só posso cruzar os dedos e acreditar que tudo vai acabar bem.

A partir de uma leitura cruzada de vários indicadores oficiais, investigadores da Nova School of Business and Economics concluem que, num país onde grassa a privação material, o ensino à distância “só funciona para os filhos dos burgueses” .

O Ano Lectivo Começa Na Primavera?

Tenho andado eu a dizer que os computadores que chegaram às escolas teriam custado no máximo 30 milhões de euros e ainda errei por razoável excesso. Quanto ao resto, fica bem claro que o “plano” foi sempre o de manter o presencial, independentemente das “vagas”. O investimento total é uma gota de água nos buracos do Novo Banco ou da TAP e não me venham dizer que é demagogia. Porque uma “geração perdida” vale certamente mais do que um banco, mesmo para liberais de aviário que se dizem amantes da Vida e do Humanismo. A começar pelos novos doutorados (honoris causa?) em Educação para Totós que parecem ter descoberto agora que a Terra é mais ou menos redonda (ocorre-me aquele novo bostoniano que escreve no Expresso acerca do que já sabemos, mas que ele acha que é muito novo, porque chegou agora e… enfim, há que ter paciência, muita paciência…),

Expresso, 29 de Janeiro de 2021

Pelo Contrário, Está A Ir “De Menos”

O Polígrafo era uma boa ideia, mas depois veio o negócio, foi cooptado pelo Expresso/SUC e parece funcionar com estagiários a acabar o primeiro ciclo de estudos bolonheses. Depois de um início em que parecia poder vir a ser outra coisa, perdeu o rumo, passou a reagir a bitaites nas redes sociais (ao serviço, claro, de uma estratégia destinada a promover o “jornalismo sério”) e a fazer verificações de factos baseadas em simples pesquisas no google e nos mesmos meios digitais que deveria verificar. Quanto à vida política, passou a imperar a verificação de fait-divers e não uma abordagem séria do que é afirmado, por exemplo, em programas e promessas eleitorais. A razão? porque não têm gente qualificada para o fazer, porque isso implicaria, mais do que temporários em busca de ascensão e lugar, contratar especialistas nas várias áreas. Implicaria fazer as coisas a sério. O que resta é pouco, Há uns dias, numa “verificação”, era constatado que algo era falso, Mas tinha um “mas” que não era mais do que uma opinião sobre as razões que explicariam a tal falsidade. Ou seja, a contradição de uma avaliação objectiva dos factos. Para opiniões sem fundamentação empírica já temos muitos articulistas “de referência”.

O fact-checking à tuga não está a ir longe de mais, muito pelo contrário. Está a servir para dar a sensação que existe.

Fact