O Inferno Em Que Transformaram A Minha Profissão – 2

Segunda parte do texto da colega Maria de Fátima Patranito.

– No conselho de turma faz-se, obrigatoriamente, uma apreciação geral de cada um dos alunos e identificam-se áreas de melhoria que também são aí registadas, aluno a aluno, período a período.

– Também são registados os sumários e as faltas dos alunos nessa plataforma, bem como a justificação das mesmas (“tarefa” que cabe ao diretor de turma).

– No final de cada período cada docente faz a avaliação das atividades de apoio ao estudo dos alunos que as frequentaram, preenchendo 1 documento com o nome dos alunos, sessões a que cada um assistiu, se foi proposto ou se as frequentou voluntariamente. Estes dados são retirados dos sumários das sessões, registados na referida plataforma.

– Há professores que colocam na plataforma Moodle materiais extra para os seus alunos, sobretudo no ensino secundário.

– Planificação anual e por período, dos temas, domínios ou módulos, consoante os anos de escolaridade (professores que têm os mesmos anos de escolaridade).

– Planificação de visitas de estudo e toda a documentação inerente (projeto da visita, lista de alunos para seguro escolar, autorizações para os encarregados de educação).

– Como diretora de turma, há que salientar as seguintes “tarefas”: 1. Controle de faltas e sua comunicação atempada aos encarregados de educação (através da plataforma Inovaralunos); 2. Justificação de faltas; 3. Elaboração de relatório para a direção no caso de o aluno atingir um determinado número de faltas de carácter disciplinar e ser necessário aplicar medidas corretivas; 4. Atendimento semanal de encarregados de educação; 5. Manter atualizados os processos individuais dos alunos; 6. Atualizar os processos individuais no final do ano letivo; 7. Limpar o dossiê da direção de turma; 8. Preparar e dirigir as reuniões com encarregados de educação; 9. Identificar alunos que necessitem de apoios individualizados (apoio em foco académico, nova designação do 54/2019) e preencher o respetivo documento (com 3 páginas de dados) para entregar à EMAEI; 10. Preparar as fichas de informação a entregar aos encarregados de educação em cada uma das reuniões do final de cada período; 11. Imprimir as fichas de informação para encarregados de educação; 12. Elaboração das atas das reuniões com encarregados de educação (para não correr o risco de ficarem por fazer e entregar ad eternum).

– Terminadas as atividades letivas, ainda fui coadjuvante do exame de 12º ano, na 1ª e 2ª fase; fiz 2 vigilâncias de exames; fui convocada como corretora de provas da 1ª fase, recebendo 37 provas para corrigir.

B – Reuniões:

– Reunião geral de professores, no início do ano letivo, para as boas vindas e receber horários. Para o serviço de exames (coadjuvação, vigilância e correção das provas). Para esclarecimentos sobre a contagem do tempo de serviço a recuperar: a “esmola” de 2 ano, 9 meses e 18 dias (em vez de 9 anos, 4 meses e 2 dias).

Total: 3

– Reuniões de conselho de turma: 5 por ano, multiplicadas pelo número de turmas que o professor leciona e que podem ir de 2 a 8 ou até mais, dependendo da sua disciplina. Nos anos sujeitos a exame nacional, podem ser feitas 6 reuniões de conselho de turma para identificar alunos que necessitem de medidas especiais no dia de realização das provas (tempo extra, suporte digital, etc.). Podem existir outras reuniões de carácter extraordinário. No meu caso, tive 12 conselhos de turma (3 turmas x 4 ct).

Total: entre 10 a 40 ou mais,

de acordo com o nº de turmas do docente

(ou mais uma para cada turma nos anos de exame)

– Reuniões de diretores de turma: 4 por ano para cada ciclo de ensino. Alguns professores podem ser contemplados com 2 direções de turma e, eventualmente, uma de cada ciclo.

TOTAL: 4

– Reuniões de grupo disciplinar para tratar de assuntos diversos, nomeadamente, dar cumprimento a orientações do conselho pedagógico.

Total: 10

– Reuniões de departamento quando há necessidade de dar cumprimento a orientações do conselho pedagógico ao nível dos departamentos curriculares.

Total: 3

– Reuniões de conselho pedagógico para tomar decisões ou fazer recomendações aos vários departamentos.

Total: 24

– Reuniões de cidadania com vista à implementação da “Estratégia” do ME para a Cidadania e Desenvolvimento. Apenas os professores que lecionam a disciplina. No presente ano letivo, apenas turmas de 7º ano, com 50 minutos semanais, em regime anual ou semestral, conforme as turmas (ensino normal ou ensino articulado da música). Convém referir que estes 50 minutos foram retirados às Ciências Sociais e Humanas. Mais uma vez a História saiu prejudicada!

Total: 8

– Reuniões com encarregados de educação realizadas no início de cada um dos períodos letivos, sendo que no 3º período se realizam duas. Podem realizar-se reuniões extraordinárias se as turmas tiverem problemas de comportamento. Na minha direção de turma realizou-se uma reunião extraordinária no 2º período, registando-se um total de 5 reuniões.

Total: 4

– Reuniões com da SADD (secção de avaliação do desempenho docente) com os avaliadores.

Total: 2

(e continua… continua…)

 

Domingo

O que mais me estimula na semestralização da avaliação é a mensalidade das reuniões de monitorização dos “progressos” verificados e das estratégias a implementar. Porque depois o “semestre” é muito longo e será indispensável um acompanhamento. Por maioria de razão nas disciplinas que atribuírem classificações ao semestre. E vai ser tãpo bom reunirmo-nos muito mais do que agora em defesa do interesse da objectividade holística de uma avaliação flexível desde que enquadrada em grelhas.

Se não acreditam confiram com o que já existe em matéria certificada de mais do que boas práticas.

zandinga

 

2ªFeira

Nada fora do normal, o que já não é nada mau. Anoto apenas que o work in progress do 54 ainda está numa fase muito, muito, muito longínqua do que deveria ser. Mas a culpa é, certamente, dos professores e das escolas que não estão a “operacionalizar” tudo isto a mata-cavalos. Entretanto, improvisa-se, experimenta-se, sei lá. Tudo no “interesse dos alunos” dizem @s que sabem disto e podem legislar.Quadratura 3

Quanto A Reuniões…

… eu gostava mesmo era de fazer greve a quem parece ter um especial prazer em conduzi-las de forma atroz, prolongando-as para além do razoável e de qualquer horário admissível. Há uns bons anos (ainda era qzp fresquinho), saí pela porta fora depois de se ter esgotado o tempo previsto oficialmente para a realização de uma “intercalar”; o dt ficou a olhar para a porta, porque comigo saíram mais duas colegas e ele ficou sem quórum. E convidei-o a marcar-me falta.

Então e reuniões em regime pós-laboral conduzidas por pessoas sem uma vida pessoal e apenas imbuídas de uma extrema dedicação à causa da discussão estéril, pela enésima vez, das mesmas coisas e  preocupadíssimas como os procedimentos, analisados até ao detalhe próprio de quem desconhece verdadeiramente os normativos? Quanto a maior parte das coisas se poderia resolver de vorma virtual, usando os meios digitais? E não é raro que ainda se armem em melhores profissionais do que os outros.

E, entretanto, apaguei dois parágrafos demasiado acutilantes em relação a quem acha que “justo” é espalhar pelo máximo de pessoas, o máximo de tempo possível, o sofrimento. Porque ando assim um bocado, como direi…, farto de certas presunções e incompetências cobertas com um manto de “rigor e responsabilidade”.

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