O IAVÉ Faz-se Pagar Bem

Um organismo, mesmo que “autónomo”, cobra e bem pela “formação”. E há quem corra, salivando e dando a patinha.

Encontram-se abertas as inscrições para a ação de formação «Avaliar para aprender: construção de instrumentos de avaliação»

Contando abrir 3 turmas a 30 alunos é só fazer as contas.

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A Ler

Um resumo do que se passou em torno da “fuga” sobre o exame de Português do 12º ano de há 2 anos. A peça merece ser lida do princípio ao fim, o qual reza assim:

No entanto, já foi noticiado que uma das alegações da defesa da professora é a nota baixa que a aluna a quem dava explicações obteve no exame – 9,5 valores. Para a defesa, este resultado demonstra que a aluna não teve acesso a informação privilegiada.

Segundo o JN, dos autos do processo de acusação constam referências a outras possíveis denúncias que a defesa acusa o Ministério da Educação de não investigar – além da antiga presidente da Associação de Professores de Português, outras 54 pessoas do Instituto de Avaliação Educativa terão tido acesso ao exame.

Vamos lá por partes curtas e sem rodeios:

  • O facto da aluna em causa ser ainda menos dotada em termos de inteligência do que o expectável, atendendo às circunstâncias, não me parece uma “alegação” de defesa particularmente brilhante.
  • A alguém que está destacada numa organização profissional, com redução ou isenção da componente lectiva, e ainda é “auditora” do IAVÉ deveria estar liminarmente vedada a possibilidade de ser “explicadora”.
  • Se no IAVÉ 55 pessoas têm acesso a um único exame, algo está profundamente errado nos seus procedimentos. E, insisto muito nisto, o “secretismo”, sendo muito, muito relativo, só fomenta a suspeição de que algo acontece nos bastidores.

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(isto faz-me lembrar outras situações… como gente que colabora na elaboração de novos programas disciplinares e pouco tempo depois aparece com um manual para essa mesma disciplina…)

Uma No Cravo, Duas Na Ferradura

No exame de Português da 2ª fase do 12º ano apareceu uma parte d’Os Lusíadas que não estava prevista no cânone. A explicação dada pelo Santo Iavé tem e não tem lógica. Se concordo que se devam introduzir questões destinadas a testar as capacidades de interpretação dos alunos fora dos guiões, já acho incompreensível que isso aconteça apenas no exame de uma das fases, porque cria uma situação de evidente desigualdade. E seria útil que, de uma vez por todas, os exames deixassem de ser uma espécie de câmara experimental para as tais equipas ultra-secretas que os preparam testarem as suas teorias. Insisto que essa não é uma prática aconselhável. Assim como acho muitíssimo estranho que, com tanto especialista e alegados mecanismos de controlo, se faça um exame com questões sem resposta possível, como no caso de MACS.

Não sei como é lá fora ou onde quer que seja, mas a opção pela opacidade e por “equipas” que quase ninguém sabe quem são presta-se mais a fenómenos esquisitos como os daquelas pessoas (sem rosto ou nome, claro) de que se ouve falar com regularidade que se aproveitam de tal secretismo para práticas menos aconselháveis. E o problema não é dos “exames” é do modelo em que são feitos, nada autónomos, mas demasiado flexíveis de ano para ano e de fase para fase.

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A Flexibilidade Encolhe As Aprendizagens?

A notícia de que os exames de 11º ano necessitam de se adaptar aos alunos das escolas com o pafismo educacional não me deixa espantado, pois esta seria a consequência lógica de todo o processo. No entanto, não foi isso que foi dito, pois garantiu-se que a flexibilidade costista, em conjunto com as “aprendizagens essenciais”, ao serviço do Perfil do aluno para o século XXI, seria uma estratégia para melhorar as aprendizagens, não para as “encolher”. Claro que era mentira, pois a flexibilização é uma forma de aligeirar o currículo e reduzir os conteúdos leccionados, sendo uma treta rematada que compense isso com o desenvolvimento de “competências superiores”.

Pub16Jun19

Repito-me quando digo que prefiro a sinceridade de quem assume o que faz com clareza do que a hipocrisia de quem diz que o flato não é flato e a ser não é seu. A flexibilidade e autonomia, assim como as aprendizagens ditas “essenciais” tornaram-se um “programa mínimo” que as provas finais ou exames do renovado IAVÉ se limitam a validar, demonstrando que a sua “autonomia” só chega até ao que o poder político manda fazer (e avaliar).

Claro que os alunos nas escolas que aplicam as versões mais holísticas e folclóricas do PAFC estariam em desvantagem perante os que seguiram o currículo regular caso os exames fossem feitos de acordo com o programa tal como ele é e a maioria de professores e docentes procuraram cumprir. Ou seja, teremos exames moldados aos interesses de uma minoria. Nivelando a bitola pela métrica política do senhor secretário de Estado que não quer ver demonstrado à luz do dia que anda a vender fancaria pedagógica pelo país. Mais valia apostar ainda mais na meditação e deixar-se de discursos vácuos e vitimizações patéticas quando é criticado.

Não Me Espanta…

… e nada me assegura que não será ainda pior sob nova gestão. Talvez apenas com menos arrogância, porque permanecem as coutadas, apenas mudam em algumas circunstâncias extremas os couteiros e ainda menos os proprietários absentistas.

Instituto aceitou que professora suspeita avaliasse exame de Português

mosca

Sábado

Já existe senhora IAVÉ… pelo percurso inicial devemos ter-nos cruzado na FCSH, mas esta é mais uma daquelas pessoas que cuidou em apagar a pegada digital, pelo que não é possível confirmar, assim de forma rápida, nada sobre o currículo apresentado ou consultar qualquer escrito seu sobre as matérias a que agora vai presidir.

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Agora É (Demasiado) Tarde

Foram avisados em devido tempo que o barrete estava a ser enfiado. É estimável terem aberto os olhos, diz o santo povo que mais vale tarde do que nunca, mas neste caso estamos para lá do ser tarde. Subscreveram documentos que abriam a porta para todas as “flexibilidades” e para ficarem bem na fotografia das modernidades e inovações pedagógicas e só agora deram pelo engodo?

Será que ao menos já perceberam que, com a semestralização, irão existir alunos a fazer provas 4 ou 5 meses depois de terem deixado de ter a disciplina?

Santa Pachorra que é preciso ter para malta com faróis sempre nos mínimos. E é interessante como culpam apenas o IAVÉ mesmo quando lhes é dito de forma clara que as indicações são de cima…

From: APH – Informação <informacao@aph.pt>
Date: ter, 5 de fev de 2019 às 13:40
Subject: História: provas de aferição do 5º e 8º anos
To: APH – Informação <informacao@aph.pt>

Caros associados:

A autonomia e flexibilidade curriculares estabelecem que o currículo seja equacionado como um instrumento que as escolas podem gerir e desenvolver localmente (…) A assunção do papel decisivo das escolas e dos professores no processo educativo dos alunos leva o Ministério da Educação a assumir um papel subsidiário do trabalho das escolas (Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho).

A APH vem reivindicando, desde o início da definição das AE, que sejam estabelecidos tempos mínimos de lecionação em História – nunca inferiores a seis tempos para o 2º ciclo e a nove para o 3º ciclo – considerando que não devem ser as escolas a fazê-lo. Esta reivindicação encontra-se explanada no nosso sítio, sendo objeto de uma petição online: http://www.aph.pt/.

E, porque considera a APH que a distribuição dos tempos letivos não deve ser entregue ao juízo arbitrário das escolas?

Porque tal pode originar injustiças tais como as que se adivinham aquando da realização das provas de aferição do 5º e do 8º ano de escolaridade para 2019. O quadro de autonomia atual torna a realidade muito diversificada. Há escolas a optarem por atribuírem dois tempos letivos a HGP no 5º ano e outras a optarem por três. Situação semelhante verifica-se no 3º ciclo. Ora, como se pode constatar na informação das provas de avaliação externa publicada pelo IAVE, este instituto não acautelou estas diferentes situações de atribuição de tempos letivos, colocando como sendo passíveis de avaliação todos os conteúdos constantes nos documentos curriculares em vigor, quer para o 5º ano quer para o 8º ano. Neste último caso são ainda passíveis de ser avaliados todos os conteúdos do 7º ano.

A APH alertou o IAVE para esta situação, mas o referido instituto justificou-se com o facto de se ter limitado a seguir as orientações legais emanadas pela tutela para a definição do referencial e do objeto de avaliação, nomeadamente através de um documento denominado Carta de Solicitação. Além desta justificação, o IAVE achou por bem acrescentar que as provas de aferição não produzem resultados na classificação dos alunos, depreendendo-se que não têm, como tal, grande importância. Ora, consideramos grave que o IAVE considere estas provas como coisa de somenos. Como poderemos justificar perante os nossos alunos e respetivos encarregados de educação a realização de tais provas se o referido instituto, que as produz, não as considera importantes?

O Presidente da APH,

Miguel Monteiro de Barros

Barrete

(sim, as provas de aferição não servem para positivamente nada, a não ser alimentar o ego das “equipas” e de uma estrutura que assim sempre escapa à triste sina da sala de aula)