A Ler – Maria do Carmo Vieira

Divulgo com algum atraso este texto que, entre outras coisas, revela muito sobre os meandros de certas “reformas” de programas e currículos. Há mais de uma década, com a TLEBS, terá acontecido o meu primeiro choque frontal com o que, nos primeiros tempos do Umbigo, apenas entrevia como uma clique interessada em fazer avançar as “suas” opções à custa de tudo o resto naquela combinação muito “ética” de rever programas, dar formações e produzir manuais de apoio (ou outros). A mesma clique que, reforçada, está agora no poder em torno do vizir que não quer ser califa em vez do califa porque assim fica menos à vista nos momentos chatos.

Atentados e absurdos no ensino do Português: tudo em família

As sucessivas e absurdas alterações no ensino do Português, todas elas marcadas pelo oportunismo, pela ausência de debate, pela ignorância e pela arrogância intelectual, têm-no lesado profundamente.

Finger

As Condições Materiais Das “Reformas”

Seria interessante escavar um pouco as razões da recente falta de docentes em alguns grupos disciplinares. Há mais do que aqueles que vieram mais à superfície das notícias das últimas semanas, basta andar pelas escolas e perceber que há mais disciplinas em que os alunos permanecem sem aulas ou em que não se arranjam substitut@s interessad@s. Mas entre as que mais deram nas vistas, há uma disciplina cuja associação de professores conseguiu nos últimos 20 anos um peso assinalável no ME, seja na dgidc, seja em gabinetes, não sendo de admirar que o seu peso no currículo tenha aumentado (há um particular desejo de paridade com a História que chega a ser aflitivo) progressivamente, absorvendo mesmo conteúdos programáticos que antes eram de outras áreas para justificar esse “espaço” ampliado. O problema? Não há docentes para assegurar essas horas todas, muito menos de professores profissionalizados. E nem é bom falar em alguns casos que aparecem para “tapar buracos”. Porque o que interessou foi exercer um poder de influência e conseguir um peso para o qual depois falta o correspondente “capital humano”. Diferente é o caso de TIC em que deveria ter existido algum cuidado na formação de professores e não apenas em arranjar habilitações que servissem para dar umas aulas. Faltam professores e quem chega, parece chegar a um mundo desconhecido, em especial quando se trata de petizada pequena, pois há um evidente desajustamento entre quem define o programa da disciplina e aquilo que resulta em sala de aula.

Mas… os “reformistas” andam por aí e não se calam com as mesmas conversas e cedendo às mesmas pressões e amiguismos. Sem se preocuparem em perceber se andam a fazer “reformas” no vazio das condições concretas da sua implementação. E as carências não se resolvem com especializações ou formações instantâneas do tipo café solúvel em água morna. Mas as reformas pós amigos são assim… não interessa se funcionam, desde que satisfaçam as capelinhas.

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Mas Esta Reforma, Esta Última, A Dos Iluminados Reformistas Ainda Exercício Foi A Melhor De Todas (Até À Próxima)!

E o que eu gosto de ver, sempre que há resultados melhores. quantas vezes apenas com base em truque administrativos, actuais e pretérit@s governantes a aparecer, quais caracóis em manhã de sol de Junho, com a cabecinha de fora a reclamar a quota parte insubstituível da(s) sua(s) reforma(s).

Quase 40 reformas em 30 anos. É assim a Educação em Portugal

Hamster

Por Amor Da Santa Mealhada

Agora descobriram uma reforma numa província do Canadá, trouxeram o guru de lá e já a querem importar e a recém recuperada ao olvido SE Leitão diz que sim e tal, a flexibilidade e a autonomia são excepcionais. Isto está a tornar-se uma espécie de sorteio… agora é a Finlândia e a Suécia, depois é a Polónia, a seguir é a Alemanha, depois são os tigres asiáticos, agora são os gelos canadianos. Quem ganha com isto? Agências de viagens, a hotelaria e uns espaços alugados para eventos.

porco de bibiclete

3ª Feira

Já repararam como o pessoal do ME transforma os erros de concepção dos seus normativos e reformas, por desconhecimento das condições concretas de funcionamento das escolas, em incapacidades professores em na sua implementação, pelo que depois é necessário que quem inicialmente errou venha dar “formação” na forma certa e adequada de fazer as coisas?

Bunsen

As Propostas De Alteração Ao DL 54/2018

  • Bloco (que quer representantes das associações de estudantes nas equipas multidisciplinares)
  • CDS-PP (nada de muito relevante, apenas insistindo no acompanhamento e avaliação do processo)
  • PCP (documento mais longo e estruturado, com algumas propostas interessantes)
  • PSD (que reforça a possibilidade de recorrer a instituições externas, na falta e recursos nas escolas)

rosca

Aguarda-se Para Aí A 5ª Reforma Numa Década (Com Uma Proposta Minha Em Adenda)

Matemática revirada do avesso

Grupo de trabalho criado pelo Governo analisa programas, metodologias de ensino, taxas de recuperação, e o insucesso da disciplina. Associação de Professores de Matemática espera que os professores sejam consultados sobre as aprendizagens e o envolvimento dos seus alunos.

Como sabeis, sou pessoa prestável e por isso deixo aqui singela proposta para definir o critério-padrão para uma avaliação de sucesso:

1º ciclo – reconhecer a existência do termo “Matemática” para designar uma área de estudo. Dar duas cambalhotas para desanuviar.

2º ciclo (enquanto existe) – saber a tabuada, com consulta de uma tabela. Desenhar uma flor para atenuar o saber enciclopédico acumulado.

3º ciclo – aplicar as quatro operações básicas com um máximo de dois dígitos e reconhecer o termo “Geometria” como uma área que também se pode estudar mais lá para a frente. Jogar fortnite (ou equivalente) durante uma hora por cada conta feita.

Secundário – distinguir quatro formas geométricas e reconhecer um sólido em situação de crise nacional. Aplicar os conhecimentos no jogo dos quatro cantinhos.

 

lapisviarco.tabuada