A Informação-Prova “Geral”

Até tem enquadramento conceptual. No caso de História A, assinale-se a obliteração total de tudo anterior ao que se designa por “Dinamismo civilizacional da Europa Ocidental nos séculos XIII a XIV” o que até pode resultar das “aprendizagens essenciais”, mas não posso deixar de considerar um rematadíssimo disparate. Mas que não me admira em gente que tem da História uma visão muito limitada.

Não estou agora com muito tempo para dizer o quão idiota considero a “concepção” de que uma resposta extensa que apela ao relacionamento de diferentes informações, analisando e/ou sintetizando diversos fenómenos e processos só possa ter o dobro da cotação de uma questão de escolha múltipla, na qual se faz uma cruzinha. É uma abordagem à “classificação” ou “avaliação” que ouço há bastante tempo e da qual sempre discord(ar)ei porque a acho redutora do trabalho dos alunos e nem sequer compatível com a teorização feita mesmo dois parágrafos acima sobre a maior ou menor complexidade dos processos cognitivos.

Assim, nos diferentes itens de cada prova, a cotação mais elevada é sempre igual ou menor do que
o dobro da cotação mais baixa. Por exemplo, se ao item de menor cotação de uma prova forem
atribuídos 6 pontos, o item de maior cotação não pode ter uma cotação superior a 12 pontos. Deste
modo, as cotações de todos os itens da prova poderão situar-se no intervalo [6,12], podendo haver
casos em que a pontuação total da prova seja distribuída uniformemente por todos os itens
.

Podem ter muita formação ou certificação na matéria, mas este modo de homogeneizar tudo, de indiferenciar a metodologia classificativa sem atender às especificidades das várias disciplinas revela muito sobre a qualidade do pensamento que lhe está na origem.

Por mim, quase que mais valia classificarem as perguntas à sorte. Ou então reduzam tudo a cruzinhas num quizz.

Os Filhos De Ontem E Os Enteados De Hoje

Ministério de Manuel Heitor fecha para já a porta, mas reitera que “não deixarão de se tomar as decisões apropriadas” caso as circunstâncias o exijam. Professores de Matemática insistem que já é este o caso porque muitos alunos vão ficar em situação de desigualdade face aos que fizeram exame em 2020.

(ontem à noite, na rtp 3, salvo erro, quem ouvisse o SE Costa diria que tudo são rosas viçosas…)

A Montanha Russa

E depois a culpa pela ansiedade da miudagem é dos professores? Se não há o raio de um rumo… uma forma de ver as condições a mais do que o curto prazo da popularidade (i)mediática.

Notas dos exames nacionais de Matemática, Física e Química e Biologia e Geologia recuam para valores mais próximos do habitual, antes das regras especiais seguidas no ano passado terem feito disparar os resultados.

2ª Feira

Dia da divulgação dos resultados dos exames finais do Secundário. Aqueles que continuam a ser feitos em regime de opacidade pelos especialistas do Santo Iavé, que comete os erros e depois disfarça ao longo do período de classificação. Como já expliquei, não estou contra a realização dos ditos exames, que acho importantes como mecanismo de regulação externa, mas contra procedimentos que privilegiam um secretismo muito pouco aceitável em termos de responsabilização por certos desempenhos. Afinal, são meses e meses em que as “equipas” têm de fazer uma ou duas provas e parece que isso é sempre problemático. Isso e a oscilação permanente de critérios e no modo de classificação, tendo aparentemente vencido em muitas disciplinas a tese do valor quase igual para todas as questões, seja fazer uma cruzinha ou desenvolver um tema ou resolver um problema extenso.

A Ler

Sobre a falta de coerência (e qualidade) dos exames de FQ de 11º ano:

Exames que não servem para nada

O IAVE determinou que as provas de exame nacional de Física e Química A (FQA), aplicadas em 2020, contivessem dois conjuntos diferenciados de itens: um conjunto de 8 itens cujas respostas contribuíam obrigatoriamente para a classificação final da prova, e um outro  conjunto de 18 itens dos quais apenas contribuíam para a classificação final os 12 itens cujas respostas obtivessem melhor pontuação.

Sendo o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória e as Aprendizagens Essenciais da disciplina os documentos de referência na conceção das provas de avaliação externa, não é congruente admitir-se  que as provas incluam itens que não avaliem aprendizagens essenciais. Do ponto de vista das aprendizagens avaliadas, não existiam assim diferenças entre o primeiro e o segundo daqueles conjuntos –  todos os itens, quer se incluíssem no primeiro conjunto ou no segundo, avaliavam aprendizagens significativas e essenciais.

(…)

Se a comparação dos resultados de 2020 com os resultados de 2019 não permite tirar qualquer conclusão sobre a evolução/regressão das aprendizagens dos alunos no domínio da disciplina de FQA, também a comparação dos resultados de 2020 com os de 2021 não terá qualquer significado, não permitindo também obter qualquer conclusão.

História Em Modo “Essencial”

Vi por curiosidade o exame de História A, até porque cá em casa ninguém o ia fazer ou levava alunos ao dito. E notei que, como começa a ser tradição, parece existir no Santo Iavé uma tendência para complicar coisas simples e pintelhizar nas opções de resposta.

A autora já tinha aflorado a questão há uns dias aqui.

No exame de História A, realizado na semana passada, há duas opções de resposta a uma mesma pergunta que devem ser consideradas corretas. Esta é uma situação grave e que precisa de rápidos e claros esclarecimentos por parte do Iave, pois muitos alunos estão em vias de ser ainda mais prejudicados e perder injustamente 14 pontos.

E não há apenas uma questão que apresenta alguma ambiguidade ou mesmo duas maneiras de responder que não estão factualmente incorrectas. Existe uma outra que, em meu entender, também permite duas leituras, a menos que se tenha uma formação política marxista ortodoxa.

“Uma das mais mobilizadoras forças políticas de carácter marxista no período revolucionário”?

Será Verdade?

pelos vistos, é. Que o exame de Geometria Descritiva tinha um “gato” que só foi comunicado aos alunos muito tardiamente e até levou à extensão do tempo para a rua realização? Confesso que não quero acreditar em mais um deslize de mais uma equipa de “especialistas”. Só poderia ser boato. Mas não é.

E parece que a prova colocada online foi expurgada

Se a ideia é desacreditar os exames, a mim parece que o descrédito começa é a inundar o IAVÉ e as suas equipas de gente desconhecida, seleccionada com base no “mérito”. Esta malta tem meses e meses para fazer a m€rd@ de uma prova sem erros e nem isso consegue?

Com o exame em curso, Júri Nacional enviou erratas às escolas. Alunos tiveram 30 minutos suplementares para responder.