Como Transmitir Uma Sensação De “Segurança”?

Alunos que testem positivo por contacto com alguém “em ambiente familiar” vai para casa. E vão alunos em seu redor numas escolas, a turma toda em outras, ninguém ainda em aqueloutras. Uma coisa curiosa é que os que vão para casa por contacto directo com o colega positivo, em regra ficam à espera para serem testados até que passa o tempo e é altura de voltarem às aulas. Ou se as famílias, com natural receio, perdem a paciência e tomam a iniciativa de mandar fazer o teste, já passaram os dias suficientes para a carga viral ser muito baixa. E assim se impede, por via de esperteza saloia, que se registem “surtos”. Vamos acreditar que isto que escrevi é apenas uma suposição.

A Outra Face Da Moeda

O combate (justificado) à pandemia não pode ser feito à custa de muitas outras pessoas vulneráveis. E essa é uma crítica justa a um Governo que parece ter-se tornado quase monotemático na Saúde. E não adianta a ministra ir com ar compungido ao programa da Cristina, paragem obrigatória por estes dias de qualquer governante que se sinta a necessitar de um banho de simpatia e popularidade matinal.

Há muito mais portugueses a morrer em casa e óbitos em investigação dispararam

Há mais 24% de mortes em investigação e óbitos que ocorreram em casa subiram 18% desde o início da pandemia. Nos hospitais aumento fica pelos 5,6%. DGS confirma tendência e estuda causas.

Outras Leituras

Addressing Teacher Mental Health during the COVID-19 Pandemic

When teachers return to work in the fall, the schools they reenter will look quite different from the schools they left behind in March. Schools are anticipating substantially increased demand to support student mental health, as many will return to school having experienced loss and grief, months of social isolation, and heightened rates of familial violence and poverty (Galea et al., 2020). To meet the needs of these youth, it will be crucial to support the mental health and wellness of teachers and school staff who provide their care.

finger2

Com Uma Final Eight Da Champions Isso Cura-se Num Instante

The Mental Health Fallout of Doctors After COVID-19

Over the past several months, the COVID-19 epidemic has dominated daily life, with wide-ranging impacts on the economy and public health. However, perhaps no one subset of the population has experienced the full brunt of the outbreak more acutely than the healthcare workers fighting to keep it at bay. Working long hours with oft-insufficient PPE (and in many cases isolated from loved ones), they must confront human suffering & death in a way that few civilians ever will, and the mental toll can be exorbitant.
Tired2

E Agora As Indicações Da DGS Para O Retorno Das Aulas Presenciais

Gosto sempre quando um documento traz mais de uma página de suporte bibliográfico, mesmo se a assinatura digital não me aquieta O que, na dúvida e nos casos em que as recomendações divergem em parte das recomendações anteriores da DGEstE, pode servir para desempatar. Recomendo a leitura relativa à organização das salas de aula (na maior parte dos casos dá-me 12 alunos por sala). E gostaria de saber se vai ser mesmo respeitada, em conjunto com as indicações sobre os percursos no interior da escola. Mesmo se, repito, a miudagem não esteja em grupo de risco, mas sim no de potenciais transmissores assintomático.

Fica aqui o documento: Orientacao-n-0242020-de-08052020.

alerta

Mas Que Raio De Contas São Estas?

O problema prioritário não é a doença ou morte das pessoas? Eu percebo a lógica relativa ao SNS, mas… há algo por aqui que me incomoda nestas análises de “risco”.

O regresso gradual e progressivo à realidade vai levar as pessoas para a rua e para o trabalho e, nessa fase, as autoridades de saúde vão acompanhar de perto um painel de indicadores que lhes permita perceber se a covid-19 está controlada. O número de internamentos é um desses indicadores. Se chegar a 4000 com a reabertura da economia significa que a capacidade de resposta dos serviços de saúde está muito mal. 

surprised

Dia 35 – É A Vida, Estúpidos!

Só que, em sondagem divulgada ontem (da Intercampus, no Jornal de Negócios), a maioria dos portugueses receia mais o contágio pelo SARS-CoV-2 do que a referida crise económica. Claro que, nestes casos, a opinião do “povo” é vista com condescendência pelos “especialistas” e “empresários”, ou seja, aqueles que há uma dúzia de anos nos conduziram alegremente até ao colapso, com raríssimas excepções. Porque a opinião do “povo” interessa quando está alinhada com o que é “certo”.

diario

Sobre Aquela Ideia De Abrir Escolas Em Todos Os Agrupamentos Para Os Filhos De Determinados Profissionais

No Notícias de Aveiro:

As nossas crianças não !

Por Carlos Cortes *

Carta enviada agora à Ministra da Saúde

“Exma. Ministra da Saúde,
Dr.ª Marta Temido,

Os profissionais de saúde, entre outros, estão na linha da frente do combate a esta calamidade de dimensão global. A situação de Portugal está cada vez mais delicada.

Os profissionais de saúde nunca estremeceram perante o perigo, em nenhum momento se amedrontaram e, apesar de saberem que podem ser os primeiros a ter contacto com o novo coronavirus COVID-19, assumiram plenamente o seu papel de tratar os seus doentes e de participar, desde a primeira hora, no esforço nacional.

Nunca baixaram os braços, mesmo percebendo que as autoridades deste país estavam, sobretudo na fase inicial, a ser negligentes na reação a esta pandemia. Desde a primeira hora, mesmo quando desvalorizou a ativação de medidas sérias e drásticas que teria sido ajuizado ter declarado mais cedo, foram sem hesitar para a frente de combate consciente que o país precisava agora deles, mais do que nunca.

Nunca demonstrou muita simpatia pelos profissionais de saúde. Nunca sentiram o seu apoio, nomeadamente nos momentos mais difíceis, quando mais precisaram.

Perante a coordenação desta crise que tem liderado, permitiu que os profissionais de saúde ficassem sem equipamentos de proteção, sem luvas, sem soluções alcoólicos e sem testes de diagnóstico. Nem vou enumerar o caos assistencial que estamos a passar, porque quero ter esperança que se venha a melhorar quando os procedimentos e circuitos forem aperfeiçoados.

Agora participou em medidas que felicito na sua globalidade. Uma delas, no entanto, causa-me uma profunda revolta de tão injusta e insensata que é.

“Decreto-Lei n.º 10-A/2020, artigo 10º

1 — É identificado em cada agrupamento de escolas um estabelecimento de ensino que promove o acolhimento dos filhos ou outros dependentes a cargo dos profissionais de saúde, das forças e serviços de segurança e de socorro, incluindo os bombeiros voluntários, e das forças armadas, os trabalhadores dos serviços públicos essenciais, de gestão e manutenção de infra-estruturas essenciais, bem como outros serviços essenciais, cuja mobilização para o serviço ou prontidão obste a que prestem assistência aos mesmos, na sequência da suspensão prevista no artigo anterior.”

2 — Os trabalhadores das atividades enunciadas no artigo anterior são mobilizados pela entidade empregadora ou pela autoridade pública.”

Esta medida não poderia estar mais errada. No plano humano, no plano da igualdade, no plano da solidariedade e no plano da estratégia da contenção do vírus e do funcionamento dos serviços de saúde.

Os profissionais de saúde, as pessoas mais expostas deste país, deverão deixar os seus filhos no mesmo estabelecimento de ensino para poderem estar todos ao serviço.

Já pensou na calamidade que pode criar se um destes pais, por contacto com um doente no hospital ou no centro de saúde, transmite a doença a um filho seu, esse aos seus colegas na escola e depois esses aos seus pais, aos professores…?

Já pensou que poderia pôr de quarentena centenas de profissionais e de pessoas com esta ideia irracional? Que está a criar vítimas desnecessárias? Porquê esta segregação?

Então não seria mais correto permitir que esses pais estejam com os seus filhos para depois poderem substituir os outros profissionais que ficarão exaustos perante este flagelo, criando necessários turnos nas unidades de saúde?

Faremos todos os sacrifícios! Colocaremos toda a nossa entrega. Estamos ao serviço do país e dos nossos doentes até à ultima gota da nossa força. Faremos os turnos que forem necessários.

Abdicaremos de tudo. Mas não nos peça que abdiquemos dos nossos filhos. Isso não seremos capazes. Não nos peça que, com esta medida insensata, coloquemos os nossos filhos em perigo e por seu intermédio os nossos colegas e outros profissionais. Não crie mais uma bomba-relógio com esta medida. Não nos peça este contributo irresponsável que irá esvaziar os hospitais de profissionais.

Esta não é uma solução. AS NOSSAS CRIANÇAS NÃO!

Continuamos cientes da nossa responsabilidade. Nunca iremos desistir até que esta calamidade esteja resolvida.

O país contará sempre com os seus médicos.

* Presidente da Seção Regional do Centro da Ordem dos Médicos.

Thumbs