Dessincronização, Incompetência

As Aprendizagens Essenciais, Os Manuais Escolares e as Provas de Aferição

(…)

Assim, tendo em conta que a prova de aferição do 2.º ano de Estudo do Meio, que foi aplicada ontem, tinha questões que não se encontram nos manuais escolares adoptados antes da entrada em vigor das aprendizagens essenciais é certo que a grande maioria dos alunos não têm manuais onde os principais órgãos – coração, pulmões, estômago e rins constem para estudo.

6ª Feira

Não percebi: o exame de 12º ano de Português teve errata ou não? Só numa versão ou nas duas? Numas escolas, dizem-me que sim tarde e a más horas, em outras, que não. Afinal…

Adenda: dizem-me agora que havia “má impressão” de uma palavra na versão 2…

Um Alerta Justificado

Texto enviado pela colega Joaquina Manuela Carvalho que denuncia uma situação perfeitamente desnecessária, a coincidir com as tarefas de final de ano lectivo, tudo agravado (isto já é acrescento meu) com a inutilidade de provas que chegarão apenas no 1º período do próximo ano, com aquela codificação que serve para muito pouco ou nada. Entretanto, pelo menos em alguns pontos do país, a recolha das provas voltou a ser feita desnecessariamente em moldes pré-pandemia, com as filas de espera do antigamente.

Eu e inúmeros colegas solicitamos o alargamento de prazo para entrega das provas de aferição ao Iave, a 23 de junho, sem termos tido qualquer resposta.

De facto, nesta fase de final de ano letivo, encontramo-nos a cumprir o horário, na maioria dos casos de 22h letivas, até dia 15 (com apenas 3h de componente não letiva- Dt e articulação), além das reuniões para a adoção de manuais, para a vigilância de exames, da preparação e da realização das reuniões de avaliação até dia 23 de junho.

Acresce a todas as solicitações já referidas, a responsabilidade de ser Diretor(a) de Turma e a preocupação de verificar os casos particulares de alunos que merecem toda a nossa dedicação, assim como o preenchimento de múltiplos documentos e a elaboração de relatórios.

Estes motivos expostos inviabilizam o cumprimento da correção das 40 provas de aferição, com uma dezena de páginas (perguntas de desenvolvimento e composição), de forma consciente e eficaz .

Solicitamos, assim, o prolongamento do prazo de entrega das referidas provas.

Atenciosamente,

Grupo de professores convocados para a correção das provas de aferição

A Informação-Prova “Geral”

Até tem enquadramento conceptual. No caso de História A, assinale-se a obliteração total de tudo anterior ao que se designa por “Dinamismo civilizacional da Europa Ocidental nos séculos XIII a XIV” o que até pode resultar das “aprendizagens essenciais”, mas não posso deixar de considerar um rematadíssimo disparate. Mas que não me admira em gente que tem da História uma visão muito limitada.

Não estou agora com muito tempo para dizer o quão idiota considero a “concepção” de que uma resposta extensa que apela ao relacionamento de diferentes informações, analisando e/ou sintetizando diversos fenómenos e processos só possa ter o dobro da cotação de uma questão de escolha múltipla, na qual se faz uma cruzinha. É uma abordagem à “classificação” ou “avaliação” que ouço há bastante tempo e da qual sempre discord(ar)ei porque a acho redutora do trabalho dos alunos e nem sequer compatível com a teorização feita mesmo dois parágrafos acima sobre a maior ou menor complexidade dos processos cognitivos.

Assim, nos diferentes itens de cada prova, a cotação mais elevada é sempre igual ou menor do que
o dobro da cotação mais baixa. Por exemplo, se ao item de menor cotação de uma prova forem
atribuídos 6 pontos, o item de maior cotação não pode ter uma cotação superior a 12 pontos. Deste
modo, as cotações de todos os itens da prova poderão situar-se no intervalo [6,12], podendo haver
casos em que a pontuação total da prova seja distribuída uniformemente por todos os itens
.

Podem ter muita formação ou certificação na matéria, mas este modo de homogeneizar tudo, de indiferenciar a metodologia classificativa sem atender às especificidades das várias disciplinas revela muito sobre a qualidade do pensamento que lhe está na origem.

Por mim, quase que mais valia classificarem as perguntas à sorte. Ou então reduzam tudo a cruzinhas num quizz.

Os Filhos De Ontem E Os Enteados De Hoje

Ministério de Manuel Heitor fecha para já a porta, mas reitera que “não deixarão de se tomar as decisões apropriadas” caso as circunstâncias o exijam. Professores de Matemática insistem que já é este o caso porque muitos alunos vão ficar em situação de desigualdade face aos que fizeram exame em 2020.

(ontem à noite, na rtp 3, salvo erro, quem ouvisse o SE Costa diria que tudo são rosas viçosas…)

A Montanha Russa

E depois a culpa pela ansiedade da miudagem é dos professores? Se não há o raio de um rumo… uma forma de ver as condições a mais do que o curto prazo da popularidade (i)mediática.

Notas dos exames nacionais de Matemática, Física e Química e Biologia e Geologia recuam para valores mais próximos do habitual, antes das regras especiais seguidas no ano passado terem feito disparar os resultados.

2ª Feira

Dia da divulgação dos resultados dos exames finais do Secundário. Aqueles que continuam a ser feitos em regime de opacidade pelos especialistas do Santo Iavé, que comete os erros e depois disfarça ao longo do período de classificação. Como já expliquei, não estou contra a realização dos ditos exames, que acho importantes como mecanismo de regulação externa, mas contra procedimentos que privilegiam um secretismo muito pouco aceitável em termos de responsabilização por certos desempenhos. Afinal, são meses e meses em que as “equipas” têm de fazer uma ou duas provas e parece que isso é sempre problemático. Isso e a oscilação permanente de critérios e no modo de classificação, tendo aparentemente vencido em muitas disciplinas a tese do valor quase igual para todas as questões, seja fazer uma cruzinha ou desenvolver um tema ou resolver um problema extenso.

A Ler

Sobre a falta de coerência (e qualidade) dos exames de FQ de 11º ano:

Exames que não servem para nada

O IAVE determinou que as provas de exame nacional de Física e Química A (FQA), aplicadas em 2020, contivessem dois conjuntos diferenciados de itens: um conjunto de 8 itens cujas respostas contribuíam obrigatoriamente para a classificação final da prova, e um outro  conjunto de 18 itens dos quais apenas contribuíam para a classificação final os 12 itens cujas respostas obtivessem melhor pontuação.

Sendo o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória e as Aprendizagens Essenciais da disciplina os documentos de referência na conceção das provas de avaliação externa, não é congruente admitir-se  que as provas incluam itens que não avaliem aprendizagens essenciais. Do ponto de vista das aprendizagens avaliadas, não existiam assim diferenças entre o primeiro e o segundo daqueles conjuntos –  todos os itens, quer se incluíssem no primeiro conjunto ou no segundo, avaliavam aprendizagens significativas e essenciais.

(…)

Se a comparação dos resultados de 2020 com os resultados de 2019 não permite tirar qualquer conclusão sobre a evolução/regressão das aprendizagens dos alunos no domínio da disciplina de FQA, também a comparação dos resultados de 2020 com os de 2021 não terá qualquer significado, não permitindo também obter qualquer conclusão.