Seria Sensato

Adiar para dia 26 a nova fase do desconfinamento. Até porque, estando já os petizes mais pequenos nas escolas (e as esplanadas abertas) não se corre o risco de cartas abertas e artigos em cascata na imprensa da malta do costume.

Mesmo se para a maioria do pessoal a carta de alforria foi no dia 5, pelo que entra pelos olhos dentro.

É Mêlhórre Nom Dizêrrem Nádá À Ecónómiste Pérráltá Ou Au Sêu Côlégá Conrrrráriá

Emmanuel Macron disse ter feito tudo para adiar o regresso das medidas de confinamento, mas a situação é grave nos hospitais franceses.

(êstês gôlêsês serem stupides… ê aprés terem de contrrrrátárre les spéciálistes amigues du sécrétêre cósta e do iávê por couse dês aprrendissagens perrdues)

A Outra Narrativa

Não sou ingénuo ao ponto de achar que estas notícias surgem por acaso, que não aparecem porque também são convenientes para a nova atitude do actual PM e da maioria dos que o apoiam. Mas, pelo menos, parecem assentar mais em factos demonstráveis do que as considerações vagas e pouco baseadas na realidade de certos “istas” que por aí andam a assinar cartas ou a subscrevê-las de cruz, sem grande preocupação em saber se têm algum fundamento ou se não se limitam à expressão de uma certa dor d’alma, causada por incómodos muito particulares.

Afinal, o confinamento indesejado foi “eficaz” e, afinal, não temos estado mais tempo fechados do que os outros. Que o economista Coraria e a economista Peralta são fracos neste tipo de contas, eu já tinha notado, assim como tenho escassa esperança na lisura e substância da argumentação de Oliveiras, Raposos & Tavares.

Expresso, 5 de Março de 2021

Não Será Pedir Muito?

Porque o Tiago continua sem perceber muito do assunto e o João não gosta de aparecer quando o vento sopra contra.

5) Liberdade de aprender e ensinar: podem ser impostas pelas autoridades públicas competentes, em qualquer nível de ensino dos setores publico, particular e cooperativo, e do setor social e solidário, incluindo a educação pré-escolar e os ensinos básico, secundário e superior, as restrições necessárias para reduzir o risco de contágio e executar as medidas de prevenção e combate à epidemia, nomeadamente a proibição ou limitação de aulas presenciais, o adiamento, alteração ou prolongamento de períodos letivos, o ajustamento de métodos de avaliação e a suspensão ou recalendarização de provas de exame. Deverá ser definido um plano faseado de reabertura com base em critérios objetivos e respeitando os desígnios de saúde pública.

Este Vai Já Para A Lista Negra Dos “Realistas”

Novas variantes do vírus, máscaras, confinamento e vacinas. Virologista português Pedro Simas responde a tudo sobre o novo coronavírus no 9º episódio do Made in Tech, em que voltamos a falar da pandemia.

Mas Não Se Andou A Tratar Disso No Início De Setembro (E Mesmo Antes)?

Há duas coisas que faltam, em níveis e escalas diferentes: equipamento em quantidade suficiente, em especial no Básico e uma adaptação dos critérios de avaliação dos alunos, pois a maior parte dos Planos de Contingência que li definem os 3 modelos de ensino, até adiantam parte da sua operacionalização no plano local, mas depois parecem assumir que a forma de avaliar é a mesma em qualquer dos modelos. E não é.

Claro que agora o ME quer dar a entender que foram as “escolas” a não se preparar. E não é bem assim. Tenho pena é que os representantes dos directores não sejam bem claros acerca disso e optem por um discurso em forma de nim.

Já agora… hoje de manhã havia telescola na RTP Memória. Eu pensava que tinha sido dito que era para parar todas as actividades lectivas e não lectivas.

Diretores e dirigentes escolares estão preocupados com a falta de meios informáticos e de condições familiares para estudar em casa, se os alunos forem obrigados a voltar ao ensino não-presencial.

Inépcia Jurídica Ou Uma Espécie De Limbo?

O ministro Tiago apareceu na televisão dizer que estava TUDO suspenso e ameaçou, com voz grossa, os colégios que usassem “truques”. Curiosamente, eu conheço escolas públicas em que algumas turmas têm, assim a modos que de acordo mútuo, umas “sessões” online muito parecidas com aulas. O que não deve estar proibido pois de acordo com o decreto-lei 8-B/2021 de 22 de Janeiro, no seu preâmbulo, se lê o seguinte

Com vista a procurar inverter o crescimento acelerado da pandemia, o Governo decretou a suspensão das atividades letivas e não letivas pelo período de 15 dias.

Mas, mais adiante que:

Conjuntamente, na sequência da suspensão das atividades letivas e não letivas presenciais (…)

Em lado nenhum se fala na proibição de aulas à distância. Nem sequer se fala disso no decreto-lei 3-C/2021 do mesmo dia no artigo 31.º-A sobre a “Suspensão de atividades letivas e não letivas”, porque apenas se determina de modo explícito que “1 – Ficam suspensas: a) As atividades educativas e letivas dos estabelecimentos de ensino públicos, particulares e cooperativos e do setor social e solidário, de educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário;

No que raio ficamos? Porque é importante saber-se se serão legais, por exemplo, reuniões não presenciais por dá cá aquela palha. E se são legais… não estamos de “férias”. Certo? Cada vez me parece mais que os gabinetes jurídicos do governo (como do ME) foram implodidos e andam muito mal pagos.