Mas Esta Reforma, Esta Última, A Dos Iluminados Reformistas Ainda Exercício Foi A Melhor De Todas (Até À Próxima)!

E o que eu gosto de ver, sempre que há resultados melhores. quantas vezes apenas com base em truque administrativos, actuais e pretérit@s governantes a aparecer, quais caracóis em manhã de sol de Junho, com a cabecinha de fora a reclamar a quota parte insubstituível da(s) sua(s) reforma(s).

Quase 40 reformas em 30 anos. É assim a Educação em Portugal

Hamster

Por Amor Da Santa Mealhada

Agora descobriram uma reforma numa província do Canadá, trouxeram o guru de lá e já a querem importar e a recém recuperada ao olvido SE Leitão diz que sim e tal, a flexibilidade e a autonomia são excepcionais. Isto está a tornar-se uma espécie de sorteio… agora é a Finlândia e a Suécia, depois é a Polónia, a seguir é a Alemanha, depois são os tigres asiáticos, agora são os gelos canadianos. Quem ganha com isto? Agências de viagens, a hotelaria e uns espaços alugados para eventos.

porco de bibiclete

3ª Feira

Já repararam como o pessoal do ME transforma os erros de concepção dos seus normativos e reformas, por desconhecimento das condições concretas de funcionamento das escolas, em incapacidades professores em na sua implementação, pelo que depois é necessário que quem inicialmente errou venha dar “formação” na forma certa e adequada de fazer as coisas?

Bunsen

Aguarda-se Para Aí A 5ª Reforma Numa Década (Com Uma Proposta Minha Em Adenda)

Matemática revirada do avesso

Grupo de trabalho criado pelo Governo analisa programas, metodologias de ensino, taxas de recuperação, e o insucesso da disciplina. Associação de Professores de Matemática espera que os professores sejam consultados sobre as aprendizagens e o envolvimento dos seus alunos.

Como sabeis, sou pessoa prestável e por isso deixo aqui singela proposta para definir o critério-padrão para uma avaliação de sucesso:

1º ciclo – reconhecer a existência do termo “Matemática” para designar uma área de estudo. Dar duas cambalhotas para desanuviar.

2º ciclo (enquanto existe) – saber a tabuada, com consulta de uma tabela. Desenhar uma flor para atenuar o saber enciclopédico acumulado.

3º ciclo – aplicar as quatro operações básicas com um máximo de dois dígitos e reconhecer o termo “Geometria” como uma área que também se pode estudar mais lá para a frente. Jogar fortnite (ou equivalente) durante uma hora por cada conta feita.

Secundário – distinguir quatro formas geométricas e reconhecer um sólido em situação de crise nacional. Aplicar os conhecimentos no jogo dos quatro cantinhos.

 

lapisviarco.tabuada

Reorganização Dos Ciclos De Ensino

Continua a discutir-se, com os “actores” a dizerem uma coisa e a praticarem outra. Os “especialistas” próximos do PS e não só, sempre gostaram de criticar o choque da transição da monodocência para a pluridocência entre o 4º e o 5º ano. Mas mal chegaram ao poder atomizaram ainda mais o currículo. No 2º ciclo, Um Conselho de Turma podia ser formado por 6-7 professores de 9 disciplinas. Agora podemos chegar às 11-12 disciplinas ou áreas, quantas vezes com 10 docentes. Já o 1º ciclo, embora formalmente em monodocência, chega a ter 3-4 professores ou mais, devido à fragmentação de áreas e expressões. O 3º ciclo entrou num total delírio que pode chegar às 14 disciplinas.

A incoerência é total, entre discurso e prática, em especial quando se trata de modas ou de alimentar clientelas. Se é necessário mudar uma escolaridade obrigatória de 12 anos que tem 4 ciclos distintos? Sim, mas receio muito que a tendência seja para o agravamento da infantilização dos conteúdos de um primeiro ciclo de estudos mais alargado (e incluindo um ano de pré-escolar), em nome de “competências” que se definem a gosto. Em que saltar à corda vale tanto ou mais do que saber a tabuada ou ler com fluência, porque agora tudo se equivale e quem ousar ir contra este estado de coisas é porque é um elitista que ficou parado num século qualquer e não percebe que aprender é brincar, se possível só com esforço se for para atingir os parâmetros dos testes do FITescola (sim, continuo a embirrar com a tomada de assalto do currículo pelos pseudo-salvadores do futuro da saúde nacional).

E quando me exemplificam com os casos de alguns países estrangeiros, fica sempre aquela questão: e o resto?

Violino

A “Solução Final”?

Mesmo com aspas, o título foi forte demais e foi transformado para consumo dos leitores do JL/Educação. Não me incomoda muito a alteração, desde que o conteúdo (acerca do projecto do insucesso a 0%) continue lá (embora a solução encontrada seja pouco imaginativa, tendo sido possível perguntar-me se eu não tinha um título alternativo). Do  texto longo, transcrevo três passagens:

O que significa que quanto maior é o nível de desigualdade económica na sociedade, maior é a possibilidade de existir uma forte desigualdade no desempenho académico e níveis de insucesso mais elevados. Não é estranho que países com um índice de Gini mais favorável estejam entre os melhor colocados em testes comparativos internacionais, sejam os PISA, PIRLS ou TIMMS. Entre os dez países com menor desigualdade económica, em termos de rendimento disponível, encontramos o norte escandinavo e o centro da Europa na esfera de influência da Alemanha. Portugal entra a custo nos melhores 30 classificados. Se recorrermos ao mais recente rácio Palma (usado pelo Banco Mundial), que compara o nível de desigualdade entre os 10% mais ricos da população e os 40% mais pobres, a distribuição é semelhante, com Portugal em pior posição, nos 10 mais desiguais da amostra[i].

Perante este panorama, seria expectável que uma estratégia para combater o insucesso escolar passasse por proporcionar melhores condições socio-económicas às famílias e alunos para que estes, ao chegarem à escola, estivessem nas melhores condições para desenvolver as suas capacidades. E por melhores condições entenda-se nível salarial, mas de igual modo uma menor precariedade dos laços contratuais e uma maior regulação dos horários de trabalho. Quando se identificam países a emular, seria interessante começar por essas variáveis, antes de transformar as escolas nos grandes (únicos?) instrumentos do Estado para promover a “justiça e equidade”.

(…)

Quando um governante afirma que já temos “sete Finlândias em Portugal” ficamos sem perceber se existe a percepção do ridículo de tal afirmação, mesmo que não seja literal. Basta estudar a evolução da escolarização na Finlândia, a sua homogeneidade cultural e étnica, o baixo nível de desigualdade económica, as características do seu comportamento cívico e ético ou mesmo a distribuição e dimensão das suas escolas, para se perceber o nível de desfasamento da nossa realidade.

(…)

Há uma nova geração de estratégias comunicacionais destinadas a convencer a opinião pública da bondade de reformas na Educação que passa por adoptar uma linguagem que evita dramatismos, não especifica os detalhes das mudanças e as apresenta como positivas, inovadoras e superiores do ponto de vista moral, transformando qualquer crítico em alguém negativo, arcaico e moralmente repugnante, por estar do lado do “insucesso” e não acreditar na “utopia”.

Mas é um dever cívico questionar o porquê e o como das mudanças. Será defeito de formação achar que a História nos ensina a perguntar “porquê” em busca de explicações de modo “a evitar a ilusão e o faz-de-conta, a pôr de lado os sonhos, o luar, as banhas da cobra, as magias, o maná dos céus – a sermos realistas.” (Graham Swift, O País das Águas, p. 88). Mas assim continuarei.

[i] Development Goals in an Era of Demographic Change. Global Monitoribg Report 2015/2016 (Washington, World Bank, 2016).

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