“Meios Telemáticos De Comunicação Síncrona”

Por mim, na boa! Até porque reuniões a meio de Julho sem ar condicionado, sabem tudo menos bem. O Secretário de Estado Adjunto e da Educação (atenção que primeiro é adjunto e só depois da Educação), por uma vez, não está a pensar mal. Resta saber se é para levar a sério.

Tendo chegado à DGESTE pedidos de informação sobre a realização dos conselhos de turma do 3.º período, encarrega-nos o Secretário de Estado Adjunto e da Educação de informar que, dadas as circunstâncias, as reuniões de conselho de turma de avaliação poderão, neste ano letivo, ser realizadas não presencialmente através de meios telemáticos de comunicação síncrona. Importará garantir que todos os docentes têm acesso à documentação necessária e que estão garantidas as condições que permitem não só a participação de todos os docentes, mas também a tomada de decisão colegial nos termos legais.

Com os melhores cumprimentos,

João Miguel Gonçalves

Diretor-Geral dos Estabelecimentos Escolares

Phosga-se – Série “As Presenciais” – 2

Confesso que há situações que me fazem pensar que há quem não entenda mesmo nada disto da “Transição Digital”, nem que é possível o preenchimento de documentos online, sem ser necessário ficar tudo para o DT. Alguém informe quem de direito, mas infoexcluíd@, que mesmo durante a reunião, por exemplo com o Teams, cada participante pode editar documentos que estejam na plataforma. Ou podem preencher com antecedência. É fabuloso que existam situações do tipo:

“No Agrupamento de Escolas (…) as reuniões serão presenciais. Não sei exatamente qual é a fundamentação, mas acho que se prende com a quantidade de documentos a produzir na reunião que, no caso desta ser online, ficariam apenas a cargo do DT…

Já de outra natureza são as decisões em que sai convocatória e nem se explica o porque sim ou porque não. É assim e mai’nada. Dois exemplos, um a norte, outro a sul.

Tendo em conta que o concelho de (…) e os concelhos limítrofes, devido ao número elevado de casos covid, estão categorizados como de risco muito ou extremamente elevado, não me parece minimamente razoável a marcação de reuniões presenciais, colocando desnecessariamente em risco os professores. Até ao momento não houve qualquer justificação para as reuniões seres presenciais.

No Agrupamento (…), TODAS, as reuniões são presenciais. Sem fundamento conhecido. Saiu convocatória, ponto final.

Sábado

A questão das reuniões presenciais não é uma embirração que me tenha dado só porque sim. A questão é mais séria do que algumas opiniões simplistas (para não as chamar mesmo simplórias) podem fazer acreditar. Mas então eu não posso ir almoçar com meia dúzia de colegas a um restaurante, a menos que fiquemos em mesas separadas, mas já se podem reunir 12 ou 15 pessoas numa mesma sala durante duas horas, passando papéis entre si e tudo o mais? Que regras de distanciamento podem ser respeitadas numa situação destas, que não é comparável com uma aula, mesmo que não acreditemos em bolhas.

Vamos lá ser um bocadinho sérios e menos folclóricos (ahhhh… nada substitui uma reunião presencial!): o meu Conselho de Turma (5º ano) tem 6 professores (e não aqueles 9 ou 10 da mitologia de algumas mentes que falam no choque da transição entre ciclos) e até se poderia fazer a reunião sem riscos enormes. Mas uma reunião do 3º ciclo já pode ter uma dúzia ou mais e professores, a menos que seja daquelas em que ainda não docente de Português, Inglês e Geografia e então poderão ser só uns 8-10. E uma do Secundário, em que se juntam duas turmas em algumas disciplinas pode ir acima das 15 pessoas numa sala, sendo que essas pessoas até podem nem conviver com regularidade e muito menos fazer parte de qualquer “bolha” comum. Num período que ainda se considera de risco muito elevado de contágio, promover reuniões deste tipo, com pessoal que anda em regra acima dos 50 anos, em rotação pela escola e a passarem papelada de mão em mão é profundamente idiota.

A favor de reuniões presenciais tenho dado com dois argumentos principais e alguns secundários: o autoritário e o comunitário. O primeiro resulta de decisões do topo em modo de imposição; o segundo de uma espécie de saudades de reuniões com toda a gente a falar e a “partilhar” as suas experiências. O primeiro desperta-me uma aversão natural, em especial quando parte de quem não tem de fazer o que manda fazer. O segundo faz-me pensar em alguma infantilidade a esta altura do campeonato; caramba, é o 1º período, ainda há uma ano fizemos todos reuniões presenciais, está já assim tanta gente nostálgica? Não podem ir partilhar afectos, amizades e conversas para um café ou restaurante por questões de segurança sanitária, mas já o podem fazer na escola? Eu gosto muito de reuniões com café, chá, bolinhos e um ocasional moscatel entre adultos, mas neste momento isso é secundário. Como são secundários aqueles argumentos que parecem encarar este momento de avaliação com uma gravidade que estranho bastante e tanto mais em colegas que são tod@s pelas flexibilizações e que relativizam muito a importância da avaliação formal e até são contra os “exames”, mas depois querem tudo grelhado em papel e assinado ali presencialmente que é para ninguém pensar que isto é uma brincadeira.

Sei perfeitamente que estou a atingir uma boa quantidade de gente com o que antes escrevi, mas desculpem-me a opinião, mas há momentos em que uma idiotice não deve passar em claro. è mais amigo o que vos diz que estão a fazer mal quando o estão a fazer, do que quem evita, para não ter chatices, e a posteriori é que vem dizer “ah pois é, mas não se podia saber…” ou algo parecido. As videoconferências são incómodas, a net em casa falha (aqui a minha parece código morse a certas horas do dia), não há aquele contacto “humano” de que se parece ter tantas saudades? Pois, mas já não se lembram porquê?

Não podem assinar-se actas em Janeiro? As pautas não saem dos programas com o nome do DT já impresso? É mesmo preciso – em tempos tão digitais – andar a mexer em tudo o que é excrescência burocrática? Brincamos?

Phosga-se, pá!

(faltou o argumento meio escondido do “se a direcção tem de cá estar, devem estar todos” porque a esse eu teria de responder de forma muito rude… e estamos em época natalícia e tal…)

E É Preciso Mandar Informar Isto?

A autonomia que dizem existir não permitiria que as chefias locais chegassem a tal conclusão, acerca da telemática possibilidade da não presencialidade? Ou agora só com a coisa escrita? De certa fotma, entendo?

Ex.mo(a) Senhor(a) Diretor(a) de Escola /Agrupamento de Escolas
Ex.mo(a) Senhor(a) Presidente de CAP

Tendo chegado à DGESTE pedidos de informação sobre a realização dos conselhos de turma do 3.º período, encarrega-nos o Secretário de Estado Adjunto e da Educação de informar que, dadas as circunstâncias, as reuniões de conselho de turma de avaliação poderão, neste ano letivo, ser realizadas não presencialmente através de meios telemáticos de comunicação síncrona. Importará garantir que todos os docentes têm acesso à documentação necessária e que estão garantidas as condições que permitem não só a participação de todos os docentes, mas também a tomada de decisão colegial nos termos legais.

Com os melhores cumprimentos,

João Miguel Gonçalves

Diretor-Geral dos Estabelecimentos Escolares

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Dia 12 – O Início Das Reuniões

Depois de chegar a ligação para o de ontem, domingo, fica aqui o verbete do dia de hoje.

Quem optou por sessão síncrona em vídeo-conferência com longo debate das questões merecedoras de longo debate (3 pontos de crédito).

Quem optou por sessão síncrona, mas apenas contactando por chamada áudio quem precisasse de esclarecer algum detalhe mais importante (2 pontos de crédito).

Quem optou por uma reunião em que toda as pessoas estivessem disponíveis à hora marcada para algum esclarecimento, mas em que os materiais já foram colocados online e validados previamente (1 ponto de crédito).

diario

Hoje É O Primeiro Dia…

… das tele-reuniões. Será interessante fazer um balanço da experiência, enquanto se acendem velas ao altar das operadoras de banda larga.

E já sabem… se correr minimamente bem, é mérito da liderança clara e inovadora da tutela e das suas equipas de apoio; se não correr grande coisa, é porque os professores estão velhos e precisam de formação (muita).

Antena

 

O Inferno Em Que Transformaram A Minha Profissão – 2

Segunda parte do texto da colega Maria de Fátima Patranito.

– No conselho de turma faz-se, obrigatoriamente, uma apreciação geral de cada um dos alunos e identificam-se áreas de melhoria que também são aí registadas, aluno a aluno, período a período.

– Também são registados os sumários e as faltas dos alunos nessa plataforma, bem como a justificação das mesmas (“tarefa” que cabe ao diretor de turma).

– No final de cada período cada docente faz a avaliação das atividades de apoio ao estudo dos alunos que as frequentaram, preenchendo 1 documento com o nome dos alunos, sessões a que cada um assistiu, se foi proposto ou se as frequentou voluntariamente. Estes dados são retirados dos sumários das sessões, registados na referida plataforma.

– Há professores que colocam na plataforma Moodle materiais extra para os seus alunos, sobretudo no ensino secundário.

– Planificação anual e por período, dos temas, domínios ou módulos, consoante os anos de escolaridade (professores que têm os mesmos anos de escolaridade).

– Planificação de visitas de estudo e toda a documentação inerente (projeto da visita, lista de alunos para seguro escolar, autorizações para os encarregados de educação).

– Como diretora de turma, há que salientar as seguintes “tarefas”: 1. Controle de faltas e sua comunicação atempada aos encarregados de educação (através da plataforma Inovaralunos); 2. Justificação de faltas; 3. Elaboração de relatório para a direção no caso de o aluno atingir um determinado número de faltas de carácter disciplinar e ser necessário aplicar medidas corretivas; 4. Atendimento semanal de encarregados de educação; 5. Manter atualizados os processos individuais dos alunos; 6. Atualizar os processos individuais no final do ano letivo; 7. Limpar o dossiê da direção de turma; 8. Preparar e dirigir as reuniões com encarregados de educação; 9. Identificar alunos que necessitem de apoios individualizados (apoio em foco académico, nova designação do 54/2019) e preencher o respetivo documento (com 3 páginas de dados) para entregar à EMAEI; 10. Preparar as fichas de informação a entregar aos encarregados de educação em cada uma das reuniões do final de cada período; 11. Imprimir as fichas de informação para encarregados de educação; 12. Elaboração das atas das reuniões com encarregados de educação (para não correr o risco de ficarem por fazer e entregar ad eternum).

– Terminadas as atividades letivas, ainda fui coadjuvante do exame de 12º ano, na 1ª e 2ª fase; fiz 2 vigilâncias de exames; fui convocada como corretora de provas da 1ª fase, recebendo 37 provas para corrigir.

B – Reuniões:

– Reunião geral de professores, no início do ano letivo, para as boas vindas e receber horários. Para o serviço de exames (coadjuvação, vigilância e correção das provas). Para esclarecimentos sobre a contagem do tempo de serviço a recuperar: a “esmola” de 2 ano, 9 meses e 18 dias (em vez de 9 anos, 4 meses e 2 dias).

Total: 3

– Reuniões de conselho de turma: 5 por ano, multiplicadas pelo número de turmas que o professor leciona e que podem ir de 2 a 8 ou até mais, dependendo da sua disciplina. Nos anos sujeitos a exame nacional, podem ser feitas 6 reuniões de conselho de turma para identificar alunos que necessitem de medidas especiais no dia de realização das provas (tempo extra, suporte digital, etc.). Podem existir outras reuniões de carácter extraordinário. No meu caso, tive 12 conselhos de turma (3 turmas x 4 ct).

Total: entre 10 a 40 ou mais,

de acordo com o nº de turmas do docente

(ou mais uma para cada turma nos anos de exame)

– Reuniões de diretores de turma: 4 por ano para cada ciclo de ensino. Alguns professores podem ser contemplados com 2 direções de turma e, eventualmente, uma de cada ciclo.

TOTAL: 4

– Reuniões de grupo disciplinar para tratar de assuntos diversos, nomeadamente, dar cumprimento a orientações do conselho pedagógico.

Total: 10

– Reuniões de departamento quando há necessidade de dar cumprimento a orientações do conselho pedagógico ao nível dos departamentos curriculares.

Total: 3

– Reuniões de conselho pedagógico para tomar decisões ou fazer recomendações aos vários departamentos.

Total: 24

– Reuniões de cidadania com vista à implementação da “Estratégia” do ME para a Cidadania e Desenvolvimento. Apenas os professores que lecionam a disciplina. No presente ano letivo, apenas turmas de 7º ano, com 50 minutos semanais, em regime anual ou semestral, conforme as turmas (ensino normal ou ensino articulado da música). Convém referir que estes 50 minutos foram retirados às Ciências Sociais e Humanas. Mais uma vez a História saiu prejudicada!

Total: 8

– Reuniões com encarregados de educação realizadas no início de cada um dos períodos letivos, sendo que no 3º período se realizam duas. Podem realizar-se reuniões extraordinárias se as turmas tiverem problemas de comportamento. Na minha direção de turma realizou-se uma reunião extraordinária no 2º período, registando-se um total de 5 reuniões.

Total: 4

– Reuniões com da SADD (secção de avaliação do desempenho docente) com os avaliadores.

Total: 2

(e continua… continua…)

 

Domingo

O que mais me estimula na semestralização da avaliação é a mensalidade das reuniões de monitorização dos “progressos” verificados e das estratégias a implementar. Porque depois o “semestre” é muito longo e será indispensável um acompanhamento. Por maioria de razão nas disciplinas que atribuírem classificações ao semestre. E vai ser tãpo bom reunirmo-nos muito mais do que agora em defesa do interesse da objectividade holística de uma avaliação flexível desde que enquadrada em grelhas.

Se não acreditam confiram com o que já existe em matéria certificada de mais do que boas práticas.

zandinga

 

2ªFeira

Nada fora do normal, o que já não é nada mau. Anoto apenas que o work in progress do 54 ainda está numa fase muito, muito, muito longínqua do que deveria ser. Mas a culpa é, certamente, dos professores e das escolas que não estão a “operacionalizar” tudo isto a mata-cavalos. Entretanto, improvisa-se, experimenta-se, sei lá. Tudo no “interesse dos alunos” dizem @s que sabem disto e podem legislar.Quadratura 3