3ª Feira

Ao fim de um mês de aulas, lá vai a primeira tarefa para fazer entre 5ª e 2ª feira. Eu que nem sou fã de tortura para crianças (com algumas excepções). Tarefa simples: identificar três espaços da escola que possam ser melhorados e um par de parágrafos sobre a “escola ideal” de cada alun@.

Resultado: 27 fichas entregues, 5 recebidas de volta. Não há feedback que aguente. Venham os embaixadores “maiatos” e expliquem-me como é que vamos intervir nos 22 agregados em falta.

Ahhhh… já sei. A culpa foi minha. Não interessa porquê, mas foi. É falha do “projecto”. Pelo menos é o que diz o modelo formativo do professor doutor Fernandes. O paradigma inovador, entenda-se.

Sábado

Passam 20 anos sobre a manhã em que, num intervalo das aulas, vi a queda da segunda torre. O século XXI começou ali em muito do que tem de mau, mesmo se fermentava há muito. Não compreendo quem, por ódio peculiar à “América” ou a alguns dos seus dirigentes e dos seus anteriores ou posteriores actos, relativiza a gravidade do que se passou ou entra por teorias conspirativas do mais variado género. Abominar o que representa o 11 de setembro de 2001 não é qualquer declaração de amor ao trio Bush/Cheney/Rumsfeld, às suas mentiras ou aos interesses económicos que levaram, em especial, à invasão do Iraque (sendo curioso ver a forma indecisa como os críticos da invasão do Afeganistão reagem agora à retirada americana e ocidental). Se há algo que me causa clara repulsa é a atitude que defende que certos actos se justificam conforme estejam a favor ou contra aqueles de que gostamos ou não. Não é preciso ser-se nazi para se condenar o bombardeamento de Dresden, mesmo tendo em conta que se estava em guerra (o mesmo é válido para Hiroshima, tirando a parte dos nazis). A barbárie não se justifica por ser contra “os outros”, ou seja, por inerência, “os maus”.

O Patusco Despacho 8127/2021

Entre outras passagens dignas de figurar em futura antologia legislativa educacional, destaco:

Artigo 3.º

Restrições à oferta alimentar a disponibilizar

1 – Os bufetes escolares não podem contemplar a venda dos seguintes produtos:

a) Pastelaria, designadamente bolos ou pastéis com massa folhada e/ou com creme e/ou cobertura, como palmiers, jesuítas, mil-folhas, bola de Berlim, donuts, folhados doces, croissants ou bolos tipo queque;

b) Salgados, designadamente rissóis, croquetes, empadas, chamuças, pastéis de massa tenra, pastéis de bacalhau ou folhados salgados;

c) Pão com recheio doce, pão-de-leite com recheio doce e croissant com recheio doce;

d) Charcutaria, designadamente sanduíches ou outros produtos que contenham chouriço, salsicha, chourição, mortadela, presunto ou bacon;

e) Sandes ou outros produtos que contenham ketchup, maionese ou mostarda;

(…) Artigo 4º (…)

2 – Os bufetes escolares podem ainda disponibilizar:

a) Queijos curados com teor de gordura não superior a 45 %, queijos frescos e requeijão;

b) Frutos oleaginosos ao natural, sem adição de sal ou açúcar;

c) Tisanas e infusões de ervas sem adição de açúcar;

d) Bebidas vegetais, em doses individuais, sem adição de açúcar;

e) Snacks à base de leguminosas que contenham: pelo menos 50 % de leguminosas e um teor de lípidos por 100 g inferior a 12 g e um teor de sal inferior a 1 g;

f) Snacks de fruta desidratada sem adição de açúcares;

g) Sumos de fruta e ou vegetais naturais, bebidas que contenham pelo menos 50 % de fruta e ou hortícolas e monodoses de fruta.

3 – O pão, a que se refere a alínea e) do n.º 1, deve ser prioritariamente recheado com:

a) Atum, de preferência conservado em água, ou outros peixes de conserva com baixo teor de sal;

b) Fiambre com baixo teor de gordura e sal, preferencialmente de aves, carnes brancas cozidas ou assadas;

c) Ovo cozido;

d) Pasta de produtos de origem vegetal à base de leguminosas ou frutos oleaginosos;

e) Queijo meio-gordo ou magro.

4 – O pão, a se refere o número anterior, deve ser preferencialmente acompanhado com produtos hortícolas, designadamente alface, tomate, cenoura ralada e couve roxa ripada.

Mas agora reparem no cuidado:

Artigo 12.º

Revisão dos contratos

Os agrupamentos de escolas e as escolas não agrupadas procedem, até ao dia 30 de setembro de 2021, se tal não implicar o pagamento de indemnizações ou de outras penalizações, à revisão dos contratos em vigor no sentido da sua conformação com o previsto no presente despacho.

Cuidado com saúde, mas com preocupações orçamentais. Nem um tostão a mais na promoção da comida saudável.

Isto É Que Daria Jeito, Mas…

PARTILHAR EFICIÊNCIA

OBJETIVOS

(em desenvolvimento)

DESCRIÇÃO

(em desenvolvimento)

BENEFÍCIOS E IMPACTOS

(em desenvolvimento)

MEDIDAS

(em desenvolvimento)

PARTILHAR EFICÁCIA

OBJETIVOS

(em desenvolvimento)

DESCRIÇÃO

(em desenvolvimento)

BENEFÍCIOS E IMPACTOS

(em desenvolvimento)

MEDIDAS

(em desenvolvimento)

As Minhas Séries

Desculpem-me a marcha-atrás em termos cronológicos, mas não podia deixar esta de fora. Um clássico do tempo em que a II Guerra Mundial fazia parte do nosso imaginário quotidiano, mesmo nas brincadeiras, e em que o confronto entre o Bem e o Mal tinha poucos relativismos. Podia não ser a melhor forma de ver a realidade, mas pelo menos não obscurecia demasiado os limites ao ponto de parecer tudo igual.

No Público Online

Aviso de texto longo mas, mesmo assim, só aflorando a coisa pela rama da árvore frondosa que muito esconde. E o início é mais detalhado para que não me apareça logo por aí criatura a dizer que não sei sobre o que estou a escrever (há uns anos aconteciam, em privado, uns mails manhosos a dar a entender que eu deveria estar calado sobre coisas que excedem em muito a competência reconhecida a um “básico”, embora em público não assumissem a azia).

O que é inegável é que com que os do costume colocassem a cabecinha de fora a clamar pela selecção dos melhores professores, sendo que tamanha obsessão é muito vulgar em quem não tem qualquer experiência docente, a menos que seja ali um biscate num colégio da confraria certa. Ou em quem tem o desejo muito mal disfarçado de fazer parte do comité de fuzilamento, desculpem, exclusão dos que consideram professores “pouco eficazes”. Pelo que se passou com a PACC sabemos bem o que isso costuma dar por estas paragens. E nem é bom falar na tertúlia de ex-ministros a protestar contra a formação de professores que tutelaram ou que poderiam ter ajudado a melhorar, quando estiveram no cargo ou em outros poleiros com influência.

Até à Lua e mais Além

(…)

A verdade é que, de acordo com um modelo de avaliação do desempenho docente inspirado em outras teorias da Economia da Educação, o reconhecimento da excelência está reservado a 5% dos docentes e apenas mais 20% podem ser considerados muito bons, o que nos deixa sem perceber que estímulos possam existir para a criação de um ecossistema docente em que se procure manter os “melhores” ou uma maioria dos mais “eficazes”, pois 75% deles não verá isso formalmente reconhecido em termos de progressão na carreira.

Mais grave, pelo contacto directo com vários processos de reclamação ou recurso das classificações atribuídas, percebe-se que os parâmetros e descritores usados em muitas escolas e agrupamento dão maior prevalência a aspectos burocráticos e administrativos da docência do que aos propriamente pedagógicos. E não é raro que se considerem como excelentes e muito bons docentes com uma carga lectiva muito mais reduzida do que outros ou com turmas com perfis que garantem, à partida, um melhor ambiente de aprendizagem e nível de desempenho. E sobre isso este estudo nada fala.