O Ministro Costa Só Duvida da “Idoneidade” Dos Professores Que Estão Doentes Ou Que Pedem Mobilidade

Quanto às “escolas” ele acha que são idóneas, não percebendo bem se ele se refere propriamente à “organização” se a quem assegura a sua gestão. Eu também não acho que a maioria seja corrupta, agora que conheço especificamente casos muito duvidosos, conheço. Como já escrevi há dias, até em escolas com director@s muito amig@s do senhor ministro. Em que os concursos são feitos à medida ou em que o brinde sai sempre aos mesmos. Repito… há casos de especial proximidade que é difícil negar, sem ser na versão sonsa do “não fui eu que assinei o despacho” ou “não fui eu que fiz a entrevista/analisei o currículo”.

“Por vezes quando temos estas discussões com alguns parceiros – não só sindicatos, mas também professores – há um receio dos compadrios, das ‘cunhas’, etc. Mas eu não gosto de partir do princípio, de todo, que os meus interlocutores são corruptos. Acho que isso é um equívoco e um ataque sem razão de ser às direções e aos professores e eu por princípio não gosto de atacar professores e atacar a sua idoneidade.”

Não gosta, mas pratica, com as constantes insinuações sobre “padrões irregulares” nas baixas. Se conhece assim tão bem a realidade das escolas, saberá certamente os procedimentos de tipo administrativo que levam a que alguns docentes tenham de retomar baixas médicas pouco depois de terminarem as anteriores. Nesses casos, já pode mandar inspeccionar com Juntas Médicas. Já pode “partir do princípio” que existe corrupção.

É este duplo padrão, não assumido, que me provoca uma enorme urticária em muitas declarações de um ministro que em relação a mlr aprendeu a “comunicar” de forma mais suave, menos agressiva, mas que no resto é quase igual, pois pretende o reforço do modelo unipessoal de gestão escolar e do poder d@s director@s.

Quanto ao “centralismo”, já ouvi esse argumento a muita gente e justificar-se-ia há 25 anos, quando não existiam sistemas informáticos que permitem a comunicação em tempo recorde. A “casa às costas” resulta dos procedimentos burocráticos, não de qualquer “centralismo”, se por isso se entende a existência de um lista ordenada (por distrito, por qzp) de candidatos à contratação. Uma lista ordenada única até facilita as coisas, se não obrigarem a colocações apenas à 6ª feira.

Não é qualquer “centralismo” que provoca a escassez de professores em certas zonas do país, mas os procedimentos draconianos impostos ao exercício da docência que não foram revertidos desde 2015, muito pelo contrário em alguns casos.

É uma falácia num país com a dimensão do o nosso. Não passa de uma desculpa para consolidar as cortes locais, em especial se avançarem com “perfis locais”, como se depreende desta passagem, como se os teip já não tivessem uma liberdade assinalável para recrutar quem bem entendem, à conta dos “projectos”. Só que a porta giratória dos técnicos especializados, à margem dos grupos de recrutamento tradicionais, não permitem a sua entrada nos quadros. E é disso que iremos estar a falar daqui a pouco tempo, mesmo que seja com outras palavras ou designações. O que está em causa é passar a considerar como “professores” e meter na carreira quem apenas vai “animar” umas cenas às escolas. Não é por acaso que tudo o que cheire a algo mais complicado em termos de Conhecimento é logo apelidado de “enciclopédico” e se considera que para dar aulas, basta ter “jeito para comunicar”.

Por exemplo, no caso de “escolas em ambientes mais difíceis”, como nas zonas abrangidas pelo Programa Territórios Educativos de Intervenção Prioritária (TEIP), “há perfis de competências que são muito necessários”, mas que não podem ser recrutados porque “o único critério para selecionar um professor é a nota que obteve no final do seu curso, mesmo que tenha sido há 20 anos, e os dias que trabalhou.”

Eu lecciono numa zona com “ambiente difícil”, possivelmente bem mais difícil que outros formalmente reconhecidos como tal. Precisaria de mais psicólogos, assistentes sociais, mediadores, sem serem contados à unidade. Para dar aulas, preciso de bons professores, cuja qualidade não pode ser aferida por quem se sentou num cadeirão há 10, 20 ou 30 anos e nunca mais deu uma aula. Mesmo se tem ligação directa para a 24 de Julho e tem a possibilidade de justificar desmandos diversos com o argumento da “conveniência de serviço”. E sentindo-se com as costas bem aquecidas, atropelam o que bem entendem e têm o desplante de ameaçar com processos disciplinares quem, dentro, conteste as situações abusivas, ou com processos judiciais quem, de fora, lhes desmascare os esquemas.

Se o ministro Costa desconhece isto, anda há 7 anos a apanhar bonés, o que eu não acredito.

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Desculpem lá, se estou a ferir sensibilidades “radicais”.

6ª Feira

Todos os governos, tod@s ministr@s garantem querer “dignificar a carreira docente”, mas há pelo menos 20 anos que sobre ela praticam as maiores indignidades. A mentira parece ser-lhe-á fácil e natural. Por estes tempos nota-se muito bem o resultado dessas políticas comuns ao “arco da governação” e parceiros de ocasião. Apesar disso, continuam a apresentar soluções erradas para “problemas” que criaram mas não reconhecem, muito menos terem sido sobre eles em devido tempo avisados. Realmente, há quem tenha sérios problemas de aprendizagem, mas não o reconheça.

Escrever Para Quê?

Em matéria de Educação já é há uns quantos anos redundante acerca de algumas matérias, apesar do evidente desconhecimento que muita gente parece ter de um passado que não é assim tão remoto. É cansativo estar sempre a revisitar matérias que se pensava terem sido objecto de aprendizagens consolidadas. Claro que há circunstâncias que muda e, muitas vezes infelizmente, também há que rever posições. Mas isso não implica escrever para “agradar” ou para mobilizar em ziguezague para causas que se julgam populares. Isso descredibiliza tanto ou mais do que o imobilismo das crenças inamovíveis. Escrevo porque acredito no conteúdo do que escrevo e, com esta ou aquela incoerência, se possível de forma consistente com a prática quotidiana. Sempre fui acusado de individualista, de sniper, mas isso não me ofende, porque corresponde à realidade. Tenho muita dificuldade em inserir-me em grupos, muito mais em “estruturas” que, é só dar oportunidade à natureza humana, tendem para a distorção dos princípios e objectivos originais, em nome do “realismo”, da “estratégia de longo prazo”, do “sentido de Estado” e todas essas vacuidades de sentido único. Claro que há compromissos que se tornam quase incontornáveis para se chegar a a algum lado, mas confesso que já não vejo bem que destino será esse. Pelo que, há uns bons anos, me limito mais a tentar defender algumas trincheiras ou a não ser esmagado contra a parede. E a ajudar quem possa a evitar isso. E tão só. E escrevo sobre isso. Não escrevo para “novos” ou “velhos”, em busca do apoio de uns contra outros. Não escrevo para atiçar uns contra outros, mas critico, à vez, o que me desagrada, e elogio – confesso que com muito menos frequência – o que me parece bem feito. Sei que desagrado algumas vezes a muita gente e em outras chateio muito algumas. E levo de volta, como seria de esperar, que isto de andar à chuva, molha sempre. Vem com o território, como se diz em outras paragens. Claro que há jogatanas “baixas”, assim a resvalar para o reles, a que me habituei muito antes destas coisas de bloguices e redes sociais. Regista-se, coloca-se em arquivo, não se esquece, mas a vida continua.

Escreve-se porque é um vício. Escreve-se porque, no fundo, ainda se quer comunicar com os outros. Escreve-se porque não se quer apenas reciclar o já usado. Muito menos por terceiros. Ou para marcar pontos. E nada como escrever de forma livre, sem sentir que temos de justificar a moeda paga por mais ou menos parágrafos.

Quando se escreve apenas para se ganhar algo com isso, já se vendeu a alma aos diabretes que nem diabos a sério chegam a ser. E nada pior do que uma pessoa vender-se por pouco. Ao menos, no dia em que um tipo enterrar as convicções bem fundo, que seja em troca de algo que valha mesmo a pena. Havendo Inferno, pecador me confesso, pelo que sei que lá tenho lugar reservado, não vale a pena fazer acordos da treta ou andar a encenar indignações para preencher calendários adventícios.

E quem não percebe isto, que me desculpe, é porque já entrei em modo quase zen e posso ter perdido clareza na expressão.

Sábado

A mortalidade materna voltou a níveis da primeira metade dos anos 80 do século passado. Com a mortalidade infantil, este foi um dos indicadores que, durante várias décadas simbolizou o sucesso do nosso SNS e do próprio desenvolvimento do país. Quando se verifica um salto regressivo tão grande é porque algo de muito mau tem acontecido e dificilmente terá apenas uma razão. Como em outros problemas, parece que, chegando a um patamar considerado de “sucesso”, por cá se desligam as preocupações e só voltam a tocar as sinetas de alarme quando já é tarde. Podem dizer que a culpa é do tempo, do chão que está torto, do povo que não faz bem as coisas, de quem não percebe a genialidade das políticas, mas é difícil deixar de fora a inépcia de quem governa, tem o pode de decidir e, em boa verdade, foi para isso que que se candidatou ou foi essa a função que aceitou quando disse que sim ao convite e telefonou aos amigos e família a dizer que ia passar a ter gabinete e motorista ao dispor. Não se queixem, nem se armem em injustiçados. Ou têm estaleca para a coisa ou ponham-se a andar que há coisas em que fazer difícil é pior.

E Se Pensarmos Ao Contrário?

Já pensaram que há escolas privadas que arriscam muito mais com os rankings do que a generalidade das públicas? Porque as escolas privadas, mesmo quando estão no pelotão da frente, andam em acesa disputa entre si e as “famílias” que investem largas centenas de euros por mês e depois descobrem que a “sua” escola fica 20, 30 ou 50 lugares atrás de uma outra privada, que até pode cobrar o mesmo ou menos, não muito longe, podem reconsiderar as suas opções. O que não entendem as pessoas cristalizadas na oposição público/privado é que onde as coisas são complicadas a sério, o privado desaparece ou mal aparece. Onde pululam é onde existe “mercado” e esse é feroz, profundamente feroz. E acreditem que a privada que ficou abaixo dos 20-25 primeiros lugares terá muito mais pressão do que a pública que ficou abaixo do 200º lugar. Não é por acaso que, para 2021, temos umas “novidades” no topo das privadas e isso não irá passar em claro em certos ambientes onde o investimento anual por aluno andará, com todos berloques de exibicionismo, perto dos 10.000 euros.

Se escrevo isto por lamentar a situação? Muito pelo contrário… apenas para que certas argumentações não sejam atrozmente simplórias.