In Memoriam (1922-2018)

stan lee

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Chuva, Chuvinha

Não podias ter inundado as salas da minha escolinha, porque quero ir para casa como a minha filhinha?

rain

(isto de ter uma escola pública a várias velocidades dá nisto… chove um pouquinho e parece que houve uma tempestade tropical no deserto)

Mas Quem Começou As Fake News?

De forma não tão sistemática, com canais específicos, mas de forma cirúrgica? Haverá na nossa imprensa “de referência” quem se chegue à frente a contar nem que seja um pouco do que sabe? Daquilo que se combina(va) ao almoço, com uns telefonemas? Pseudo-notícias ou factos plantados, nem sempre com assinatura ou entregues a estagiários, na base de dossiers pré-cozinhados e não verificados? E nem é bom recuarmos até aos famosos “factos políticos”…

Agora andam muito preocupados com o assunto, que no Brasil e na América e os russos e tal, mas onde está a lista dos tais avençados que ninguém quis divulgar, ou melhor, que alguém decidiu que se não divulgava?

Genesis1

 

O Problema Do Fact Checking Pode Ir Além Dos Factos A Verificar

Descobri o que era um “verificador de factos” (fact checker) com Jamie Conway, o desorientado protagonista de As Mil Luzes de Nova York de Jany McInerney, que comprei naquela vaga de meados(segunda metade dos anos 80 que nos trouxe também as estreias do Breat Easton Ellis e do David Leavitt. Talvez como deformação da formação em História ainda em processamento, tinha a ingénua crença de que as pessoas procuravam escrever com algum respeito pelos factos, mesmo quando produziam “opinião”.

Apesar do livro ser sobre toda uma outra coisa, percebi que na imprensa americana “de referência” tudo o que pudesse ser objectivamente verificável o era, mesmo em artigos de opinião, e que os autores eram informados da necessidade de corrigir erros factuais, mesmo em colunas de “opinião”. Sendo a liberdade de expressão um valor sagrado, também era sagrado o direito a ser processado por quem emitisse opinião fundamentando-a em falsidades. Ou seja, de acordo com esta lógica podemos chamar a maior besta a uma qualquer pessoa desde que o motivo para tal esteja factualmente correcto. Ok… o senhor tal gosta de ajudar cãezinhos abandonados? Eu posso expressar a minha pior opinião sobre ele, desde que não falseie o que ele faz. Outra coisa é adjectivá-lo porque o viu a surripiar um chocolate no supermercado X na rua Y, quando não existe nenhum supermercado X na rua Y, mas na Z logo ao lado e na rua Y existe é o supermercado Z.

Alguns do maiores escândalos na imprensa americana teve origem na descoberta da falsificação de factos por repórteres ou articulistas de alguns dos seus mais importantes órgãos de comunicação. Por vezes, mesmo detalhes em peças de jornalistas com uma longa carreira de rigor. Com Dan Rather falhou esxctamente a verificação ou validação da veracidade de documentos usados para abordar a carreira militar de Bush Jr.

Por cá, nada disto se passa. Nem em peças jornalísticas e muito menos em artigos de opinião. Quase nada é verificado, em especial se a fonte é “oficial” ou “amiga” ou o que se escreve se ajusta às crenças pessoais. E não falo em selecção de factos, algo sempre necessário perante massas de informação cada vez maiores que é impossível reproduzir, mas na sua truncagem ou manipulação deliberada. Há erros inocentes, falhas causadas pela pressa, por enganos no processamento de informação e existe outra coisa… aquilo a que se passou a chamar “factos alternativos” e “narrativas” cuidadosamente preparadas para ser divulgadas em redes comunicacionais,

A produção de informação raramente é escrutinada e os “provedores” que foram aparecendo, tirando os do Público e alguns do DN, raramente foram além da superfície do problema quando se apresentavam queixas. Ainda é recente a triste reacção do “provedor” da RTP à denúncia de uma série de falsidades de um comentador de um programa onde devia apagar a luz sempre que ele fala, não por causa das “opiniões”, mas sim da forma errónea como apresenta como factos o que são puras invenções.

Mas a inexistência de fact checking não é o único problema. Outro é o de, quando existe essa tentativa, quem está encarregue de fazer a verificação dos dados não ter qualquer formação específica na área em causa ou falhas evidentes na capacidade de analisar criticamente a informação disponível.

Exemplifico com algo comum na Educação: quando um qualquer governante faz declarações políticas com base em dados tidos como “oficiais”, o habitual é ou nem sequer contestar a fiabilidade desses dados ou usarem-se duas fontes “externas” de informação para confirmar (ou não) o que foi afirmado: a OCDE e/ou a PORDATA. Qual o problema? A fonte dos dados dessas organizações é o próprio ME e as suas publicações oficiais. Pelo que se está a verificar algo afirmado por alguém do ME recorrendo a informações só teoricamente “independentes” pois foram obtidas junto do próprio ME.

Se o fact checker for preguiçoso ou ignorante na matéria, acaba-se como há uns meses no DN, com o fact cheking a precisar ele próprio de ser verificado. Pelo que não chega anunciar-se que se está a fazer verificação de dados; é preciso saber como verificar, onde buscar a informação, como a analisar. Não chega comparar números ou listas de compras. O fact cheking não pode ser encarado com condescendência ou como uma área menor do jornalismo e muito menos se deve circunscrever à análise do discurso político. O próprio discurso jornalístico deve ser verificado antes de ser produzido. Tal como a “opinião” não pode ser uma espécie de selva onde tudo vale.

Not sure if you should trust what you’re reading?  Get in the habit of fact-checking! 

Fact-checking and accountability journalism project

Deciding What’s True

The Rise of Political Fact-Checking in American Journalism

The 2018 FactCheck Awards

We highlight the unique and unusual campaign videos from the midterm elections.

Ameaça de Decisão Certa Com Base em Argumentos Insuficientes Ou Apenas Spin?

Não acredito muito na poeira de spin lançada hoje na última página do Expresso sobre um eventual veto presidencial ao decreto “unilateral” do governo sobre a recuperação de tempo docente.

Porque não acredito?

Simples: porque os argumentos usados surgem como sento apenas “políticos” e não envolvem – a acreditar na “notícia” – a parte jurídica de um projecto de decreto que é um desastre em pelo menos dois planos.

O primeiro é o que sublinha que assim existiriam diferentes formas de contabilizar o tempo de serviço entre os professores que leccionaram no Continente e os que leccionaram na RAMadeira (quanto aos Açores ainda não se percebeu), sendo que até terá sido esse o motivo de uma “consulta” governamental, antes apontada (em outra “notícia”) como razão do atraso para a publicação da legislação em causa.

O segundo, para mim talvez mais relevante do ponto de vista da pura maldade/incompetência jurídica do Governo/ME (sendo que me dizem que no ME há um jurista de 6 estrelas numa escala de 5) é o facto de promover ultrapassagens, com evidentes benefícios materiais para quem progrida em 2019 sobre quem já progrediu este ano, entre professores.

Penso que esta notícia poderá ser uma forma moderadamente habilidosa de justificar o atraso e até algum possível acerto na formulação do dito decreto (com combinação prévia com a Presidência), para evitar uma contestação jurídica que, se os sindicatos não fizerem, já há quem esteja disposto a fazer. Note-se ainda que metade do texto repete o que já fizera parte de uma peça anterior no mesmo jornal e, em termos substantivos, nada trazer de novo.

Ou então… como em tempos em que se atiravam os factos consumados para cima dos professores e depois logo se viam se eram legais (lembremo-nos que o actual PM é desses tempos e nunca o considerei vagamente compreensivo em relação à classe docente, para a qual se está nas tintas), o decreto sai mesmo em cima da quadra natalícia.

Exp10Nov18

Expresso, 10 de Novembro de 2018

(claro que o PR pode estar, finalmente, consciente do papel de idiota útil em matérias onde terá sido embarretado até aos pés, a terminar no “milagre de Tancos”)

E Demonstrar A Validade do Argumento Pela Sua Aplicação Prática Durante A Sua Enunciação?

Conto muitas vezes aquele episódio, numa formação com quase 20 anos, em que um arauto do novo regime de autonomia escolar (RAAG) dos tempos de Marçal Grilo associava essa legislação ao projecto de gestão flexível do currículo e à necessidade de alterar o modelo de escola e de aula, combatendo as concepções directivas e demasiado estruturadas, mas que não aceitava que lhe fossem colocadas dúvidas ou fossem solicitados esclarecimentos durante a hora e tal da sua exposição.

Hoje, passei por algo parecido, apenas com a vantagem do “formador” ser mais empático e comunicativo, mas partilhar o mesmo conceito de enunciação de uma metodologia que não se aplica na prática, ali diante de quem se quer convencer da sua enorme validade. Eu explico: defendendo que o modelo “tradicional” de escola estar “esgotado” e ser necessária uma nova forma de encarar o ensino/aprendizagem, nomeadamente no sentido de incorporar práticas mais colaborativas e uma comunicação mais activa na sala de aula com os alunos, envolvendo-os mais na construção do seu conhecimento, o conferencista apresentou as suas ideias sem interrupções perante uma audiência de dezenas de professores, depois de uma pequena introdução em que dialogou com algumas pessoas, e só aceitou questões por escrito a que respondeu, em novo bloco sem interrupções ou diálogo, depois da pausa para café e biscoitos.

Escapa-me sempre aquele conceito de “interactividade” que se defende como o melhor para aplicar nas aulas com a petizada, mas parece inadequado para uma demonstração num ambiente que deveria ser bastante favorável pois todos ali estaríamos, à partida, receptivos a esse tipo de diálogo e interactividade. Eu estava. Pelo contrário, não estava para entregar uma questão em papelinho a seleccionar, sem qualquer hipótese de troca de argumentos.

E depois há quem diga que me fascinam pouco as teses “inovadoras” apresentadas só no papel e com fotos de salas muito coloridas e sorridentes.

calvin exams

Dúvida de Nível

Se transformarmos a escala de 1 a 5 numa escala à mesma com 5 níveis, mas com designações descritivas, em que duas delas correspondem a desempenhos em que não são alcançados os objectivos (“não conseguiu” e “sem elementos de avaliação”, por exemplo) já estamos a flexibilizar e a ser inovadores e coiso e tal?

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