Uma Curiosidade

Que desconhecia, mas que o colega RF me fez chegar.

Trata-se de “informação vinculativa”, constante no Portal das Finanças.

13. As prestações de serviços de explicador só podem beneficiar da isenção prevista na alínea 11) do artigo 9.º do CIVA se ministradas a título pessoal e se versarem sobre matérias do ensino escolar ou superior, integrado no
Sistema Nacional de Educação.

14. Assim, as lições de explicador ministradas à distância, através da internet, não reúnem os pressupostos para beneficiar da referida isenção, sendo tributadas à taxa normal do imposto (23%), prevista na alínea c) do n.º 1 do artigo 18.º do CIVA.

Arqueologia Da Transição Digital

É de 2001 e ainda está assustadoramente actual nos seus fundamentos mais básicos. Na altura, coordenava uma sala de Informática na escola onde estava e pedi uns quantos (eram gratuitos, assim como uns guias ilustrados de programas da Microsoft) e serviram-me uns tempos como uma espécie de manual quando dava Iniciação à Informática. Guardei um para arquivo. Deslizando a linha no centro vê-se capa e contra-capa.

Casos – 13

Vou continuar esta via sacra, protegendo sempre o anonimato das fontes, quando solicitado, assim como evitando identificações quando isso não tem confirmação “oficial”, porque já sei como estas coisas funcionam, quando partem para a intimidação judicial.

Informo que na Escola Secundária (…), em Lisboa, há, pelo menos, duas turmas com alunos infetados e que nenhum aluno ou professor das turmas afetadas foi testado ou colocado em isolamento, continuando todos a frequentar a escola, pois a delegada de saúde considerou que eram “contactos de baixo risco”, devido à utilização da máscara. Apenas tenho conhecimento dos casos nas turmas a que leciono, pois esta informação não é divulgada pela direção à comunidade educativa.

Já Perceberam Porque A Posição Da Fenprof Acerca Disto É Mais Do Que Pífia?

Porque a rede escolar é uma enorme Festa Do Avante! Só que eu não comprei a EP.

Já a bancada comunista, pela voz da deputada Ana Mesquita, defendeu que o ensino presencial é “incontornável” e o contacto directo entre aluno e professor é “insubstituível”, sublinhando a importância de devem ser agilizados os processos de contratação de pessoal nas escolas.

O tanto que me apetece gozar com o “incontornável”, mas não sei se é o melhor momento para chalaças sobre volumetrias, pelo que a faço apenas em relação a mim próprio. “Incontornável” sou eu quando me meto no meio do corredor a mandar alunos ir por outro lado e respeitarem os trajectos certos.

4ª Feira

Ao contrário do que disse António Costa, os “especialistas” (designando-os assim parece que é mais fácil aglomerar as posições) não se “dividiram” quanto ao encerramento das escolas. Pelos relatos que existem, todos concordam que esse é um factor que ajuda bastante a reduzir o ritmo dos contágios. A diferença é entre os mais “técnicos” que referem isso como objectivo e os que são mais “políticos” e inserem os “mas” de outros tipos, seja que a redução dos contágios pode fazer-se na mesma, só que mais devagar, e os que decidem teorizar sobre as questões mais sociais. Mas que o encerramento das escolas é uma das duas medidas mais eficazes para reduzir o R (a seguir a proibir ajuntamentos acima de 5 pessoas) começa a ser uma conclusão clara dos estudos transversais feitos em vários países.

A decisão vai ser “política”, não por lhe faltar base “científica”, mas porque a “política” nos últimos dez meses falhou na preparação de uma segunda vaga com esta gravidade. Foram empurrando as coisas, a ver se “mitigavam” e agora estão a tentar disfarçar isso.

E depois, por estranho acaso, nas televisões, quando se fala nisto, só aparecem salas de aula amplas, com mesas individuais e distanciamento apropriado, como se essa fosse a situação generalizada nas escolas do país. O que está longe, muito longe, de ser a realidade no terreno. Mas o que interessa é dar a entender que o nosso parque escolar é um Parque Escolar. Não é, mesmo se a descendência (filhos ou netos) de algumas figurinhas deprimentes do nosso mercado mediático tem a sorte de andar nas escolas “certas”.

E Não É Que Se Confirma?

O que escrevi aqui, faz amanhã um mês, sobre o Plano de Capacitação Digital dos Docentes, incluindo o anexo com o questionário para determinar o “nível de proficiência digital” do pessoal? Era até 7 de Janeiro que tudo devia estar pronto ao nível dos Centros de Formação. É só aguardarem e receberão – se ainda não receberam – a respectiva comunicação sobre o tema, sendo que vamos ganhar mais dois acrónimos para a colecção: EDD (Equipas de Desenvolvimento Digital) e PADDE (Planos de Ação para o Desenvolvimento Digital das Escolas). Há muito dinheiro para a formação (deve ser uma parte dos tais 400 milhões), pelos que as “oficinas” (creditadas) até serão gratuitas e anunciam-se “equipamento individual” e “garantia de conectividade móvel gratuita” para professores e alunos.

Afinal, até parece que, mesmo sem acesso privilegiado à Corte, não ando para aqui a enganar ninguém.

O Puro Abuso De Poder Ao Serviço Da Ocultação

Eu sou do tempo em que uma declaração para a acta de um elemento de uma reunião era transcrita verbatim para o corpo da dita acta, podendo ou não suscitar outras declarações, até em discordância. Ainda me lembro de, como director de turma, ter de aceitar em acta, há uns bons anos, que a retenção de uma aluna (que tinha 8 negativas em 9 disciplinas) com voto meu de desempate numa decisão de 4-4, a iria conduzir para o caminho da perdição e prostituição à beira da estrada (o que não se confirmou, já agora).

Só que agora há controleir@s de actas a rever a posteriori, não o rigor das informações prestadas e a sua coerência com outros documentos, mas cada verbo, vírgula ou o que pode ou não pode ser declarado no que ultrapassa qualquer razoabilidade. Mesmo que essa atitude venha envolta em considerações informais do género “isso não é assunto para agora/aqui”. Ou conselhos de que quem ousa desviar-se da cartilha oficial do “tudo vai acabar bem” se pode meter em trabalhos. Em especial quando há tanta acta cheia de conversa de m€rd@ a fingir que é qualquer coisa, excepto o que é mesmo, enchimento de chouriças pseudo-pedagógicas arrancadas às velhas sebentas ou às formações ariano-costistas em franchisado. Ou da responsabilidade gente especializada em armar-se no que não pratica, a começar pela tolerância e flexibilidade.

(enfia o barrete quem quiser… até porque esta é uma prática censória mal disfarçada que se generalizou, não se pense que são situações “residuais”)