Fico Sem Saber Que Título Dar…

… a textos sobre situações extremamente dramáticas que me chegam, em alguns casos com extrema revolta e sem pedido de anonimato. De qualquer maneira, fiquemos apenas pelo primeiro nome, Manuela, da colega cuja situação me chegou primeiro por amiga comum e depois de viva voz, a poucas horas de correr o risco de ficar sem ela, antes de lhe abrirem uma fenda no pescoço, sendo obrigada a escrever num bloco para comunicar, antes de lhe inserirem um dispositivo para o efeito.

Declarada apta para o serviço por uma Junta de Mérdicos, está internada, ficando aqui uma pequena parte do testemunho de uma colega que a tem acompanhado e ao marido.

Ela sofre de insuficiência renal, pulmonar, cardíaca e tem as artérias calcificadas. Como fez muitos tratamentos na sequência de um cancro nos ovários, já não pode fazer mais. Na segunda ou quarta (feira), vão retirar-lhe o tumor. Ficará sem cordas vocais. Parte da personalidade já lhe foi amputada, pois exprimia-se através da voz.

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Ainda Sobre As Juntas Médicas

Há experiências de todos os tipos, vistos que existem Juntas Médicas também de vários formatos. Os relatos que me chegam de alguns procedimentos e comportamentos são, em tregra, um bocado assustadores na sua burrocrática desumanidade. Exigem-se imensos relatórios especializados a médicos especialistas – em especial quanto a pedidos de aposentação por incapacidade – que depois são perfeitamente ignorados por médicos que não percebo se são generalistas.

Atente-se nas seguintes passagens de diversos relatórios médicos sobre uma colega, que não conheço pessoalmente, mas que me autorizou o uso destes elementos, elaborados por diversos especialistas:

Psicólogo Clínico:

JuntaPsic1JuntaPsic2

Psiquiatra

JuntaPsiq

Neurocirurgião:

JuntaNeuro

Desfecho: chega uma senhora doutora clínica geral ao serviço da CGA (que, curiosamente, encontrei em contratos com o IPDJ para acções de Controlo de Dopagem no mesmo ano desta Junta) e declara que está tudo bem… o que os seus colegas especialistas (e atenção que existiam mais relatórios, eu só seleccionei umas passagens) escreveram é, por certo, uma piedosa ficção e vai de fazer a cruzinha e mandar a senhora professora trabalhar que se faz tarde.

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Ainda as Juntas Médicas

Estão a ser mandad@s de volta para as escolas pessoas que até um cego veria que não estão em condições mínimas para leccionar. Mas os 30 dias que regressam fazem com que quem @s substitui seja mandado embora e depois, até se conseguir nova substituição são pelo menos 2 semanas ou mais, até porque há grupos em que já existe dificuldade em encontrar gente disponível nas RR. Poupa-se 1-2 meses de salário de um@ professor@ contratad@, obviamente em defesa do “interesse dos alunos” e da “qualidade da escola pública”. Se falarem com alguém do ME, dirá que é tudo culpa dos procedimentos legais, sendo que antes dos tempos dos computadores e das regras “centralistas”, era chegar à lista ordenada e fazer um telefonema, só seguindo carta para formalizar as coisas.

Isto não é um assunto de Direita/Esquerda mas apenas de uma enorme subserviência ao binómio Défice/Estupidez.

Mad doctor