3ª Feira

Ontem, num canal televisivo que não fixei, estava um psicólogo (ou especialista equivalente) a falar da felicidade na Finlândia e a associá-la à Educação e à falta de exames e avaliação nas escolas. Esqueceu-se que também é um dos países com maior taxa de suicídios na idade adulta, mas isso não interessa nada à conversa fiada dos clichés.

Sábado

Crise generalizada nos serviços de obstetrícia na zona da Grande Lisboa (e em outras áreas do SNS, tanto de especialidade como geográficas). Ainda vão dizer que o problema começou em 2012 e que desde o final de 2015 andaram a estudar o problema. Mas, enquanto isto acontece, enquanto faltam professores (agora o problema parece ter-se deslocado para o Centro) e até polícias, diz-se que o número de funcionários públicos aumentou para máximos históricos. É impressão minha ou anda por aqui qualquer coisa mal contada? Mas para onde entrou tanta gente e o que anda a fazer, se a maior parte dos serviços agora empurram para resolução online? Tenho umas ideias… mas pode ser que sejam preconceituosas e impressionistas porque, afinal, eu também sou utente dos serviços públicos e raramente os vi tao implodidos.

Porque há muito o hábito de se falar no “peso do Estado” quando a mim parece é que há quem goste de fazer peso no Estado.

A Ler

Felizmente, ao que parece, em acesso “aberto”, porque ao Paulo também não pagam os textos, pelo que é o mínimo que se exige.

(afinal, já fecharam o acesso, pelo que deve ir ler-se aqui)

No nosso caso, e tomando como exemplo a falta estrutural de professores, é imperativo ouvir os peritos na realidade escolar e reduzir a enraizada prevalência dos especialistas tradicionais ou instantâneos.

Há Quem Diga Que Tenho Uma Visão Alarmista Das Coisas…

… mas hoje, uma jovem colega contratada que para ter um horário decente tem de estar numa escola de Lisboa e na minha, dizia-me que o desempenho dos alunos do 8º ano dessa outra escola é bem pior do que o apresentado pelos da minha, chegando a demorar quatro vezes mais tempo [palavras dela] a fazer a mesma tarefa (e não é que fique melhor). E eu fico a pensar que, afinal, isto anda muito pior do que eu pensava, só que a propaganda anda forte, mas não se devia recomendar.

Domingo

Uma coisa é estabelecer uma relação proveitosa entre Escolas e Familias, entre os directores de turma e encarregados de educação, outra aceitar ou incentivar uma porosidade imensa, em que os limites e fronteiras se esboroam e existe uma já vale tudo nos contactos entre alunos, professores e familiares. As culpas não são unívocas, mas é óbvio que são maiores da parte dos adultos que não parecem perceber que uma relação saudável em regime de 24/7 talvez possa estabelecer-se a 2, quiçá em modelos familiares a 3, 4, 5, mas é praticamente impossível a 20-25-30 ou o que calhar. Se queremos regressar à “normalidade” pós-pandémica (mesmo se a pandemia continua), isso não pode ficar-se apenas pelo deixar a máscara e voltar a ficar outra vez ao portão das escolas, entupindo entradas e saídas, em conversas de ocasião. Voltar à normalidade também é parar com os excessos que marcaram o período não presencial em matéria de contactos escola-famílias. Já expliquei que não uso o WhatsApp para contactar alunos ou encarregados de educação, limitando-me ao mail e ao telefone institucional da escola, salvo circunstâncias muito excepcionais. Nada me obriga a algo diverso, desde que continue a cumprir com os meus deveres. Por isso, não telefono a pedido ou a gosto, assim como envio as informações relevantes para todos os (teoricamente) interessados. Não sou dado a apaparicanços em busca de simpatias e validações externas, mas não deixo de dar as informações que acho indispensáveis. No período “anormal” da pandemia ouvi e li de tudo um pouco, desde que era excessivo nos meus mails semanais até que me recusava a receber encarregados de educação (o que era a regra, então, não apenas nas minhas paragens), passando pelo caricato de me acusarem de “assédio” (!) porque comuniquei que NÃO faria contactos a partir do meu telefone pessoal em horário não laboral.

Por isso, acho que muito do que vem na peça do Expresso sobre o “novo” modo de transformar a vida dos professores num consultório aberto a toda a hora também resulta do receio em se ser pouco simpático e receber queixas por marcar as fronteiras com clareza. Tal como as regras na sala de aula devem ser definidas com clareza em devido tempo, com a margem indispensável para episódios excepcionais, também as regras dos contactos entre professores e encarregados de educação (ou outros familiares dos alunos), só ganham se não forem arbitrárias, confusas ou laxistas. Por vezes, há quem só colha aquilo que semeou. Eu prefiro colher alguma incompreensão, mas no horário adequado. E quanto a pressões, já se sabe que sou pouco “impressionável” e que tenho dois cotovelos, mesmo em termos digitais.

“Classificar”, Senhor Ministro, “Classificar”!

Mas nada como ver para crer.

O ministro da Educação afirmou esta quinta-feira que a realização de exames em formato digital tem diversas potencialidades como permitirem em muitas questões uma classificação automática libertando professores que deixam de “passar o Verão a avaliar provas e exames”.