Diário de um Professor Conservador, Segregacionista, Racista e Entediante – Dia 1

Acabei de sair de uma aula “segregada” pelos padrões de alguns dos nossos governantes. É uma aula com seis alunos (de três etnias, pelo que deve ser mais diversificada do que o meu racismo inconsciente deve aguentar), mas que normalmente chega a ter uma dezena. Porquê? Porque como é uma aula em que os alunos podem seguir o que mais lhes interessa em termos de exploração da net e do software e a avaliação é pouco formal – tenho os meus lampejos de modernidade, é verdade – há quem, não tendo aula, peça para entrar, sentar-se e divertir-se um pouco. Ou seja, é uma espécie de segregação ás avessas, os alunos não-segregados pedem para ir para a aula segregada porque lhes parece mais atractiva do que andarem pelos corredores sem rumo ou pelo pátio a jogar à bola ou a conversar com os colegas.

Há quem diga quem os alunos aparecem e procuram esta aula porque fazem o que querem e exploram o que mais lhes apetece – dentro dos parâmetros restritivos que o ME impôs à net escolar, pois estes ainda não são hackers em potência – e há o ME a dizer que esta é uma aula segregada, em que os alunos são afastados dos seus pares e ostracizados. No meu caso, tento não ligar a qualquer tipo de bocas da reacção, porque é a única forma de manter a sanidade e harmonia.

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